Camilo Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Camilo

O saldo da passagem de Lula pelo Ceará

Por Wanfil em Política

06 de Abril de 2016

Estive afastado do blog por alguns dias e agora, ao retornar, não posso deixar passar em banco o comício que Lula fez no Ceará, contra o impeachment de sua cria política Dilma Rousseff, no último sábado (2). Foi até melhor, pois com a poeira sentada fica mais fácil ver o que aconteceu.

Pois bem, passados quatros dias, qual o saldo do evento? Faço aqui uma listagem:

1 – Lula ainda não é ministro da Casa Civil – Ao dizer que tomaria posse até quinta (7), deu a entender, mais uma vez, que poderia ter informação antecipada sobre decisão do STF. Resultado: a liminar que o impede de assumir não será analisada nesta semana;

2 – O processo de impeachment contra Dilma continua tramitando – Segue conforme o rito definido pelo Supremo, com direito à ampla defesa da presidente na comissão que trata o assunto na Câmara, feita pelo titular da Advocacia Geral da União, José Eduardo Cardozo, revelando que, na prática, o governo sabe que o processo é legal, não obstante o discurso de golpe;

3 – O PDT cearense sumiu do palanque – Pois é. Nem Ciro (que recentemente xingou Lula de “merda”), nem Cid, nem André Figueiredo, muito menos o prefeito Roberto Cláudio quiseram acompanhar Lula na “defesa da democracia”. No palanque restaram Camilo Santana e Luizianne Lins, ambos do próprio PT. A liderança do PDT não foi por quê? Estava muito ocupada? Discorda de algo? Não quer ver a imagem do prefeito ligada a um investigado por corrupção, no caso, Lula? Ninguém sabe. Assim fica difícil convencer o PT a apoiar a reeleição de um pedetista na capital;

4 – A volta da refinaria – No momento mais surreal da passagem, mais revelador de uma moral e de uma forma de fazer política, o ex-presidente disse que retomaria o projeto da refinaria da Petrobras para o Ceará. Isso mesmo, aquele que mudaria a economia do Ceará, que seria um divisor de águas, que estava garantido, que teve pedra fundamental lançada pelo próprio Lula, mas que era desconhecido pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), porque não existia projeto. Golpe mesmo, materializado, consumado, foi este, eleitoreiro, contra os cearenses. A mentira torna-se ainda mais deslavada pelo fato de que a Petrobras foi arruinada pelos governos Lula e Dilma, pelas razões que todos já conhecem agora.

Saldo
Para o Ceará o saldo foi zero. Até o momento, o comício serviu apenas para manter acesa a disposição dos 10% que apoiam a presidente Dilma, contra os 70% que desejam o impeachment da presidente.

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Pesquisa mostra que o pessimismo avança no Brasil

Por Wanfil em Política

19 de Janeiro de 2016

No final de 2015 conversei com o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), em entrevista para a Tribuna Band News FM (101.7). Destaquei aqui no blog o fato de Camilo definir a si mesmo, por diversas vezes, como um otimista, mesmo diante de tantos problemas no Brasil e no Ceará. Para governistas em geral, sem discurso e sem apoio popular, o otimismo virou profissão de fé.

Naturalmente, a situação é inversa para a oposição, como é possível perceber na  entrevista que o senador Tasso Jereissati (PSDB) concedeu ao jornal O Povo, publicada na segunda (18) e marcada, a meu ver, por um sentimento de pessimismo já próximo ao desalento, com a conjunção de um governo sem rumo e um sistema político incapaz de apontar saídas para a crise. Situação destacada pelo jornal já no título da matéria: “‘Um impeachment de Dilma é improvável‘, afirma Tasso Jereissati.”

É que, de acordo com o senador, “na hora da luta pelo poder mesmo, e aí existe muito fisiologismo e clientelismo, ela [Dilma] tem maioria. Não existe maioria parlamentar para derrubá-la”. ou seja: a situação é tão ruim que mesmo com todos os descalabros, o governo se sustenta na base do velho toma lá, dá cá.

A pesquisa
Por falar em pessimismo e otimismo, por coincidência o jornal O Estado de São Paulo publicou nesta terça (19) um editorial sobre o tema. Reproduzo trecho:

“Esse desânimo crescente foi detectado por uma pesquisa do Ibope Inteligência em parceria com a Worldwide Independent Network of Market Research, feita em 68 países, a respeito das expectativas para 2016. Entre os brasileiros, a fatia dos que acreditam que este ano será melhor do que 2015 é de 50%, abaixo da média mundial, que é de 54%. Já os pessimistas, isto é, aqueles que acham que 2016 será pior, chegam a 32% da população, enquanto na média dos países pesquisados essa fatia é de apenas 16%.”

Pessimismo crescente
Em outro trecho, o editorial demonstra o avanço do pessimismo durante as gestões do PT:

“O porcentual dos que se dizem pessimistas no País era de apenas 6% em 2011, quando Dilma debutou no Planalto. No ano seguinte passou para 8%, chegou a 14% em 2014, atingiu 26% em 2015 e agora passou dos 30%. Em compensação, a fatia dos que acreditavam na melhora das condições de vida recuou de 73% em 2011 para 57% em 2014 e depois para 49% em 2015. Agora está em 50%, uma melhora insignificante. Ou seja, enquanto o sentimento positivo em relação ao futuro está estagnado, o pessimismo galopa.”

A última esperança
É isso. O próprio arrefecimento da ideia de impeachment, pelo menos por enquanto, como solução para a crise, é sintoma do que o Estadão chama de “expansão acelerada do sentimento negativo em relação ao futuro”.

Se as investigações sobre crimes eleitorais no TSE não derem em nada, resta ainda a esperança de que o pior tem data para acabar, pois forçosamente o mandato de Dilma acaba, no máximo, em três anos. Até lá, restará saber quanto nos custarão seus erros.

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Golpe da refinaria gera reação pífia dos representantes do Ceará. Que papelão!

Por Wanfil em Política

30 de Janeiro de 2015

A repercussão no Ceará ao golpe eleitoreiro aplicado por Lula e Dilma, que se valeram da Petrobras para ludibriar os incautos, infelizmente foi decepcionante.

O governo do Estado divulgou nota informando que o governador Camilo Santana, que também é do PT, ficou surpreso e indignado com a decisão – atentem para o alvo – da Petrobras. Vale lembrar que os cearenses não votaram para eleger presidentes da Petrobras, mas para eleger quem os nomeasses, devidamente informados do compromisso assumido por Lula e Dilma, supostamente com base em informações técnicas. Deu no que deu. A dupla obteve votações recordes e a refinaria não veio. Nem virá, diga-se. Mais adiante explico melhor os motivos (e seus números).

Na mesma linha, o deputado Zezinho Albuquerque, do partido de aluguel Pros, presidente da Assembleia Legislativa, muito polidamente classificou a farsa de “descortesia”. Será que Graça Foster não sabe que o parlamento cearense promoveu um concurso de redação para estudantes sobre a importância do empreendimento? Parece que não.

Pois bem, com a má repercussão do calote (sim, pois promessa é dívida), as autoridades locais ficam politicamente fragilizadas, afinal, a parceria com o governo federal era alardeada como condição fundamental para o desenvolvimento do Ceará, ressaltando sempre que a refinaria dobraria o PIB do Estado. Desse modo, Camilo e Zezinho anunciaram a reação.

Ficamos sabendo, ainda pela nota, que o governador ligou o chefe da Casa Civil da Presidência da República, o petista Aloízio Mercadante, para pedir uma audiência com Dilma. Na hora de pedir voto, ela soube vir aqui sem a necessidade de intermediários, mas na hora de dar explicações, tem que marcar hora com o secretário da chefe. Quem sabe ela faça o favor de receber Camilo, não é? Já Zezinho avisou que continuará cobrando a refinaria, como se isso fizesse alguma diferença para o Palácio do Planalto. A falta de senso aí beira a uma psicopatia. Parece delírio esquizofrênico.

Essas lamúrias, beicinhos e queixumes não têm efeito prático algum nesse caso, porque não dão nome aos bois, nem indicam atitudes concretas. Além do mais, o silêncio do agora ministro Cid Gomes, principal avalista da promessa não cumprida e líder de Camilo e Zezinho, é sinal de que o remédio para a base é mesmo se conformar e pronto. Sabe como é: aliados bem comportados não devem constranger Dilma e Lula. Portanto, qualquer aceno de que datas podem ser revistas mais adiante para a retomada da refinaria não passará de mentira grande. Volto agora à explicação sobre os motivos pelos quais a refinaria não virá pelas mãos dessa turma: o balanço não auditado da Petrobras, divulgado com dois meses de atraso, mostra que a dívida bruta da estatal em 2014 é de 331,704 bilhões de reais, um aumento de 157% em relação a 2011. Assim, Petrobras tem a maior dívida corporativa do mundo.

De resto, o momento de cobrar a refinaria já passou: era antes da eleição. Agora não adianta chorar o petróleo que não vem. A saída seria falar a verdade, que a refinaria não vem porque nas gestões Dilma e Lula a ineficiência e a corrupção descapitalizaram a Petrobras, em benefício da patota governista e de algumas empreiteiras. Mas isso a maior parte das nossas autoridades não pode falar, por motivos óbvios. Isso não impediria, no entanto, que a bancada cearenses, sob o comando do Palácio da Abolição, mostrassem disposição para romper com o governo nas votações de interesse do governo federal. Se aliados, são tratados assim, quem lhes pode cobrar obediência? Vale lembrar que o Ceará, um Estado pobre, gastou 657 milhões de reais por causa da refinaria de mentira. Portanto, motivos para brigar não faltam, o que falta é independência, coragem e indignação de verdade.

PS. Já que a Assembleia Legislativa se empenhou tanto em lutar pela refinaria, embora nada pudesse fazer, talvez possa pelo menos tornar “personas non gratas” no Ceará os senhores Sérgio Gabriele e Lula, e as senhoras Graça Foster e Dilma Rousseff. Hummm… Deixa pra lá né?

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Camilo deixa PT de fora da transição e confirma: o cidismo continua firme no poder

Por Wanfil em Partidos

14 de novembro de 2014

O governador eleito Camilo Santana (PT) definiu os nomes para sua equipe de transição: a vice-governadora Izolda Cela (Pros), o deputado estadual e ex-secretário da Fazenda Mauro Filho (Pros), o chefe de Gabinete de Cid Gomes, Danilo Serpa (Pros), o secretário adjunto do Planejamento, Orçamento e Gestão, Carlos Eduardo Sobreira, e o pai do governador, Eudoro Santana.

Continuísmo
O PT ficou de fora. É possível dizer que a sigla está contemplada com o próprio Camilo, mas o fato é que o governador eleito nunca figurou como liderança do petismo no Ceará. Na verdade, ele sempre foi visto mais como um expoente do grupo ironicamente chamado de “PT cidista”. Outra justificativa seria alegar que os nomes foram escolhidos pelo critério de conhecimento da atual gestão. No entanto, se é assim, de onde virão as novas ideias? De Eudoro Santana? Sem integrantes que incorporem a visão da nova gestão para as prometidas correções de rumos, a equipe não sugere continuidade, mas continuísmo puro e simples.

Transição é o momento em que a nova equipe passa a se inteirar dos detalhes da gestão anterior, mas como está, feita por nomes que já são do Executivo, não há transição, mas manutenção da atual linha de governo. É  o terceiro mandato de Cid.

Desconfiança
Como na política todo ato tem um significado simbólico, o anúncio deixa transparecer que existe, se não uma desconfiança, uma falta de afinidade política entre Camilo e o comando estadual do seu partido. O Pros teria mesmo grande espaço, disso ninguém duvidava, afinal, o partido tem maioria na Assembleia Legislativa e foi quem, na prática, bancou a campanha de Camilo. Prova disso foi que o padrão visual da campanha foi o amarelo e não o tradicional vermelho, fato que causou algum constrangimento interno no PT. Além do mais, Cid Gomes não escolheria um candidato que, eleito, transferisse o núcleo do poder para outras paragens. Mas daí a ver o PT excluído desse momento, vai uma distância grande.

O fato é que nesse processo de transição, o Pros – que é, como sempre digo, a sigla de aluguel que hoje abriga o grupo político liderado pelos Ferreira Gomes -, continua como o centro gravitacional em torno do qual orbitam as demais forças governistas. Dificilmente a Casa Civil, a Fazenda, a Infraestrutura, a Segurança, a Educação e o Turismo, pastas poderosas e estratégicas, ficarão com indicações do PT.

Coadjuvante
Resta aos petistas agora esperarem por algum prêmio de consolação, algumas secretarias de menor porte e importância, como Pesca ou Esporte. É claro que o partido vai reclamar, pressionar, jogar duro, para tentar ocupar espaços de maior relevância. Pode até conseguir barganhar algo, mas a perspectiva de que o arranjo governista fosse formado a partir da primazia do PT seguido dos demais aliados desmoronou. Se o petismo chegou a sonhar com algum protagonismo, pode acordar, pois começa o governo Camilo como coadjuvante.

A essa altura, Luizianne Lins deve dizer assim para José Guimarães: “Eu avisei”.

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As estratégias de campanha na primeira semana do horário eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

22 de agosto de 2014

A horário eleitoral de 2014 começou, com aquele conjunto de regras e conceitos estéticos muito bem demonstrados pelo humorista Marcelo Adnet no vídeo Propaganda Eleitoral Gratuita A Verdadeira. As músicas, os enquadramentos, os testemunhos de sempre estão todos lá, com variações de cor, direção e qualidade, mas sem inovações.

Como a campanha ainda está no começo, a estratégia das campanhas consiste na apresentação dos candidatos.  É o momento de tentar fixar as primeiras impressões. Assim, resumo em poucas linhas o que foi, a meu ver, essa semana de estreias das principais candidaturas, segundo as últimas pesquisas de opinião:

PRESIDENTE

Dilma Rousseff (PT): foram os melhores programas para essa disputa. Não me refiro ao conteúdo político, mas ao  objetivo primordial de promover uma candidatura, sua estrutura técnica e estratégica. Neles, Dilma surge como a gestora eficiente que também é sensível e gosta de cozinhar, aquele que venceu (verbo no passado) a crise internacional e que toca grandes obras. A campanha sacrifica a imagem de liderança que se espera de um presidente, para reforçar a condição de ministra escolhida por Lula. É a continuação previsível da propaganda de 2010. Não por acaso, Lula aparece para referendar a candidata e acusar a impressa de agir como oposição, com o evidente intuito é desqualificar críticas e cobranças que deverão ser feitas no decorrer da disputa pelos adversários.

Aécio Neves (PSDB): ainda não disse a que veio. É apresentado como bom moço, político jovem e experiente, popular e competente governador de Minas Gerais. Não conseguiu ainda estabelecer contrastes com Dilma. de modo genérico fala em retomada de crescimento e intolerância contra a inflação. Pode ser estratégia, com o típico jeitinho mineiro de comer pelas beiradas, chegando de mansinho, como quem não quer nada. Enfoca bastante a expressão “bem-vindo”, para reforçar a ideia de novidade e provocar a hospitalidade do eleitor. Só depois de ganhar a confiança do público é que os programas devem ser mais incisivos.

– Marina Silva (PSB): é a surpresa do momento. Não precisa dizer nada, pois a cobertura sobre a morte do candidato Eduardo Campos a colocou em evidência. Trabalha para aparar arestas internas em sua coligação. Como já era conhecida da eleição passada, seu recall é alto.

GOVERNADOR

Eunício Oliveira (PMDB): foram os melhores programas para governador nesse começo, também no sentido estratégico, sem avaliar conteúdo político. Eunício é apresentado como um autêntico self made man. A narrativa cinematográfica é construída, com começo meio e fim. Apresenta o candidato na casa humilde em que nasceu, com direito a dramatização, seguido de uma trajetória de sucesso. É um roteiro que o público aprova. Busca testemunhos de populares e da família. No geral, os programas procuram mostrar que Eunício concilia capacidade administrativa e experiência política, tendo como maior qualidade a disposição para ouvir. Mostrou ainda imagens ao lado de Lula, de quando foi ministro do ex-presidente~. Até o momento, nem o PT, nem Lula, reclamaram.

Camilo Santana (PT): os programas lembram muito a campanha de Roberto Cláudio para prefeito de Fortaleza, em 2012: texto, música, cores e cenários parecidos, talvez para compensar o fato de que o candidato é pouco conhecido, correndo o risco de não construir uma identidade própria para o candidato. O tempo dos programas é dividido entre falas curtas de Camilo, testemunhos de Cid Gomes e membros do governo estadual, e do prefeito Roberto Cláudio. Os programas mostram obras e projetos das secretarias que foram comandadas por Camilo, para conferir sentido à escolha de Cid Gomes. Curiosamente, Camilo destaca sua capacidade de ouvir, uma reação que tenta anular o discurso de Eunício Oliveira.

Eliane Novais (PSB): é apresentada simplesmente como a candidata do partido de Eduardo Campos. Boa parte do seu tempo foi marcado por homenagens, que além de compreensíveis, ajudam a fazer uma associação da candidata com o líder agora mais do que conhecido do público. Os textos também ressaltam a coragem como qualidade inata da candidata.

Senador

Tasso Jereissati (PSDB): como dispensa apresentações para eleitores acima de 30 anos, a mensagem dos programas focou o público jovem. A aposta é deixar a história política do candidato falar por ele, mostrando imagens de realizações de Tasso enquanto governador e projetos aprovados no Senado. A imagem de político independente, sem padrinhos e com liderança própria, consciente de sua responsabilidade e apaixonado pelo Ceará é trabalhada de forma ágil e leve. Ao mostrar que foi o responsável por obras como o Porto do Pecém e o Castanhão, a campanha busca resgatar empreendimentos que até hoje aparecem na propaganda governamental, mas que aos mais jovens pareciam realizações de gestões mais recentes.

Mauro Filho (Pros): sua propaganda vem no conjunto da coligação de situação. Mauro é o candidato do Camilo, que por sua vez é o candidato do Cid. Os programas não focam, portanto, na liderança, mas na capacidade técnica do candidato, construindo um perfil que conjuga na mesma pessoa o professor acadêmico com o político e o gestor público. Também recorre aos padrinhos para ficar mais conhecido, o que é natural nessa situação, diga-se. No começo, é isso, uma escolha de confiança do governo.

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As estratégias de campanha na primeira semana do horário eleitoral

Por Wanfil em Eleições 2014

22 de agosto de 2014

A horário eleitoral de 2014 começou, com aquele conjunto de regras e conceitos estéticos muito bem demonstrados pelo humorista Marcelo Adnet no vídeo Propaganda Eleitoral Gratuita A Verdadeira. As músicas, os enquadramentos, os testemunhos de sempre estão todos lá, com variações de cor, direção e qualidade, mas sem inovações.

Como a campanha ainda está no começo, a estratégia das campanhas consiste na apresentação dos candidatos.  É o momento de tentar fixar as primeiras impressões. Assim, resumo em poucas linhas o que foi, a meu ver, essa semana de estreias das principais candidaturas, segundo as últimas pesquisas de opinião:

PRESIDENTE

Dilma Rousseff (PT): foram os melhores programas para essa disputa. Não me refiro ao conteúdo político, mas ao  objetivo primordial de promover uma candidatura, sua estrutura técnica e estratégica. Neles, Dilma surge como a gestora eficiente que também é sensível e gosta de cozinhar, aquele que venceu (verbo no passado) a crise internacional e que toca grandes obras. A campanha sacrifica a imagem de liderança que se espera de um presidente, para reforçar a condição de ministra escolhida por Lula. É a continuação previsível da propaganda de 2010. Não por acaso, Lula aparece para referendar a candidata e acusar a impressa de agir como oposição, com o evidente intuito é desqualificar críticas e cobranças que deverão ser feitas no decorrer da disputa pelos adversários.

Aécio Neves (PSDB): ainda não disse a que veio. É apresentado como bom moço, político jovem e experiente, popular e competente governador de Minas Gerais. Não conseguiu ainda estabelecer contrastes com Dilma. de modo genérico fala em retomada de crescimento e intolerância contra a inflação. Pode ser estratégia, com o típico jeitinho mineiro de comer pelas beiradas, chegando de mansinho, como quem não quer nada. Enfoca bastante a expressão “bem-vindo”, para reforçar a ideia de novidade e provocar a hospitalidade do eleitor. Só depois de ganhar a confiança do público é que os programas devem ser mais incisivos.

– Marina Silva (PSB): é a surpresa do momento. Não precisa dizer nada, pois a cobertura sobre a morte do candidato Eduardo Campos a colocou em evidência. Trabalha para aparar arestas internas em sua coligação. Como já era conhecida da eleição passada, seu recall é alto.

GOVERNADOR

Eunício Oliveira (PMDB): foram os melhores programas para governador nesse começo, também no sentido estratégico, sem avaliar conteúdo político. Eunício é apresentado como um autêntico self made man. A narrativa cinematográfica é construída, com começo meio e fim. Apresenta o candidato na casa humilde em que nasceu, com direito a dramatização, seguido de uma trajetória de sucesso. É um roteiro que o público aprova. Busca testemunhos de populares e da família. No geral, os programas procuram mostrar que Eunício concilia capacidade administrativa e experiência política, tendo como maior qualidade a disposição para ouvir. Mostrou ainda imagens ao lado de Lula, de quando foi ministro do ex-presidente~. Até o momento, nem o PT, nem Lula, reclamaram.

Camilo Santana (PT): os programas lembram muito a campanha de Roberto Cláudio para prefeito de Fortaleza, em 2012: texto, música, cores e cenários parecidos, talvez para compensar o fato de que o candidato é pouco conhecido, correndo o risco de não construir uma identidade própria para o candidato. O tempo dos programas é dividido entre falas curtas de Camilo, testemunhos de Cid Gomes e membros do governo estadual, e do prefeito Roberto Cláudio. Os programas mostram obras e projetos das secretarias que foram comandadas por Camilo, para conferir sentido à escolha de Cid Gomes. Curiosamente, Camilo destaca sua capacidade de ouvir, uma reação que tenta anular o discurso de Eunício Oliveira.

Eliane Novais (PSB): é apresentada simplesmente como a candidata do partido de Eduardo Campos. Boa parte do seu tempo foi marcado por homenagens, que além de compreensíveis, ajudam a fazer uma associação da candidata com o líder agora mais do que conhecido do público. Os textos também ressaltam a coragem como qualidade inata da candidata.

Senador

Tasso Jereissati (PSDB): como dispensa apresentações para eleitores acima de 30 anos, a mensagem dos programas focou o público jovem. A aposta é deixar a história política do candidato falar por ele, mostrando imagens de realizações de Tasso enquanto governador e projetos aprovados no Senado. A imagem de político independente, sem padrinhos e com liderança própria, consciente de sua responsabilidade e apaixonado pelo Ceará é trabalhada de forma ágil e leve. Ao mostrar que foi o responsável por obras como o Porto do Pecém e o Castanhão, a campanha busca resgatar empreendimentos que até hoje aparecem na propaganda governamental, mas que aos mais jovens pareciam realizações de gestões mais recentes.

Mauro Filho (Pros): sua propaganda vem no conjunto da coligação de situação. Mauro é o candidato do Camilo, que por sua vez é o candidato do Cid. Os programas não focam, portanto, na liderança, mas na capacidade técnica do candidato, construindo um perfil que conjuga na mesma pessoa o professor acadêmico com o político e o gestor público. Também recorre aos padrinhos para ficar mais conhecido, o que é natural nessa situação, diga-se. No começo, é isso, uma escolha de confiança do governo.