Brás Cubas Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Brás Cubas

Brás Cubas explica silêncio de Eunício sobre críticas de “aliados”

Por Wanfil em Eleições 2018

30 de julho de 2018

(FOTO: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Fábio Campos destaca no site Focus o silêncio de Cid Gomes diante das críticas de seus irmãos Ciro e Lia Gomes (PDT) contra o senador Eunício Oliveira (MDB). Candidata a uma vaga na Assembléia Legislativa, Lia aconselha publicamente que ninguém vote em candidatos do MDB, nem mesmo para senador.

Vez por outra Cid procura contemporizar declarações dos irmãos, mas quando o assunto é a coligação com o MDB no Ceará, prefere tergiversar. A observação sobre esse silêncio me fez lembrar de outro, do próprio Eunício, ele mesmo alvo de constantes críticas feitas por nomes do PT e do PDT.

Certamente ele aposta na discrição para garantir o apoio do governador Camilo Santana. Ocorre que ao calar, o senador parece consentir com a ideia de que PT e PDT apenas o toleram como um parceiro útil administrativamente, mas inconveniente na perspectiva eleitoral, uma espécie de mal necessário. Por essa razão é que união entre MDB e os partidos que comandam a chapa governista tende a ser, pelo menos até o momento, informal. É o reconhecimento de que se trata de uma aliança envergonhada.

O artigo ainda me trouxe à memória uma fala de Brás Cubas, personagem de Machado de Assis, bastante útil para a compreensão de certas ausências no debate político: “Há coisas que melhor se dizem calando”.

(Texto originalmente publicado no portal Tribuna do Ceará)

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O Ministério e a diferença entre Lula e Brás Cubas

Por Wanfil em Brasil

16 de Março de 2016

Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, obra essencial do grande Machado de Assis, o personagem título dedica um capítulo, com apenas uma página totalmente em branco, a sua quase nomeação para um ministério (cap. CXXXIX: De como não fui ministro d’Estado). No capitulo seguinte (cap. CXL), Brás Cubas explica a razão de seu silêncio: “Há coisas que melhor se dizem calando; tal é a matéria do capítulo anterior“. Ironia com requinte de classe.

O romance de Machado foi publicado em 1881. Eram outros tempos. Passados 135 anos, a discrição de outrora parece impossível nessa época de informação em tempo real, de redes sociais, de implacável cobertura de imprensa. O ex-presidente Lula pode vir a ser ministro de Dilma Rousseff, mas independente de sua efetivação ou não, essa página de sua história não poderá ficar em branco. É que o país inteiro já sabe os motivos dessa articulação.

Dilma, sua sucessora sem liderança própria ameaçada de impeachment, foi constrangida por seus correligionários a nomeá-lo ministro, abdicando, portanto, de comandar o próprio governo, para que Lula, a fonte de liderança que a elegeu, possa escapar da prisão. Esse capítulo, sem prejuízo para novos acontecimentos, ficaria bem descrito com o seguinte título, de autoria do próprio Lula, em 1988: No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba ele vira ministro.

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O Ministério e a diferença entre Lula e Brás Cubas

Por Wanfil em Brasil

16 de Março de 2016

Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, obra essencial do grande Machado de Assis, o personagem título dedica um capítulo, com apenas uma página totalmente em branco, a sua quase nomeação para um ministério (cap. CXXXIX: De como não fui ministro d’Estado). No capitulo seguinte (cap. CXL), Brás Cubas explica a razão de seu silêncio: “Há coisas que melhor se dizem calando; tal é a matéria do capítulo anterior“. Ironia com requinte de classe.

O romance de Machado foi publicado em 1881. Eram outros tempos. Passados 135 anos, a discrição de outrora parece impossível nessa época de informação em tempo real, de redes sociais, de implacável cobertura de imprensa. O ex-presidente Lula pode vir a ser ministro de Dilma Rousseff, mas independente de sua efetivação ou não, essa página de sua história não poderá ficar em branco. É que o país inteiro já sabe os motivos dessa articulação.

Dilma, sua sucessora sem liderança própria ameaçada de impeachment, foi constrangida por seus correligionários a nomeá-lo ministro, abdicando, portanto, de comandar o próprio governo, para que Lula, a fonte de liderança que a elegeu, possa escapar da prisão. Esse capítulo, sem prejuízo para novos acontecimentos, ficaria bem descrito com o seguinte título, de autoria do próprio Lula, em 1988: No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba ele vira ministro.