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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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O Ceará e o aumento das esmolas do governo federal – Ou: A mentira da erradicação da extrema pobreza

Por Wanfil em Ceará

18 de Março de 2013

Escolha a pílula azul e continue sonhando com um país onde a miséria foi erradicada com algumas canetadas. Opte pela vermelha e veja como a realidade é mais complicada. Foto: Imagem do filme Matrix.

Escolha a pílula azul e continue sonhando com um país onde a miséria foi erradicada com algumas canetadas. Opte pela vermelha e veja como a realidade é mais complicada. Foto: Imagem do filme Matrix.

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) ampliou a cobertura de mais uma bolsa. Agora, o Benefício para Superação da Extrema Pobreza (BSP) a famílias com renda inferior a 70 reais por pessoa e com filhos com até seis anos, será pago também as que têm filhos com até 15 anos. Só no Ceará 240 mil pessoas receberão ajuda para superar a extrema pobreza, número que faz do estado um dos que mais recebem recursos com esse fim.

A notícia parece ser alvissareira, mas é bom ter cuidado, afinal, a simples existência dessa necessidade nos leva a uma conclusão incontornável: no Ceará, mesmo com os seguidos aumentos na arrecadação de impostos e com o crescimento econômico superior à média nacional, a extrema pobreza não recua, pelo contrário, é preciso apelar ao reforço adicional do governo federal para enfrentá-la.

Dependência

Para definir um parâmetro de referência para a pobreza extrema, o Brasil segue o critério utilizado pelo Banco Mundial, que é o de renda per capita de até U$ 1 por dia. Daí o valor de R$ 70,00.

O problema é que a ampliação do BSP não corresponde a uma redução na quantidade de pessoas atendidas pelo Bolsa Família. A doação de dinheiro aos miseráveis, naturalmente, reduz a miséria, ainda que temporariamente. É bom, mas seria melhor se os beneficiários não ficassem eternamente dependentes do governo.

Ensinar a pescar

No final de 2011, entrevistei o economista Carlos Manso, do Laboratório de Estudos da Pobreza da Universidade Federal do Ceará. Na ocasião, ele foi didático ao explicar os limites desses programas assistencialistas: “A geração de riquezas é como encher um açude com peixes: se as pessoas não souberem ou não tiverem condições de pescar, apenas os que já pescavam antes é que irão se beneficiar, aumentando a desigualdade”. Com efeito, só é possível erradicar pobreza e miséria com a geração e a distribuição eficaz de riqueza. E a chave para a distribuição adequada não são as bolsas, diz Carlos Manso, mas o acesso à educação de qualidade, no que concordo plenamente. É justamente o que não aconte, seja no Brasil ou no Ceará.

Canetada

Com o BSP, o sujeito passa a garantir renda de 70 reais por mês e o governo, numa canetada, altera a classificação econômica desse indivíduo no cadastro do ministério. Será o fim da pobreza extrema sem o fim dos extremamente pobres. Seremos a primeira economia do mundo a acabar com a miséria sem criar riqueza. Um feito que será devidamente explorado pelos marqueteiros da presidente em sua campanha à reeleição.

No entanto, se a extrema pobreza estivesse mesmo diminuindo (não confundir transferência de renda das classes médias para os mais pobres com geração de riqueza), as bolsas não precisariam ser ampliadas. Essa contradição elementar bastaria como antídoto para engodos e truques dessa natureza.

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O Ceará e o aumento das esmolas do governo federal – Ou: A mentira da erradicação da extrema pobreza

Por Wanfil em Ceará

18 de Março de 2013

Escolha a pílula azul e continue sonhando com um país onde a miséria foi erradicada com algumas canetadas. Opte pela vermelha e veja como a realidade é mais complicada. Foto: Imagem do filme Matrix.

Escolha a pílula azul e continue sonhando com um país onde a miséria foi erradicada com algumas canetadas. Opte pela vermelha e veja como a realidade é mais complicada. Foto: Imagem do filme Matrix.

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) ampliou a cobertura de mais uma bolsa. Agora, o Benefício para Superação da Extrema Pobreza (BSP) a famílias com renda inferior a 70 reais por pessoa e com filhos com até seis anos, será pago também as que têm filhos com até 15 anos. Só no Ceará 240 mil pessoas receberão ajuda para superar a extrema pobreza, número que faz do estado um dos que mais recebem recursos com esse fim.

A notícia parece ser alvissareira, mas é bom ter cuidado, afinal, a simples existência dessa necessidade nos leva a uma conclusão incontornável: no Ceará, mesmo com os seguidos aumentos na arrecadação de impostos e com o crescimento econômico superior à média nacional, a extrema pobreza não recua, pelo contrário, é preciso apelar ao reforço adicional do governo federal para enfrentá-la.

Dependência

Para definir um parâmetro de referência para a pobreza extrema, o Brasil segue o critério utilizado pelo Banco Mundial, que é o de renda per capita de até U$ 1 por dia. Daí o valor de R$ 70,00.

O problema é que a ampliação do BSP não corresponde a uma redução na quantidade de pessoas atendidas pelo Bolsa Família. A doação de dinheiro aos miseráveis, naturalmente, reduz a miséria, ainda que temporariamente. É bom, mas seria melhor se os beneficiários não ficassem eternamente dependentes do governo.

Ensinar a pescar

No final de 2011, entrevistei o economista Carlos Manso, do Laboratório de Estudos da Pobreza da Universidade Federal do Ceará. Na ocasião, ele foi didático ao explicar os limites desses programas assistencialistas: “A geração de riquezas é como encher um açude com peixes: se as pessoas não souberem ou não tiverem condições de pescar, apenas os que já pescavam antes é que irão se beneficiar, aumentando a desigualdade”. Com efeito, só é possível erradicar pobreza e miséria com a geração e a distribuição eficaz de riqueza. E a chave para a distribuição adequada não são as bolsas, diz Carlos Manso, mas o acesso à educação de qualidade, no que concordo plenamente. É justamente o que não aconte, seja no Brasil ou no Ceará.

Canetada

Com o BSP, o sujeito passa a garantir renda de 70 reais por mês e o governo, numa canetada, altera a classificação econômica desse indivíduo no cadastro do ministério. Será o fim da pobreza extrema sem o fim dos extremamente pobres. Seremos a primeira economia do mundo a acabar com a miséria sem criar riqueza. Um feito que será devidamente explorado pelos marqueteiros da presidente em sua campanha à reeleição.

No entanto, se a extrema pobreza estivesse mesmo diminuindo (não confundir transferência de renda das classes médias para os mais pobres com geração de riqueza), as bolsas não precisariam ser ampliadas. Essa contradição elementar bastaria como antídoto para engodos e truques dessa natureza.