BNB Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

BNB

Denúncias contra Cid: amigos na praça e problemas problemas na Justiça

Por Wanfil em Corrupção

06 de junho de 2017

Fica a dica…

É… Os últimos dias não andam nada fáceis para Cid Gomes, agora réu em ação na Justiça Federal, acusado de crime financeiro no caso de um empréstimo de R$ 1,3 milhão feito junto ao BNB, ainda em 2014, para a construção de um galpão em sobral, junto com um amigo de infância.

Em outra frente, o portal Tribuna do Ceará publicou matéria mostrando a inusitada sociedade do ex-governador com um outro amigo de infância, cuja empresa (Easy Táxi Aéreo) ganhou licitações de quase R$ 55 milhões prestando serviços ao Governo do Ceará durante a gestão Cid. Juntos, estão construindo um luxuoso empreendimento imobiliário na serra da Meruoca. Coisa fina.

Não para por aí. Wesley Batista, da JBS acusou Cid de mandar emissários cobrarem R$ 20 milhões de propina em troca do pagamento de R$ 110 milhões em créditos de ICMS. Cid admite a doação e a posterior liberação dos créditos, mas nega veementemente qualquer relação entre as movimentações. Disse ainda que processará o delator e que seu patrimônio, após 34 anos de vida pública, é de R$ 782 mil. Convenhamos, valor modesto para um, digamos assim, empreendedor de destaque. Não chega a comprar um apartamento novo de tamanho médio nos bairros nobres de Fortaleza.

Bom, como todos são inocentes até prova em contrário, resta evidente apenas, até o momento, que alguns amigos de Cid casualmente prosperaram – e muito – durante os mandatos do então governador. Pode ser nada nada de errado venha a ser constatado na ação da Justiça Federal ou nos demais casos, mas para o homem público é o tipo de coincidência que arranha a imagem, especialmente quando começam a se multiplicar.


Confira ainda as matérias do Tribuna do Ceará:

Cid Gomes torna-se réu por crime contra o sistema financeiro nacional 
Cid faz condomínio de luxo em sociedade com empresário que ganhou licitações em seu governo 

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Odebrecht usou cervejaria com amigos no Ceará para disfarçar propina

Por Wanfil em Corrupção

03 de Março de 2017

A imprensa nacional repercute o depoimento de Marcelo Odebrecht à Justiça Eleitoral, que confessou, entre outros crimes, ter usado a Cervejaria Petrópolis para terceirizar doações para o caixa dois para a campanha de Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014. A empresa, que pertence ao enrolado empresário Walter Farias, é dona da marca Itaipava, “a cerveja 100%”.

Não há notícias de doações da cervejaria para candidatos no Ceará. Não significa dizer que a empresa não tenha relações influentes no Estado. Veja um resumo do que o blog já publicou a respeito nos posts A cerveja 100% e Justiça põe água no chope de Cid Gomes:

Segundo reportagem da revista Época, em 2014 a Petrópolis renegociou um empréstimo de R$ 830 milhões com o BNB, que liberou a empresa de oferecer garantias para sua quitação, manobra de interesse político que gerou insatisfação interna junto aos técnicos do banco. Logo em seguida, a cervejaria doou R$ 17,5 milhões para a candidata Dilma Rousseff.

Também em 2014, a Petrópolis fechou acordo para alugar um galpão em Sobral, que ainda seria construído pelo então governador Cid Gomes e um sócio. Valor do aluguel: R$ 36 mil mensais, de acordo com outra matéria da Época. No mesmo ano, o BNB emprestou em condições especiais R$ 1,3 milhão de reais para uma empresa de Cid construir o tal galpão. O financiamento foi questionado pelo Ministério Público e Cid agora é réu em processo que corre na Justiça Federal sobre o caso.

E o que tem a ver o caso da propina com tudo isso? Além da cervejaria de Walter Farias, das datas, da relação com a campanha de Dilma e da proximidade de todos com o BNB na gestão petista, nada. Nadinha. São casos distintos que apenas mostram como o mundo é pequeno. É 100% coincidência.

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‘Babado’ na churrascaria

Por Wanfil em Ceará

15 de Fevereiro de 2017

E a conta?

A Assembleia Legislativa do Ceará divulgou ontem, terça-feira (14), ter recebido confirmação do Banco do Nordeste sobre um financiamento de R$ 90 milhões para a perfuração de seis mil poços no interior do Estado.

É uma iniciativa de enorme importância, sem dúvida. Por isso mesmo chama a atenção sua pouca divulgação. Até a tarde desta quarta-feira, nem mesmo no site do BNB havia menção a esse financiamento de poços. As notícias mais recentes falam sobre projetos esportivos (futsal e atletismo), a exposição cultural “Babado Solidário” e o lançamento de um livro sobre a Lei Rouanet.

Por falar nisso, também na página de notícias do banco não há nada sobre outro babado do momento,  a palestra que o gerente de Recuperação de Crédito da instituição, Alan Coelho Silva, irá proferir durante o encontro que o PMDB do Ceará promove na churrascaria Sal e Brasa para prefeitos e lideranças políticas do Estado, marcado para a próxima sexta-feira (17). Também está prevista a participação do Diretor Geral do Dnocs, Ângelo José de Negreiros Guerra. No cardápio, crise hídrica e dívidas de agricultores.

É muito assunto para dar conta.

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Justiça põe água no chope de Cid Gomes

Por Wanfil em Ceará

14 de Janeiro de 2017

A Justiça Federal aceitou ação de improbidade movida pelo Ministério Público Federal contra o ex-governador do Ceará Cid Gomes, acusado de participar de um esquema para a liberação irregular de R$ 1,3 milhão junto ao Banco do Nordeste, para a construção de galpões em Sobral.

Cid Gomes é 100% inocente até prova em contrário. Ser réu não antecipa juízo de culpa. Na verdade, será uma boa oportunidade para esclarecer um conjunto de relações e coincidências que abrem espaço para eventuais suspeições e dúvidas.

Cid é sócio da empresa Corte Oito Gestão e Empreendimento Ltda, beneficiária do empréstimo e dona do galpão. Segundo a Revista Época publicou em janeiro de 2015, a empresa de Cid acertou o aluguel do galpão em Sobral em 2014 com a cervejaria Petrópolis por R$ 36 mil mensais.

O dono da cervejaria Petrópolis, dona da marca Itaipava – “a cerveja 100%”, é o empresário Walter Faria, que no mesmo ano conseguiu um empréstimo de R$ 830 milhões no mesmo Banco do Nordeste para, logo em seguida, depositar R$ 5 milhões na conta do comitê da então candidata Dilma Rousseff. Dias depois, foram mais R$ 12 milhões para a campanha da petista, que depois de reeleita, nomeou Cid para o Ministério da Educação.

Tudo 100% coincidência, até prova em contrário.

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Lava Jato: PF diz ter provas de propina paga a José Guimarães

Por Wanfil em Ceará

24 de novembro de 2016

A Polícia Federal divulgou nota na manhã desta quinta-feira nota sobre a conclusão do inquérito 4259 do Supremo Tribunal Federal, instaurado no âmbito da Operação Lava Jato.

Segundo a PF, “a investigação comprovou que um deputado federal do Ceará recebeu propina do colaborador Alexandre Romano, no valor de R$ 97.761,00, em troca de sua intervenção junto ao ex-presidente do Banco do Nordeste do Brasil – BNB, seu apadrinhado político”.

Nesse caso, não se trata mais de uma delação que vazou para a imprensa, mas a informação oficial de que provas teriam confirmado a delação. A nota não informa o nome, mas o deputado federal do Ceará citado é José Guimarães, do PT. E o ex-presidente do BNB é Roberto Smith.

Leia o texto da PF aqui.

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A cerveja 100%

Por Wanfil em Economia

21 de junho de 2016

A Cervejaria Petrópolis, do empresário Walter Faria e dona da marca Itaipava, foi sócia da construtora Odebrecht na compra de um banco no Caribe usado para o pagamento de propinas. É o que afirma o operador Vinícius Borin, em delação premiada na Operação Lava-Jato.   A notícia está no jornal O Globo desta terça.

Em outra história, segundo reportagem da revista Época, em 2014 a Petrópolis conseguiu renegociar um empréstimo de R$ 830 milhões com o Banco do Nordeste para, cinco dias depois, depositar R$ 5 milhões na conta do comitê da candidata Dilma Rousseff. Depois foram mais R$ 12 milhões

Outra matéria da Época diz que no mesmo ano a cervejaria acertou o aluguel de um galpão em Sobral, a ser construído pelo então governador Cid Gomes e um sócio. Valor do aluguel: R$ 36 mil mensais. De acordo com a publicação, a agência do BNB em Sobral, recebeu em janeiro de 2014 (dois meses depois de sua inauguração) um pedido de empréstimo para o empreendimento de Cid. Em maio, ainda segundo a Época, resolvidas questões burocráticas na prefeitura de Sobral para a liberação de documentos, tudo foi resolvido: R$ 1,3 milhão foram disponibilizados para o galpão, a juros de 6,5% ao ano, para ser quitado até 2022.

E o que tem a ver o caso da propina com esse empréstimo? Além da cervejaria de Walter Farias, das datas, da relação com Dilma e da proximidade de ambos com o BNB na gestão petista, nada. São casos distintos que apenas mostram como o mundo é pequeno. É 100% coincidência.

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E agora, confiar em quem?

Por Wanfil em Corrupção

18 de junho de 2016

“Ninguém presta”, “são todos iguais”, “não escapa um”, são constatações que facilmente ouvimos em qualquer roda de conversa, quando o assunto é política.

O delator Sérgio machado afirmou em depoimento que “a Petrobras é a madame mais honesta dos cabarés do Brasil”, se comparada a outros feudos estatais como “Dnit, Cia. Docas, BNB, Funasa ou Dnocs”. Machado apresentou provas contra esses órgãos? Não. Mas diante de tudo o que se vê e ouve nos dias que correm, quem é que duvida?

Certamente existem as exceções, mas é justamente essa condição que confirma a sem-vergonhice como regra geral na política, estendendo a desconfiança geral para as estruturas governamentais de estados e municípios. O diretor de órgão público, o empresário que fornece produtos ou serviços a prefeituras ou governos, o presidente dessa ou daquela estatal ou autarquia, os responsáveis pelos convênios com fundações, todos passam a ser vistos como parte de uma estrutura decadente e apodrecida.

Toda generalização pode trazer em sim a semente da injustiça, todos sabemos. É claro que muitos desses gestores são corretos e profissionais dignos, mas no turbilhão dos escândalos que se multiplicam, eles viram personagens da velha máxima segundo o justo paga pelo pecador. É que para o cidadão que vê o dinheiro de seus impostos sendo roubado aos bilhões, melhor não confiar em ninguém. Pensando bem, quem pode criticá-lo?

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Beto Studart: “Acordamos para reagir e começar um novo tempo”

Por Wanfil em Ceará

10 de Março de 2016

Em solenidade realizada na FIEC nesta sexta-feira, o Banco do Nordeste, presidido por Marcos Holanda, lançou o “Cartão FNE” para agilizar financiamentos com juros reduzidos com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste. Participaram empresários e políticos, incluindo os governadores do Ceará, Camilo Santana (PT); do Piauí, Wellington Dias (PT); e de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

Na maior parte do tempo os discursos foram técnicos, evitando na medida do possível as tensões políticas do momento. Pontualmente algumas ponderações nesse sentido foram feitas, de forma cautelosa, especialmente na fala do empresário Beto Studart, presidente da Fiec, cuja passagem reproduzo abaixo (grifos meus):

“Estou confiante de que acordamos para reagir e começar um novo tempo (…), porque sabemos que o cerne do problema não é econômico, é ético, é moral.

Está muito claro que as soluções para o Brasil vão além da economia e não podem ser postergadas nem mais um dia. Cada um de nós precisa exercer sua cidadania da forma mais transparente, para superarmos os entraves que impedem que o país siga o caminho correto e avance com sua vocação para potência mundial.

Cidadania, meus amigos, se pratica todos os dias, mas são nos momentos de maior dificuldade que precisamos exercê-la com mais força, com mais intensidade, com toda a paixão. São nesses períodos que devem aflorar o amor maior à nação, o patriotismo, o compromisso com o Brasil. A hora é agora e a missão é nossa.”

Tradução
Alguns dos presentes com os quais conversei queriam algo mais direto. É que as pessoas andam exaltadas. Como não se tratava de evento político, o discurso foi contundente dentro dos limites impostos pela liturgia e natureza da ocasião. Considerando ainda que estamos às vésperas de uma nova rodada de protestos contra Dilma e Lula, isso fica mais evidente, conforme demonstro em tradução livre que faço a seguir.

“Reagir” para começar um “novo tempo” significa agilizar a mudança de governo. Reconhecer que “o problema não é econômico”, mas “ético” e “moral”, é concordar que a gestão Dilma foi desmoralizada pela Lava Jato, perdendo, assim, qualquer condição de liderança. As “soluções que vão além da economia e não podem mais ser postergadas” são três: renúncia, cassação ou impeachment da presidente. “Exercer a cidadania com mais força e intensidade” significa ir às ruas. Quando? No próximo domingo, claro, pois “a hora é agora”. Retirada a maquiagem da formalidade, essa foi a essência do recado.

Repito: essa interpretação é exclusivamente minha. Na relação entre emissor e receptor da mensagem, foi assim que a decodifiquei.

Sem reação
Em seguida, o presidente e técnicos do BNB falaram. Ninguém citou o governo federal, muito menos a presidente. O elogiado do dia foi Marcos Holanda, economista de boa reputação indicado para a presidência do BNB por Eunício Oliveira (PMDB).

Finalizando o evento, a palavra foi concedida aos governadores. Nada sobre “escalada golpista”, “crise internacional” ou “recriação da CPMF”, que ninguém ali é bobo. Só Wellington Dias falou explicitamente o nome de Dilma Rousseff, mas só de passagem, em alusão a uma reunião. Camilo Santana ainda disse que o momento pede união e não divisão, sem maiores detalhes. Nenhum elogiou a presidente.

Esse silêncio também pode ser traduzido. Significa “Dilma está por conta própria”.

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Agência Fitch rebaixa notas do BNB e BNDES. Em terra de sapo, de cócoras com ele…

Por Wanfil em Economia

22 de outubro de 2015

A agência internacional de classificação de riscos Fitch, em comunicado à imprensa, informou ter rebaixado de BBB para BBB- os ratings do Banco do Nordeste, BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Banco da Amazônia. Instituições privadas tiveram queda no chamado rating de viabilidade: Bradesco (o banco onde trabalhou o ministro Levy), Safra, Itaú-Unibanco Holding, Itaú Unibanco e Itaú BBA.

Na prática, todos foram tragados pelo recente rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela mesma Fitch, confirmando tendência adiantada pela Standart & Poor’s, que foi além e já classifica o país com grau de especulação.

O rebaixamento dos bancos já era esperado. É que ainda que sejam administrados e tenham crescido com lucros recordes nos últimos anos, estão agora sob o mesmo risco de uma eventual crise de liquidez no Brasil em recessão. Como diz o ditado, “em terra de sapo, de cócoras com ele”. Nesse caso, não por conveniência, mas por contaminação. De todo modo, acocorados estão todos.

A ironia é que os bancos privados estão entre os maiores doadores para a campanha de Dilma, responsável pela crise que arrasta todos. E os bancos públicos, como bem mostram as pedaladas fiscais na Caixa e no BB, bom, não dá para confiar mesmo. Na maioria, são as raposas cuidando do galinheiro.

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Escândalo dos Banheiros Fantasmas: mais perto dos verdadeiros responsáveis

Por Wanfil em Corrupção

20 de junho de 2012

Arquivo Jangadeiro

A TV Jangadeiro mostrou que o caso dos banheiros fantasmas não se restringia a região metropolitana de Fortaleza. Na foto, um dos poucos kits sanitários “feitos” em Ipu. O prefeito está foragido e o ex-secretário adjunto da Secretaria das Cidades, Jurandir Santiago, será investigado.

Imagine, caro leitor, a situação de um síndico de algum condomínio residencial que anunciasse a reforma da portaria e não a realizasse, embora o dinheiro dos condôminos tivesse sumido, supostamente utilizado para a aquisição do material de construção que nunca chegou. Imagine ainda que, uma vez cobrado a prestar contas, esse síndico se limitasse a responsabilizar terceiros e lavasse as mãos. O que aconteceria? A resposta é óbvia. O síndico seria, só pra começar, imediatamente destituído e processado.

A origem

Pois essa é a exata situação de Jurandir Santiago, o iminente mais novo ex-presidente do Banco do Nordeste, que entregou o cargo ao ministro da Fazenda Guido Mantega, depois que seu nome foi incluído no rol dos denunciados no processo do escândalo dos “Banheiros Fantasmas”, como informa o blog da jornalista Kézya Diniz.

Em 2009, Santiago era secretário adjunto na Secretaria das Cidades do Ceará, uma pasta que ninguém sabe explicar muito bem para o que serve, quando mais de 3 milhões de reais foram liberados para a construção de banheiros na área rural do município de Ipu. O dinheiro foi liberado sem a devida fiscalização e os banheiros não foram construídos. O contribuinte e a gente humilde do interior, que vive sem direito a um vaso sanitário sequer, acabaram prejudicados pela, digamos assim, displicência com o nosso dinheiro. Prefeito de Ipu, Sávio Pontes, contra quem há um mandado de prisão justamente por esse caso, está foragido.

A recompensa

Pelos serviços prestados no governo estadual, Jurandir Santiago chegou ao BNB como a única indicação importante do governador Cid Gomes no governo federal. Alguns governadores emplacam ministros, outros conseguem descolar cargos de segundo escalão. É a vida.

A denúncia

No entano, uma vez no BNB, Santiago voltou ao noticiário de escândalos em dois casos. No começo do mês, a revista Época publicou matéria sobre uma investigação da Polícia Federal na instituição que apura o suposto desvio de R$ 100 milhões na instituição. O principal suspeito é justamente o então chefe de gabinete de Jurandir, Robério Gress, indicação do deputado federal José Guimarães (cotado para ser o novo presidente estadual do PT). Após a denúncia Gress foi transferido de cargo.

E agora, o procurador Geral de Justiça, Ricardo Machado, volta com o caso do Ipu. A situação ficou insustentável. Evidentemente, Jurandir Santiago é inocente até que se prove o contrário. Suspeito mesmo que ele seja apenas um técnico que se deixou seduzir pelo canto da sereia dos políticos. Ocorre que, assim como a mulher de César, a um presidente de instituição financeira não pode recair dúvida sobre sua honestidade ou, no caso, competência técnica.

A responsabilidade

Até o momento, apenas os destinatários mais notórios dos recursos que sumiram  tinham sido alcançados pelas investigações. Teodorico Menezes, do Tribunal de Contas do Estado, acusado de operar entidades de fachada e o prefeito Sávio Pontes, do Ipu. Da parte que liberou indevidamente e não fiscalizou a aplicação desses recursos, apenas subalternos menores tinham sido afastados.

Portanto, para encerrar, vale lembrar que o destino dado aos recursos da Secretaria das Cidades não é (verbo conjugado no presente mesmo) responsabilidade apenas de Jurandir Santiago, seu ex-secretário adjunto. Embora fossem suas as assinaturas estampadas em diversos convênios investigados, seus superiores são corresponsáveis, se não administrativamente e judicialmente, pelo menos politicamente pelos atos do órgão. Seus nomes são Camilo Santana e Joaquim Cartaxo, ex-titulares da pasta. É o ônus da liderança. Ou não é?

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Escândalo dos Banheiros Fantasmas: mais perto dos verdadeiros responsáveis

Por Wanfil em Corrupção

20 de junho de 2012

Arquivo Jangadeiro

A TV Jangadeiro mostrou que o caso dos banheiros fantasmas não se restringia a região metropolitana de Fortaleza. Na foto, um dos poucos kits sanitários “feitos” em Ipu. O prefeito está foragido e o ex-secretário adjunto da Secretaria das Cidades, Jurandir Santiago, será investigado.

Imagine, caro leitor, a situação de um síndico de algum condomínio residencial que anunciasse a reforma da portaria e não a realizasse, embora o dinheiro dos condôminos tivesse sumido, supostamente utilizado para a aquisição do material de construção que nunca chegou. Imagine ainda que, uma vez cobrado a prestar contas, esse síndico se limitasse a responsabilizar terceiros e lavasse as mãos. O que aconteceria? A resposta é óbvia. O síndico seria, só pra começar, imediatamente destituído e processado.

A origem

Pois essa é a exata situação de Jurandir Santiago, o iminente mais novo ex-presidente do Banco do Nordeste, que entregou o cargo ao ministro da Fazenda Guido Mantega, depois que seu nome foi incluído no rol dos denunciados no processo do escândalo dos “Banheiros Fantasmas”, como informa o blog da jornalista Kézya Diniz.

Em 2009, Santiago era secretário adjunto na Secretaria das Cidades do Ceará, uma pasta que ninguém sabe explicar muito bem para o que serve, quando mais de 3 milhões de reais foram liberados para a construção de banheiros na área rural do município de Ipu. O dinheiro foi liberado sem a devida fiscalização e os banheiros não foram construídos. O contribuinte e a gente humilde do interior, que vive sem direito a um vaso sanitário sequer, acabaram prejudicados pela, digamos assim, displicência com o nosso dinheiro. Prefeito de Ipu, Sávio Pontes, contra quem há um mandado de prisão justamente por esse caso, está foragido.

A recompensa

Pelos serviços prestados no governo estadual, Jurandir Santiago chegou ao BNB como a única indicação importante do governador Cid Gomes no governo federal. Alguns governadores emplacam ministros, outros conseguem descolar cargos de segundo escalão. É a vida.

A denúncia

No entano, uma vez no BNB, Santiago voltou ao noticiário de escândalos em dois casos. No começo do mês, a revista Época publicou matéria sobre uma investigação da Polícia Federal na instituição que apura o suposto desvio de R$ 100 milhões na instituição. O principal suspeito é justamente o então chefe de gabinete de Jurandir, Robério Gress, indicação do deputado federal José Guimarães (cotado para ser o novo presidente estadual do PT). Após a denúncia Gress foi transferido de cargo.

E agora, o procurador Geral de Justiça, Ricardo Machado, volta com o caso do Ipu. A situação ficou insustentável. Evidentemente, Jurandir Santiago é inocente até que se prove o contrário. Suspeito mesmo que ele seja apenas um técnico que se deixou seduzir pelo canto da sereia dos políticos. Ocorre que, assim como a mulher de César, a um presidente de instituição financeira não pode recair dúvida sobre sua honestidade ou, no caso, competência técnica.

A responsabilidade

Até o momento, apenas os destinatários mais notórios dos recursos que sumiram  tinham sido alcançados pelas investigações. Teodorico Menezes, do Tribunal de Contas do Estado, acusado de operar entidades de fachada e o prefeito Sávio Pontes, do Ipu. Da parte que liberou indevidamente e não fiscalizou a aplicação desses recursos, apenas subalternos menores tinham sido afastados.

Portanto, para encerrar, vale lembrar que o destino dado aos recursos da Secretaria das Cidades não é (verbo conjugado no presente mesmo) responsabilidade apenas de Jurandir Santiago, seu ex-secretário adjunto. Embora fossem suas as assinaturas estampadas em diversos convênios investigados, seus superiores são corresponsáveis, se não administrativamente e judicialmente, pelo menos politicamente pelos atos do órgão. Seus nomes são Camilo Santana e Joaquim Cartaxo, ex-titulares da pasta. É o ônus da liderança. Ou não é?