base aliada Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

base aliada

Antes tarde do que nunca

Por Wanfil em Segurança

14 de Janeiro de 2019

Os esforços em conjunto feitos pelo governo do Ceará e o governo federal mostram que certas  responsabilidades devem mesmo pairar acima de divergências políticas e até mesmo ideológicas. Crises agudas pedem ações imediatas.

Na Assembleia Legislativa do Ceará, situação e oposição se uniram em sessão extraordinária para aprovar (e ampliar) mensagens do Executivo estadual. Apoio irrestrito.

Tudo isso sinaliza a construção de uma maturidade política que, como toda e qualquer maturidade, leva tempo para ser consolidada, resultante de aprendizados colhidos na observação de erros e acertos no tempo. Por isso, é importante não deixar que grupos políticos tentem reescrever (ou apagar) erros e acertos conforme suas conveniências.

Nos últimos dez anos poucas vozes no parlamento e na imprensa apontaram para os equívocos nas políticas de segurança pública, que apesar de serem evidentes e gritantes, eram solenemente ignorados ou mesmo desprezados pelos governistas, que agora se apresentam como vigilantes infalíveis.

A verdade é que ao longo desses anos, deputados e ex-deputados estaduais como Heitor Férrer, Tomás Filho, Ely Aguiar e Capitão Wagner, que cito de memória, foram duramente criticados por apontarem discrepâncias entre os altos investimentos e a piora nos índices de violência. Foram acusados de alarmismo irresponsável, de torcerem contra os cearenses, de inveja e oportunismo. A maioria preferia aplaudir tudo o que sucessivos governos anunciavam. Deu no que deu.

Se hoje o governo e sua base aliada na Assembleia Legislativa tomam às pressas medidas corretas no enfrentamento ao crime organizado, é porque no passado insistiram teimosamente no que não estava dando certo. Mesmo sem a devida a autocrítica, antes tarde do que nunca.

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Ministério sem cearenses pode indicar falta de prestígio, é verdade. Mas quando foi que realmente houve prestígio?

Por Wanfil em Ceará

16 de Maio de 2016

Entre os indicados para a equipe ministerial de Michel Temer não há, a exemplo de mulheres e negros, gestores cearenses. Talvez seja o caso de imaginar que do ponto de vista administrativo e político, o governo do PMDB não tenha feito do gênero, da cor e do Estado de origem, critérios de escolha.

Quais foram, então, os critérios? Ora, varia de acordo com a pasta. Foi técnico para o pessoal da área econômica; fisiológico, como no caso de Leonardo Picciani no Esporte; pessoal, como José Serra nas Relações Exteriores; e ainda teve as nomeações que misturam perfis técnicos com acordos políticos. O ministério é um amálgama de necessidades urgentes com as conveniências de sempre para fazer a tal maioria no parlamento. A esperar os resultados disso. Mesmo assim, essa ausência de cearenses tem causado rumores no meio político local.

Eunício sem nada?
Havia a expectativa de que o senador Eunício Oliveira conseguisse emplacar um nome, mais precisamente Gaudêncio Lucena, na Integração Nacional, o que não aconteceu. Seus adversários falam em falta de prestígio, apesar dos órgãos federais já comandados por indicados do Senador, como é o caso do BNB e DNOCS. Pode ser que sim, pode ser que não.

De fato, a falta de um nome ligado a Eunício, simplesmente o tesoureiro do PMDB e muito próximo a Temer, soa estranho. A não ser que a influência do senador tenha sido direcionada em outro sentido, como, por exemplo, suceder Renan Calheiros na presidência do Senado em 2017, com apoio do governo federal. E hoje, como resta comprovado por fatos recentes, presidir as casas legislativas no Congresso confere poderes aos seus ocupantes muito maiores do que os de um ministro. Mas isso são especulações a serem confirmadas, lembrando que tendências podem mudar a todo instante.

O que fizeram os ministros cearenses?
Vamos lá. Vários nomes cearenses ocuparam diversos ministérios nos últimos anos e isso, francamente, não fez muita diferença para o Estado.

Quantas obras realmente importantes para mudar o perfil socioeconômico do Ceará foram inauguradas por esses ministros? Nem mesmo a reforma do aeroporto foi realizada (lembram do “puxadinho”?). De que valeram para os cearenses essas nomeações na hora, por exemplo, de garantir a refinaria que não veio? De que serviram para evitar os caríssimos atrasos na transposição do rio São Francisco? Qual a utilidade de ter tido um ministro da Educação por três meses? Para o Ceará, os resultados nesses últimos 15 anos foram pífios, essa é a verdade.

Não estou dizendo que nada fizeram. Com certeza alguns deixaram suas marcas etc., etc. Só lembro que esses cargos, que são de abrangência nacional, não resultaram em ações direcionadas para beneficiar o estado natal dos ministros. Pelo menos no que diz respeito ao Ceará.

De toda forma, se o problema é o medo de falta de prestígio, é preciso dizer que, infelizmente, pela ausência de inaugurações e pelas promessas não cumpridas, falta de prestígio nunca faltou para a base que deu sustentação a Lula e Dilma no Ceará, apesar da nomeação de um ou outro ministro. Não seria, portanto, novidade alguma.

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Atenção, base aliada: mais da metade dos nordestinos reprova a gestão Dilma, aponta Datafolha. E agora?

Por Wanfil em Pesquisa

18 de Março de 2015

Pesquisa do instituto Datafolha publicado nesta quarta-feira pelo jornal Folha de São Paulo dá números ao que todos já sabiam: a popularidade da presidente Dilma Rousseff, do PT, desabou neste início de segundo mandato. Nada menos do que 62% dos brasileiros consideram a gestão ruim ou péssima e somente 13% entendem que é boa ou ótima.

Quem quer seguir Dilma?
Agora vejam esse gráfico, também publicado na Folha:

Datafolha Dilma regiões

Olha aí a região Nordeste com 55% de reprovação ao governo Dilma. Mais da metade da população, o que significa dizer que é um sentimento que não se reduz a um estrato social (ver o próximo gráfico).

Se até o ano passado a presidente era bajulada por políticos da região como ativo eleitoral, agora as coisas mudaram. E a perspectiva é de que essa rejeição aumente na proporção que os efeitos da crise econômica se intensificarem. Nesses casos, via de regra, o instinto de sobrevivência de políticos sugere distância de quem é mal visto pelos eleitores. E agora base aliada, o que fazer? E agora deputado que corria para tirar fotos ao lado da presidente, a quem apelar? E agora prefeito ou candidato a prefeito, que parcerias serão prometidas nas eleições do ano que vem?

Camilo Santana e petistas em geral estão obrigados a defender a correligionária. Cid Gomes, do PROS, até agora parceiro de Dilma, já percebeu a fria em que se meteu: desgastado por ser obrigado a cortar verbas do Ministério da Educação, isolado após criticar a Câmara dos Deputados, só tem a perder estando ao lado da “presidente mais ágil que já houve”. Vamos ver se o PROS do Ceará continua ardente aliado da presidente sem apoio popular. Já o PMDB está em pé de guera com o PT, o que libera seus filiados a adotar uma postura mais independente, sem esquecer que o partido é especialista em pressentir naufrágios eleitorais, para mudar de lado quando preciso.

Essa elite!
Agora um segundo gráfico, publicado pela Folha, com base na pesquisa do Datafolha:

Datafolha Dilma rendaPois é. Você que viu nas redes sociais governistas e simpatizantes menosprezando os protestos de domingo como coisa da elite, da Aldeota, dos eleitores da oposição chateados com a ascensão da classe C, olhe aí os números: 60% dos que ganham até dois salários mínimos reprovam Dilma. Essa é a elite dos cegos que não querem ver.

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Aliados não podem reclamar da presidente: são cúmplices morais do estelionato eleitoral

Por Wanfil em Política

26 de Janeiro de 2015

Depois que a presidente Dilma aumentou juros e impostos, cortou benefícios previdenciários e trabalhistas, com o objetivo de espetar no bolso do “contribuinte” a conta do rombo nas contas públicas, alguns aliados ensaiam fazer críticas públicas ao pacote de maldades lançado assim que as eleições passaram. E não é o pessoal do PMDB, partido apontado por muitos como o  grande vilão da moralidade. É a turma politicamente correta da esquerda, aquele pessoal do PC do B, do PDT e do próprio PT, além das centrais sindicais e entidades pelegas como UNE e MST.

Os progressistas bonzinhos e cheios de amor estariam horrorizados com o maldito direitismo do governo (imposição do maquiavélico mercado) e por isso reprovam o que chamam de medidas “ortodoxas”, “conservadoras” e, no limite do sacrilégio – cruz, credo! – liberais, encarnadas na figura do ministro Joaquim Levy, da Fazenda. Como se este não tivesse sido nomeado por Dilma a mando de Lula (sobre esse a patota nada comenta).

Algo aí, porém, não bate. Onde já se viu liberal pregar aumento de impostos? Quando é que conservadores, desconfiados por natureza das intenções da entidade Estado, defendem aumento de carga tributária? Quem, no fim das contas, acredita no Estado grande e interventor? Ora, é a esquerda! E quanto maior a máquina, maior a demanda por dinheiro, ou seja, por impostos e juros. Essa é a nossa verdadeira ortodoxia: a gestão perdulária e populista que finge dar por bondade, aquilo o que toma de quem trabalha. Já dizia o poeta Gregório de Matos, no Século XV: “Valha-nos Deus, o que custa, o que El-Rei nos dá de graça”. Pois é…

Ingênuos? Não, fingidos
“Ah, Wanfil, mas eles acreditaram na presidente Dilma, foram enganados”. Olha, um trouxa de classe média, um romântico saudosista das utopias igualitárias, um estudante doutrinado, um cidadão desinformado que é obrigado a votar, todos esses são perdoáveis como vítimas de um estelionato eleitoral. Mas os profissionais da política, especialmente os da base aliada, empresários, jornalistas, professores e a chamada classe intelectual, esses não podem alegar ingenuidade.

Dilma comandou a gestão responsável pela menor média de crescimento da economia nas últimas décadas. E essa estagnação tem um preço gigantesco. Nem falo da corrupção, que agrava tudo, mas da lógica mais elementar, que dispensa juízo de valor: despesas crescentes e receitas paradas em ambiente de alta inflacionária…

No Ceará, de onde escrevo esse artigo, a coisa fica pior ainda. Ninguém entre seus apoiadores no Estado pode afetar surpresa com promessas não cumpridas, afinal, essa é a regra por esses lados. Qual compromisso foi devidamente levado a cabo? A Transposição não ficou pronta a tempo de amenizar os efeitos da seca por incompetência e decisões suspeitas que a obra dobrasse de preço estando aí da pela metade de sua execução. A refinaria da Petrobras no Ceará entra para a história como a mais longeva mentira eleitoral (feita e refeita há quatro eleições). Nem uma simples reforma no aeroporto conseguiram concluir.

Não há nada, absolutamente nada de grande impacto, de relevante ou de inestimável importância, que tenha sido devidamente entregue aos cearenses. E nunca a presidente foi cobrada por nenhuma dessas promessas, pelo contrário, foi servilmente aplaudida por esses que agora simulam pudor ideológico. São parceiros acovardados que agora temem o desgaste da realidade, esta que sempre cobra a devida fatura acumulada pelos sucessivos engodos a que chamavam, juntos, de prosperidade.

Diante do público, esses aliados “traídos” tiram o corpo fora, mas o fato é que não rompem de maneira alguma com o governo. É que no fundo sabem que são coautores políticos da paralisia na economia e cúmplices nos escândalos.

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Quadrilha eleitoral

Por Wanfil em Política

24 de Fevereiro de 2014

O poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, é de uma atualidade e de uma amplitude próprias dos grandes escritores. Em diversas situações podemos fazer alusões e paralelos com o ritmo dos pares que se fazem e se desfazem no texto do poeta:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Pedindo desde já perdão por misturar arte com política, especialmente arte de qualidade com política ruim, o poema me fez lembrar as relações estremecidas na imensa base do governo estadual no Ceará. É só trocar o “amor” por “apoio”. Vejamos.

Cid apoiava Luizianne, que apoiava Pimentel, que apoiava Eunício, que apoiava Cid. Juntos, todos apoiavam Lula, que elegeu Dilma, garantindo tratar-se de grande gestora. Cid e Luizianne romperam. Eunício e Pimentel nunca foram mesmo muito próximos e Inácio foi descartado. Cid agora procura um nome que ainda não entrou nessa história.

Na mesma toada, Luizianne avisa que Eunício será traído por Cid. Em resposta, Cid jura que nunca traiu ninguém e sempre cumpriu acordos, que é um modo de dizer que não deve a quem agora lhe cobra.  Guimarães coloca o PT cearense a serviço do candidato que Cid escolher, pois espera, em retribuição, contar com seu apoio para o Senado.

Fisiologismo
O que vale no poema como ponto de apoio para a crônica política é o seguinte: ninguém é de ninguém. Quando um grupo político cresce demais, na base da cooptação, reduzindo assim a oposição a um ou outro nome isolado, a unidade desse grupo passa a correr riscos de implosão quando seu idealizador não pode mais se reeleger, pois o amálgama de sua coesão é o fisiologismo.

Política é assim: sem o perigo da ameaça externa, o caminho que resta para alcançar o poder é a disputa interna. O que está em jogo, para essa turma, é saber quem comandará a banca que distribui cargos e verbas.

Dicionário
No poema, a palavra ‘quadrilha‘ é relacionada à dança caracterizada por grupos de quatro ou mais pares, originária da Europa. O significado de ‘quadrilha’ como  grupo de ladrões ou malfeitores, neste texto, é apenas coincidência.

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Quadrilha eleitoral

Por Wanfil em Política

24 de Fevereiro de 2014

O poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade, é de uma atualidade e de uma amplitude próprias dos grandes escritores. Em diversas situações podemos fazer alusões e paralelos com o ritmo dos pares que se fazem e se desfazem no texto do poeta:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Pedindo desde já perdão por misturar arte com política, especialmente arte de qualidade com política ruim, o poema me fez lembrar as relações estremecidas na imensa base do governo estadual no Ceará. É só trocar o “amor” por “apoio”. Vejamos.

Cid apoiava Luizianne, que apoiava Pimentel, que apoiava Eunício, que apoiava Cid. Juntos, todos apoiavam Lula, que elegeu Dilma, garantindo tratar-se de grande gestora. Cid e Luizianne romperam. Eunício e Pimentel nunca foram mesmo muito próximos e Inácio foi descartado. Cid agora procura um nome que ainda não entrou nessa história.

Na mesma toada, Luizianne avisa que Eunício será traído por Cid. Em resposta, Cid jura que nunca traiu ninguém e sempre cumpriu acordos, que é um modo de dizer que não deve a quem agora lhe cobra.  Guimarães coloca o PT cearense a serviço do candidato que Cid escolher, pois espera, em retribuição, contar com seu apoio para o Senado.

Fisiologismo
O que vale no poema como ponto de apoio para a crônica política é o seguinte: ninguém é de ninguém. Quando um grupo político cresce demais, na base da cooptação, reduzindo assim a oposição a um ou outro nome isolado, a unidade desse grupo passa a correr riscos de implosão quando seu idealizador não pode mais se reeleger, pois o amálgama de sua coesão é o fisiologismo.

Política é assim: sem o perigo da ameaça externa, o caminho que resta para alcançar o poder é a disputa interna. O que está em jogo, para essa turma, é saber quem comandará a banca que distribui cargos e verbas.

Dicionário
No poema, a palavra ‘quadrilha‘ é relacionada à dança caracterizada por grupos de quatro ou mais pares, originária da Europa. O significado de ‘quadrilha’ como  grupo de ladrões ou malfeitores, neste texto, é apenas coincidência.