Band Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Band

Boechat e o jornalismo opinativo

Por Wanfil em Crônica

11 de Fevereiro de 2019

Ricardo Boechat em ação: a opinião como diálogo com o público. Foto: divulgação

Lembro de uma palestra do jornalista Ricardo Boechat na inauguração da Tribuna BandNews (Fortaleza) sobre o jornalismo e o rádio. Isso foi em 2013. Boechat defendeu que apresentadores – ou âncoras – pudessem opinar. Seria uma forma de aproximar o veículo (e a própria atividade jornalística) do público. Obviamente, as opiniões precisariam ter o respaldo da experiência profissional e embasamento nos fatos.

Quem faz jornalismo opinativo de verdade (assumindo posicionamentos) sabe as responsabilidades que assume e os riscos que corre: por um lado, checar e checar insistentemente as informações, contribuir no aprofundamento dos temas de interesse geral, por outro, criar antipatias, desagradar grupos, errar o tom, cometer injustiças, ser processado. Riscos que valem, pois muitas vezes a opinião é o complemento da notícia.

Boechat conseguiu unir essa disposição a credibilidade do apresentador. O segredo para isso ele mesmo revelou nesse evento que mencionei: priorizar os cidadãos e não as autoridades. Saber ouvir para dar voz. Não só isso. Quem o escutava com frequência percebia que sua crítica não se confundia com ressentimentos, torcida, panfletagem, causas particulares, nem se limitava a um determinado grupo político.

Por isso tudo a partida trágica do jornalista apresentador que opinava sem se omitir jamais tocou a tantas pessoas que manifestaram na imprensa e nas redes a tristeza de perder alguém que lhes parecia, mesmo à distância, próximo como um amigo com quem conversassem regularmente.

A saudade se manifestou instantânea, prova de que Boechat estava certo quando defendia a interação honesta com o público. Seu silêncio prematuro é difícil de ser assimilado.

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Por que o cinegrafista Santiago Andrade virou alvo dos radicais? Quem são os autores intelectuais desse assassinato?

Por Wanfil em Movimentos Sociais

11 de Fevereiro de 2014

Subdesenvolvimento não se improvisa, dizia Nelson Rodrigues. Degradação institucional também não. É preciso tempo e perseverança no erro para descer fundo. A morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, atingido por um rojão durante um protesto contra qualquer coisa, não foi um acidente, nem obra de um ou dois marginais. Foi, antes, uma soma de desacertos. Os autores materiais do crime, apontam as investigações, foram marmanjos brincando de revolucionários, quixotes mimados enfrentando os falsos dragões da ordem burguesa em nome de suas taras ideológicas. Mas são muitos os autores morais e intelectuais desse assassinato, de quem pouco se fala.

Existe, por assim dizer, um ambiente propício para a eclosão de situações dessa natureza, que combina simultaneamente ausência do poder público, desmoralização das instituições e incompetência dos governantes. Ambiente de degradação.

A presidente Dilma Rousseff condenou a morte do cinegrafista e associações profissionais saíram em defesa da liberdade de imprensa. E, no entanto, líderes do Partido dos Trabalhadores, especialmente o ex-presidente Lula, não perdem a oportunidade de criticar o Supremo Tribunal Federal, acusado de ser uma Corte de exceção afeita a julgamentos políticos por ter condenado corruptos filiados à sigla. Justiça degradada. No Ceará, Cid Gomes, líder do Pros, partido de aluguel que abriga sua turma, diz que integrantes do Ministério Público desmoralizam a instituição por fiscalizarem sua gestão, mas, até onde se sabe, não os representa na Justiça por desvio de conduta. Mais degradação institucional. Partidos de esquerda, com apoio de sindicatos de jornalistas, pasmem, não cansam de pedir o controle da imprensa, lançando sobre veículos não alinhados com o governo toda sorte de suspeitas. Tome degradação.

Santiago Andrade não virou alvo por acaso, mas por representar, aos olhos dos baderneiros e de seus mentores, um adversário político. Ali estava a “grande imprensa”, não um trabalhador, pai de família. Suspeito cá com meus botões, constrangido, que se tivesse sido um policial a vítima desse episódio, não haveria indignação como a que se vê agora. Existem categorias institucionalmente mais degradadas do que outras. Muito da justa comoção que toma os noticiários em todo o país não resulta de uma convicção sobre a natureza criminosa dos Black Blocs da vida, mas de um compreensível pesar pelo colega morto e pelo medo de ser o próximo alvo dos radicais.

Recentemente, um deles foi baleado ao atacar um policial com um estilete em São Paulo, apareceu nos jornais como “jovem” e “manifestante”. Em Fortaleza, uma professora Universidade Estadual do Ceará indiciada por participar de um incêndio criminoso contra a sede da Prefeitura de Fortaleza é, na prática, protegida pela instituição de ensino por ela aparelhada. Professora de ética.

Definitivamente, degradação não se improvisa.

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Por que o cinegrafista Santiago Andrade virou alvo dos radicais? Quem são os autores intelectuais desse assassinato?

Por Wanfil em Movimentos Sociais

11 de Fevereiro de 2014

Subdesenvolvimento não se improvisa, dizia Nelson Rodrigues. Degradação institucional também não. É preciso tempo e perseverança no erro para descer fundo. A morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, atingido por um rojão durante um protesto contra qualquer coisa, não foi um acidente, nem obra de um ou dois marginais. Foi, antes, uma soma de desacertos. Os autores materiais do crime, apontam as investigações, foram marmanjos brincando de revolucionários, quixotes mimados enfrentando os falsos dragões da ordem burguesa em nome de suas taras ideológicas. Mas são muitos os autores morais e intelectuais desse assassinato, de quem pouco se fala.

Existe, por assim dizer, um ambiente propício para a eclosão de situações dessa natureza, que combina simultaneamente ausência do poder público, desmoralização das instituições e incompetência dos governantes. Ambiente de degradação.

A presidente Dilma Rousseff condenou a morte do cinegrafista e associações profissionais saíram em defesa da liberdade de imprensa. E, no entanto, líderes do Partido dos Trabalhadores, especialmente o ex-presidente Lula, não perdem a oportunidade de criticar o Supremo Tribunal Federal, acusado de ser uma Corte de exceção afeita a julgamentos políticos por ter condenado corruptos filiados à sigla. Justiça degradada. No Ceará, Cid Gomes, líder do Pros, partido de aluguel que abriga sua turma, diz que integrantes do Ministério Público desmoralizam a instituição por fiscalizarem sua gestão, mas, até onde se sabe, não os representa na Justiça por desvio de conduta. Mais degradação institucional. Partidos de esquerda, com apoio de sindicatos de jornalistas, pasmem, não cansam de pedir o controle da imprensa, lançando sobre veículos não alinhados com o governo toda sorte de suspeitas. Tome degradação.

Santiago Andrade não virou alvo por acaso, mas por representar, aos olhos dos baderneiros e de seus mentores, um adversário político. Ali estava a “grande imprensa”, não um trabalhador, pai de família. Suspeito cá com meus botões, constrangido, que se tivesse sido um policial a vítima desse episódio, não haveria indignação como a que se vê agora. Existem categorias institucionalmente mais degradadas do que outras. Muito da justa comoção que toma os noticiários em todo o país não resulta de uma convicção sobre a natureza criminosa dos Black Blocs da vida, mas de um compreensível pesar pelo colega morto e pelo medo de ser o próximo alvo dos radicais.

Recentemente, um deles foi baleado ao atacar um policial com um estilete em São Paulo, apareceu nos jornais como “jovem” e “manifestante”. Em Fortaleza, uma professora Universidade Estadual do Ceará indiciada por participar de um incêndio criminoso contra a sede da Prefeitura de Fortaleza é, na prática, protegida pela instituição de ensino por ela aparelhada. Professora de ética.

Definitivamente, degradação não se improvisa.