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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

baixaria

Esqueça o “se bater, perde”, a moda agora é “desconstruir” o adversário

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de outubro de 2014

Os brasileiros acostumaram-se com a regra de ouro do publicitário Duda Mendonça para campanhas eleitorais: quem bate, perde. Foi assim que ele criou o personagem “Lulinha Paz e Amor”, para eleger até então candidato petista derrotado três vezes para a Presidência da República. O resto da história todos conhecem e Duda lucrou bastante com recursos não contabilizados pagos a sua  empresa offshore Dusseldorf, com sede nas Bahamas.

Ocorre que esse modelo só funciona em condições específicas de temperatura e pressão. Se o candidato estiver com vantagem relativamente segura, acima da margem de erro, a crítica mais incisiva não rende, pois antipatiza o emissor e vitimiza o oponente. Trocando em miúdos, fica a impressão de quem está atrás apelou para o jogo sujo. No entanto, como estamos vendo neste exato instante, se a disputa está acirrada, com candidatos tecnicamente empatados dependendo dos eleitores indecisos, a coisa muda de figura e surge então o recurso da “desconstrução do adversário”.

Por desconstruir o adversário entenda-se anular a imagem esculpida pela comunicação dele junto ao eleitorado. Se o opositor é visto como mudança pelos eleitores que desejam mudança, a saída é apresentá-lo como ameaça de instabilidade; se a candidata oficial diz que a inflação está sob controle, é preciso mostrar os índices verdadeiros para desmascarar o truque. Acontece que, na prática, o artifício da “desconstrução” virou eufemismo para as mentiras e para o vale-tudo que embalam o festival de baixaria nestas eleições.

Foi o que aconteceu com a candidata Marina Silva, do PSB, no primeiro turno, vítima da propaganda agressiva da candidata Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição, que não pensou em duas vezes antes de bater com força e sem limites éticos na concorrente. Alguém realmente acredita que Marina estava mancomunada com um grupo de banqueiros para tirar a comida da mesa dos pobres? Marina seria a perversa criatura que iria prejudicar os investimentos em educação acabando com a exploração do pré-sal? Claro que não, mas para boa parte do eleitorado, notadamente os com menos instrução e menor renda, a mistificação grosseira assustou. A decisão de não responder na mesma moeda custou a Marina a chance de seguir adiante na eleição.

Agora no segundo turno não é diferente. Esqueça o “quem bate, perde” de Duda Mendonça. Agora, com a surpresa do empate entre Dilma e Aécio Neves, do PSDB, o que vale é a “desconstrução” de João Santana, marqueteiro do PT. Como a onda de ascensão do oposicionista foi contida, segundo as pesquisas, a ordem é manter a artilharia contra o inimigo, misturando críticas aceitáveis com ataques pessoais, como os que foram vistos nos debates. Já Aécio decidiu adotar a tática do “bateu, levou”, para evitar o mesmo destino de Marina.

O problema é que isso rebaixa o próprio confronto de ideias que deveria prevalecer nas eleições. O confronto, o ataque, as contestações e as denúncias fazem parte do jogo eleitoral, mas devem, ou deveriam, atinar para os problemas reais do país. Não é o que estamos vendo. Dizer que Aécio não gosta dos pobres ou que o Bolsa Família não tem parentesco algum com os programas de compensação instituídos por FHC no passado, para insinuar que essas iniciativas serão cortadas, é apelação. É claro que os governistas não assumem a responsabilidade por essa situação e sua candidata, que antes acusou Marina de ser despreparada para o exercício da Presidência por ser excessivamente sensível, agora posa de vítima.

Com isso, todos acabam igualados na baixaria e ninguém discute a sério a estagnação da economia, os efeitos da pressão inflacionária, a corrupção nas estatais e os índices obscenos da violência no país. Para o indeciso saber quem tem razão nessa troca de acusações, basta fazer a seguinte perguntar: a quem interessa desviar desses assuntos? A resposta não é difícil. Embarcar no bate-boca eleitoral só beneficia quem não quer falar sobre os problemas urgentes do Brasil.

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Campanha no Ceará marcada por baixarias: mais respeito com o eleitor, senhores!

Por Wanfil em Eleições 2014

30 de julho de 2014

Começou mal a campanha eleitoral no Ceará. Troca de acusações, xingamentos, demonstrações de ressentimento e o uso de insinuações depreciativas sobre adversários ofuscam qualquer debate sobre os reais problemas do Estado. A maioria dessas manifestações são protagonizadas por membros das duas maiores coligações, geralmente aliados e correligionários dos candidatos.

Pelo lado de Camilo Santana (PT), Ciro Gomes, ex-governador e atual secretário de Saúde – área mais preocupante para o eleitor cearense segundo o Ibope -, abusa das declarações agressivas contra opositores. É do seu estilo, todos sabem, mas como tudo demais é veneno, por muitas vezes essa postura mais atrapalha do que ajuda. Com o agravante de que se trata de político experiente e de inteligência afiada, mas que não raro sucumbe ao apelo das emoções.

Durante a inauguração do comitê do candidato Camilo, Ciro chamou o candidato do PMDB, Eunício Oliveira, entre outras coisas, de “petralha”. O colunista Josias de Souza, do UOL, cravou: “ato falho”. Ciro veria o petismo como sinônimo de roubo, já que o termo petralha, criado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, é a junção de petista com metralha, uma alusão aos criminosos “Irmãos Metralha”, personagens de histórias em quadrinhos. Nunca gostei do adjetivo e nunca o empreguei, por entendê-lo com uma espécie de infantilização do debate político. Seu contraponto, assinado por Paulo Henrique Amorim, é o PIG (porco em inglês), que significa Partido da Imprensa Golpista. Quanta bobagem! Voltando ao Ceará, Ciro explicou depois que foi um erro, mas que tem críticas a setores do PT, justamente o partido de Camilo. Ganhou o quê com isso? Nada.

Outro que tenta mostrar serviço como infantaria no front da baixaria foi o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, ao insinuar (repetindo Ciro) que Eunício “se serviu da política” para enriquecer. Se serviu como? Ninguém diz ou mostra indício, muito menos representa judicialmente o que afirma. Se uma autoridade sabe de crimes cometidos por outra e não os revela, então prevarica.

Do lado de Eunício, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, acusa a prefeitura de distribuir cargos para cooptar aliados. Assim como seus adversários, fala, mas não prova nada.

Se um candidato tem algo a informar sobre a postura ética ou moral do adversário no passado, e que seja de interesse geral, que o faça, mas desde que amparado em fatos comprovados. Ademais, ninguém é ingênuo de acreditar que uma campanha, parafraseando Nelson Rodrigues, só se faz com bons sentimentos. É preciso bom senso, maturidade.

A política é o espaço natural de confrontação de ideias, de visões de mundo, de concepções e métodos da administração pública. É também – como podemos testemunhar -, ambiente de choque de projetos pessoais, de traições sórdidas e de compromissos não cumpridos. Nada disso é exclusivo dos políticos cearenses, apenas está mais perto de nós que vivemos aqui. Mas com o tempo, ao perdurar esse tipo de instabilidade, a imagem coletiva do Estado se consolida e seu prestígio político míngua. Esse é um dos motivos da ausência de grandes obras federais no Ceará nos últimos anos: seus representantes não possuem unidade estratégica, pois as pontes de diálogo são dinamitadas a cada eleição. A grande coalizão governista aqui nunca passou de uma ilusão, como agora podemos constatar.

É preciso que os candidatos coloquem (se puderem), limites nos seus aliados, para que a campanha tenha algum espaço para proposituras. Como eu já disse em outro post, se não podem fazer isso em respeito ao adversário e à democracia, que façam em atenção ao eleitor.

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Por Wanfil em Eleições 2014

30 de julho de 2014

Começou mal a campanha eleitoral no Ceará. Troca de acusações, xingamentos, demonstrações de ressentimento e o uso de insinuações depreciativas sobre adversários ofuscam qualquer debate sobre os reais problemas do Estado. A maioria dessas manifestações são protagonizadas por membros das duas maiores coligações, geralmente aliados e correligionários dos candidatos.

Pelo lado de Camilo Santana (PT), Ciro Gomes, ex-governador e atual secretário de Saúde – área mais preocupante para o eleitor cearense segundo o Ibope -, abusa das declarações agressivas contra opositores. É do seu estilo, todos sabem, mas como tudo demais é veneno, por muitas vezes essa postura mais atrapalha do que ajuda. Com o agravante de que se trata de político experiente e de inteligência afiada, mas que não raro sucumbe ao apelo das emoções.

Durante a inauguração do comitê do candidato Camilo, Ciro chamou o candidato do PMDB, Eunício Oliveira, entre outras coisas, de “petralha”. O colunista Josias de Souza, do UOL, cravou: “ato falho”. Ciro veria o petismo como sinônimo de roubo, já que o termo petralha, criado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, é a junção de petista com metralha, uma alusão aos criminosos “Irmãos Metralha”, personagens de histórias em quadrinhos. Nunca gostei do adjetivo e nunca o empreguei, por entendê-lo com uma espécie de infantilização do debate político. Seu contraponto, assinado por Paulo Henrique Amorim, é o PIG (porco em inglês), que significa Partido da Imprensa Golpista. Quanta bobagem! Voltando ao Ceará, Ciro explicou depois que foi um erro, mas que tem críticas a setores do PT, justamente o partido de Camilo. Ganhou o quê com isso? Nada.

Outro que tenta mostrar serviço como infantaria no front da baixaria foi o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, ao insinuar (repetindo Ciro) que Eunício “se serviu da política” para enriquecer. Se serviu como? Ninguém diz ou mostra indício, muito menos representa judicialmente o que afirma. Se uma autoridade sabe de crimes cometidos por outra e não os revela, então prevarica.

Do lado de Eunício, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena, acusa a prefeitura de distribuir cargos para cooptar aliados. Assim como seus adversários, fala, mas não prova nada.

Se um candidato tem algo a informar sobre a postura ética ou moral do adversário no passado, e que seja de interesse geral, que o faça, mas desde que amparado em fatos comprovados. Ademais, ninguém é ingênuo de acreditar que uma campanha, parafraseando Nelson Rodrigues, só se faz com bons sentimentos. É preciso bom senso, maturidade.

A política é o espaço natural de confrontação de ideias, de visões de mundo, de concepções e métodos da administração pública. É também – como podemos testemunhar -, ambiente de choque de projetos pessoais, de traições sórdidas e de compromissos não cumpridos. Nada disso é exclusivo dos políticos cearenses, apenas está mais perto de nós que vivemos aqui. Mas com o tempo, ao perdurar esse tipo de instabilidade, a imagem coletiva do Estado se consolida e seu prestígio político míngua. Esse é um dos motivos da ausência de grandes obras federais no Ceará nos últimos anos: seus representantes não possuem unidade estratégica, pois as pontes de diálogo são dinamitadas a cada eleição. A grande coalizão governista aqui nunca passou de uma ilusão, como agora podemos constatar.

É preciso que os candidatos coloquem (se puderem), limites nos seus aliados, para que a campanha tenha algum espaço para proposituras. Como eu já disse em outro post, se não podem fazer isso em respeito ao adversário e à democracia, que façam em atenção ao eleitor.