autoridades Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

autoridades

Consagração do protesto-arruaça revela profunda crise de autoridade

Por Wanfil em Ceará

23 de Maio de 2014

Fortaleza foi mais uma vez vítima de uma ação violenta promovida por “estudantes” e pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, que tocaram o terror na cidade na tarde desta quinta-feira. As causas? Uns querem passe livre para andar de ônibus, os outros pedem reajuste salarial. Mas grande mesmo foi a ação do sindicato. Os estudantes (queria ver as notas…) foram no embalo.

Qual a diferença entre um sindicato que bloqueia vias públicas, ameaça jornalistas e transeuntes, apedreja carros, ataca prédios e enfrenta a polícia, de uma torcida organizada de futebol que barbariza nos estádios? Apesar dos métodos serem parecidos, há uma diferença que transforma, com razão, “torcedores” arruaceiros em vândalos criminosos, mas que magicamente faz de arruaceiros sindicalizados meros trabalhadores reivindicado melhores dias. Por que isso?

Caldo ideológico
Simples. É que existe uma distinção ideológica segundo a qual tudo o que diz respeito a sindicatos e afins deriva da luta de classes. O Brasil é definitivamente um subproduto cultural do marxismo. Em nome de um entendimento enviesado do que seria a “justiça social”, esses movimentos entendem que estão acima das leis, que são vistas, não raro, como entraves, poias constituídas pelas elites e tal. E assim, o interesse de classe lhes conferiria um senso de justiça telúrico e inquestionável.

Quantas vezes o MST jã não invadiu órgãos públicos cobrando repasse de verbas para assentamentos, sem prestar conta de como gastam esses recurso? E todos acham isso justíssimo. E ninguém toma providência para não parecer – cruz, credo! – de direita! Cotas raciais estabeleceram critérios legais de distinção pela cor e tudo é muito lindo. E como em nome de uma causa justa tudo é permitido, por que não impedir outras pessoas de ir e vir? Por que não apedrejar portas de jornais, como fez esse mesmo sindicato com o Diário do Nordeste em 2012? Aliás, por que não agredir profissionais da imprensa que estão registrando o vandalismo sem endossá-lo?

Quantos desses “manifestantes” foram presos ou pelo menos multados por seus atos de afronta à lei? Nenhum, pois na cabeça da maioria, eles não cometeram crimes, apenas… protestaram. De tanto adular o coitadismo dos movimentos sociais (que não representam a sociedade civil coisa nenhuma, mas sim interesses próprios e particulares), o poder público e a sociedade agora são reféns dessas, digamos, reivindicações truculentas.

Pega fogo, cabaré!
Se por um lado a base para a disseminação da violência desvairada como método válido de protesto para alguns grupos (só para alguns) é o refugo ideológico do marxismo, é preciso reconhecer que as velhas práticas da política brasileira, especialmente a corrupção e a impunidade, também agem para desgastar a tessitura das instituições, das autoridades e da própria ordem legal. Afinal, porque exigir compostura somente de vândalos, sem estender essa cobrança aos governantes? Ora, que se danem então, conclui o sujeito comum. “Pega fogo, cabaré”, diria um cearense mais exaltado.

Sim, é inegável o sentimento generalizado de descontentamento entre os brasileiros com os rumos do país. O cidadão comum saturou, chegou ao seu limite. Tanto que o inimaginável aconteceu: a Copa do Mundo da Fifa, que pretendia ser vitrine de um sucesso de um Brasil que não existe (a tal potência mais rica do que a Inglaterra), acabou virando vidraça. E disso se aproveitam diferentes grupos de arruaceiros, que acreditam que podem impor suas próprias regras aos demais, como se não existissem leis garantindo o direito à greve e a liberdade para protestar. É mais um passo rumo à degradação e não há quem saiba mais aonde poderemos chegar.

Crise de autoridade
Não, leis não faltam. Na verdade, sobram leis. O que falta é autoridade política, moral e institucional de quem deveria zelar pela ordem institucional no país e no Ceará. Como estão todos, ou quase todos, desmoralizados e desacreditados, aos poucos, e às vésperas da Copa, a desordem vai imperando.

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Cid Gomes no Facebook: é página pessoal ou oficial?

Por Wanfil em Ceará

16 de setembro de 2013

Cid FacebookNo dia 26 de agosto passado, Cid Gomes lançou uma fanpage no Facebook, a exemplo do que fazem outros gestores, moda disseminada pelo presidente Barack Obama, referência de autopromoção política no uso das redes sociais, com o devido apoio, claro, de uma equipe de profissionais.

Em sua página, o próprio Cid publica fotos pessoais, como a que em aparecia ao volante de um carro com um bebê ao colo, causando polêmica sobre uma possível infração de trânsito.  A foto foi retirada logo em seguida. O governador também faz comentários sobre diversos assuntos e apresenta informações do governo e interage com internautas. Para promover o espaço, Cid decidiu sortear ingressos para um show da cantora Beyoncé.

Apesar já ter afirmado se tratar de uma página pessoal, foi nela que o governador anunciou a minirreforma do secretariado, no último dia 5. E agora, nos dias 13 e 15, o governador Cid Gomes voltou a suar sua página pessoal no Facebook, dessa vez para criticar o Ministério Público Federal.

Nesses casos, sua assessoria de comunicação parece alheia ao que acontece. Nas gafes e polêmicas, limita-se a dizer que não comenta pois o uso da ferramenta é pessoal.

Sobre as declarações dirigidas ao Ministério Público, sem entrar no mérito, o fato é as críticas do governador foram publicadas numa página pessoal do cidadão Cid Gomes. Olha aí confusão entre a figura pública e o sujeito privado. Por isso fica estranho dizer que o pedido de explicações sobre viagens particulares do governador são inadequadas por se tratarem de assunto pessoal.

Definitivamente, o Facebook não é o canal adequado para manifestações (diretas ou indiretas) de caráter institucional por parte de autoridades. Isso vale tanto para o governador como para os procuradores da República. No caso em questão, as divergências há muito banalizaram seus órgãos de origem ao ganharem nítidos contornos de briga pessoal.

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Não é mais sensação de insegurança, é sensação de pânico nas ruas de Fortaleza

Por Wanfil em Segurança

10 de Janeiro de 2013

O Grito, de Edvard Munch (1893). Um estado de perturbação e terror que não termina. É assim que as pessoas vivem em Fortaleza, massacradas pelo medo da violência crescente.

São 8 horas da noite de uma quarta-feira no cruzamento da Avenida Padre Antônio Tomás com Via Expressa, em Fortaleza. Na penumbra, à beira do asfalto, um jovem com as mãos enfiadas nos bolsos da blusa encapuzada. Primeiro, o estranhamento; depois, a suspeita; em seguida, o medo; e por último, o desejo de fuga a qualquer custo, a iminência do desespero.

A pessoa que me relatou o ocorrido, uma amiga que conduzia o carro na companhia de outra amiga, pensou: “É um assalto!” No mesmo instante, foi o que ouviu da carona: “Corre, que é um assalto!”. Imediatamente as duas lembraram-se dos familiares e das histórias de assaltos e mortes na perigosíssima Via Expressa.

Acelerando, a motorista disse à companheira de pavor: “Se ele tirar a mão do bolso, passo por cima”. Ele não tirou. Não fez nada. Seria um assaltante? O que fazia ali parado? Resolvera abordar uma vítima que trafegasse em menor velocidade? Ninguém sabe.

Medo, violência e apatia

Embora, felizmente, o final não tenha se consumado numa possível tragédia (como as que estampam os jornais diariamente), nada disso nos soa estranho, porque vivemos assim, todos sobressaltados, desconfiados, impregnados de medo e impotência.

E ainda assim, ninguém faz nada. Os comandos das polícias, na ânsia de protegerem seus cargos e a imagem dos governos a que servem, dizem que ações estão sendo tomadas, que as patrulhas estão sendo feitas, que as rondas se intensificaram, que a inteligência está operando, que mais recursos serão investidos. Carrões de luxo como viaturas, patinetes na Beira-Mar, fardas estilizadas, tudo isso não passa de marketing. No mundo real, cada vez mais, é cada um por si e Deus por todos.

E ainda assim, ninguém, ou quase ninguém, fica indignado com a falta de respostas do poder público, sempre ágil na hora de promover festanças ou aumento nos próprios salários, mas ineficaz quando o tema é segurança.

Reação

Li no Facebook do cidadão Paulo Angelim, uma reflexão interessante, que aqui reproduzo:

Amigos, devemos pressionar nossos congressistas a mudarem este quadro, e isto passa por medidas preventivas, sociais e educacionais, para evitar a entrada de novos delinquentes  para ressocializar quem já está no crime. Mas é fundamental também, e urgentemente, a REPRESSÃO. (…) Façamos nossa parte. SÓ VOTO EM DEPUTADO QUE VOTA A FAVOR DE UM CÓDIGO PENAL MAIS RIGOROSO. E VOCÊ?

É isso! Você pode até não concordar com o mérito da proposta, mas a iniciativa de pressionar as autoridades é louvável. Não adianta ficar com raiva de um ou outro bandido, pois o caso transcende a ação individual de criminosos e exige soluções amplas. Eu acrescentaria ainda: Só voto em governantes que mostrarem resultados na redução da criminalidade. ´

Legisladores, juízes e governantes, que vivem rodeados de seguranças pagos com dinheiro público, precisam ser chamados às suas responsabilidades no encaminhamento de providências urgentes.

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Não é mais sensação de insegurança, é sensação de pânico nas ruas de Fortaleza

Por Wanfil em Segurança

10 de Janeiro de 2013

O Grito, de Edvard Munch (1893). Um estado de perturbação e terror que não termina. É assim que as pessoas vivem em Fortaleza, massacradas pelo medo da violência crescente.

São 8 horas da noite de uma quarta-feira no cruzamento da Avenida Padre Antônio Tomás com Via Expressa, em Fortaleza. Na penumbra, à beira do asfalto, um jovem com as mãos enfiadas nos bolsos da blusa encapuzada. Primeiro, o estranhamento; depois, a suspeita; em seguida, o medo; e por último, o desejo de fuga a qualquer custo, a iminência do desespero.

A pessoa que me relatou o ocorrido, uma amiga que conduzia o carro na companhia de outra amiga, pensou: “É um assalto!” No mesmo instante, foi o que ouviu da carona: “Corre, que é um assalto!”. Imediatamente as duas lembraram-se dos familiares e das histórias de assaltos e mortes na perigosíssima Via Expressa.

Acelerando, a motorista disse à companheira de pavor: “Se ele tirar a mão do bolso, passo por cima”. Ele não tirou. Não fez nada. Seria um assaltante? O que fazia ali parado? Resolvera abordar uma vítima que trafegasse em menor velocidade? Ninguém sabe.

Medo, violência e apatia

Embora, felizmente, o final não tenha se consumado numa possível tragédia (como as que estampam os jornais diariamente), nada disso nos soa estranho, porque vivemos assim, todos sobressaltados, desconfiados, impregnados de medo e impotência.

E ainda assim, ninguém faz nada. Os comandos das polícias, na ânsia de protegerem seus cargos e a imagem dos governos a que servem, dizem que ações estão sendo tomadas, que as patrulhas estão sendo feitas, que as rondas se intensificaram, que a inteligência está operando, que mais recursos serão investidos. Carrões de luxo como viaturas, patinetes na Beira-Mar, fardas estilizadas, tudo isso não passa de marketing. No mundo real, cada vez mais, é cada um por si e Deus por todos.

E ainda assim, ninguém, ou quase ninguém, fica indignado com a falta de respostas do poder público, sempre ágil na hora de promover festanças ou aumento nos próprios salários, mas ineficaz quando o tema é segurança.

Reação

Li no Facebook do cidadão Paulo Angelim, uma reflexão interessante, que aqui reproduzo:

Amigos, devemos pressionar nossos congressistas a mudarem este quadro, e isto passa por medidas preventivas, sociais e educacionais, para evitar a entrada de novos delinquentes  para ressocializar quem já está no crime. Mas é fundamental também, e urgentemente, a REPRESSÃO. (…) Façamos nossa parte. SÓ VOTO EM DEPUTADO QUE VOTA A FAVOR DE UM CÓDIGO PENAL MAIS RIGOROSO. E VOCÊ?

É isso! Você pode até não concordar com o mérito da proposta, mas a iniciativa de pressionar as autoridades é louvável. Não adianta ficar com raiva de um ou outro bandido, pois o caso transcende a ação individual de criminosos e exige soluções amplas. Eu acrescentaria ainda: Só voto em governantes que mostrarem resultados na redução da criminalidade. ´

Legisladores, juízes e governantes, que vivem rodeados de seguranças pagos com dinheiro público, precisam ser chamados às suas responsabilidades no encaminhamento de providências urgentes.