atraso Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

atraso

Transposição de água não acompanha transposição de votos e verbas

Por Wanfil em Corrupção

20 de Fevereiro de 2017

No sexto ano de seca, todo político no Ceará aproveita qualquer entrevista para mostrar sua solidariedade na torcida para que o volume de chuvas garanta o abastecimento. A maioria prefere fingir não saber que a Transposição do São Francisco está cinco anos atrasada e com o orçamento inicial de 4 bilhões e meio de reais atualizado para… atenção… R$ 9,6 bilhões! Talvez a obra fique pronta no segundo semestre deste ano.

Para que ninguém esqueça, a imprensa é que de vez em quando aborda o assunto. O jornal O Globo desta segunda (20) publicou matéria sobre oito grandes obras investigadas pela Lava-Jato, atrasadas e cujos valores iniciais explodiram de modo obsceno. Entres essas, a Transposição, é claro.

Como a obra não aumentou de tamanho, como os canais continuam a ser feitos de cimento e não de pedras preciosas, fica evidente que as únicas transposições constatadas foram de dinheiro público e de votos. Como todos sabem, a Transposição foi um dos trunfos das propagandas eleitorais desses mesmos políticos (especialmente os do PT, PDT e PMDB) que agora posam rezando por chuva nos jornais.

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Mesmo com tatuzões, metrô avança apenas 1% em três anos. De quem é a culpa?

Por Wanfil em Ceará

07 de novembro de 2016

O atraso nas obras do metrô de Fortaleza (Linha Leste), que após três anos conclui apenas 1% do projeto, ganhou destaque nacional com uma matéria do O Globo, publicada no domingo (6).

“Um dos emblemas do fracasso da empreitada é a imagem dos quatro ‘tatuzões’ adquiridos pelo governo do Ceará”, explica o jornal, que cita o caso como exemplo da “megalomania empreendedora que tomou conta do país até o estouro da crise econômica”.

O Globo informa que Cid Gomes, “então governador e mentor da empreitada”, não quis comentar o assunto, mas ressalta que “aliados dos irmãos Ferreira Gomes admitem a frustração com a paralisação das obras e o custo de manutenção do equipamento”. Parece que o anonimato desperta nesses um tímido senso crítico. Oficialmente, porém, ainda segundo a matéria, o governo cearense responsabiliza a legislação e uma empresa privada que abandonou o consórcio responsável pela obra pelo atraso.

É sempre assim. Foi a mesma coisa com a segurança pública, com os hospitais superlotados e com o Acquário Ceará, outra obra milionária parada. Ninguém admite a mínima falha, preferindo acusar a Lei de Licitações ou a legislação ambiental, o preço do dólar, o TCU, os médicos, os policiais, a oposição ou a imprensa.

É bem verdade que existe uma antipatia da imprensa fora do Ceará em relação a Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência, mas isso não muda os fatos em relação ao metrô e aos tatuzões. Fica evidente que os responsáveis não conseguem aprender com seus próprios erros porque são incapazes de admiti-los e até mesmo de enxergá-los.

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O vexame do Acquario Ceará: a contrapartida paga para um empréstimo que não existe

Por Wanfil em Ceará

06 de Abril de 2015

Churchill, o inglês, via longe. Já o Governo do Ceará...

Churchill, o inglês, via longe. Já o Governo do Ceará…

Os deputados estaduais Carlos Matos (PSDB) e Renato Roseno (Psol) ficaram insatisfeitos com os esclarecimentos feitos pelo governo do Estado acerca da polêmica obra do tal Acquario Ceará, segundo matéria do O Povo. A dupla reclama da falta de detalhamentos e de dados desatualizados. O deputado Audic Mota (PMDB) também critica cláusulas do contrato que estariam sujeitas à variações cambiais.

Um ponto levantado por Matos merece destaque. É que a obra começou a ser construída antes que o financiamento obtido junto ao Eximbank fosse avaliado e liberado pelo Senado. Caso não seja aprovado até novembro, o empréstimo será cancelado. Mesmo assim, o Tesouro estadual já enterrou US$ 45 milhões no aquário sem água.

Diante disso, a pergunta óbvia é: como diabos iniciam uma obra pública sem confirmar o financiamento? Se fosse um prédio residencial, os moradores estariam na rua com a obra inacabada.  Segundo o governo, a ideia seria evitar atrasos. O problema é que a conclusão do empreendimento, prevista 2014, foi adiada 2017.

Entre o ruim e o muito ruim, escolheram o ruim e ficaram com o muito ruim
Certa feita, ao comentar o pacto entre Inglaterra, França e a Alemanha nazista, ainda em 1938, Churchill disse: “Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e terão a guerra”.

Descontadas as diferenças históricas e de relevância política, no Ceará, em 2015, entre a pressa e o prejuízo, escolheram a pressa e tiveram prejuízo. Sim, porque a obra está parada e atrasada, situação que gera perda financeira, especialmente com o dólar subindo. E só para fazer justiça, não faltou quem avisasse que a obra, cujo orçamento e utilidade são questionados por muitos, não poderia ser feita assim no atropelo.

Pode ser que o empréstimo seja aprovado? Sim. Mas também pode ser que não. Escolhas mal feitas são assim: ficam por conta da sorte.

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O atraso do VLT e uma questão de lógica – Ou: Tem culpa eu?

Por Wanfil em Ceará

10 de junho de 2014

O governador Cid Gomes anunciou na semana passada que pretende romper o contrato com o consórcio responsável pela construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), promessa não cumprida para a Copa do Mundo. A mensagem é clara: a exclusividade da culpa pelo atraso na obra é do agente privado que presta serviço ao agente público. Por esse raciocínio, o contratante é vítima da incompetência do contratado.

As empresas do consórcio negam a acusação, dizendo que o problema está no projeto original. Não entro no mérito técnico-jurídico dessa pendenga. Interessa aqui a lógica da argumentação oficial, que revela, naturalmente, uma forma de ver o mundo, uma moral aplicada à administração pública.

O filósofo alemão Immanuel Kant ensinava que só é ético o que pode ser universalizado. Dizendo de outra forma: para ser justo, não é possível ter dois pesos e duas medidas. Pois, bem. Sendo a divisão de responsabilidades um princípio administrativo lógico e transparente, é lícito concluir que, por inversão, quando uma obra é feita a tempo e dentro dos critérios estabelecidos previamente entre as partes, o mérito cabe exclusivamente às empresas responsáveis pela obra. O Castelão, por exemplo, devemos às empresas que o construíram, cabendo ao governo o papel de fiel intermediário entre o dinheiro do contribuinte e o serviço prestado. É ou não é lógico?

Assim, se para o governo Cid não é o culpado pelos atrasos nas obras do seu próprio governo, da mesma forma o secretário da Copa, Ferrucio Feitosa, não pode posar de gestor competente pelo prazo cumprido na reforma do estádio, pois sua responsabilidade não é fazer ou deixar de fazer, mas só pagar quem faz. Aparecer como executivo realizador não passaria, portanto, de uma falsa propaganda feita em cima de um mero burocrata. Não estou dizendo isso, apenas deduzo o cenário a partir de uma premissa colocada pelo próprio governo. O mesmo peso, a mesma medida.

É claro que as coisas não funcionam assim. Quando dão certo, e isso vale para a maioria dos governos e governantes, aparece um monte de gente disposta a surfar na onda da bonança. Quando dão errado, todos correm para culpar terceiros. Raros são os que assumem seus erros e vacilações, ou que tomam providências antes do prejuízo.

O caso do VLT lembra o da adutora de Itapipoca, no final do ano passado, quando Cid Gomes mergulhou para reparar um tanque de água. O governo culpou a empresa e um inquérito foi instaurado. Nenhum dos técnicos responsáveis pelo projeto foi demitido. Resultado: dinheiro perdido. Nosso dinheiro. Sumiu e a obra de 19 milhões precisou ser remendada.

Assim, quando o governo diz que o culpado pelo atraso do VLT é exclusivamente o consórcio, sem assumir nem um pouquinho da responsabilidade, quer apenas esconder a malícia se fazendo de bobo, igual na brincadeira popular que finge haver inocência na pergunta carregada de duplo sentido: Tem culpa eu?

PS. O atraso de uma semana para falar sobre esse tema é de minha inteira e intransferível responsabilidade.

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A confissão de Dilma no Ceará

Por Wanfil em Ceará

14 de Maio de 2014

Em rápida passagem por Jati, município no interior cearense, a presidente Dilma Rousseff justificou o atraso na transposição do Rio São Francisco dizendo que a complexidade da obra foi subestimada.

Não se trata de reconhecer o atraso, que é evidente por si mesmo, já que a transposição deveria ter ficado pronta em 2012. O que a presidente tenta construir é uma explicação para o problema, sem esbarrar em suspeitas de incompetência e corrupção.

No Século 17, o aristocrata francês François de La Rochefoucauld, grande aforista e inimigo do cardeal Richelieu, dizia o seguinte: “Apenas confessamos os pequenos defeitos para persuadir os outros de que não temos grandes”. A conversa sobre complexidade subestimada é exatamente isso, uma desculpa. No entanto, mesmo nessa condição, o argumento tropeça em pelo menos três pontos:

Primeiro – como diz o ditado, tempo é dinheiro. O atraso não apenas prejudica as vítimas da seca, que contavam com urgência na execução do projeto, mas causa imensos prejuízos financeiros ao país. Com apenas metade da obra concluída, sua previsão orçamentária dobrou, pulando de quatro para oito bilhões de reais;

Segundo – se a presidente reconhece que o prazo foi subestimado, fica então a pergunta: quem errou? A obra, tal como é hoje, foi planejada ainda no governo Lula, seu padrinho político, mais ou menos na época em que Ciro Gomes, contundente defensor da transposição, foi ministro da Integração Nacional, órgão responsável pelo projeto. Vale lembrar ainda que a própria Dilma foi ministra da Casa Civil, com atribuição de acompanhar as grandes obras federais, função pela qual foi chamada por Lula de “mãe do PAC”. Dizer que tudo foi subestimado corresponde a confessar a própria incapacidade para estabelecer (e cumprir) prazos;

Terceiro – se fosse apenas a transposição que estivesse atrasada, daria para engolir esse papo de complexidade, mas não é isso o que acontece. No Ceará, por exemplo, a reforma do Aeroporto Pinto Martins, obra federal para a Copa, está entre as mais atrasadas do país. De resto, o mesmo acontece por todo o país. A lentidão do empreendimento no São Francisco não é, de forma alguma, um desvio acidental ou um imprevisto, mas simplesmente resultado de um padrão gerencial, de um método administrativo de baixa eficiência e custo elevado.

A ex-prefeita Luizianne Lins, também do PT, diante de igual dificuldade no cumprimento de prazos, chegou a declarar que suas obras não teriam mais data certa de entrega, para que a imprensa não ficasse cobrando. Voltando ao presente, de qualquer forma, a transposição está prevista para 2015, depois, claro, as eleições.

Por falar nisso, Dilma agora percorre o Nordeste tentando criar uma agenda positiva para reverter a recente queda nas pesquisas. E assim, a transposição, dívida eleitoral não quitada, volta a ser vendida, mais uma vez, como promessa. Evidentemente, o projeto é complexo e pode atrasar, mas esse alerta nunca foi comunicado ao público na hora de “vender” a imagem da candidata Dilma como gestora infalível. Quem planta, colhe.

O risco agora é subestimar a paciência e a inteligência do eleitor.

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Roberto Cláudio ou Luizianne Lins: quem é o verdadeiro culpado pelo atraso nas obras da Copa?

Por Wanfil em Partidos

29 de Janeiro de 2014

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (Pros), admitiu o que todos já sabiam desde antes das eleições: parte das obras de responsabilidade do município para a Copa do Mundo não ficará pronta a tempo para o evento. E justificou: “Nós tivemos um ano e meio pra fazer o que deveria ter sido feito em quatro anos”. Trocando em miúdos, a culpa pelo fracasso seria exclusivamente da gestão passada, não obstante o esforço da atual na tentativa de recuperar o tempo perdido.

Com todo respeito, não é bem assim. Se por um lado é verdade que Roberto Cláudio assumiu a administração com cronogramas bem atrasados, o rompimento entre seu padrinho Cid Gomes a ex-prefeita Luizianne Lins (PT) é coisa recente, bem posterior ao anúncio de Fortaleza como sede para os jogos da Copa. O racha resultou de divergência internas na aliança, não de confrontos ideológicos ou programáticos.

Tanto é assim que o PROS e o PT, sigla que comandou a capital por oito anos, continuam aliados no Ceará, por partilharem, digamos assim, uma mesma visão. Essa parceria, desde o tempo em que Cid G0mes e Roberto Cláudio estavam no PSB, foi cantada em verso e prosa desde o primeiro mandato da petista. Não seria essa comunhão a razão maior para o eleitor mantê-los no poder?

Portanto, se existe um culpado pelo atraso, é a aliança política da qual souberam se beneficiar eleitoralmente PT e Pros, cada um a seu tempo.

Não é o caso de isentar a gestão passada. Pelo contrário. O prefeito tem razão quando deixa a entender que Luizianne tem grande parcela de culpa por essa situação vexatória. Mas não pode, de maneira alguma, descolar seu grupo político de uma gestão que foi eleita e reeleita com apoio de seu grupo político.

Padrão Fifa…

Na Matriz de Responsabilidades para as obras da Copa no Ceará, não apenas as que estão a cargo do município estão atrasadas. As federais também estão (a reforma do aeroporto, por exemplo). E as estaduais não estão garantidas.

O Castelão, em Fortaleza, foi o primeiro estádio para a competição a ficar pronto, antes mesmo do prazo previsto. Na ocasião, os responsáveis não cansaram de celebrar a própria competência.

Infelizmente, o que foi vendido como um modelo administrativo “padrão Fifa” não passou de um ponto fora da curva. O que tem predominado é a constante corrida contra o tempo, algo que não combina com a conversa de planejamento, eficiência, compromisso etc., etc.

Na hora de assumir a responsabilidade por esses atrasos, ninguém aparece. A Copa nem começou, mas o jogo de empurra está em pleno andamento.

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Olha a refinaria do Ceará! Onde? Ali, naquele factoide de ano eleitoral!

Por Wanfil em Ceará

27 de Janeiro de 2014

Há pouco mais de três anos, no final de dezembro de 2010, o ex-presidente Lula veio ao Ceará lançar a pedra fundamental de uma refinaria da Petrobras. Os mais entusiasmados viram no episódio a materialização de um sonho antigo que virou promessa de destaque na campanha nas eleições do próprio Lula e de Dilma Rousseff. Na ocasião, não faltaram pompas e circunstâncias, palanques e aplausos, além das matérias de sempre, dando conta dos bilhões que seriam investidos na construção de uma das maiores siderúrgicas do mundo.

Enquanto esse porvir radiante não chega, nada, nadinha mesmo que se pareça com uma refinaria, aconteceu. Certo mesmo, somente a reedição sistemática da mesma promessa em períodos eleitorais.

Agora… não vai!

Agora o governo do Estado anunciou que a Petrobras deu entrada no pedido de Licença de Instalação para o empreendimento junto à Secretaria do Meio Ambiente. Fica a impressão, portanto, de que agora finalmente a coisa vai, ou como diz o governo estadual, “mais um passo foi dado”. E tome de novo a conversa de que serão tantos bilhões, milhares de empregos, um novo amanhecer…

No mundo real, é o seguinte: o governo federal não consegue nem sequer fazer uma reforma no Aeroporto Pinto Martins. Faltando pouco mais de quatros meses para a Copa do Mundo, o ministro Valmir Lopes, do Tribunal de Contas da União, veio ao Ceará dizer que em virtude disso, os gestores responsáveis poderão ser multados. Ora, esqueceram de avisar ao ministro de que, a essa altura, o próprio TCU está atrasado na fiscalização. Já era! Teremos um puxadinho de lona para receber turistas. Quem multa os aplicadores de multa?

Aliás, aproveitando a deixa, lembro ao distinto TCU que atraso por atraso, existem outros bem mais graves, como a Transposição do Rio São Francisco, que deveria ter sido concluída em 2010 e que ainda está pela metade, custando (ó surpresa!) o dobro da previsão de custos inicial. Mais do que prejuízos financeiros, o problema maior é ver o futuro do Estado comprometido.

Já me comprometi na Tribuna Bandnews, onde tenho uma coluna diária, que toda vez que o governo federal e seus amedrontados parceiros estaduais tentassem emplacar um factoide sobre a refinaria, eu denunciaria a conversa fiada.

Então é o seguinte: se demoraram 12 anos para conseguir uma simples licença ambiental – e dado o perfil de inoperância da gestão Dilma, sobretudo em relação ao Ceará –, não será agora, nem nos próximos quatro anos, em caso de reeleição, que essa dívida será quitada.

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Senhores passageiros, com vocês ali no puxadinho, o novo Ceará!

Por Wanfil em Ceará

21 de Janeiro de 2014

A ampliação do Aeroporto Internacional Pinto Martins não será concluída antes da Copa do Mundo, em junho próximo, como previsto inicialmente em seu cronograma. Aliás, poucos aeroportos estarão em condições de receber o fluxo de turistas e passageiros que desembarcarão no Brasil, coitados, para o torneio.

Puxadinho

A situação da unidade de Fortaleza, entretanto, é especial: de todos, é local onde a obra estará mais atrasada. Mas o melhor (pior) ainda está por vir: para cumprir a palavra empenhada e não deixar os usuários do transporte aéreo na mão, o governo federal fará um “puxadinho” para receber a galera. “Brasil, zil, zil,zil…”, ouço em minha mente ufanista.

Tudo bem que o cearense está acostumado a ouvir promessas e deixar por isso mesmo. Mas na Copa é diferente, está todo mundo olhando e a Fifa reclama… Como não dá para prometer para fazer no próximo governo, apresentando a obra em maquete eletrônica na propaganda eleitoral, como nos casos da Refinaria da Petrobras e da Transposição do São Francisco, o jeito é improvisar uma gambiarra e chamar o troço de “criatividade”.

E olha que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou um aumento de 1.973 novos voos durante a Copa do Mundo, – aumento de 40% no tráfego – “com objetivo de reforçar a malha aérea e diminuir os preços das passagens”. É isso aí! Em Fortaleza, serão 205 voos a mais. Ainda bem que, precavidos, teremos o puxadinho.

Uma vez na capital do Ceará, o torcedor animado poderá conhecer a 7ª cidade mais violenta do mundo utilizando um sistema de transporte público que enche de orgulho o pessoal da Esplanada dos Ministérios.

Novo Ceará

Minha sugestão para causar mais impacto ainda é colocar no puxadinho esse trecho do novo jingle do governo do Estado: “é assim que a gente quer, é assim que a gente faz, o novo Ceará”.

“Peraí, Wanfil! A obra é federal, não misture as coisas!”. Eu sei, eu sei. Mas a Copa é um evento nacional e o espírito que anima a política no Ceará há alguns anos é o que apregoa a sinergia entre as administrações locais e nacional, irmanadas em um mesmo projeto administrativo. Por isso, ninguém pode reclamar do atraso da obra no aeroporto ou de qualquer outra, porquanto todos foram e são solidários nas promessas feitas.

Unidos por um legado

Na verdade, a admiração incondicional pela gestão, digamos assim, operosa da presidente Dilma Rousseff, é o elo comum entre Cid Gomes, Eunício Oliveira, José Guimarães e Luizianne Lins, que neste ano, apesar das divergências, pedirão mais quatro anos para ela mostrar como é que se faz.

Uma vez unidos pelas promessas que fizeram, unidos também pelo legado que deixam, entre eles, o puxadinho da Copa no Pinto Martins.

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Morre Hugo Chávez, ficam as paixões de um tempo que já passou

Por Wanfil em Internacional

05 de Março de 2013

A morte do presidente venezuelano Hugo Chávez é o assunto do momento. O estilo polêmico, os discursos longos, o alinhamento ideológico com Fidel Castro, a retórica anticapitalista (sem abrir mão dos lucros advindos do abundante petróleo na Venezuela), o posicionamento antiamericanista (sem cortar laços comerciais com o Tio Sam), e a promessa de um novo socialismo – o bolivarianismo, fizeram de Chávez um ícone da esquerda latino americana, um símbolo a encarnar toda a frustração acumulada com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética. Morre o homem e fica o personagem para o noticiário. Como entrará para a História, só o tempo dirá.

Os admiradores de Chávez enxergam nele a coragem de enfrentar adversários poderosos. Seus críticos o tomam como um sabotador do regime democrático e inimigo da imprensa livre.

Enquanto cronistas a favor e contra atiçam paixões políticas e os jornais publicam os obituários pré-editados do presidente que morreu após longa enfermidade, me atenho aqui a um aspecto mais, digamos, cultural, presente e atuante na América Latina.

Alguns fatos bastam como sinalizadores do atual estágio de maturidade política que vivemos no continente. Nesse instante, todos se perguntam: para onde vai a Venezuela? Com efeito, Chávez foi uma liderança que ofuscou novas lideranças e a Venezuela carece de mais estabilidade institucional. Ninguém sabe ao certo quem assume o poder no país. E isso em si é bastante revelador.

De certo modo, Chávez e as reações que ele provoca, boas ou más, justas ou injustas, é a expressão de um atraso: vivemos, todos, imersos numa cultura que é subproduto da Guerra Fria da segunda metade do século passado. A América Latina é a lata de lixo da História. Aqui ainda discutimos se o socialismo é melhor que o capitalismo e aplaudimos a miséria cubana como ato de resistência. Nas áreas de ciências humanas das universidades, lemos os mesmos livros de 20, 30 anos, presos no universo marxista sem o estímulo para ultrapassar suas fronteiras arcaicas. Lemos Eduardo Galeano como se fosse uma revelação. Cultuamos dualismos e maniqueísmos que o resto do mundo já superou.

O problema não é saber se Hugo Chávez foi democrata ou autoritário. O problema é perder tempo com isso, é ver presidentes pairando acima das instituições, o personalismo que procura salvadores messiânicos em toda esquina.

Hugo Chávez morreu, mas o pano de fundo para explorar ressentimentos continua. Na América Latina, olhamos para trás e quase nunca para frente.

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Morre Hugo Chávez, ficam as paixões de um tempo que já passou

Por Wanfil em Internacional

05 de Março de 2013

A morte do presidente venezuelano Hugo Chávez é o assunto do momento. O estilo polêmico, os discursos longos, o alinhamento ideológico com Fidel Castro, a retórica anticapitalista (sem abrir mão dos lucros advindos do abundante petróleo na Venezuela), o posicionamento antiamericanista (sem cortar laços comerciais com o Tio Sam), e a promessa de um novo socialismo – o bolivarianismo, fizeram de Chávez um ícone da esquerda latino americana, um símbolo a encarnar toda a frustração acumulada com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética. Morre o homem e fica o personagem para o noticiário. Como entrará para a História, só o tempo dirá.

Os admiradores de Chávez enxergam nele a coragem de enfrentar adversários poderosos. Seus críticos o tomam como um sabotador do regime democrático e inimigo da imprensa livre.

Enquanto cronistas a favor e contra atiçam paixões políticas e os jornais publicam os obituários pré-editados do presidente que morreu após longa enfermidade, me atenho aqui a um aspecto mais, digamos, cultural, presente e atuante na América Latina.

Alguns fatos bastam como sinalizadores do atual estágio de maturidade política que vivemos no continente. Nesse instante, todos se perguntam: para onde vai a Venezuela? Com efeito, Chávez foi uma liderança que ofuscou novas lideranças e a Venezuela carece de mais estabilidade institucional. Ninguém sabe ao certo quem assume o poder no país. E isso em si é bastante revelador.

De certo modo, Chávez e as reações que ele provoca, boas ou más, justas ou injustas, é a expressão de um atraso: vivemos, todos, imersos numa cultura que é subproduto da Guerra Fria da segunda metade do século passado. A América Latina é a lata de lixo da História. Aqui ainda discutimos se o socialismo é melhor que o capitalismo e aplaudimos a miséria cubana como ato de resistência. Nas áreas de ciências humanas das universidades, lemos os mesmos livros de 20, 30 anos, presos no universo marxista sem o estímulo para ultrapassar suas fronteiras arcaicas. Lemos Eduardo Galeano como se fosse uma revelação. Cultuamos dualismos e maniqueísmos que o resto do mundo já superou.

O problema não é saber se Hugo Chávez foi democrata ou autoritário. O problema é perder tempo com isso, é ver presidentes pairando acima das instituições, o personalismo que procura salvadores messiânicos em toda esquina.

Hugo Chávez morreu, mas o pano de fundo para explorar ressentimentos continua. Na América Latina, olhamos para trás e quase nunca para frente.