assaltos Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

assaltos

A verdadeira causa da onda de policiais assassinados

Por Wanfil em Segurança

21 de novembro de 2016

O portal Tribuna do Ceará mostra que 27 policiais foram assassinados no Ceará em 2016, a maioria quando estava de folga, vítima de latrocínio.

Segundo o secretário de Segurança Delci Teixeira, esses mortes estão relacionadas a “fatores inesperados” que provocaram o “instinto policial” das vítimas. O problema é que se nos limitarmos a essa leitura, as vítimas acabam prioritariamente responsabilizadas pelas próprias mortes, tomadas então como meras fatalidades. E não é bem assim que a coisa acontece: esses assassinatos decorrem, antes, do intenso volume de assaltos no Ceará. Em outra palavras: a grande quantidade de mortes de policiais de folga é resultado direto e proporcional ao aumento geral de assaltos.

Segundo a SSPDS, de janeiro a outubro deste ano foram registrados 60.847 casos de “crimes violentos contra o patrimônio”, já próximo ao que foi contabilizado em 2015, com 60.964 registros. São números impressionantes e que muito provavelmente são subnotificado, uma vez que nem todos que são assaltados fazem Boletim de Ocorrência.

Se fosse o caso de hierarquizar causas, o “instinto policial” é acionado como ação de legítima defesa face ao “instinto violento” dos assaltantes. Se os assaltos estivessem diminuindo no estado, as reações causadas por esse tipo de crime – bem como as mortes – também diminuiriam. E o que temos é o contrário disso.

Nesse, digamos, ambiente degradado, o mais grave é perceber que o risco aumenta justamente quando o agente de segurança está de folga ou na reserva, não obstante o fato de que a exposição à violência é algo inerente à profissão. Chegamos ao ponto de ser mais seguro, para um policial, está de serviço.

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Eita! SSPDS diz que assaltos diminuíram 45% no Ceará. Mágica?

Por Wanfil em Segurança

05 de Fevereiro de 2014

Quando assumiu a Secretaria de Segurança do Ceará (SSPDS), em setembro do no passado, Servilho Paiva disse que os altos índices de criminalidade no Estado não seriam reduzidos com mágica. Diante da pressão geral por resultados, o secretário buscava ganhar tempo, dentro do pouco tempo que resta à gestão Cid Gomes.

No início do ano, Paiva anunciou um plano de ações que dividia o Estado em áreas de policiamento e prometia prêmios para policiais. Pois bem, a assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança divulgou agora no começo de fevereiro, boletim com a seguinte notícia:

Ceará registra queda de 45% em Crimes Violentos Contra o Patrimônio.

A comparação é entre janeiro de 2013, quando foram registrados 5005 casos, e janeiro de 2014, com 2745 casos. De acordo com a SSPDS, a criação de 18 Áreas Integradas de Segurança (AIS), cada uma com três responsáveis (um policial militar, um policial civil e um bombeiro), foi o principal motivo para a redução.

Parece ou não parece mágica? Quem diria que uma simples reorganização faria o que milhões e milhões de investimento, especialmente em luxuosas Hilux, não conseguiu ao longo de sete anos. O problema da mágica, todos sabem, é que ela não passa de ilusão. Nesse ritmo de 45% ao mês, em março não haverá mais registro de assaltos no Ceará…

Não estou dizendo que os dados são falsos. Mas tudo parece simples demais e talvez haja uma certa pressa em divulgar algo positivo para uma área demasiadamente carente de boas novas. Ao ler esses dados, algumas dúvidas me vieram à mente:

1 – As prisões por esse tipo de crime aumentaram (subindo consideravelmente a população carcerária) ou foram os bandidos desistiram de agir nessa modalidade?

2 – Teriam os assaltantes abandonado a prática de crimes diante da nova organização policial, ou depois de um ano lucrativo, teriam resolvido, bem no ano eleitoral, tirar férias?

3 – Outros tipos de crime também tiveram os índices reduzidos?

4 – Não seria mais apropriado dizer que não foram os crimes em si que caíram, mas seus registros oficiais? Até que ponto as vítimas simplesmente não deixaram de comunicar os assaltos por absoluta certeza de que nada será investigado? O sujeito que tem, por exemplo, o celular roubado, sem perder os documentos, ainda faz um Boletim de Ocorrência?

Eu acredito no secretário Servilho Paiva: não existe mágica. Por isso, é preciso uma certa dose de ceticismo ao analisar estatísticas. Não tanto por desconfiança, mas por segurança.

Para encerrar ilustrando o perigo das ilusões, publico uma singela imagem. Mire no ponto vermelho, sem piscar os olhos, por alguns segundos. A faixa azul desaparecerá, mas não se engane. Ela continua lá.

Ilusão de Ótica

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Assaltos em via pública e à luz do dia: a única certeza é que vivemos em perigo em Fortaleza

Por Wanfil em Segurança

16 de dezembro de 2012

O secretário de Segurança Pública do Ceará impediu uma tentativa de assalto no cruzamento da Av. Alberto Sá com a Via Expressa, na manhã do sábado (15), em Fortaleza.A vitima era um homem em um carro e o secretário, ao avistar a tentativa, atirou nos criminosos. O episódio é emblemático. Os bandidos foram frustrados em sua ação criminosa, um foi preso. Mas, infelizmente, longe de ser uma demonstração de força policial, de destreza operacional, o que fica evidente no caso é a situação de perigo no Ceará. Na verdade, o crime não escolhe hora, lugar ou faz distinção de sexo e classe.

No mesmo dia, à tarde, um policial militar foi morto por assaltantes em plena Av. Pontes Vieira, uma das vias mais movimentadas da capital. O policial estava com o filho pequeno numa loja de peças de automóveis.

O fato é que somos potenciais vítimas, restando-nos rezar para não ter o azar de cruzar o caminho de assaltantes. Pior, os criminosos, profissionais, quando são presos, sabem que rapidamente estarão em liberdade. Nos jornais vemos que, quase sempre, quando um assaltante ou homicida é preso, já responde por uma série de outros crimes. Como podem andar soltos?

No começo, todos alegavam que a legislação penal brasileira seria uma das melhores do mundo, pois teria como prioridade a recuperação do criminoso, tomado sempre como uma vítima da sociedade, aquele papo de intelectual do miolo mole. E aí?

Se os números mostram que nossa polícia é ineficiente para reduzir os índices de criminalidade, os fatos comprovam que essa legislação funciona como um incentivo ao crime.

Na escalada em que seguimos, já com ares de epidemia, com a certeza de que ninguém mais está protegido, nem juízes, nem legisladores e nem policiais, pode ser que assim, as autoridades sejam impelidas a tomar providências mais eficazes. Se não vai pela inteligência, vai pela dor.

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Assaltos em via pública e à luz do dia: a única certeza é que vivemos em perigo em Fortaleza

Por Wanfil em Segurança

16 de dezembro de 2012

O secretário de Segurança Pública do Ceará impediu uma tentativa de assalto no cruzamento da Av. Alberto Sá com a Via Expressa, na manhã do sábado (15), em Fortaleza.A vitima era um homem em um carro e o secretário, ao avistar a tentativa, atirou nos criminosos. O episódio é emblemático. Os bandidos foram frustrados em sua ação criminosa, um foi preso. Mas, infelizmente, longe de ser uma demonstração de força policial, de destreza operacional, o que fica evidente no caso é a situação de perigo no Ceará. Na verdade, o crime não escolhe hora, lugar ou faz distinção de sexo e classe.

No mesmo dia, à tarde, um policial militar foi morto por assaltantes em plena Av. Pontes Vieira, uma das vias mais movimentadas da capital. O policial estava com o filho pequeno numa loja de peças de automóveis.

O fato é que somos potenciais vítimas, restando-nos rezar para não ter o azar de cruzar o caminho de assaltantes. Pior, os criminosos, profissionais, quando são presos, sabem que rapidamente estarão em liberdade. Nos jornais vemos que, quase sempre, quando um assaltante ou homicida é preso, já responde por uma série de outros crimes. Como podem andar soltos?

No começo, todos alegavam que a legislação penal brasileira seria uma das melhores do mundo, pois teria como prioridade a recuperação do criminoso, tomado sempre como uma vítima da sociedade, aquele papo de intelectual do miolo mole. E aí?

Se os números mostram que nossa polícia é ineficiente para reduzir os índices de criminalidade, os fatos comprovam que essa legislação funciona como um incentivo ao crime.

Na escalada em que seguimos, já com ares de epidemia, com a certeza de que ninguém mais está protegido, nem juízes, nem legisladores e nem policiais, pode ser que assim, as autoridades sejam impelidas a tomar providências mais eficazes. Se não vai pela inteligência, vai pela dor.