assalto Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

assalto

Policiais mortos no Ceará: o luto e a luta

Por Wanfil em Segurança

01 de julho de 2016

Três policiais foram mortos e um foi baleado em Quixadá por uma quadrilha de roubos a carros-fortes, na tarde de ontem, quinta-feira. Outros dois foram feitos reféns e depois soltos.

Na prática, os policiais não tiveram chance ao cumprir sua missão de combater o crime. As quadrilhas que agem na região do Sertão Central usam armamento pesado, muito pesado. A Segurança Pública está de luto. Quixadá e os cearenses estão de luto.

A caçada aos bandidos promete ser intensa. O caso, no entanto, enseja reflexões que não visam criticar ninguém, pois o momento é de unir forças, mas que precisam ser encaradas de frente. Divido com vocês, e sei que muitos policiais acompanham o blog, algumas delas:

1 – A unidades do interior do Ceará estão preparadas, com o devido treino, apoio e armamento, para enfrentar esses grupos?
2 – Os procedimentos de abordagem a suspeitos de assaltos dessa natureza nas nossas estradas devem mudar?
3 – Não será o caso de buscar um intercâmbio com estados do Sudeste que lidam a mais tempo com quadrilhas desse tipo?

Não sou especialista em Segurança, falo apenas como alguém profundamente consternado com a morte desses policiais, que nos faz lembrar a importância da corporação. Aliás, o próprio governador mostrou seu pesar no Facebook.

A gestão Camilo Santana começou sob pressão na área da segurança pública, dada a herança que recebeu, mas conseguiu mostrar resultado. Restabeleceu a autoridade do governo no setor, pacificou a relação entre comando e tropa, conseguiu punir maus profissionais sem causar crises e tem reduzido os homicídios no Estado.

Ocorre que os assaltos a banco e a carros-fortes ameaçam reforçar o que chamamos de sensação de insegurança. Portanto, a reação do presente precisa levar em conta o planejamento para o futuro. Que o sacrifício dos agentes em serviço não tenha sido em vão.

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A prisão de Tony Félix muda alguma coisa?

Por Wanfil em Segurança

17 de Janeiro de 2014

Anderson Tony Vinicius Weyne Félix – o Tony Félix –, natural de Fortaleza, tem 22 anos de idade e até o início da semana já havia sido preso seis vezes. Em três ocasiões, foi acusado de ser traficante de drogas, em outras duas, de ser assaltante, e uma de ser usuário de drogas.

Apesar da ficha, Tony Félix estava solto. Em um dos casos, foi agraciado com o benefício da pena progressiva. Em outro, a Justiça considerou que o acusado não era traficante porque portava apenas 12 gramas de maconha. Seria então apenas maconheiro. Se fosse traficante, imagino, melhor seria prendê-lo recebendo a droga diretamente (e em maior quantidade) de seus fornecedores. Aí sim, não haveria como alegar mero consumo.

O fato é que a ausência de provas contundentes acaba facilitando a vida de bandidos. Traficante sabe que ser preso com pouca droga não dá em nada. E por isso mesmo tratam de andar com pequenas quantidades. Sabem também que juízes temem ser vistos como reacionários, e que para certas esferas influentes do progressismo, maconheiro é defensor do amor e das liberdades, obrigado a buscar o auxílio de quadrilhas organizadas… Quem haverá de prendê-los? A combinação de incompetência investigativa e ideologização judiciária é o paraíso da bandidagem.

Tony Félix foi preso pela sétima vez, acusado de ser um dos bandidos que assaltaram motoristas na Avenida Padre Antônio Tomás, em Fortaleza, na última terça-feira (14).

É certo que Tony Félix é suspeito em qualquer crimes cometido naquelas imediações porque, com efeito,vive em “conflito com a lei”, como dizem os bacanas. Eu não confio em Tony quando ele alega inocência. Mas também guardo reservas em relação a qualidade de algumas operações policiais, sobretudo quando há pressão da opinião pública.

O caso ganhou as redes sociais e constrangeu as autoridades de Segurança, que buscam desesperadamente reverter os crescentes índices de criminalidade, inédita no Ceará. As vítimas do assalto podem ajudar a identificar se Tony Félix está envolvido nesse episódio.

O problema é que, sendo culpado, alguém acredita que Tony Félix estará solto em breve? Alguém anda pela Avenida Padre Antônio Tomás sem medo e sobressaltos? Tony Félix e um espectro que ronda nossas mentes, não é só um indivíduo, é legião. Salve-se quem puder.

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No Ceará é assim: trabalho de “Inteligência” da bandidagem surpreende “Inteligência” da polícia!

Por Wanfil em Segurança

15 de Janeiro de 2014

Um imagem vale por mil palavras, diz o ditado. A foto abaixo, com um assalto à mão armada na Av. Padre Antônio Tomás, em Fortaleza, ganhou as redes sociais.

Bandidos agem e "surpreendem" a polícia em Fortaleza. Violência crescente, poder público desmoralizado e cidadãos reféns do crime.

Bandidos “surpreendem” em Fortaleza. Violência crescente, poder público desmoralizado e cidadãos reféns do crime. Imagem: reprodução/internet


A área do flagrante é de trânsito intenso, com bastante congestionamentos, especialmente agora que a avenida está parcialmente bloqueada por causa de uma obra viária. É também conhecida pelo risco de assaltos. Perto dali há um posto da polícia no anfiteatro do Parque do Cocó. Nada que atrapalhe a bandidagem, a ponto de roubos a carros serem praticados em pleno engarrafamento!

Em resposta ao portal Tribuna do Ceará, o comandante do policiamento na região disse que a ação “causou surpresa“, pois “fazia muito tempo que assaltos não aconteciam naquela região”. Por isso mesmo, explicou, o policiamento se concentra em outros três cruzamentos de grandes avenidas com a Via Expressa: Santos Dumont, Dom Luís e Alberto Sá.

Eu não sou especialista em segurança pública, mas como aluno involuntário do curso intensivo de insegurança no Ceará, evito o quanto posso passar por essas vias. Quando não tem jeito, aí estou preparado: poucos documentos, um cartão apenas, carro com seguro e confiança na sorte.

Certa vez li um artigo do professor e pesquisador Leonardo Sá, intitulado A racionalidade do assaltante e a incompetência do policiamento: uma relação a ser pesquisada e debatida, que falava justamente sobre os “furos” que assaltantes percebem no patrulhamento policial em determinadas áreas. A seguir, reproduzo um trecho, em azul. Volto depois.

Em uma pesquisa que realizei na Praia do Futuro, entrevistei um jovem que já havia praticado assalto na praia, um jovem em conflito com a lei, e ele me explicou que os assaltos tornavam-se mais frequentes quando os praticantes de assalto percebiam “furos” na organização do policiamento cotidiano. O ato de observar e avaliar se o policiamento está sendo realizado de modo competente foi um ato apontado por ele como sendo central para as práticas criminais, e o jovem que eu entrevistei falou diretamente na “incompetência da polícia” em realizar a segurança na área, sendo ele próprio um ex-praticante de assaltos, como ele se definiu na ocasião em que o entrevistei. A racionalidade dos assaltantes está monitorando e avaliando as competências do policiamento para vislumbrar oportunidades de realização de assaltos e para mensurar chances de sucesso. Há uma racionalidade do crime que se exerce avaliando o funcionamento da racionalidade da polícia. As falhas desta são celebradas pela astúcia daquela.

Em que pese, a meu  ver, certa terminologia politicamente correta, é isso mesmo. A surpresa da polícia com o assalto na Avenida Padre Antônio Tomás cabe como uma luva nessa interpretação. A ausência de crimes em um determinado ponto da cidade não é mérito do combate ao crime, mas estratégia de despiste dos bandidos, que estudam a rotina de patrulhamento. Sabem os horários das rondas, registram os veículos, verificam periodicidade de ações policiais e, a partir disso, planejam e executam seus crimes, numa absurda inversão de papéis.

Perguntar não ofende

Quando a adutora de Itapipoca estourou, o governador Cid Gomes foi ao local, arregaçou as mangas, pegou na enxada e mergulhou em um tanque, sob alegação de motivar operários e, de quebra, mostrar que a resolução imediata do problema era sua maior prioridade no momento. Sendo assim, dado o precedente e diante do medo generalizado dos cidadãos, não seria então o caso de o governador ir pessoalmente patrulhar a Via Expressa?

Obs. O caso da adutora, engolido por factoides, não deu em nada até o momento.

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Eu juro que vi um boato fazendo arrastão em Fortaleza

Por Wanfil em Segurança

11 de outubro de 2013

Noite de quinta-feira (10), paróquia Nossa Senhora de Lourdes, no bairro Dunas, em Fortaleza, por volta das 21 horas. Cerca de 50 convidados reunidos para uma cerimônia de casamento se confraternizavam após a missa. De repente, gritos e correria denunciaram a ação de assaltantes.

Dentro do meu carro, tentando sair dali o quanto antes, vi o fotógrafo alertar: é um arrastão! Na via de acesso à igreja, bandidos pararam um carro, trancando a rua e uma das saídas do estacionamento, e abordaram outro veículo, conduzido por uma das convidadas, uma fonoaudióloga que foi ameaçada com uma arma na cabeça e teve seus pertences roubados. Na confusão, carros saindo em disparada rumo as ruas escuras do bairro perigosíssimo.

Antes de chegar ao evento, vi uma patrulha do Ronda nas imediações e quase me tranquilizei. Mas é aquela história, a bandidagem sabe os horários das rondas policiais. São mais organizados que a polícia. Agem nos intervalos, tranquilos. Após o assalto, uma viatura chegou ao local para prestar socorro. Ou melhor, consolo às vítimas.

Boato não, é incompetência real!

Não morreu ninguém. E até onde sei, nem fizeram boletim de ocorrência. Pra quê? Mas a questão não é essa. O governo do Estado e seus aliados na Assembleia Legislativa falam grosso na hora de chamar os críticos da insegurança de oportunistas, dizendo que existem cidades mais violentas, como se isso resolvesse o problema. A questão é que não podemos mais andar na cidade sem ter medo, não podemos criar nossas crianças – eu estava com duas no carro – sem ensiná-las a como se comportar em situações de risco (as minhas ficam com a cabeça abaixada, pois já foram vítimas de uma assalto na Cidade dos Funcionários), não podemos sair de casa para certos locais proibidos aos cidadãos, nos assombramos quando percebemos que um trajeto foi alterado, dirigindo e olhando para as esquinas e para o retrovisor, com medo de motoqueiros, ciclistas e pedestres que se aproximem de nós, e por aí vai. A questão da qual não se pode escapar (embora tentem) é que cabe ao governo estadual corrigir isso, seja lá como for.

De que adianta promessa de refinaria e siderúrgica, aquário, ponte ou viaduto, se as pessoas de bem não podem usufruir do espaço público, se não podem simplesmente passear pelas ruas de uma cidade em estar em constante estado de alerta ou de pânico? Sem correr o risco real e alto, muito alto, de morrer num assalto, ou de serem esfaqueadas ou baleadas por aí?

Não me venha o governo dizer que arrastões são boatos, porque arrastões existem. Boatos dessa natureza só prosperam, aliás, em ambientes já degradados. Eu testemunhei um, ninguém me contou. Nesses arrastões, o número de vítimas não é maior porque as pessoas fogem como podem na hora, mas aí dois ou três já foram atacados. É isso que as autoridades estão chamando de “roubos pontuais”.

Enquanto a cúpula do governo mostra agilidade para cuidar de arranjos eleitoreiros, estamos a mercê dos criminosos em qualquer lugar desse Estado. O nome disso é incompetência. Lembrem-se disso quando começarem as belíssimas propagandas da campanha eleitoral: eles são incompetentes!

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Eu juro que vi um boato fazendo arrastão em Fortaleza

Por Wanfil em Segurança

11 de outubro de 2013

Noite de quinta-feira (10), paróquia Nossa Senhora de Lourdes, no bairro Dunas, em Fortaleza, por volta das 21 horas. Cerca de 50 convidados reunidos para uma cerimônia de casamento se confraternizavam após a missa. De repente, gritos e correria denunciaram a ação de assaltantes.

Dentro do meu carro, tentando sair dali o quanto antes, vi o fotógrafo alertar: é um arrastão! Na via de acesso à igreja, bandidos pararam um carro, trancando a rua e uma das saídas do estacionamento, e abordaram outro veículo, conduzido por uma das convidadas, uma fonoaudióloga que foi ameaçada com uma arma na cabeça e teve seus pertences roubados. Na confusão, carros saindo em disparada rumo as ruas escuras do bairro perigosíssimo.

Antes de chegar ao evento, vi uma patrulha do Ronda nas imediações e quase me tranquilizei. Mas é aquela história, a bandidagem sabe os horários das rondas policiais. São mais organizados que a polícia. Agem nos intervalos, tranquilos. Após o assalto, uma viatura chegou ao local para prestar socorro. Ou melhor, consolo às vítimas.

Boato não, é incompetência real!

Não morreu ninguém. E até onde sei, nem fizeram boletim de ocorrência. Pra quê? Mas a questão não é essa. O governo do Estado e seus aliados na Assembleia Legislativa falam grosso na hora de chamar os críticos da insegurança de oportunistas, dizendo que existem cidades mais violentas, como se isso resolvesse o problema. A questão é que não podemos mais andar na cidade sem ter medo, não podemos criar nossas crianças – eu estava com duas no carro – sem ensiná-las a como se comportar em situações de risco (as minhas ficam com a cabeça abaixada, pois já foram vítimas de uma assalto na Cidade dos Funcionários), não podemos sair de casa para certos locais proibidos aos cidadãos, nos assombramos quando percebemos que um trajeto foi alterado, dirigindo e olhando para as esquinas e para o retrovisor, com medo de motoqueiros, ciclistas e pedestres que se aproximem de nós, e por aí vai. A questão da qual não se pode escapar (embora tentem) é que cabe ao governo estadual corrigir isso, seja lá como for.

De que adianta promessa de refinaria e siderúrgica, aquário, ponte ou viaduto, se as pessoas de bem não podem usufruir do espaço público, se não podem simplesmente passear pelas ruas de uma cidade em estar em constante estado de alerta ou de pânico? Sem correr o risco real e alto, muito alto, de morrer num assalto, ou de serem esfaqueadas ou baleadas por aí?

Não me venha o governo dizer que arrastões são boatos, porque arrastões existem. Boatos dessa natureza só prosperam, aliás, em ambientes já degradados. Eu testemunhei um, ninguém me contou. Nesses arrastões, o número de vítimas não é maior porque as pessoas fogem como podem na hora, mas aí dois ou três já foram atacados. É isso que as autoridades estão chamando de “roubos pontuais”.

Enquanto a cúpula do governo mostra agilidade para cuidar de arranjos eleitoreiros, estamos a mercê dos criminosos em qualquer lugar desse Estado. O nome disso é incompetência. Lembrem-se disso quando começarem as belíssimas propagandas da campanha eleitoral: eles são incompetentes!