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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

antipetismo

Boatos, antipetismo e esperança cirista na véspera da eleição

Por Wanfil em Eleições 2018

06 de outubro de 2018

Véspera de eleição. Atenções voltadas para disputa presidencial. Ânimos exaltados entre eleitores, apoiadores, simpatizantes e pragmáticos das candidaturas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

Liberalismo contra estatismo, petismo contra antipetismo, apoio à Lava Jato contra freio às investigações, corte de gastos contra ampliação de despesas. Notícias falsas de todos os lados, reducionismos, distorções sobre falas e intenções do adversários, boatos e mentiras transitando intensamente nas redes sociais.

O clima não é bom. Os candidatos não ajudam a amenizar seus grupos. Os discursos são de intolerância diante da divergência.

Por fora, correndo contra o tempo, Ciro Gomes (PDT), que apesar de falar em pacificação e união, também busca no alarmismo e no medo o impulso para uma arrancada de última hora.

A palavra da vez é “antipetismo”. Os partidos, é claro, recalibram suas estratégias na esperança de explorar o termo. Bolsonaristas a usam para pregar o voto útil. Petistas falam em manipulação eleitoreira, posando de vítimas. Ciristas garantem que seu candidato estaria imune ao antipetismo, ainda que venha a ser apoiado pelo petismo.

É preciso ter cuidado para não confundir o repúdio de grande parcela da população contra a corrupção e a violência, com uma mera antipatia partidária gratuita. É bom lembrar também que há uma rejeição contra os partidos em geral. Outras siglas, e talvez sejam todas, também sofrem com a perda da credibilidade.

O que pode haver de específico no antipetismo é o contraste entre o discurso messiânico de salvação da política e as práticas reveladas pela Lava Jato e outras investigações. Não só isso. A defesa dos preceitos politicamente corretos priorizou e atendeu a militância de grupos influentes e de minorias organizadas, mas deixou órfã a maioria silenciosa que paga a conta e que não possui canais de mobilização política.

O próprio Ciro avisou que essa polarização estava em curso e que poderia inviabilizar uma candidatura petista. Acabou isolado. O antipetismo cresce mais como reação ao que o petismo fez no poder do que pela ação planejada de adversários.

(Texto publicado originalmente para o Portal Tribuna do Ceará)

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Não é questão de ser antipetista

Por Wanfil em Partidos

29 de novembro de 2015

A importância do Partido dos Trabalhadores na história do Brasil é indiscutível. Nascido distante das estruturas de poder, o PT chegou à Presidência da República e tornou-se referência simbólica capaz de substituir debates importantes pela simples retórica de um embate entre petistas e antipetistas, dualismo traduzido por vários de seus líderes na figura do “Nós” contra “Eles”. Com os escândalos do mensalão e do petrolão, o descontrole fiscal, a crise econômica, a perda de popularidade e a Operação Lava Jato, essa polarização se voltou contra o partido e o cristal quebrou.

Acontece que ser importante e ter história, no final, não significa ser eficiente ou estável. Olhando as coisas de modo pragmático, a gestão Dilma levou as contas públicas para o buraco e agora, catatônica, não consegue nem sequer apontar rumo para alguma saída. O ajuste fiscal anunciado como salvação é torpedeado pelo próprio petismo. A essa altura também não existem mais dúvidas sobre a incapacidade gerencial e a falta de liderança política da presidente, deficiências que poderiam ser mais ou menos compensadas pelo partido, mas como ficou ainda mais claro após a prisão do senador Delcídio Amaral, o petismo convulsiona em estado terminal. Não é questão de gostar ou não gostar, de ser petista ou antipetista, mas de constatar fatos.

A dúvida é: diante da paralisia do governo, fazer o quê? Um bom amigo me pergunta: “Se tirar o PT, se tirar a Dilma, tudo se resolve? A corrupção acaba? O problema é só o PT?”.

A resposta é difícil, porque dúbia. É preciso cuidado para não voltar, pela força do hábito, à infrutífera discussão do “Nós” contra “Eles”. A corrupção certamente não acaba, mas nas atuais circunstâncias, é necessária ação imediata para retomar a credibilidade do governo e aprovar ajustes necessários para corrigir as contas. E o primeiro passo para isso é admitir que o PT representa agora, pelo lugar que ocupa e os problemas que o engolem, o maior empecilho para que soluções de curto e médio prazo sejam tomadas. Nesta semana, o governo Dilma tentará desesperadamente mudar no Congresso a meta fiscal, para conseguir terminar o ano no vermelho sem incorrer em crime. Acabou.

No longo prazo, a volta do PT para a oposição poderia ser a única forma de resgatar um pouco de sua força. Desconfio que, se renunciasse ao mandato, Dilma, uma pedetista, daria ao PT uma remota chance de salvação. Há momentos em que a necessidade fala mais alto, além das preferências partidárias, das cores, bandeiras, times e tudo em quanto. O Brasil caminha para um desastre econômico sem precedentes. A prioridade é estabilizar o quadro para depois discutir o que fazer.

Ao meu amigo petista, eu respondi: “Ou vocês mudam de casa ou pedem para que os líderes do partido respondam pelo que fizeram. Para sobreviver, vocês precisam se livrar deles.” O Brasil também.

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Não é questão de ser antipetista

Por Wanfil em Partidos

29 de novembro de 2015

A importância do Partido dos Trabalhadores na história do Brasil é indiscutível. Nascido distante das estruturas de poder, o PT chegou à Presidência da República e tornou-se referência simbólica capaz de substituir debates importantes pela simples retórica de um embate entre petistas e antipetistas, dualismo traduzido por vários de seus líderes na figura do “Nós” contra “Eles”. Com os escândalos do mensalão e do petrolão, o descontrole fiscal, a crise econômica, a perda de popularidade e a Operação Lava Jato, essa polarização se voltou contra o partido e o cristal quebrou.

Acontece que ser importante e ter história, no final, não significa ser eficiente ou estável. Olhando as coisas de modo pragmático, a gestão Dilma levou as contas públicas para o buraco e agora, catatônica, não consegue nem sequer apontar rumo para alguma saída. O ajuste fiscal anunciado como salvação é torpedeado pelo próprio petismo. A essa altura também não existem mais dúvidas sobre a incapacidade gerencial e a falta de liderança política da presidente, deficiências que poderiam ser mais ou menos compensadas pelo partido, mas como ficou ainda mais claro após a prisão do senador Delcídio Amaral, o petismo convulsiona em estado terminal. Não é questão de gostar ou não gostar, de ser petista ou antipetista, mas de constatar fatos.

A dúvida é: diante da paralisia do governo, fazer o quê? Um bom amigo me pergunta: “Se tirar o PT, se tirar a Dilma, tudo se resolve? A corrupção acaba? O problema é só o PT?”.

A resposta é difícil, porque dúbia. É preciso cuidado para não voltar, pela força do hábito, à infrutífera discussão do “Nós” contra “Eles”. A corrupção certamente não acaba, mas nas atuais circunstâncias, é necessária ação imediata para retomar a credibilidade do governo e aprovar ajustes necessários para corrigir as contas. E o primeiro passo para isso é admitir que o PT representa agora, pelo lugar que ocupa e os problemas que o engolem, o maior empecilho para que soluções de curto e médio prazo sejam tomadas. Nesta semana, o governo Dilma tentará desesperadamente mudar no Congresso a meta fiscal, para conseguir terminar o ano no vermelho sem incorrer em crime. Acabou.

No longo prazo, a volta do PT para a oposição poderia ser a única forma de resgatar um pouco de sua força. Desconfio que, se renunciasse ao mandato, Dilma, uma pedetista, daria ao PT uma remota chance de salvação. Há momentos em que a necessidade fala mais alto, além das preferências partidárias, das cores, bandeiras, times e tudo em quanto. O Brasil caminha para um desastre econômico sem precedentes. A prioridade é estabilizar o quadro para depois discutir o que fazer.

Ao meu amigo petista, eu respondi: “Ou vocês mudam de casa ou pedem para que os líderes do partido respondam pelo que fizeram. Para sobreviver, vocês precisam se livrar deles.” O Brasil também.