Ano Novo Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ano Novo

Feliz 2015!

Por Wanfil em Crônica

31 de dezembro de 2014

Adeus Ano-Velho, feliz Ano-Novo, que tudo se realize, no ano que vai nascer. É o que diz a canção. Esse dualismo antagônico do “novo” contra o “velho” pode ser visto como uma boa oportunidade para examinarmos o caminho percorrido até o presente e orientar passos rumo ao futuro. Mas pode ser também um daqueles clichês que parecem solução, mas que não passam de fuga: o “velho” e seu conteúdo descartados para dar vez ao “novo” sem mácula, num passe de mágica. Vai depender como o encaramos.

É bom que a esperança esteja entre os sentimentos que recepcionam o ano novo, pois indica vontade de melhorar. No entanto, a esperança não produzirá efeitos se estiver dissociada das lembranças boas e más que se fundem no caráter de cada um. O novo precisa do velho. Não que devamos ficar presos ao que não pode ser mudado. Pelo contrário, que a vontade de mudar nos estimule sempre mais.

A pedagoga italiana Maria Montessori entende que “a primeira ideia que uma criança precisa ter é a da diferença entre o bem e o mal. E a principal função do educador é cuidar para que ela não confunda o bem com a passividade e o mal com a atividade”. É isso: 2015 é a a criança trazida pelo calendário e que crescerá em velocidade alucinante, mas que já pode contar com a soma das experiências acumuladas nos anos que o precederam. Pode ser melhor, estagnar ou até recair. Nossa função, pois, é educá-lo com ações e trabalho, com coragem para mudar o que for preciso, com disposição para nos reinventarmos, sempre no sentido de progredirmos como seres humanos.

Que as lições do ano que passou nos ajudem a ser melhores no ano que se inicia, e que o tempo, na condição de símbolo da vida em movimento, possa ser nosso aliado nesse desafio.

Obrigado aos que acompanham o blog. É uma grande satisfação poder compartilhar esse espaço com cada um de vocês. Em 2014, aqui no portal Tribuna do Ceará, na rádio Tribuna Band News e na TV Jangadeiro, o ano foi de crescimento. O desafio foi grande, mas demos conta do recado. Que em 2015 possamos ir além, sempre com responsabilidade, mantendo o compromisso firmado com o público. Feliz Ano-Novo!

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Para ver 2014

Por Wanfil em Crônica

31 de dezembro de 2013

Primeiro de janeiro de 2014. Ano Novo. Se no calendário os anos são todos iguais, matematicamente repartidos em porções previsíveis, onde está a novidade? Muitos acreditam que o novo é o renascimento de esperanças que se desgastaram durante o ano que termina. Outros, que há um destino escrito e que desta vez pode ser a hora de a profecia se realizar.

Eu gosto de pensar que o novo está contido no velho, embutido. Explico. As novidades e as mudanças que se revelarão neste ano já estavam entre nós desde o ano passado, mas ninguém foi capaz de vê-las, seja por não ter prestado atenção ou por ter a “vista cansada”. A questão é saber quem as enxergará primeiro. E quando.

Por falar nisso, transcrevo um texto de Otto Lara Resende, escrito no mais ou menos distante 1992, mas que soa como uma novidade sempre. É que o novo surpreende não pelo inusitado, mas pelo óbvio que estava ao alcance de todos e que passou despercebido.

Segue Otto:

Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

(Extraído da crônica Vista Cansada, publicada no jornal Folha de São Paulo, em 23 de fevereiro de 1992).

Em 2014, meu desejo mais profundo é o de não deixar que as vendas da indiferença e do hábito me impeçam de ver o novo que se refaz todo dia diante de nós. Que eu possa ver com o coração o que sou e o que faço, porque ninguém é estático e mudamos sempre. Que possamos nos ver mais e melhor, sempre.

Feliz 2014 a todos!

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Tempo de refletir

Por Wanfil em Crônica

01 de Janeiro de 2013

“A ironia do tempo é ele se fazer de substantivo abstrato”

Ano Novo, tempo de recomeço. “A ironia do Tempo é ele fingir de substantivo abstrato”, dizia o escritor José Geraldo Vieira. Faz sentido. Atribuímos ao tempo sentimentos e qualidades que são mesmo projeções de nossas esperanças ou decepções. Por isso, é comum ouvirmos que o ano passou depressa ou devagar, quando sabemos que hoje, assim como ontem e amanhã, as horas possuem a mesma duração de sempre. Dizemos que o tempo confere sabedoria, que cura enfermidades da alma, ou até que podemos matá-lo ou perdê-lo. O tempo, no entanto, é concreto, passa. Cabe a nós darmos qualidades reais ao tempo que temos.

Os finais de ano são momentos mágicos em que experimentamos a interseção entre o velho que se vai e o novo que chega; quando podemos confrontar, para balanço, passado, presente e futuro.

Em suma, por tudo o que representa, a passagem de Ano Novo configura natural oportunidade para a reflexão. Assistimos as famosas retrospectivas dos principais fatos e personagens que marcaram a sociedade e mexeram com o todo. Mas não há conjunto que se transforme se antes não mudamos as partem que o compõem. Portanto, é preciso também que façamos uma avaliação intrínseca, individual, de como agimos no ano que terminou.

Confissões

Na obra Confissões, Santo Agostinho ensina que refletir sobre nós mesmos não é tarefa fácil como sugerem os manuais de autoajuda. É que o verdadeiro exame da consciência não pode valer-se de subterfúgios, das pequenas mentiras e dos relativismos, pois Deus é onisciente e onipresente. Não há como enganar a Justiça Divina. E mesmo que sejamos céticos ou ateus, a regra do filósofo religioso também vale, pois, no fundo, sabemos que não conseguimos enganar a nossa consciência.

Que em 2013 as lições do ano que passou nos ajudem a progredir com o sentimento de solidariedade em nossos corações, e que o tempo, na condição de símbolo da vida em movimento, possa ser nosso aliado nesse desafio.

Feliz Ano Novo a todos.

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Tempo de refletir

Por Wanfil em Crônica

01 de Janeiro de 2013

“A ironia do tempo é ele se fazer de substantivo abstrato”

Ano Novo, tempo de recomeço. “A ironia do Tempo é ele fingir de substantivo abstrato”, dizia o escritor José Geraldo Vieira. Faz sentido. Atribuímos ao tempo sentimentos e qualidades que são mesmo projeções de nossas esperanças ou decepções. Por isso, é comum ouvirmos que o ano passou depressa ou devagar, quando sabemos que hoje, assim como ontem e amanhã, as horas possuem a mesma duração de sempre. Dizemos que o tempo confere sabedoria, que cura enfermidades da alma, ou até que podemos matá-lo ou perdê-lo. O tempo, no entanto, é concreto, passa. Cabe a nós darmos qualidades reais ao tempo que temos.

Os finais de ano são momentos mágicos em que experimentamos a interseção entre o velho que se vai e o novo que chega; quando podemos confrontar, para balanço, passado, presente e futuro.

Em suma, por tudo o que representa, a passagem de Ano Novo configura natural oportunidade para a reflexão. Assistimos as famosas retrospectivas dos principais fatos e personagens que marcaram a sociedade e mexeram com o todo. Mas não há conjunto que se transforme se antes não mudamos as partem que o compõem. Portanto, é preciso também que façamos uma avaliação intrínseca, individual, de como agimos no ano que terminou.

Confissões

Na obra Confissões, Santo Agostinho ensina que refletir sobre nós mesmos não é tarefa fácil como sugerem os manuais de autoajuda. É que o verdadeiro exame da consciência não pode valer-se de subterfúgios, das pequenas mentiras e dos relativismos, pois Deus é onisciente e onipresente. Não há como enganar a Justiça Divina. E mesmo que sejamos céticos ou ateus, a regra do filósofo religioso também vale, pois, no fundo, sabemos que não conseguimos enganar a nossa consciência.

Que em 2013 as lições do ano que passou nos ajudem a progredir com o sentimento de solidariedade em nossos corações, e que o tempo, na condição de símbolo da vida em movimento, possa ser nosso aliado nesse desafio.

Feliz Ano Novo a todos.