Alianças Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Alianças

O maior inimigo de Ciro é o PT

Por Wanfil em Eleições 2018

23 de julho de 2018

Quis o destino, essa entidade irônica quando o assunto é política, que o PT do Ceará chegasse ao poder no Ceará graças ao apoio do ex-governador Cid Gomes, hoje no PDT, que na véspera das convenções em 2014 escolheu Camilo Santana para concorrer à sucessão.

É que durante muitos anos o petismo cearense viu na figura de Ciro, o irmão mais velho dos Ferreira Gomes, o seu maior inimigo, especialmente quando este, ainda no PSDB de Tasso Jereissati, ocupou os cargos de prefeito, governador e ministro da Fazenda.

É bem verdade que em Sobral a parceria já rendia frutos, mas nada que indicasse uma afinidade ideológica, digamos assim, mais profunda. De todo modo, a condição de aliado dos governos de Lula possibilitou uma maior aproximação entre ciristas e petistas que, em contrapartida, aderiram ao governo Cid.

Tudo ia bem até que em 2009 Ciro – então no PSB – a pedido de Lula, mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo e acabou sem legenda para disputar a Presidência no ano seguinte, quando Dilma foi eleita.

Agora, pela primeira vez, Ciro é candidato sem que o PT tenha um nome viável. Preso e impedido de concorrer, Lula no máximo poderá indicar um substituto que, mesmo assim, terá dificuldades, como apontam as pesquisas. Pela lógica, se apoiasse Ciro, a esquerda teria maiores chances, dado o cenário fragmentado da disputa.

Assim, o PT mais uma vez se faz obstáculo para Ciro. Impediu que PSB e PCdoB o apoiassem. O maior inimigo hoje do projeto presidencial dos ciristas, por incrível que pareça, não é o PSDB ou Bolsonaro (adversários naturais, portanto, de onde se espera o combate), mas o PT.

Por isso, ironia do destino é que seja o PT, no Ceará, de longe o maior beneficiado na aliança com o PDT de Ciro e Cid Gomes. Tem o governo do Estado, ainda que seja como inquilino, e fecha as portas do Planalto para os parceiros.

(Esse texto foi publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará).

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Aliança entre PT (PDT) e PMDB: tudo a ver

Por Wanfil em Política

04 de novembro de 2017

A reaproximação entre PT e PMDB no Ceará não constitui um ponto fora da curva, uma exceção a corromper uma suposta incompatibilidade de valores entre as siglas, demarcada sobretudo após o impeachment. Ao contrário, pelo que informa a imprensa do sul, é antes parte de um movimento bem mais amplo, mais evidente nas regiões Norte e Nordeste.

No Ceará, se algo dificulta essa reaproximação é a relação tumultuada entre Eunício Oliveira e os irmãos Cid e Ciro Gomes, pois o PT por aqui virou um puxadinho do PDT. Nada que a necessidade de garantir foro privilegiado com o menor risco possível não possa superar.

Bacanas mesmo são as declarações de parte a parte. PT e PDT dizendo que podem até aceitar compor com os “golpistas” em nome de uma incerta candidatura de Lula; o PMDB garantindo que prefere deixar ressentimentos de lado para trabalhar, de olhos fechados, para o bem do Ceará. Até parecem que fazem favor ao outro e não agem por interesse próprio.

Tanto sacrifício e amor pelo bem comum podem até comover os que anseiam uma sinecura estatal, mas não apaga a troca de acusações das eleições passadas, que subsistem agora como prova de que todos sempre se conheceram muito bem.

Nota – Quando partidos de oposição no Ceará, especialmente PSDB e PR, aceitam esperar o PMDB decidir de que lado está, aguardando autorização do PDT para fechar com o PT e voltar ao governismo, se igualam àqueles que criticam. 

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Cid candidato ao governo, Camilo para o Senado, Tasso de volta ao Executivo, Eunício indeciso… São os velhos balões de ensaio, gente!

Por Wanfil em Política

28 de Março de 2017

Para onde irá o balão?

De tempos em tempos balões de ensaio alçam voo no noticiário para medir a “temperatura” e “pressão” da atmosfera política diante de temas polêmicos, para testar nomes de olho na próxima eleição e até mesmo para sabotar articulações em curso. É a semeadura do “se colar, colou” ou da desconfiança.

No Ceará o céu das especulações está repleto desses balões. Não por acaso, Cid Gomes precisou declarar publicamente apoio à reeleição de Camilo Santana, diante dos crescentes rumores de que o governador disputaria uma vaga para o Senado, abrindo caminho para uma possível volta de Cid ao governo estadual. Ah, não podemos esquecer a saída de Camilo do PT, outra pedra bastante cantada.

Existe também a frente de possibilidades que apontam para a oposição. Eunício Oliveira desistiria de concorrer ao Palácio da Abolição para tentar a reeleição ao Senado, num improvável (porém, nunca impossível) aliança com Camilo. Nos ventos dessas contemplações flutuam ainda os nomes do deputado Capitão Wagner e do senador Tasso Jereissati.

Evidentemente, cedo ou tarde algumas dessas “previsões” se concretizarão. Boa parte desses cenários aguardam a definição da candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República. Assim como o rumo dos ventos, as variáveis nesses casos são inúmeras e ainda imprevisíveis (a começar pela Lava-Jato), causando enorme expectativa no meio político. O resto é a busca política por influenciar os fatos com profecias que podem ou não vir a acontecer. Daí que soltem tantos balões de ensaio.

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Eleição é igual a caminhão sem freio descendo a ladeira

Por Wanfil em Eleições 2014

02 de julho de 2014

Como explicar que ex-adversários se unam de uma hora para outra e que ex-aliados acabem em lados opostos às vésperas de uma eleição no Brasil? Como é possível uma aliança com vinte partidos? A união entre Lula, Collor e Maluf é certamente hoje a expressão maior de uma prática antiga em nossa política.

A tradição de conciliar incompatibilidades
Para quem quiser estudar mais a fundo esse fenômeno, sempre indico a leitura do livro “A Consciência Conservadora no Brasil”, do historiador Paulo Mercadante, do qual tomei conhecimento por um artigo de Olavo de Carvalho. O conservador do título não faz referência direta à concepção clássica do termo como movimento doutrinário, mas antes, denuncia a deturpação desse conceito, amoldado às nossas práticas e vícios. Conservar aí é reduzido ao desejo espúrio de manter privilégios e vantagens, mesmo que para isso seja preciso mudar de convicções. É uma tradição conciliadora, capaz de acomodar valores teoricamente incompatíveis e assimilar ideais contraditórios em parcerias improváveis; que celebra o pragmatismo amoral como estratégia de perpetuação (a conservação) no poder. Ninguém foi melhor nisso do que José Sarney.

A prática também é reforçada pela fragilidade dos partidos na democracia brasileira, o fisiologismo, o culto ao personalismo e a própria legislação. Tudo converge para a bagunça. É nela que os políticos se entendem. Não que isso justifique toda e qualquer aliança espúria. Mesmo em ambientes degradados, existem limites.

Sabe de nada, inocente!
No Ceará, o governador Cid Gomes e seu irmão Ciro parecem muito surpresos e indignados com o fato de Eunício Oliveira, de quem receberam o apoio nas últimas três eleições (duas para governador e uma para a Prefeitura de Fortaleza), ter lançado candidatura própria ao governo estadual, imaginando poder contar com a reciprocidade dos antigos parceiros. Como não conseguiu apoio, rompeu. E rompido, buscou apoio dos adversários de Cid, com quem mantinha uma relação, digamos, sem atritos.

O problema é que os Gomes há mais de vinte anos mudam de lado ao sabor de eleições. Hoje são aliados objetivos, por exemplo, dos citados Collor, Sarney e Maluf, pela reeleição da presidente Dilma. E nem por isso acusam a candidata de ser incoerente, vejam só. É a velha indignação seletiva: só vale para os outros. Aí, não cola.

Metáfora pragmática
Conversando sobre essas alianças, um amigo me contou nesses dias uma história interessante, que disse ter ouvido pessoalmente de Leonel Brizola. “Eleição é como um caminhão sem freio descendo a ladeira. Na boleia ficam os amigos, os mais próximos. Na parte de trás, sobe quem quiser. Quando o carro chegar lá embaixo (as eleições), quem cair, caiu, quem se segurar, fica. Aí é tocar a primeira e seguir caminho”. É o tal pragmatismo.

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O pragmatismo político e a moral individual

Por Wanfil em Fortaleza, Ideologia

17 de outubro de 2012

Qual o melhor caminho a seguir? – Imagem: internet

O ex-secretário do Esporte e Lazer da Prefeitura Municipal de Fortaleza, Evaldo Lima, confirmou que seguirá determinação do Partido Comunista do Brasil e apoiará a candidatura de Roberto Cláudio (PSB) para prefeito. Tudo normal, não fosse o fato de que o professor de História obteve êxito em sua canidatura a vereador nessas eleições, em grande medida, por ter ocupado cargo de confiança na atual gestão.

E o que isso tem a ver? Ora, tudo. Maluf e Lula se aliaram em São Paulo. Até pouco tempo atrás cada um garantia que o outro não prestava. É o que se convencionou chamar de pragmatismo político. A depender da vantagem, as posições no jogo eleitoral variam de eleição para eleição. Essa “profissionalização” da política também pode ser vista como insrumento de governabilidade. É só ver o que aconteceu no mensalão. José Dirceu não precisava ser companheiro de Roberto Jéfferson, bastava-lhe comprar os votos do PTB. Deu no que deu.

Dilemas e sensibilidade

O caso de Evaldo não chega a limites extremos, e por isso é perfeito como amostra das contradições que a dinâmica política pode impôr aos seus atores. O que escolher nessa hora? Ser leal ao partido ou ao governo a qual serviu? Ser grato à prefeita que o ajudou após a derrota na eleição anterior ou aos líderes da sigla que o trabalharam sua indicação ao posto que o projetou? Seria ainda possível agradar os dois lados simultaneamente, aderindo à determinação do partido e guardando discrição em respeito aos antigos aliados? Difícil responder.

São situações especialmente intensas, sobretudo para os que não estão acostumados a ter que tomar decisões urgentes pressionados pelo choque de inúmeros interesses. Para o político profissional, entretanto, isso é rotina. Assim como cadáveres não assustam legistas e coveiros, ou o lixo não causa repugnância aos lixeiros, políticos acabam perdendo, uns mais ou outros menos, a sensibilidade para perceber as nuances entre o certo e o errado. Por isso mesmo a coerência é produto raro e valiosíssimo nesse mundo.

Não é possível afirmar se Evaldo e tantos outros agiram guiados pelo instinto de sobrevivência política celebrado por Nicolau Maquiavel ou por profundas crenças de base moral. Isso é com a consciência de cada um, atributo individual e instransferível. De qualquer forma, asistimos, especialmente no segundo turno, essas adesões e alianças que deixam a impressão de que há mais mistérios nos bastidores das eleições do que supõe nossa vã filosofia.

Renovar, mas nem tanto

Além do dilema ético-moral, o episódio guarda ainda uma questão de lógica elementar. Como a campanha do PSB sustenta que é preciso renovar para que a administração possa melhorar, impondo como condição para isso a derrota do PT, Evaldo e o seu PCdoB mudam de lado após oito anos para… atenção… renovar! Fica evidente que se trata de uma renovação de comando com a manutenção de comandados, com os agrados de sempre.

Não deixa de ser, digamos assim, uma forma de convicção formada ao sabor das circunstâncias.

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PSB e PT cearenses encenam trama antiga de aliança e traição

Por Wanfil em Eleições 2012, Partidos, Política

30 de Março de 2012


Ivo Gomes e Luizianne Lins unidos pelas circunstâncias em passado recente, agora afastados. O que mudou? As circunstâncias, claro.

A aliança vitoriosa entre PSB e PT no Ceará obedece a uma velha prática do frágil partidarismo brasileiro: é baseada em circunstâncias, não em convicções. Onde se lê aliança programática, entenda-se divisão de espaços (e verbas) na máquina pública. Essa realidade não resulta de um desvio ocasional ou particular, mas atende, sobretudo, a essa nefasta regra geral em nosso país, que pode se mostrar mais ou menos acentuada, a depender do governo avaliado.

Garantia expirada
No Ceará, a parceria entre o PT dono do poder federal e o PSB comandado pela família Ferreira Gomes, em 2006, derrotou a longa hegemonia do PSDB no Estado. Os fiadores desse projeto foram o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins, que sem maiores dificuldades administraram a desconfiança mútua que seus grupos – adversários no passado – nutrem um pelo outro no presente. No entanto, agora que os líderes desse processo não concorrerão mais a uma reeleição, as expectativas e especulações sobre uma nova configuração de poder aumentam.

Com popularidade em baixa (o que siginifica pouca capacidade de transferir votos), Luizianne não consegue emplacar um discurso de continuidade e nem apresenta um nome viável de sua confiança para sucedê-la.

Sem perdão
Os Ferreira Gomes, naturalmente, sentiram a oportunidade proporcionada pelo momento. E assim começam a escalar os próceres de seu grupo político, Ivo, Ciro e Arialdo Pinho, para criticar a gestão petista na capital cearense. A intenção óbvia é tentar descolar a imagem do PSB e do governador da gestão petista em Fortaleza, como se não tivessem tido responsabilidade alguma nas duas eleições de Luizianne. Não se trata de ser leal ou ingrato. É sobrevivência, é projeto de poder. É feio, mas é assim. Embarcar numa candidatura bancada por uma liderança fragilizada é um risco.

Assim é que, após quase oito anos de aliança, aparecem os três, muito surpresos com tantos problemas e preocupados com o bem-estar da população, apontando dificuldades administrativas e até corrupção. Isso mesmo. Ivo Gomes afirmou que dinheiro público é repassado a um hospital particular apenas para beneficiar um vereador, que seria o seu dono (bem que a Câmara de Vereadores poderia convidar o Chefe de Gabinete do governador do Estado, autoridade com imensas responsabilidades, para explicar melhor essa história e dar nomes aos bois, afinal, se trata de dinheiro do contribuinte).

É esperar pra ver
O fato é que a relação entre PT e PSB é a crônica de uma traição anunciada, assim como foi o pacto Ribbentrop-Molotov, tratado de não agressão firmado entre Rússia e Alemanha pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Como tal, a questão é saber quem quebrará o acordo primeiro. Os canhões de ataque já estão perfilados, pressionando a prefeita. O PT, que sempre teve no PSB uma mera força de apoio, irá capitular e deixar que o governador indique o nome que disputará pela atual coligação? Quem sabe. Em termos políticos, eu nunca subestimo Luizianne. No entanto, como diz a musiquinha, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

*Texto meu publicado originalmente no blog Polítika, da jornalista Kézya Diniz.

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PSB e PT cearenses encenam trama antiga de aliança e traição

Por Wanfil em Eleições 2012, Partidos, Política

30 de Março de 2012


Ivo Gomes e Luizianne Lins unidos pelas circunstâncias em passado recente, agora afastados. O que mudou? As circunstâncias, claro.

A aliança vitoriosa entre PSB e PT no Ceará obedece a uma velha prática do frágil partidarismo brasileiro: é baseada em circunstâncias, não em convicções. Onde se lê aliança programática, entenda-se divisão de espaços (e verbas) na máquina pública. Essa realidade não resulta de um desvio ocasional ou particular, mas atende, sobretudo, a essa nefasta regra geral em nosso país, que pode se mostrar mais ou menos acentuada, a depender do governo avaliado.

Garantia expirada
No Ceará, a parceria entre o PT dono do poder federal e o PSB comandado pela família Ferreira Gomes, em 2006, derrotou a longa hegemonia do PSDB no Estado. Os fiadores desse projeto foram o governador Cid Gomes e a prefeita Luizianne Lins, que sem maiores dificuldades administraram a desconfiança mútua que seus grupos – adversários no passado – nutrem um pelo outro no presente. No entanto, agora que os líderes desse processo não concorrerão mais a uma reeleição, as expectativas e especulações sobre uma nova configuração de poder aumentam.

Com popularidade em baixa (o que siginifica pouca capacidade de transferir votos), Luizianne não consegue emplacar um discurso de continuidade e nem apresenta um nome viável de sua confiança para sucedê-la.

Sem perdão
Os Ferreira Gomes, naturalmente, sentiram a oportunidade proporcionada pelo momento. E assim começam a escalar os próceres de seu grupo político, Ivo, Ciro e Arialdo Pinho, para criticar a gestão petista na capital cearense. A intenção óbvia é tentar descolar a imagem do PSB e do governador da gestão petista em Fortaleza, como se não tivessem tido responsabilidade alguma nas duas eleições de Luizianne. Não se trata de ser leal ou ingrato. É sobrevivência, é projeto de poder. É feio, mas é assim. Embarcar numa candidatura bancada por uma liderança fragilizada é um risco.

Assim é que, após quase oito anos de aliança, aparecem os três, muito surpresos com tantos problemas e preocupados com o bem-estar da população, apontando dificuldades administrativas e até corrupção. Isso mesmo. Ivo Gomes afirmou que dinheiro público é repassado a um hospital particular apenas para beneficiar um vereador, que seria o seu dono (bem que a Câmara de Vereadores poderia convidar o Chefe de Gabinete do governador do Estado, autoridade com imensas responsabilidades, para explicar melhor essa história e dar nomes aos bois, afinal, se trata de dinheiro do contribuinte).

É esperar pra ver
O fato é que a relação entre PT e PSB é a crônica de uma traição anunciada, assim como foi o pacto Ribbentrop-Molotov, tratado de não agressão firmado entre Rússia e Alemanha pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Como tal, a questão é saber quem quebrará o acordo primeiro. Os canhões de ataque já estão perfilados, pressionando a prefeita. O PT, que sempre teve no PSB uma mera força de apoio, irá capitular e deixar que o governador indique o nome que disputará pela atual coligação? Quem sabe. Em termos políticos, eu nunca subestimo Luizianne. No entanto, como diz a musiquinha, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

*Texto meu publicado originalmente no blog Polítika, da jornalista Kézya Diniz.