aliança Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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A aliança envergonhada de Eunício e Cid

Por Wanfil em Eleições 2018

05 de junho de 2018

O acordo eleitoral entre PDT, PT e MDB no Ceará segue em busca de uma forma ideal para acomodar os interesses de cada partido. É que a união sofre a interferência das eleições nacionais.

Cid Gomes defendeu publicamente no último domingo que a parceria com o MDB seja clandestina: “Eu defendo aqui que a gente lance só um candidato ao Senado e não faça coligação com o MDB”. E qual a razão? Segundo o ex-governador, isso poderia prejudicar o discurso de Ciro Gomes, crítico do MDB, à Presidência da República.

Ciro e o PDT afirmam que parte do MDB é uma quadrilha, incluindo o nome do senador cearense na lista. Eunício já chamou Ciro de batedor de carteira e de desocupado. Pela lógica do respeito próprio, o natural seria que ambos rejeitassem qualquer aproximação, mas a lógica eleitoral é diferente. Camilo Santana, do PT, partido que acusa o MDB de golpista, defende a aliança por razões óbvias: o senador, em busca de um lugar na chapa oficial, tem ajudado o governo a conseguir recursos nos ministérios.

Sendo assim, pela sugestão de Cid, a aliança não se formalizaria no papel, porém, seria mantida por fora. Com apenas um candidato, o governismo abriria caminho para Eunício se reeleger. Seria uma espécie de aliança envergonhada (ou desavergonhada, se é que me entendem).

A ideia tem dois problemas. Primeiro, se Eunício for confirmado como aliado em convenção do PT, Cid sairá como derrotado. Se for barrado, Camilo será visto como perdedor. Segundo, é inconveniente do ponto de vista ético, para dizer o mínimo. No fundo, propõe iludir eleitores, fingindo incompatibilidade moral com o MDB, mas informalmente conciliando projetos com o mesmo MDB no Ceará.

Se vai dar certo, ninguém sabe. O fato é que as acusações mútuas de corrupção, de incompetência, as críticas e ataques pessoais, as objeções supostamente incontornáveis de um passado recente, tudo isso já foi superado em nome de um pragmatismo segundo o qual feio mesmo é perder eleição. O resto vale.

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Incertezas que pairam sobre as eleições no Ceará: aliança PT-MDB, oposição indefinida, delação da JBS, crise na segurança

Por Wanfil em Eleições 2018

24 de Abril de 2018

As eleições no Ceará prometiam ser uma das mais insossas dos últimos tempos. O governo estadual aumentava sua base de apoio e a oposição permanecia desarticulada. Mas os dias que correm estão atribulados de um modo que fazem lembrar de Cícero nas Catilinárias: “oh tempos, oh costumes”. 

Assim, para além da aparência de marasmo, um conjunto de dúvidas ganhou força a ponto de fazer do atual período de pré-campanha um dos mais tensos que já se viu.

A indefinição sobre a candidatura de oposição é apenas um elemento a mais de ansiedade, diante de outras incertezas. O futuro da possível coligação entre o MDB de Eunício Oliveira e o PT de Camilo Santana é uma delas. Ciro Gomes, do PDT, tem feito críticas à presença do senador na chapa governista. Não é para menos, uma vez que essa aliança é uma contradição com o rompimento pregado por Ciro em relação ao MDB.

Por falar em corrupção, o jornal O Globo desta terça-feira informa que Joesley Batista, da JBS, anexou novos documentos para comprovar o suposto pagamento de propina ao ex-governador Cid Gomes para sua reeleição em 2010 e para a campanha de Camilo em 2014.

O caso, se não for apurado rapidamente, gera insegurança, afinal, nunca se sabe quando a Polícia Federal pode fazer uma operação com prisões. E para completar, até o foro privilegiado, tão sonhado por investigados, pode ser revisto pelo Supremo.

Por fim, tem ainda a crise na segurança pública, que gera inegável desgaste para a atual gestão. Nada que seja definitivo, pois as variáveis são muitas. Porém, quando é assim, sempre há o risco de uma tempestade perfeita, como dizem os meteorologistas.

No balanço entre certezas e incertezas para as eleições no Ceará, começa a ganhar peso, o suspense.

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No Teatro do Acordão Ciro e Eunício agora se respeitam pelo bem do Ceará

Por Wanfil em Política

06 de Março de 2018

A arte de encenar requer muitas máscaras

Novos atos do Teatro do Acordão no Ceará foram encenados neste início de março. Ciro Gomes fala em agradecimento e diálogo com Eunício Oliveira, que por sua vez, fica feliz com o reconhecimento do presidenciável do PDT. Tudo devidamente registrado pela imprensa.

Por que chamo a isso de teatro? Simples. Pela contradição entre o novo e o velho discurso de ambos. Antes e continuar, faço uma ponderação.

Romper e reatar relações políticas é normal até um certo limite. É possível um partido discordar de um ponto programático de um ex-aliado e depois, em outra circunstância, estabelecer um acordo em nome de pontos convergentes. É perfeitamente aceitável uma pessoa rever posições e mudar de opinião. E em muitos casos, até mesmo um adversário em comum pode servir de elo estratégico em determinado momento. Isso é política.

Coisa muito diferente é um rompimento justificado por objeções de natureza ética ou moral. Ciro dizia até recentemente que Eunício era corrupto e membro de uma quadrilha que precisava ser banida da vida. Eunício rebatia chamando Ciro de desequilibrado e questionando a fonte de renda do adversário para insinuar discrepância entre receitas e despesas de seu desafeto. Não eram, portanto, meras divergências ideológicas ou conceituais sobre problemas específicos, mas considerações sobre falhas de caráter.

E o que os fez mudar? Segundo eles mesmos, a defesa dos interesses do Estado do Ceará e dos cearenses, que estariam acima de diferenças pessoais. O fato de haver eleições neste ano seria somente uma coincidência. Nessa peça fica difícil é saber onde termina a comédia e onde começa a tragédia.

Curiosamente, até o momento, nenhum dos dois disse que estavam errados ou que pelo menos que exageraram. Voltam assim a acenar com a possibilidade de voltarem a compartilhar o mesmo projeto político, sem retirarem nada do que disseram um do outro. É muito amor pelo Ceará.

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Ciro Gomes critica aproximação entre PT e PMDB: abre o olho, Eunício

Por Wanfil em Política

10 de novembro de 2017

O acirramento de ânimos no PSDB nacional acabou reduzindo a repercussão, no Ceará, sobre um episódio importante para as articulações eleitorais por estes lados. Mais precisamente, uma fala de Ciro Gomes, pré-candidato à presidência da república pelo PDT, em Minas Gerais, na última quinta-feira. Reproduzo trecho, segundo relato do Estadão:

“O PT votou no Eunício para a presidência do Senado. Como é que a gente diz pro povo que houve ‘golpe’ e, ato contínuo, pratica a contradição de confraternizar com o chefe dos ‘golpistas’?”.

Opa! Como é que fica então o acordão entre o PT de Camilo e o PMDB de Eunício, costurado com consentimento do PDT de Cid Gomes? Se o PMDB não presta para a candidatura de Ciro, por que então seria aceitável no Ceará?

Imaginem o presidenciável sendo confrontado por adversários na campanha, que o acusariam de operar com dois pesos e duas medidas, de pregar rompimento em âmbito nacional e ao mesmo tempo se aliar em casa com aqueles aos quais critica.

Sem contar que Eunício já havia dito que seu candidato é Lula, evidenciando que não pretende pedir votos para Ciro, ou seja, que o limite para a composição é justamente a indisposição pessoal entre os dois.

Bem observadas as coisas, o possível acordão entre adversários das eleições passadas no Ceará tem um imenso empecilho: as eleições presidenciais. As conversas entre Camilo e Eunício, com Cid se limitando a dizer que não se nega apoio de ninguém, tiveram até agora dois efeitos práticos: dividir a oposição e deixar o governo estadual compartilhar o bônus político da liberação de verbas federais. Enquanto for útil para quem está tirando proveito da situação, isso será mantido. Porém, está muito claro que a presença de Eunício numa coligação com Camilo e de Cid seria uma contradição incontornável para o discurso de Ciro.

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Muito boato e pouco fato

Por Wanfil em Política

09 de outubro de 2017

É um disse me disse sem fim, um boato atrás do outro. Boatos que podem ser confirmar… ou não

Todo dia uma novidade alimenta o festival de boatos e fofocas eleitorais no Ceará. É um disse me disse sem fim. O problema é a carência de fatos – e de declarações – que possam sustentar ou desmentir categoricamente o cipoal de suposições que acabam ocupando o espaço vazio da incerteza. E como os nomes implicados nessas especulações evitam sustentar ou negar o falatório, muitas vezes caprichando nas evasivas, a ansiedade geral na política se intensifica. Assim tudo pode acontecer, inclusive nada.

A rigor, quem manda mesmo ainda não como posicionar seus grupos. Qualquer definição de alianças agora poderá em breve revelar-se uma precipitação, nesse cenário sujeito a alterações por causa de sentenças judiciais, operações da PF ou do MPF, delações premiadas e pesquisas eleitorais.

Na dúvida, o melhor é esperar e observar as reações diante de tanto “ouvi de dizer”, “dizem que” e “pode ser”. Situação que aumenta a pressão de candidatos menores sobre suas lideranças, todos à espera de uma definição para saber em qual galho deverão se pendurar. Pressão que alimenta boatos, boatos que atendem a interesses, interesses que refletem expectativas, expectativas que intencionam tanger decisões.

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Camilo e Eunício unidos novamente? Tudo é possível no país das conveniências

Por Wanfil em Política

04 de setembro de 2017

Corre a notícia de que emissários de Camilo Santana e Eunício Oliveira estudam uma reaproximação entre PT e PMDB no Ceará, com vistas à reeleição de ambos. Seria isso possível depois das eleições de 2014, quando os dois trocaram insultos e acusações? E após o impeachment que pôs PT e PMDB em litígio no plano nacional? Como nenhuma das partes veio a público rejeitar os rumores e dizer que dessa água não beberá fica claro que a hipótese está, quando menos, sujeita a estudo, afinal, feio é perder eleição, diz a anedota.

Segundo o deputado estadual Audic Mota, do PMDB, em declaração ao jornal O Povo, “política é feita de conversa, de consenso, desde que não envolva nada ilícito”. Verdade. Poderia acrescentar ainda que também é feita ainda convicções e valores inegociáveis, mas é bem aí que as coisas sempre se complicam, e não é de hoje.

O historiador Paulo Mercadante, no clássico “A Consciência Conservadora no Brasil”, observa que desde a época do Império tudo se resolve entre a elite política com uma boa conversa, mesmo entre adversários aparentemente inconciliáveis. As lideranças liberais e conservadoras, reacionárias e revolucionárias, republicanas e monarquistas, escravistas e abolicionistas, por mais que se engalfinhassem em disputas políticas, conseguiam invariavelmente construir um denominador comum que pudesse resguardar posições na divisão do poder, sendo capazes até de absorver parte do ideário oposto para modular o entendimento.

É que na tradição política nacional valores e convicções sempre podem ser negociados. Como observou Vasconcellos de Drummond, diplomata e político amigo de José Bonifácio e de Dom Pedro II, ainda no século 18, com “governo de transações, convém ceder para conciliar”. O mesmo espírito pragmático com que, séculos depois, deputados, prefeitos e vereadores no Ceará pulam de partido em partido para apoiar o governo da hora, sem a menor cerimônia ou vergonha.

Se por um lado a propensão ao entendimento afasta o risco de extremismos, no Brasil a virtude do equilíbrio foi corrompida pelos jeitinhos, de modo que “a consciência conservadora” tornou-se eufemismo para o oportunismo que permite conservar o poder pelo poder. Por tudo isso, uma nova aliança local entre PT e PMDB no Ceará para 2018 não seria surpresa alguma e apenas confirmaria o princípio pelo qual, historicamente, quase sempre na política brasileira as conveniências pairam acima de qualquer convicção.

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Prefeito diz que solução agora é eleger aliados de quem criou a crise

Por Wanfil em Fortaleza

11 de Março de 2016

Do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), em evento da sigla de aluguel PROS, defendendo que o PT de Camilo Santana (e Dilma Rousseff) apoie sua candidatura à reeleição, segundo matéria de O Povo :

“É muito importante que uma cidade como Fortaleza tenha uma aliança administrativa entre Prefeitura e Governo que possibilite recursos a mais e apoio político a mais para fazer o que a gente deve fazer em época de crise.”

Esse argumento perdeu a validade desde que o governo federal não cumpriu a promessa eleitoreira de construir uma refinaria da Petrobras no Ceará. Nesse caso, a única coisa que essa “aliança administrativa” conseguiu produzir foi o silêncio e a omissão dos governistas cearenses, que evitaram denunciar e cobrar o golpe, fingindo que nada aconteceu.

Por outra ainda, se aliança é garantia de ação, por que então o Hospital de Quixeramobim, inaugurado em 2014, ainda não funciona?

Quando o ex-prefeito Juraci Magalhães governava, dizia justamente o contrário: ter adversários nesses cargos evitaria acomodações e geraria uma disputa para ver quem faria mais. E aí? São ideias adaptáveis, conforme os interesses do momento.

De todo modo, mesmo compreendendo, digamos assim, o apelo eleitoral dessas formulações, o mais incrível agora é ver governistas dizendo que a melhor forma de enfrentar a crise é manter no poder a mesma aliança que a produziu.

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Eleições no Ceará: o que reúne 22 partidos numa aliança?

Por Wanfil em Eleições 2014

26 de Maio de 2014

No Ceará, base governista tem 22 partidos aliados, unidos por um vício antigo em dose recorde.

Base aliada com 22 partidos unidos por vícios antigos, em doses recordes.

Numa demonstração de “força persuasiva”, o Pros do Ceará, sigla de aluguel que atualmente abriga Cid Gomes & Cia., reuniu outros 21 partidos na última sexta-feira (23) para falar de eleições. Marcaram presença PEN, PHS, PMN, PP, PPL, PPS, PRP, PRTB, PSC, PSD, PSDC, PSL, PT, PTdoB, DEM, PCdoB, PDT, PTB, PTC, PTN e SDD. É a sopa de letrinhas que abre o apetite de qualquer candidato majoritário disposto a bancar o prato.

O objetivo declarado do encontro foi a necessidade de uma discussão para trabalhar as diretrizes de um programa de governo para o candidato que representará a coalizão situacionista. Na verdade o evento serviu para que os aliados cobrassem do governador a definição de quem será o nome do candidato oficial, e também para mostrar ao PMDB de Eunício Oliveira que a base continua orbitando no centro de gravidade governista.

Por outro lado, o PMDB tem experiência nessas negociações. Sabe que nessas gigantescas alianças partidárias não é bem a fidelidade a princípios programáticos o que conta, mas a expectativa de poder. Assim, fazer reuniões com os partidos da base não significa obrigatoriamente que haja unidade nessa relação. Um exemplo é o próprio PT, que está dividido. Caso confirme apoio ao candidato de Cid, o diretório de Fortaleza já sinalizou que não pede votos para o Pros.

E o resto é o resto. Partidos inexpressivos do ponto de vista ideológico, mas que possuem, cada qual, seu pequeno quinhão de tempo de propaganda para traficar em busca de cargos nos acordos eleitorais.

Por isso, os aliados do governo continuam casados com o governo, mas acenam com piscadelas com outras forças, especialmente o PMDB. Nunca se sabe, né? Vai que o escolhido de Cid não decola…

Aparências
Enquanto isso, o Pros faz o velho jogo de cena que procura dar ares de profundidade conceitual ao acordo entre esses partidos. Na reunião ficou acertado que serão realizados mais três encontros para discutir temas como educação, saúde, segurança pública, etc, etc, etc…

Na verdade, o que todos querem mesmo é saber quem será o candidato oficial, para poder então fazer suas apostas, de olho em espaços em futuros governos. Esse teatro não é exclusividade do Pros. PT, PSB, PSDB e o próprio PMDB já o encenaram em outros momentos. Não falo isso para justificar a frouxidão moral que permeia esses acordões. É justamente para denunciá-la como prática antiga, levada agora à potência máxima no governo Cid Gomes, que quase não tem opositores. O vício não é novo, mas sua intensidade é inédita.

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Questão de reciproCIDade

Por Wanfil em Eleições 2014

12 de Maio de 2014

Durante encontro do PMDB em Crateús, no final de semana, Eunício Oliveira disse que esperava reciprocidade de Cid Gomes. A qualidade de recíproco pressupõe relação de igualdade, desde que haja acordo nos termos da equação. E parece que, no presente caso, não há.

Para o senador, o apoio dado a Cid Gomes (ex-PSB e atual Pros) nas duas vezes em que este foi eleito governador, merece uma retribuição: agora que é pré-candidato ao Palácio da Abolição, a parceria se manteria invertendo posições. A falta de contrapartida corresponderia, portanto, a uma deslealdade.

Já para o governador, o apoio prestado ao peemedebista em sua eleição para o Senado Federal quitou a dívida eleitoral pendente entre os dois.

Toda essa conversa também é um jogo de empurra, com cada uma das partes buscando atribuir para a outra a responsabilidade pelo rompimento. E aí, por falta de provas, resta ao distinto público escolher a versão que mais lhe agrada.

Disso tudo, duas coisas merecem ser pontuadas:

1) a discussão sobre quem deve apoio a quem apenas mostra a natureza real de uma aliança feita da junção ocasional de projetos pessoais que, no fundo, cedo ou tarde se mostrariam mesmo inconciliáveis;

2) as recentes declarações de lado a lado explicitam que o acordo selado entre as principais lideranças do Ceará na atualidade se baseou na velha troca de favores.

Não existe aí um rompimento de fundo moral, administrativo ou ideológico. Dado o padrão ético da política brasileira, nada disso é novidade.

O fato é que, quando lhes foi conveniente, PMDB e Ferreira Gomes (qualquer que seja o partido em que estejam), souberam tirar proveito eleitoral da aliança. Agora que estão separados, Eunício ensaia um discurso moderadamente crítico, o que é legítimo, principalmente quando o desgaste e o choque de visões acontece ao longo da gestão. Caso contrário, quando essas divergências surgem de repente e às vésperas de uma nova eleição, fica parecendo oportunismo.

Assim, por exemplo, quando Eunício afirma que é possível resolver a crise na segurança pública, é preciso lembrar que o conceito reciprocidade em alianças governistas não se resume à distribuição de cargos ou de apoios eleitorais, mas também no compartilhamento de responsabilidades, no que diz respeito ao conjunto da obra. Se a gestão acerta, acertam todos, se falha, falham igualmente todos.

Nessa situação de fiel ex-aliado, a credibilidade de eventuais críticas precisa do apoio de um devido mea culpa. Afinal, acertos e erros devem ser repartidos entre os que endossaram as mesmas promessas. Nada pessoal. É só  uma mera questão de reciprocidade.

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Gaudêncio diz que aliança “foi boa enquanto durou”. Boa pra quem?

Por Wanfil em Eleições 2014

02 de Maio de 2014

Nesse chove-não-molha da novela eleitoral no Ceará, diante da um iminente um racha na base aliada, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena (PMDB), sócio do senador e Eunício Oliveira, declarou que a parceria entre Pros e PMDB na gestão Cid Gomes “foi boa enquanto durou”. Claro que Gaudêncio não fala por conta própria. Apenas extravasa um sentimento dominante no seu partido. Por isso a fala é significativa. Ademais, não duvido que tenha sido boa, ótima mesmo. A questão é saber: boa pra quem?

No Ceará, Pros (sigla de aluguel que hoje abriga dissidentes do PSB ligados ao governador), PMDB e PT são as forças que contam nessa aliança. Juntas nos governos municipal (Fortaleza), estadual e federal, são elas que conduzem esse conjunto de administrações que, uma vez nas mãos de aliados, teriam maior sinergia e harmonia na hora de promover obras e serviços públicos. Especialmente as que deveriam ficar a cargo da União, que tem maior capacidade orçamentária.

Disso que deveria ser o “espetáculo do crescimento”, passados oito anos de Lula e quatro de Dilma, os cearenses podem contabilizar quatro grandes promessas não cumpridas: refinaria da Petrobras, metrô de Fortaleza, ferrovia Transnordestina e transposição do São Francisco. Sem contar os escândalos no BNB. Nem sequer uma simples reforma aeroporto internacional Pinto Martins, obra para a Copa do Mundo, não conseguiram fazer. O Ceará ainda é, basicamente, Orós, Castanhão e Porto do Pecém, obras de governos anteriores.

Enquanto por aqui nada congemina, Pernambuco não tem do que se queixar em relação a empreendimentos.  Lá realmente a aliança (entre PSB e PT) foi boa enquanto durou.

Uma boa pista

Depois da conversa entre o governador Cid Gomes e a presidente Dilma Rousseff, na última segunda-feira, a turma de Cid garante que Dilma deu carta branca ao governador para tocar a sucessão, lavando as mãos com se não tivesse o que perder. Já o pessoal de Eunício diz que a presidente fez questão de esclarecer a Cid que a aliança com o senador deve ser mantida a qualquer custo.

Essas versões, independente de quem tenha razão, são indicativos que podem ajudar na compreensão da relação, digamos, superficial, entre nossas autoridades e o poder central. Existe aí uma posição demasiadamente subalterna dessas lideranças diante da presidente. É diferente, por exemplo, vou comparar de novo com Pernambuco, da postura do ex-governador Eduardo Campos. Sabe como é, quem muito se sujeita, perde o respeito e a importância.

Ao pedirem, obsequiosos, as bênçãos de Dilma, Cid e Eunício se fragilizam enquanto lideranças aptas a  conduzir o processo eleitoral. Deixam no ar a impressão que necessitam de autoridade. No lugar de qualquer um deles, eu diria: “A presidente tem grandes serviços prestados aos nosso Estado e algumas dívidas a saldar com os cearenses. Estamos aqui para colaborar na realização desses compromissos. Espero que ela esteja conosco”.  E pronto! Esse disse me disse parece coisa de menino. Assim discutem os nossos estadistas: – “Ela disse que me apoia”.  -“Não! Ela prometeu me ajudar”. – “Eu sou amigo dela”. – “E eu sou amigo do Lula”.

Enfim, tudo miúdo demais.

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Gaudêncio diz que aliança “foi boa enquanto durou”. Boa pra quem?

Por Wanfil em Eleições 2014

02 de Maio de 2014

Nesse chove-não-molha da novela eleitoral no Ceará, diante da um iminente um racha na base aliada, o vice-prefeito de Fortaleza, Gaudêncio Lucena (PMDB), sócio do senador e Eunício Oliveira, declarou que a parceria entre Pros e PMDB na gestão Cid Gomes “foi boa enquanto durou”. Claro que Gaudêncio não fala por conta própria. Apenas extravasa um sentimento dominante no seu partido. Por isso a fala é significativa. Ademais, não duvido que tenha sido boa, ótima mesmo. A questão é saber: boa pra quem?

No Ceará, Pros (sigla de aluguel que hoje abriga dissidentes do PSB ligados ao governador), PMDB e PT são as forças que contam nessa aliança. Juntas nos governos municipal (Fortaleza), estadual e federal, são elas que conduzem esse conjunto de administrações que, uma vez nas mãos de aliados, teriam maior sinergia e harmonia na hora de promover obras e serviços públicos. Especialmente as que deveriam ficar a cargo da União, que tem maior capacidade orçamentária.

Disso que deveria ser o “espetáculo do crescimento”, passados oito anos de Lula e quatro de Dilma, os cearenses podem contabilizar quatro grandes promessas não cumpridas: refinaria da Petrobras, metrô de Fortaleza, ferrovia Transnordestina e transposição do São Francisco. Sem contar os escândalos no BNB. Nem sequer uma simples reforma aeroporto internacional Pinto Martins, obra para a Copa do Mundo, não conseguiram fazer. O Ceará ainda é, basicamente, Orós, Castanhão e Porto do Pecém, obras de governos anteriores.

Enquanto por aqui nada congemina, Pernambuco não tem do que se queixar em relação a empreendimentos.  Lá realmente a aliança (entre PSB e PT) foi boa enquanto durou.

Uma boa pista

Depois da conversa entre o governador Cid Gomes e a presidente Dilma Rousseff, na última segunda-feira, a turma de Cid garante que Dilma deu carta branca ao governador para tocar a sucessão, lavando as mãos com se não tivesse o que perder. Já o pessoal de Eunício diz que a presidente fez questão de esclarecer a Cid que a aliança com o senador deve ser mantida a qualquer custo.

Essas versões, independente de quem tenha razão, são indicativos que podem ajudar na compreensão da relação, digamos, superficial, entre nossas autoridades e o poder central. Existe aí uma posição demasiadamente subalterna dessas lideranças diante da presidente. É diferente, por exemplo, vou comparar de novo com Pernambuco, da postura do ex-governador Eduardo Campos. Sabe como é, quem muito se sujeita, perde o respeito e a importância.

Ao pedirem, obsequiosos, as bênçãos de Dilma, Cid e Eunício se fragilizam enquanto lideranças aptas a  conduzir o processo eleitoral. Deixam no ar a impressão que necessitam de autoridade. No lugar de qualquer um deles, eu diria: “A presidente tem grandes serviços prestados aos nosso Estado e algumas dívidas a saldar com os cearenses. Estamos aqui para colaborar na realização desses compromissos. Espero que ela esteja conosco”.  E pronto! Esse disse me disse parece coisa de menino. Assim discutem os nossos estadistas: – “Ela disse que me apoia”.  -“Não! Ela prometeu me ajudar”. – “Eu sou amigo dela”. – “E eu sou amigo do Lula”.

Enfim, tudo miúdo demais.