Aécio Neves Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Aécio Neves

O efeito Aécio

Por Wanfil em Política

18 de Abril de 2018

Nos anos 80 do Século 20 uma campanha publicitária da vodca Orloff fez muito sucesso no Brasil. Nas propagandas, um sujeito era abordado por uma versão de si mesmo vinda do futuro, que o aconselhava qual marca escolher para evitar ressaca. Surpreso, ele perguntava: “Quem é você?”. E a resposta, tornada bordão nacional, era clara e direta: “Eu sou você amanhã”. Fez tanto sucesso que a expressão “Efeito Orloff” passou a ser usada para as mais diversas situações, especialmente na política.

Aécio Neves, do PSDB, virou réu no STF acusado de corrupção passiva e obstrução da justiça. O senador alega inocência dizendo que recebeu R$ 2 milhões da JBS, em espécie, sem oferecer favores ou benefícios como contrapartida. Sem isso, não haveria corrupção.

Acontece o entendimento da justiça sobre o que venha a ser contrapartida tem sido diferente. Ninguém doa ou empresta milhões de reais a políticos somente por gentileza, altruísmo ou compaixão. Assim, receber fortunas em função do prestígio dos cargos que ocupam já configuraria vantagem indevida.

E o “efeito Orloff”? Calma, chego lá. Se a delação da JBS serviu para colocar Aécio no banco dos réus, é inevitável lembrar que a mesma empresa sustenta que doou, a pedido do ex-governador Cid Gomes (PDT), nada menos que R$ 20 milhões para a campanha de Camilo Santana (PT) em 2014, supostamente em troca de R$ 100 milhões em créditos fiscais do estado. Os acusados negam, claro. Nesse caso, teríamos que concluir então que a JBS doou esses R$ 20 milhões a fundo perdido.

De todo modo, fica evidente que, sem prejuízo à presunção de inocência, o caso de Aécio abre precedente para outros processos e julgamentos, que podem atingir muita gente ainda, e talvez, quem sabe, antes da eleição.

Preparando-se para a campanha, o político citado em delação encontraria Aécio Neves, surgido do nada, e surpreso indagaria: “Quem é você?”. E ele responderia: “Eu sou você, amanhã”. Se não tiver foro privilegiado, a coisa piora. Nessa condição, o “efeito Lula” pode ser o precedente.

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Surrealismo político: por Michel Temer, Aécio manobra contra Tasso

Por Wanfil em Partidos

09 de novembro de 2017

O senador mineiro Aécio Neves afastou o senador cearense Tasso Jereissati da presidência interina do PSDB, em mais um capítulo da divisão interna que consome o partido.

Para resumir, desde a primeira denúncia contra Temer, Tasso defende que a sigla entregue os cargos no Governo Federal, mantendo o apoio às reformas e fazendo uma autocrítica, enquanto Aécio – presidente licenciado da sigla – quer permanecer na base.

Mesmo enfraquecido depois dos áudios em que pede R$ 2 milhões à JBS para supostamente custear sua defesa na Lava Jato, Aécio ainda controla parte do PSDB, notadamente aquela contemplada com ministérios e verbas federais.

Mas Wanfil, se o governo, recordista de impopularidade, é tão rejeitado por suas práticas fisiológicas, o melhor não seria realmente deixar os cargos? Seria, mas não é tão fácil assim para muitos que contam com a máquina federal para seus projetos eleitorais. Parece surreal. Basta ver como aqui no Ceará até mesmo o PT e o PDT, de oposição, estudam uma aliança com o PMDB, reaproximados pelos recentes aportes de verbas da União para projetos no Estado.

Para Aécio, preservar a aliança formal com Temer é manter a influência sobre os governistas do partido e ainda garantir apoio da base contra novos pedidos de investigação. Para Tasso, a independência é a senha para que o partido possa formatar um discurso de renovação em sintonia com a população.

Não há dúvida de que Tasso, nesse primeiro momento, sai com a imagem fortalecida contra Aécio. O mesmo não se pode dizer do PSDB, vai depender dos próximos capítulos dessa disputa.

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Caso Aécio: senador não é o Senado

Por Wanfil em Política

20 de outubro de 2017

A decisão do Senado de barrar as medidas cautelares impostas pelo STF ao senador mineiro Aécio Neves, do PSDB, nesta semana, contou com a seguinte composição: o corporativismo da maioria do legislativo, a proteção dos colegas de partido e o interesse próprio de uma penca de senadores investigados ou réus na justiça. Uns por esperteza, outros por amizade e mesmo alguns movidos pela ideia equivocada de que a independência do Senado estava em jogo, confundindo o Senado com um de seus membros, gravado pedindo dinheiro a Joesley Batista.

Desse conjunto, apenas os que estão enrolados com a lei, a começar pelo próprio Aécio, têm o que comemorar. Para o resto, o estrago foi gigantesco. O Senado passou a ser visto como antro de impunidade e o PSDB conseguiu ficar pior no filme que o PT, protagonista maior da Lava Jato, junto com o PMDB. 

A perceberem o erro, talvez tarde demais, parte do Senado cobra agora que Aécio responda ao Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro, e parte do PSDB quer que o mineiro renuncie à presidência da sigla, da qual está apenas afastado, aprofundando a divisão entre os tucanos governistas, ligados a Temer e Aécio, e os que pedem a independência do partido, ligados ao presidente interino Tasso Jereissati. Segundo Tasso, a situação chegou ao limite, é o que informa a Folha de São Paulo. Aliás, a imprensa nacional afirma que Aécio está chateado com Tasso, que seguiu o partido e votou contra as medidas cautelares. Como recompensa, ganharam a maior crise de imagem que já experimentaram.

Para os que festejam, em silêncio, a impunidade de Aécio (gente de todos os partidos, diga-se), quanto mais todos forem vistos como farinha do mesmo saco, melhor. A conversa de políticos em maus lençóis de que suas pessoas são a quintessência das instituições que deveriam respeitar, é truque para diluir entre seus pares os ônus de seus erros particulares.

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Aécio Neves, Pompeia Sula e o fardo da suspeita

Por Wanfil em Política

28 de junho de 2016

“À mulher de César não basta ser honesta, é preciso estar acima de qualquer suspeita”. Foi o que disse o imperador romano Júlio César, ao explicar porque se divorciara de Pompeia Sula, sua segunda esposa, se nada tinha contra Publius Clodius, acusado cortejá-la. Para César, a inocência de Pompeia não apagava as impressões negativas do escândalo. Foi uma malandragem para trocar de mulher, mas a frase ficou para a posteridade.

Lembrei-me desse episódio após a cobrança de um querido amigo sobre o que penso das acusações na Lava Jato contra o senador Aécio Neves, do PSDB. Então, vamos lá.

Pelo que li, a maioria das citações ao nome de Aécio nas delações, conforme registrado pela imprensa, parece inconsistente. No entanto, o ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, afirma ter pago propina para o tucano em obras do governo mineiro. Aécio nega com veemência e tal. O problema é que isso não basta, embora o ônus da prova seja do acusador.

Se algo for provado, que seja punido. Se for inocente, que a delação de Pinheiro seja invalidada. De todo modo, politicamente a acusação atrapalha uma nova candidatura de Aécio à Presidência. É que nesses dias em o juiz Sérgio Moro surge como símbolo de esperança para uma população cansada de impunidade, a sentença de Júlio César é mais atual do que nunca: “é preciso estar acima de qualquer suspeita”. Caso nada tenha feito de errado, o risco para Aécio, dada a desconfiança dos brasileiros com seus políticos e o ressentimento dos adversários, é ter o fardo da suspeita como condenação antecipada.

PS. As considerações acima valem, integralmente, para Marina Silva, da Rede, também citada por Léo Pinheiro.

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Esqueça o “se bater, perde”, a moda agora é “desconstruir” o adversário

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de outubro de 2014

Os brasileiros acostumaram-se com a regra de ouro do publicitário Duda Mendonça para campanhas eleitorais: quem bate, perde. Foi assim que ele criou o personagem “Lulinha Paz e Amor”, para eleger até então candidato petista derrotado três vezes para a Presidência da República. O resto da história todos conhecem e Duda lucrou bastante com recursos não contabilizados pagos a sua  empresa offshore Dusseldorf, com sede nas Bahamas.

Ocorre que esse modelo só funciona em condições específicas de temperatura e pressão. Se o candidato estiver com vantagem relativamente segura, acima da margem de erro, a crítica mais incisiva não rende, pois antipatiza o emissor e vitimiza o oponente. Trocando em miúdos, fica a impressão de quem está atrás apelou para o jogo sujo. No entanto, como estamos vendo neste exato instante, se a disputa está acirrada, com candidatos tecnicamente empatados dependendo dos eleitores indecisos, a coisa muda de figura e surge então o recurso da “desconstrução do adversário”.

Por desconstruir o adversário entenda-se anular a imagem esculpida pela comunicação dele junto ao eleitorado. Se o opositor é visto como mudança pelos eleitores que desejam mudança, a saída é apresentá-lo como ameaça de instabilidade; se a candidata oficial diz que a inflação está sob controle, é preciso mostrar os índices verdadeiros para desmascarar o truque. Acontece que, na prática, o artifício da “desconstrução” virou eufemismo para as mentiras e para o vale-tudo que embalam o festival de baixaria nestas eleições.

Foi o que aconteceu com a candidata Marina Silva, do PSB, no primeiro turno, vítima da propaganda agressiva da candidata Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição, que não pensou em duas vezes antes de bater com força e sem limites éticos na concorrente. Alguém realmente acredita que Marina estava mancomunada com um grupo de banqueiros para tirar a comida da mesa dos pobres? Marina seria a perversa criatura que iria prejudicar os investimentos em educação acabando com a exploração do pré-sal? Claro que não, mas para boa parte do eleitorado, notadamente os com menos instrução e menor renda, a mistificação grosseira assustou. A decisão de não responder na mesma moeda custou a Marina a chance de seguir adiante na eleição.

Agora no segundo turno não é diferente. Esqueça o “quem bate, perde” de Duda Mendonça. Agora, com a surpresa do empate entre Dilma e Aécio Neves, do PSDB, o que vale é a “desconstrução” de João Santana, marqueteiro do PT. Como a onda de ascensão do oposicionista foi contida, segundo as pesquisas, a ordem é manter a artilharia contra o inimigo, misturando críticas aceitáveis com ataques pessoais, como os que foram vistos nos debates. Já Aécio decidiu adotar a tática do “bateu, levou”, para evitar o mesmo destino de Marina.

O problema é que isso rebaixa o próprio confronto de ideias que deveria prevalecer nas eleições. O confronto, o ataque, as contestações e as denúncias fazem parte do jogo eleitoral, mas devem, ou deveriam, atinar para os problemas reais do país. Não é o que estamos vendo. Dizer que Aécio não gosta dos pobres ou que o Bolsa Família não tem parentesco algum com os programas de compensação instituídos por FHC no passado, para insinuar que essas iniciativas serão cortadas, é apelação. É claro que os governistas não assumem a responsabilidade por essa situação e sua candidata, que antes acusou Marina de ser despreparada para o exercício da Presidência por ser excessivamente sensível, agora posa de vítima.

Com isso, todos acabam igualados na baixaria e ninguém discute a sério a estagnação da economia, os efeitos da pressão inflacionária, a corrupção nas estatais e os índices obscenos da violência no país. Para o indeciso saber quem tem razão nessa troca de acusações, basta fazer a seguinte perguntar: a quem interessa desviar desses assuntos? A resposta não é difícil. Embarcar no bate-boca eleitoral só beneficia quem não quer falar sobre os problemas urgentes do Brasil.

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Bolsa Família e eleições: tudo a ver

Por Wanfil em Eleições 2014

21 de julho de 2014

Os presidenciáveis Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) marcaram presença na região do Cariri, sul do Ceará, no final de semana. Visitaram, separados, é  claro, a ExpoCrato, famoso evento de agropecuária. Aécio depois foi a Juazeiro do Norte, acompanhado do ex-governador e candidato ao Senado Tasso Jereissati, onde participou de uma missa em memória aos 80 anos da morte do Padre Cícero.

Lideranças locais e candidatos ao governo estadual também estiveram pelos municípios da região. Eunício Oliveira (PMDB), Eliane Novais (PSB), Camilo Santana (PT), este acompanhado do notório deputado José Guimarães (PT), e Ailton Lopes (Psol), marcaram presença.

Geopolítica eleitoral
Se por um lado o Cariri conseguiu atrair os principais nomes da oposição ao governo federal para os mesmos eventos, por outro, não seduziu os estrategistas da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Por quê? Ora, não é difícil deduzir a resposta. Existe nisso, como em tudo o mais numa eleição, logica e cálculo. É que se no Sul e Sudeste do Brasil Dilma tem seu pior desempenho nas pesquisas, é no Norte e no Nordeste que tem alguma folga. O corolário é óbvio: cada um precisa manter o que conquistou e avançar onde o adversário é mais forte.

No caso das oposições, reduzir a diferença de intenção de votos no Nordeste, que tem mais densidade populacional do que o Norte, é fundamental para levar a disputa para o segundo turno.

De resto, aliás, isso é coisa antiga: presidentes costumam a ter mais popularidade justamente nas regiões mais pobres do país, onde a população depende mais da assistência do governo.

Bolsa Família
Além da convergência de agenda, Campos e Aécio também coincidiram na estratégia de discurso, que focou o compromisso de manter o Bolsa Família. Segundo o tucano, o PT faz terrorismo eleitoral quando diz que a oposição pretende acabar com o programa, o que seria, a seu ver, sinal de que governistas estariam à beira de um ataque de nervos com a queda de Dilma nas pesquisas. De fato, a tática de anunciar a manutenção do programa é uma manobra de defesa.

Isso tudo faz parte do jogo. Agora, a verdade é que, independente das pesquisas, o uso eleitoreiro do Bolsa Família tem sido recorrente, o que é ruim não apenas do ponto de vista ético, mas também é preocupante pelos aspectos econômico e social. Afinal, após dez anos do seu lançamento, com a promessa de reduzir a miséria, seu evidente peso no debate eleitoral é sinal de que a pobreza e a falta de educação ainda falam alto na nossa democracia.

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Tucanos cearenses à espera de um milagre

Por Wanfil em Partidos

13 de Maio de 2013

O PSDB do Ceará elegeu os ex-deputados Luís Pontes e Tomás Figueiredo para as presidências dos diretórios estadual e municipal de Fortaleza, respectivamente. Curiosamente, os únicos dois deputados estaduais da sigla que ainda possuem mandato, Fernando Hugo e João Jaime, não compareceram à convenção estadual da sigla, realizada na última sexta-feira (10). Essa é a realidade de uma força política que se dispersou por não ter o elemento de coesão que no Brasil se tornou a causa suprema dessas atividades: o poder materializado em mandatos, cargos e verbas.

Fragilidades e esperanças

Na oposição, o PSDB não é atraente para os políticos profissionais que vendem seus serviços e apoios porque não tem o lastro dos orçamentos públicos. O partido também não consegue se apresentar como força catalisadora para a população porque não aparelha, a exemplo da esquerda tradicional, os movimentos da chamada ‘sociedade civil organizada’. Aliás, essa é uma característica inerente aos  partidos da esquerda light no Brasil. Por último, no Ceará em particular, ser eleito pelo PSDB é um desafio dificílimo em razão do coeficiente eleitoral, fórmula que exige da sigla uma quantidade muito maior de votos para eleger um parlamentar. Partidos de aluguel conseguem fazer um vereador em Fortaleza com menos de três mil votos, enquanto um tucano necessita mais que o dobro disso para se eleger ao mesmo cargo.

Existe, entretanto, o raio de esperança para o partido que atende pelo nome de Aécio Neves. Para os tucanos, apesar da popularidade alta, a presidente Dilma não é o tipo de político carismático que desperta paixões no eleitorado. Se Lula teve um segundo turno disputado com José Serra, o mais antipático dos candidatos presidenciais que já existiu, um embate entre Dilma e Aécio soa como música para o tucanato, que vê na estagnação da economia brasileira uma fresta no casco do navio governista e nos índices de aceitação da presidente para o ano que vem. Com um presidente eleito, sonham os tucanos cearenses, os dias de glória voltarão.

O enigma Tasso

Nesse quadro de anemia política local, Tasso Jereissati, líder do PSDB no Ceará, mesmo tendo anunciado aposentadoria das disputas eleitorais, trabalha para construir um palanque para Aécio no estado, afinal, o ex-senador tem respaldo junto ao comando nacional da sigla. A rigor, não é possível dizer se Tasso ainda nutre o desejo por algum mandato eleitoral, mas é curioso ver como as especulações a esse respeito atiçam as teses e previsões mais esquisitas, desde um acordo secreto com os Ferreira Gomes até uma parceria, também oculta, com a ex-prefeita Luizianne.

Em suma, o PSDB cearense passa por momentos difíceis, mas ainda sobrevive à espera de um milagre. Se Aécio for eleito, não terá sido uma espera em vão, pelo menos para os que ainda insistem em continuar por lá. Se perder, serão mais quatro anos de vacas magras para o partido que, não faz muito tempo, quando no poder, foi o maior do estado.

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Tucanos cearenses à espera de um milagre

Por Wanfil em Partidos

13 de Maio de 2013

O PSDB do Ceará elegeu os ex-deputados Luís Pontes e Tomás Figueiredo para as presidências dos diretórios estadual e municipal de Fortaleza, respectivamente. Curiosamente, os únicos dois deputados estaduais da sigla que ainda possuem mandato, Fernando Hugo e João Jaime, não compareceram à convenção estadual da sigla, realizada na última sexta-feira (10). Essa é a realidade de uma força política que se dispersou por não ter o elemento de coesão que no Brasil se tornou a causa suprema dessas atividades: o poder materializado em mandatos, cargos e verbas.

Fragilidades e esperanças

Na oposição, o PSDB não é atraente para os políticos profissionais que vendem seus serviços e apoios porque não tem o lastro dos orçamentos públicos. O partido também não consegue se apresentar como força catalisadora para a população porque não aparelha, a exemplo da esquerda tradicional, os movimentos da chamada ‘sociedade civil organizada’. Aliás, essa é uma característica inerente aos  partidos da esquerda light no Brasil. Por último, no Ceará em particular, ser eleito pelo PSDB é um desafio dificílimo em razão do coeficiente eleitoral, fórmula que exige da sigla uma quantidade muito maior de votos para eleger um parlamentar. Partidos de aluguel conseguem fazer um vereador em Fortaleza com menos de três mil votos, enquanto um tucano necessita mais que o dobro disso para se eleger ao mesmo cargo.

Existe, entretanto, o raio de esperança para o partido que atende pelo nome de Aécio Neves. Para os tucanos, apesar da popularidade alta, a presidente Dilma não é o tipo de político carismático que desperta paixões no eleitorado. Se Lula teve um segundo turno disputado com José Serra, o mais antipático dos candidatos presidenciais que já existiu, um embate entre Dilma e Aécio soa como música para o tucanato, que vê na estagnação da economia brasileira uma fresta no casco do navio governista e nos índices de aceitação da presidente para o ano que vem. Com um presidente eleito, sonham os tucanos cearenses, os dias de glória voltarão.

O enigma Tasso

Nesse quadro de anemia política local, Tasso Jereissati, líder do PSDB no Ceará, mesmo tendo anunciado aposentadoria das disputas eleitorais, trabalha para construir um palanque para Aécio no estado, afinal, o ex-senador tem respaldo junto ao comando nacional da sigla. A rigor, não é possível dizer se Tasso ainda nutre o desejo por algum mandato eleitoral, mas é curioso ver como as especulações a esse respeito atiçam as teses e previsões mais esquisitas, desde um acordo secreto com os Ferreira Gomes até uma parceria, também oculta, com a ex-prefeita Luizianne.

Em suma, o PSDB cearense passa por momentos difíceis, mas ainda sobrevive à espera de um milagre. Se Aécio for eleito, não terá sido uma espera em vão, pelo menos para os que ainda insistem em continuar por lá. Se perder, serão mais quatro anos de vacas magras para o partido que, não faz muito tempo, quando no poder, foi o maior do estado.