Adufc Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Adufc

Greve nas universidades públicas: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”

Por Wanfil em Brasil

24 de agosto de 2012

Professores federais no Ceará decidem greve levantando cartões vermelhos, a cor da revolução. Foto de arquivo com aplicação de efeito. Expressão de um passado que insiste em permanecer presente, como um quadro antigo na parede.

Professores da UFC e Unilab-CE encerraram nesta semana uma greve que durou cerca de 70 dias. No entanto, alguns grevistas não concordaram com a decisão e protestaram em frente à sede do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), que divulgou nota pública: “A ADUFC-Sindicato lamenta que a situação tenha chegado a esse nível de conflito, que vem se agravando desde as últimas assembleias”.

A nova luta

Quando estudei na UFC, entre 1993 e 1998, testemunhei de perto duas greves. As justificativas eram sempre as mesmas, mais ou menos apresentadas de acordo com uma suposta ordem de importância: Por uma universidade pública e gratuita de qualidade; contra a privatização; contra o neoliberalismo; por melhores condições de trabalho; e finalmente, por melhores salários. Evidentemente, em sala de aula e nos corredores da universidade, docentes e agitadores do movimento estudantil afirmavam que a única forma de conseguir tudo isso rapidamente seria derrotar a direita e eleger um companheiro de esquerda, sensível ao papel da educação e com “vontade política”. Mais precisamente, era preciso eleger o operário Lula da Silva.

Como todos sabem, Lula foi eleito, re-eleito e ainda elegeu sua sucessora. E como está a faculdade? Está em greve, ora bolas! É o vício do cachimbo que entorta a boca. Sem o mote ideológico, restou ao espírito do ativismo acadêmico, formado ao longo de quatro décadas, procurar uma nova causa: o aumento salarial, puro e simples, sem cobrança por desempenho, que este é um conceito burguês e capitalista.

Uma das boas coisas de termos a esquerda no poder é a comprovação histórica de que as universidades públicas foram aparelhadas por um projeto político. Agora, sem inimigos ideológicos para combater, nossos “intelectuais” começam a se estranhar entre si. Os alunos que paguem o preço de perder aulas. E os alunos, jovens doutrinados desde o ensino básico, ainda acreditam que tudo isso é por uma causa nobre.

Conservadorismo disfarçado

O filósofo alemão Ernst Bloch (18885-1977), de tendência marxista (veja a ironia), na trilogia O Princípio da Esperança, descreve uma imagem para a Europa que serve perfeitamente para ilustrar a universidade pública no Brasil: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”. Os grevistas das universidades não querem as revoluções da boa gestão administrativa ou do mérito individual; querem mesmo é a manutenção de velhos paradigmas e garantia do conforto de grupo, das eternas discussões infecundas, do isolamento diante das necessidades de mercado e das vantagens financeiras. Se a conta não fechar, o Erário que cubra o déficit! É o conservadorismo mais profundo disfarçado de progressismo chique.

E assim, os anos passam e a história se repete. Leia mais

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Greve nas universidades públicas: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”

Por Wanfil em Brasil

24 de agosto de 2012

Professores federais no Ceará decidem greve levantando cartões vermelhos, a cor da revolução. Foto de arquivo com aplicação de efeito. Expressão de um passado que insiste em permanecer presente, como um quadro antigo na parede.

Professores da UFC e Unilab-CE encerraram nesta semana uma greve que durou cerca de 70 dias. No entanto, alguns grevistas não concordaram com a decisão e protestaram em frente à sede do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), que divulgou nota pública: “A ADUFC-Sindicato lamenta que a situação tenha chegado a esse nível de conflito, que vem se agravando desde as últimas assembleias”.

A nova luta

Quando estudei na UFC, entre 1993 e 1998, testemunhei de perto duas greves. As justificativas eram sempre as mesmas, mais ou menos apresentadas de acordo com uma suposta ordem de importância: Por uma universidade pública e gratuita de qualidade; contra a privatização; contra o neoliberalismo; por melhores condições de trabalho; e finalmente, por melhores salários. Evidentemente, em sala de aula e nos corredores da universidade, docentes e agitadores do movimento estudantil afirmavam que a única forma de conseguir tudo isso rapidamente seria derrotar a direita e eleger um companheiro de esquerda, sensível ao papel da educação e com “vontade política”. Mais precisamente, era preciso eleger o operário Lula da Silva.

Como todos sabem, Lula foi eleito, re-eleito e ainda elegeu sua sucessora. E como está a faculdade? Está em greve, ora bolas! É o vício do cachimbo que entorta a boca. Sem o mote ideológico, restou ao espírito do ativismo acadêmico, formado ao longo de quatro décadas, procurar uma nova causa: o aumento salarial, puro e simples, sem cobrança por desempenho, que este é um conceito burguês e capitalista.

Uma das boas coisas de termos a esquerda no poder é a comprovação histórica de que as universidades públicas foram aparelhadas por um projeto político. Agora, sem inimigos ideológicos para combater, nossos “intelectuais” começam a se estranhar entre si. Os alunos que paguem o preço de perder aulas. E os alunos, jovens doutrinados desde o ensino básico, ainda acreditam que tudo isso é por uma causa nobre.

Conservadorismo disfarçado

O filósofo alemão Ernst Bloch (18885-1977), de tendência marxista (veja a ironia), na trilogia O Princípio da Esperança, descreve uma imagem para a Europa que serve perfeitamente para ilustrar a universidade pública no Brasil: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”. Os grevistas das universidades não querem as revoluções da boa gestão administrativa ou do mérito individual; querem mesmo é a manutenção de velhos paradigmas e garantia do conforto de grupo, das eternas discussões infecundas, do isolamento diante das necessidades de mercado e das vantagens financeiras. Se a conta não fechar, o Erário que cubra o déficit! É o conservadorismo mais profundo disfarçado de progressismo chique.

E assim, os anos passam e a história se repete. (mais…)