Acquario Ceará Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Acquario Ceará

A privatização – ops, concessão! – do aeroporto de Fortaleza

Por Wanfil em Ideologia

16 de Março de 2017

A empresa alemã Fraport venceu, nesta quinta-feira (16), o leilão para a concessão do Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, pelos próximos 30 anos. Também foram leiloados os aeroportos de Salvador, Porto Alegre e Florianópolis.

Somente assim os investimentos necessários poderão ser realizados, uma vez que a Infraero não consegue dar conta do recado. Quem em Fortaleza não se lembra da reforma que acabou no puxadinho de lona em improvisado para a Copa do Mundo?

As concessões de aeroportos tiveram início ainda no governo Dilma e seguem agora com Michel Temer. Concessão é uma forma disfarçada de privatização, pois apesar de no papel ainda pertencerem ao governo federal, na prática acabam sendo o reconhecimento de que o Estado não pode tudo, que dinheiro público tem fim e a gestão privada tem melhores condições de cuidar de muito serviços públicos. O resto é empulhação ideológica.

Por isso os governadores foram os primeiros a defender que os aeroportos passam para as mãos de empresários, pois necessitam como nunca de investimentos nos seus estados. Inclusive aqueles eleitos por partidos de esquerda.

Seguindo a mesma lógica, o governador Camilo Santana, do PT, reafirmou nesta semana, em entrevista no Sistema Jangadeiro, o desejo de passar para a iniciativa privada o Acquario Ceará e o Centro de Eventos, de modo que o Estado priorize ações de saúde, educação e segurança. É um avanço e tanto na compressão do papel dos governos.

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O aquário na novela e a novela do aquário

Por Wanfil em Ceará

11 de novembro de 2016

No Ceará, o aquário, obra pública, parece com escombros de filmes de guerra. No Rio, o aquário, obra privada, é cenário de novela. Pois é.

No Ceará, o aquário, obra pública, lembra escombros dos filmes de guerra. No Rio, obra privada, é cenário de novela. Pois é…

A TV Jangadeiro e o portal Tribuna do Ceará mostraram que o maior aquário da América do Sul, foi aberto ao público na quarta-feira (9). Não, não é o Acquario Ceará, em Fortaleza, mas o AquaRio, no Rio de Janeiro.

Na verdade, a conclusão do aquário do Ceará é uma incógnita, embora sua construção tenha iniciado há cinco anos, na gestão de Cid Gomes, consumindo, até agora, R$ 136 milhões (dos R$ 300 originalmente previstos). Já o aquário do Rio, que em quatro anos ficou pronto, é obra da iniciativa privada e custou R$ 120 milhões.

No Rio, o aquário serviu de cenário para a novela “A lei do amor”, da Rede Globo, em capítulo exibido nesta semana. No Ceará, o aquário é uma novela mal dirigida e encenada por canastrões, sem prazo para a acabar e – tudo indica – longe, muito longe, de um final feliz.

Confira a matéria da Jangadeiro: Enquanto aquário do Rio é inaugurado, o do Ceará está parado e já consumiu mais dinheiro

Curiosidades:

Em 2013, no calor dos protestos de junho, acuado, Cid cogitou fazer um plebiscito para a população decidir se a obra deveria continuar ou não.

No mesmo ano, a Câmara dos Vereadores aprovou a realização do plebiscito que nunca aconteceu.

Na Assembleia Legislativa, a oposição criou a CPI do Aquário, mas os governistas, numa manobra regimental inusitada, conseguiram barrar a investigação.

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A esfinge sem segredo: deputado quer saber, eu esclareço

Por Wanfil em Assembleia Legislativa

20 de Maio de 2015

Ainda sobre a manobra vergonhosa da base aliada na Assembleia Legislativa para impedir a criação de um CPI que investigaria a enrolada obra do Acquario Ceará (leia mais no meu comentário para a Tribuna Band News aqui), o jovem deputado Júlio César Filho, de um tal PTN, e que é vice-líder do governo Camilo na Casa, anunciou misterioso enigma, tal qual uma esfinge de Maracanaú:

“Fico confuso sobre a intenção da oposição. Não sei se quer politizar a discussão para desgastar o governo, ou se quer realmente investigar”.

Essa é fácil. Eu, como um Édipo nordestino (mais precisamente de Teresina), desvendo o mistério que aflige o parlamentar:

Os dois. Quer politizar, pois o embate entre situação e oposição é de natureza política, e quer investigar, conforme direito assegurado pela Constituição e de acordo com as exigências do Regimento Interno da Assembleia. Já o governo não quer politizar para não se desgastar (preocupação que deixa transparecer insegurança), muito menos investigar nada.

Nota

Decifra-me ou devoro-te: a esfinge da mitologia grega perguntava aos desafiantes: “Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três?” Édipo acertou: “O homem: engatinha como bebê, anda sobre dois pés na idade adulta e usa bengala quando é ancião”. Esse, claro, era um enigma realmente difícil.

Representação da esfinge da mitologia grega, no Museu do Templo de Apolo, em Delfos. Essa mandava bem.

Representação da esfinge da mitologia grega, no Museu do Templo de Apolo, em Delfos. Essa mandava bem.

 

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O vexame do Acquario Ceará: a contrapartida paga para um empréstimo que não existe

Por Wanfil em Ceará

06 de Abril de 2015

Churchill, o inglês, via longe. Já o Governo do Ceará...

Churchill, o inglês, via longe. Já o Governo do Ceará…

Os deputados estaduais Carlos Matos (PSDB) e Renato Roseno (Psol) ficaram insatisfeitos com os esclarecimentos feitos pelo governo do Estado acerca da polêmica obra do tal Acquario Ceará, segundo matéria do O Povo. A dupla reclama da falta de detalhamentos e de dados desatualizados. O deputado Audic Mota (PMDB) também critica cláusulas do contrato que estariam sujeitas à variações cambiais.

Um ponto levantado por Matos merece destaque. É que a obra começou a ser construída antes que o financiamento obtido junto ao Eximbank fosse avaliado e liberado pelo Senado. Caso não seja aprovado até novembro, o empréstimo será cancelado. Mesmo assim, o Tesouro estadual já enterrou US$ 45 milhões no aquário sem água.

Diante disso, a pergunta óbvia é: como diabos iniciam uma obra pública sem confirmar o financiamento? Se fosse um prédio residencial, os moradores estariam na rua com a obra inacabada.  Segundo o governo, a ideia seria evitar atrasos. O problema é que a conclusão do empreendimento, prevista 2014, foi adiada 2017.

Entre o ruim e o muito ruim, escolheram o ruim e ficaram com o muito ruim
Certa feita, ao comentar o pacto entre Inglaterra, França e a Alemanha nazista, ainda em 1938, Churchill disse: “Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e terão a guerra”.

Descontadas as diferenças históricas e de relevância política, no Ceará, em 2015, entre a pressa e o prejuízo, escolheram a pressa e tiveram prejuízo. Sim, porque a obra está parada e atrasada, situação que gera perda financeira, especialmente com o dólar subindo. E só para fazer justiça, não faltou quem avisasse que a obra, cujo orçamento e utilidade são questionados por muitos, não poderia ser feita assim no atropelo.

Pode ser que o empréstimo seja aprovado? Sim. Mas também pode ser que não. Escolhas mal feitas são assim: ficam por conta da sorte.

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Indignação seletiva: silêncio para a refinaria, Facebook para o Acquário

Por Wanfil em Política

03 de Março de 2015

Quando a política confirma a ciência: para alguns assuntos, ouvidos apurados; para outros, ouvidos moucos.

Quando a política confirma a ciência: para alguns assuntos, ouvidos apurados; para outros, ouvidos moucos.

Em 1953 o britânico Colin Chery desenvolveu uma pesquisa chamada de cocktail party effect, que deu origem a inúmeros outros estudos sobre a famosa “audição seletiva”. Em linhas gerais bem resumidas, a teoria afirma que em ambientes com muitos estímulos auditivos – muita gente conversando, por exemplo -, as pessoas captam e reagem aos que lhes causam interesse, ignorando ou atenuando os demais.

Em 2015, o ex-governador do Ceará reagiu, pelo Facebook, ao estímulo das recentes polêmicas envolvendo a Construção do Acquário Ceará, cujos pagamentos para a empresa responsável pelo projeto foram suspensos pela justiça estadual na semana passada, reforçando críticas de opositores.

Disse Cid: “Os ideólogos da mediocridade mancomunados com desonestos medíocres teimam em se opor a implantação do Acquario Ceará. Tenho fé que a verdade e o bom senso prevalecerão e afirmo que todos os atos para a contratação da sua construção obedeceram a rigorosos procedimentos legais. Estarei sempre à disposição para o debate. Tudo o mais é pusilanimidade!”.

É perfeitamente natural que o atual ministro da Educação venha a público defender o legado de sua administração. O problema são as generalizações e a agressividade. Quer dizer então que críticos do projeto, desde sempre polêmico, são todos medíocres, desonestos, teimosos e pusilânimes? Ou são apenas a Justiça, o MP e a oposição? Não ficou claro. Além do mais, contestações são naturais nas democracias. Em essência, debate significa confronto de ideias, não concordância.

De qualquer modo, a reação foi rápida e contundente, contrastando com o silêncio sobre o caso do golpe da refinaria da Petrobras, que apesar de ter sido aplicado por Lula e Dilma, também constam como parte do legado de Cid, afinal, o governo estadual foi avalista e financiador da promessa não cumprida.

Em 1950 Cherry deu início aos estudos da famosa “audição seletiva”, fenômeno inconsciente. Em 2015, Cid amplia esse conceito para a performance política, com a “indignação seletiva”, ação bem calculada. É o Ceará mostrando como é que se faz!

Collin Cherry não previu que sua descoberta - a audição seletiva - poderia ser utilizada na política - a indignação seletiva. É o Ceará mostrando como se faz!

Collin Cherry não previu que seu estudo sensorial sobre “percepções seletivas” poderia inspirar aplicações morais e políticas como a “indignação seletiva” de Cid.

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Indignação seletiva: silêncio para a refinaria, Facebook para o Acquário

Por Wanfil em Política

03 de Março de 2015

Quando a política confirma a ciência: para alguns assuntos, ouvidos apurados; para outros, ouvidos moucos.

Quando a política confirma a ciência: para alguns assuntos, ouvidos apurados; para outros, ouvidos moucos.

Em 1953 o britânico Colin Chery desenvolveu uma pesquisa chamada de cocktail party effect, que deu origem a inúmeros outros estudos sobre a famosa “audição seletiva”. Em linhas gerais bem resumidas, a teoria afirma que em ambientes com muitos estímulos auditivos – muita gente conversando, por exemplo -, as pessoas captam e reagem aos que lhes causam interesse, ignorando ou atenuando os demais.

Em 2015, o ex-governador do Ceará reagiu, pelo Facebook, ao estímulo das recentes polêmicas envolvendo a Construção do Acquário Ceará, cujos pagamentos para a empresa responsável pelo projeto foram suspensos pela justiça estadual na semana passada, reforçando críticas de opositores.

Disse Cid: “Os ideólogos da mediocridade mancomunados com desonestos medíocres teimam em se opor a implantação do Acquario Ceará. Tenho fé que a verdade e o bom senso prevalecerão e afirmo que todos os atos para a contratação da sua construção obedeceram a rigorosos procedimentos legais. Estarei sempre à disposição para o debate. Tudo o mais é pusilanimidade!”.

É perfeitamente natural que o atual ministro da Educação venha a público defender o legado de sua administração. O problema são as generalizações e a agressividade. Quer dizer então que críticos do projeto, desde sempre polêmico, são todos medíocres, desonestos, teimosos e pusilânimes? Ou são apenas a Justiça, o MP e a oposição? Não ficou claro. Além do mais, contestações são naturais nas democracias. Em essência, debate significa confronto de ideias, não concordância.

De qualquer modo, a reação foi rápida e contundente, contrastando com o silêncio sobre o caso do golpe da refinaria da Petrobras, que apesar de ter sido aplicado por Lula e Dilma, também constam como parte do legado de Cid, afinal, o governo estadual foi avalista e financiador da promessa não cumprida.

Em 1950 Cherry deu início aos estudos da famosa “audição seletiva”, fenômeno inconsciente. Em 2015, Cid amplia esse conceito para a performance política, com a “indignação seletiva”, ação bem calculada. É o Ceará mostrando como é que se faz!

Collin Cherry não previu que sua descoberta - a audição seletiva - poderia ser utilizada na política - a indignação seletiva. É o Ceará mostrando como se faz!

Collin Cherry não previu que seu estudo sensorial sobre “percepções seletivas” poderia inspirar aplicações morais e políticas como a “indignação seletiva” de Cid.