abstenção Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

abstenção

Datafolha: Camilo 45%, Eunício 40% – empate técnico e o fator abstenção

Por Wanfil em Eleições 2014

16 de outubro de 2014

A primeira pesquisa Datafolha/O Povo para o segundo turno no Ceará mostra o seguinte quadro: Camilo Santana (PT) lidera com 45% das intenções de voto, seguido de Eunício Oliveira (PMDB), que marca 40%, em situação de empate técnico, uma vez que a margem de erro do levantamento é de 3% para mais ou para menos. Considerando apenas os votos válidos, o placar é de 53% a 47%.

Disputa continua acirrada
Fica confirmada então a tendência das últimas pesquisas, reforçada nas urnas, que apontavam uma lenta ascensão do petista e uma estabilização do peemedebista. Tudo decidido? Nada disso. Os 9% de indecisos formam um considerável número que pode alterar esse quadro.

Há também as taxas de rejeição, de 37% para Camilo e 35% para Eunício, que mostram uma situação de equilíbrio, com potencial de crescimento um pouco maior para o peemedebista. A eleição continua apertada.

Fator abstenção
No entanto, mais do que o contingente formado pelos que não sabem ainda em quem votar, o elemento crucial de indefinição e imponderabilidade não pode ser registrado por pesquisa alguma: a abstenção. Ainda que estes estejam contemplados nas margens de erro, estas tem se apresentado muito incertas nas últimas eleições, quando as urnas mostram variações acima dessas margens de cálculo. Existe, no entanto, um histórico, mas esse mostra uma flutuação nas abstenções que dificultam projeções. Vejamos.

No primeiro turno deste ano a abstenção foi de 20,12%, que corresponde a pouco mais de um milhão e duzentos mil eleitores, num universo de 6,2 milhões. Em 2010 foi de 20,05%, já em 2006 de 17,38%. Em 2002, quando também houve segundo turno, o índice nessa etapa foi de 23%.

Tradicionalmente, a abstenção tende a ser maior nas regiões de menor densidade populacional, ou seja, nas áreas rurais e cidades pequenas, e menor nos grandes centros, o que aumenta o peso da região metropolitana na eleição. Assim, cabe aos candidatos, prevendo uma alta quantidade de eleitores que não devem comparecer às urnas.

Avaliação da gestão
A pesquisa mostra que 47% da população aprovam o governo Cid Gomes. É justamente o eleitoral de Camilo. Avaliam a gestão como regular 34% e como ruim 15%, que somados chegam a 49%. Falta a Eunício conquistar uma pequena parte desse grupo, que oferece um bom espaço para avançar. Sua campanha deve falar a essa parcela nessa reta final.

Talvez um tom mais crítico em relação aos pontos fracos da administração, associando o adversário a áreas mal avaliadas, possa surtir efeito, mas isso é lá com os estrategistas. Camilo, naturalmente, tem se dirigido aos que aprovam o governo, e busca acenar para os que o consideram regular, mostrando um perfil de conciliador, já que o papel de ataque contra o concorrente fica reservado aos seus padrinhos, e evitando ao máximo falar a fundo de segurança pública.

A nota atribuída ao governador Cid Gomes é de 6,6%. Bastante modesta para quem o imagina como o maior governador da história, mas suficiente para deixar seu candidato numericamente à frente no empate técnico do Datafolha.

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Quem disse que a maioria escolheu o novo prefeito de Fortaleza?

Por Wanfil em Eleições 2012, Fortaleza

29 de outubro de 2012

Votos nulos, brancos e abstenções são desconsideradas pela justiça eleitoral. É que só assim, em muitos casos, o vencedor consegue “maioria”. É o jeitinho brasileiro no exercício da democracia.

Quando acaba a apuração de uma eleição, agora no curto espaço de algumas poucas horas, uma questão interessante termina sendo pouco debatida: a natureza dos percentuais anunciados. É que os números divulgados pela justiça eleitoral levam em consideração somente os votos válidos, ou seja, desconsideram, para efeito de resultado final, as abstenções, os votos brancos e os nulos. E porque isso é interessante? Com efeito, não muda nada a definição de vencedores e perdedores que disputaram o pleito em Fortaleza, mas ajuda a dimensionar de forma mais precisa o tamanho da vitória do PSB e da derrota do PT.

Essa regra dos votos válidos tem por objetivo atender a uma exigência legal. Será considerado vencedor no segundo turno o candidato que obtiver 50% dos votos mais um. Se, hipoteticamente, cada candidato conseguisse apenas 40% dos votos, ninguém poderia ser declarado eleito. Daí a regra dos votos válidos, para poder conferir, de todo o jeito, maioria ao vencedor, mesmo que ela não exista na prática.

Por isso, cuidado ao ouvir algum candidato se gabando de ter sido eleito pela vontade da maioria, como fazia o ex-presidente Collor de Mello. Nem sempre é assim.

 Números reais da eleição em Fortaleza

Em Fortaleza, 268.138 pessoas se abstiveram de votar, o que corresponde a 16,6% de um total de 1.612.155 de eleitores, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral. Levando em consideração que 33.782 votaram em branco e 83.193 anularam o sufrágio, a soma de pessoas que não optaram por nenhum dos candidatos foi de 385.113, ou 23,9% dos eleitores. Esse grupo é desconsiderado para a promulgação do resultado. No entanto, se fossem computados, os percentuais seriam outros.

Assim, para ser fiel aos fatos, a escolha do prefeito de Fortaleza se restringiu a 76,1% do eleitorado, apesar da obrigatoriedade do voto no Brasil.

Pelo Tribunal Superior Eleitoral, Roberto Cláudio (PSB) venceu com 53,02% dos votos válidos. No entanto, comparando seus 650.607 votos com o universo total de eleitores habilitados – válidos e não válidos -, seu índice na verdade foi de 40,35%.

Pela mesma lógica, Elmano de Freitas (PT), que teve 46,98% dos votos válidos, conseguiu 35,75% do total, perfazendo 576.435 eleitores.

Quadro final considerando todos os eleitores aptos a votar

Roberto Cláudio – 40,35%

Elmano de Freitas – 35,75%

Nenhum – 23,9%

Legitimidade assegurada

Naturalmente, isso não desqualifica o processo eleitoral ou a vitória do candidato Roberto Cláudio, nem absolve os derrotados. São as regras do jogo, previamente definidas e válidas para todos. É apenas uma constatação empírica, sem recados embutidos nas entrelinhas, a não ser a evidência de que um quarto do eleitorado não votou em ninguém, trazendo à tona a discussão sobre a necessidade ou não do voto obrigatório.

De resto, é fato que não houve maioria formada em Fortaleza, mas isso não significa rejeição absoluta ao vencedor. Os dados podem indicar, por exemplo, desaprovação aos padrinhos políticos ou aos partidos dos candidatos. Ou desânimo do eleitor com o quadro geral do momento. É verdade que vitórias retumbantes fortalecem os eleitos, dando-lhes melhores condições para negociar a composição do futuro governo, mas cada caso é um caso. Dilma Rousseff, por exemplo, terminou o primeiro ano de governo com mais popularidade do que quando foi eleita, o que lhe conferiu mais autoridade para promover algumas mudanças em ministérios.

Doravante, para Roberto Cláudio, tudo dependerá do desempenho da gestão e da eficiência na comunicação.

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Quem disse que a maioria escolheu o novo prefeito de Fortaleza?

Por Wanfil em Eleições 2012, Fortaleza

29 de outubro de 2012

Votos nulos, brancos e abstenções são desconsideradas pela justiça eleitoral. É que só assim, em muitos casos, o vencedor consegue “maioria”. É o jeitinho brasileiro no exercício da democracia.

Quando acaba a apuração de uma eleição, agora no curto espaço de algumas poucas horas, uma questão interessante termina sendo pouco debatida: a natureza dos percentuais anunciados. É que os números divulgados pela justiça eleitoral levam em consideração somente os votos válidos, ou seja, desconsideram, para efeito de resultado final, as abstenções, os votos brancos e os nulos. E porque isso é interessante? Com efeito, não muda nada a definição de vencedores e perdedores que disputaram o pleito em Fortaleza, mas ajuda a dimensionar de forma mais precisa o tamanho da vitória do PSB e da derrota do PT.

Essa regra dos votos válidos tem por objetivo atender a uma exigência legal. Será considerado vencedor no segundo turno o candidato que obtiver 50% dos votos mais um. Se, hipoteticamente, cada candidato conseguisse apenas 40% dos votos, ninguém poderia ser declarado eleito. Daí a regra dos votos válidos, para poder conferir, de todo o jeito, maioria ao vencedor, mesmo que ela não exista na prática.

Por isso, cuidado ao ouvir algum candidato se gabando de ter sido eleito pela vontade da maioria, como fazia o ex-presidente Collor de Mello. Nem sempre é assim.

 Números reais da eleição em Fortaleza

Em Fortaleza, 268.138 pessoas se abstiveram de votar, o que corresponde a 16,6% de um total de 1.612.155 de eleitores, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral. Levando em consideração que 33.782 votaram em branco e 83.193 anularam o sufrágio, a soma de pessoas que não optaram por nenhum dos candidatos foi de 385.113, ou 23,9% dos eleitores. Esse grupo é desconsiderado para a promulgação do resultado. No entanto, se fossem computados, os percentuais seriam outros.

Assim, para ser fiel aos fatos, a escolha do prefeito de Fortaleza se restringiu a 76,1% do eleitorado, apesar da obrigatoriedade do voto no Brasil.

Pelo Tribunal Superior Eleitoral, Roberto Cláudio (PSB) venceu com 53,02% dos votos válidos. No entanto, comparando seus 650.607 votos com o universo total de eleitores habilitados – válidos e não válidos -, seu índice na verdade foi de 40,35%.

Pela mesma lógica, Elmano de Freitas (PT), que teve 46,98% dos votos válidos, conseguiu 35,75% do total, perfazendo 576.435 eleitores.

Quadro final considerando todos os eleitores aptos a votar

Roberto Cláudio – 40,35%

Elmano de Freitas – 35,75%

Nenhum – 23,9%

Legitimidade assegurada

Naturalmente, isso não desqualifica o processo eleitoral ou a vitória do candidato Roberto Cláudio, nem absolve os derrotados. São as regras do jogo, previamente definidas e válidas para todos. É apenas uma constatação empírica, sem recados embutidos nas entrelinhas, a não ser a evidência de que um quarto do eleitorado não votou em ninguém, trazendo à tona a discussão sobre a necessidade ou não do voto obrigatório.

De resto, é fato que não houve maioria formada em Fortaleza, mas isso não significa rejeição absoluta ao vencedor. Os dados podem indicar, por exemplo, desaprovação aos padrinhos políticos ou aos partidos dos candidatos. Ou desânimo do eleitor com o quadro geral do momento. É verdade que vitórias retumbantes fortalecem os eleitos, dando-lhes melhores condições para negociar a composição do futuro governo, mas cada caso é um caso. Dilma Rousseff, por exemplo, terminou o primeiro ano de governo com mais popularidade do que quando foi eleita, o que lhe conferiu mais autoridade para promover algumas mudanças em ministérios.

Doravante, para Roberto Cláudio, tudo dependerá do desempenho da gestão e da eficiência na comunicação.