Segurança Archives - Página 3 de 9 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Segurança

Candidatura de secretário arde no fogo dos ataques

Por Wanfil em Segurança

20 de Abril de 2017

Fotos de ataques assim não são postadas no Facebook das autoridades cearenses

O Ceará vive a maior onda de ataques a ônibus, carros, delegacias e bancos de sua história. A maioria dos casos, que começaram na quarta e prosseguiram nesta quinta, foi registrada em Fortaleza e Região Metropolitana.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Estado, André Costa, as razões para esses ataques inesperados ainda estão sendo investigadas. Se os fins ainda são um mistério para o governo, os meios evidenciam ação coordenada para causar medo e transtornos, constrangendo as autoridades. Funcionou.

Desde que assumiu no início do ano, o secretário ganhou destaque por causa de seu estilo, digamos, midiático: manda recados para criminosos pelas redes sociais, participa pessoalmente de operações policiais, veste farda e usa frases de efeito. Ganhou a simpatia do público e dos policiais. Eu mesmo elogiei aqui no blog. E assim, não demorou em ser apontado como contraponto político ao deputado Capitão Wagner (PR), um dos principais nomes da oposição ao governador Camilo Santana (PT).

Se a retomada do diálogo entre o governo e os policiais, interditado na gestão de Cid Gomes, e a redução gradual nos índices de homicídios, são os principais trunfos de Camilo nessa área, pesam contra sua administração a rebelião com o maior número de mortos ocorrida no ano passado, e a agora, repito, a maior onda de ataques que já se viu no Ceará.

Para Costa, os ataques podem ser uma reação da bandidagem contra o trabalho do governo. É possível, mas a intensidade e a facilidade dessa reação indicam falhas no monitoramento do grupo (ou grupos) que organizou os atentados, além de dificuldades operacionais para desmobilizar as quadrilhas que atuam nas ruas. Não estamos falando de crime passional, de briga de vizinhos, mas de operações articuladas que demandam planejamento e hierarquia.

Se existe algum fundo de verdade nas supostas pretensões eleitorais para o secretário, elas sofreram duro golpe com os acontecimentos dos últimos dois dias.

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Governo promete uma arma para cada policial. Como assim?

Por Wanfil em Segurança

07 de Abril de 2017

Tinha Hilux, mas faltava o básico – Foto: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará

Cada policial do Ceará terá uma arma até o final do próximo ano. Foi o que prometeu o governador Camilo Santana nesta semana, atendendo a pedidos dos próprios policias.

O problema não é de hoje. Uma pesquisa do Ministério da Justiça, feita em 2013, mostrou que em seis estados – somente seis – a Polícia Militar não tinha uma para cada agente. No Ceará, ainda de acordo com o governador, é uma arma para dois ou três policiais revezarem.

Ninguém deve governar olhando somente para o passado, entretanto, não se deve fechar os olhos aos erros cometidos, para que não se repitam na hora de elaborar novas políticas. Nos anos em que a violência cresceu vertiginosamente no Ceará, o governo rebatia críticas alegando que nunca se investira tanto no setor. De fato, havia o investimento, o problema estava na qualidade dele: carros de luxo, patinetes na Beira-Mar…

Ações de governo são naturalmente criticadas pela oposição, imprensa e outros setores. Críticas que podem inclusive ser úteis, se ajudam a perfeiçoar programas. O debate faz parte. Se tem convicção no que faz, a gestão deve seguir em frente, mas se com o tempo os resultados não aparecem, e ainda mais se os índices pioram, é preciso humildade dos responsáveis para mudar a linha de trabalho.

Antes tarde do que nunca.

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Cartão de visitas do crime

Por Wanfil em Segurança

08 de Fevereiro de 2017

Os homicídios voltaram a crescer no Ceará. No mês passado o novo secretário de Segurança, André Costa, ganhou notoriedade ao participar de ações policiais de “Operação Cartão de Visitas’. Em seguida, causou alguma polêmica ao afirmar, em entrevista coletiva, que criminosos poderiam decidir entre a rendição ou o enfrentamento com a polícia, situações colocadas na ocasião como escolha entre Justiça ou cemitério.

Ao comentar aqui no blog sobre as declarações do secretário, que considero até mesmo um tanto tautológica, pois é mais do que justo que policiais reajam a ataques de criminosos, adverti para a “grande distância entre falar o que a maioria quer ouvir e efetivamente resolver o problema”.

Pois bem, o Governo do Ceará, como tem feito mensalmente, sempre com a presença do governador Camilo Santana, divulgou nesta segunda o número de homicídios no Estado. Em janeiro de 2017 o aumento foi de 46,5%, em relação com dezembro de 2016, quebrando a sequência de reduções do ano passado. Em Fortaleza, o aumento foi de 26,8%, em comparação com janeiro de 2016.

O estrago na última década foi grande demais para ser resolvido de uma hora para outra.

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“Justiça ou cemitério”. É assim que se fala, secretário!

Por Wanfil em Segurança

31 de Janeiro de 2017

Por falar em cemitério – Caixões com fotos de policiais mortos no Ceará, durante protesto realizado em 2016. (Divulgação)

O secretário da Segurança Pública do Ceará, André Costa, afirmou o seguinte durante entrevista coletiva no último sábado:

“Para o bandido a gente oferece duas coisas: se ele quiser se entregar, a gente oferece a justiça. Se ele quiser puxar uma arma, como foi feito contra nosso policial, a gente tem o cemitério para oferecer a ele. Tem a justiça e tem o cemitério, o que não pode é um bandido puxar uma arma na rua e matar um policial ou matar uma pessoa inocente”.

A repercussão na imprensa mostrou muita gente preocupada com a possibilidade de que declarações nesse sentido possam estimular a violência policial, como se os índices obscenos de crimes no Ceará pudessem ser reduzidos com citações de autoajuda. Com certeza muita gente – a maioria silenciosa – concorda.

Antes de mais nada, é preciso destacar a ressalva feita pelo próprio secretário: “se ele [o bandido] quiser puxar uma arma”. Esse é o ponto que qualifica a ação policial. Não se trata de executar suspeitos, mas de reagir à altura em caso de resistência que ponha em risco a vida do agente de segurança ou de terceiros. Quem pode ser contra isso? O ideal seria que todos pudessem chegar a um acordo com base no diálogo, mas, convenhamos, quem comete crimes de arma em punho não parece disposto a isso, a menos que seja forçado. Infelizmente, é algo que pessoas de bem não gostam de imaginar, mas que é uma necessidade real.

Pode haver abuso dos policiais? Sim, claro. Para esses casos, ofereça-se, do mesmo modo, a justiça. O cemitério é mais difícil, na medida de que não se tem notícia de policiais presos que tenham atirado nos colegas. Mas se for o caso, o princípio do uso legítimo e legal de força letal vale plenamente.

Por fim, vale lembrar que existe uma grande distância entre falar o que a maioria quer ouvir e efetivamente resolver o problema. A fala do secretário é mostra de solidariedade com seus comandados e com a população amedrontada, mas não é ainda uma política de segurança. É uma disposição, não um rumo de ação planejada. É um começo, não uma chegada.

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Assegurando a segurança nos presídios do Ceará

Por Wanfil em Segurança

18 de Janeiro de 2017

Notícia do portal do Governo do Estado informa:

Ceará assegura R$ 52 milhões para sistema prisional

No texto do próprio governo o leitor descobre que:

1 – R$ 8,49 milhões foram garantidos após reunião nesta quarta-feira com o “Departamento Penitenciário Nacional (Depen/MJ) e secretários da Justiça de todo o País”, em Brasília;

2 – “o valor se soma aos R$ 44 milhões – anunciados pelo Ministério da Justiça no início deste mês”.

Conclusão: Quem assegurou o dinheiro para os presídios no Ceará foi o Governo Federal, foi Michel Temer.

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Segurança pública no Ceará: o novo e o velho

Por Wanfil em Segurança

05 de Janeiro de 2017

Delegado aposentado da Polícia Federal, Delci Teixeira deixa o comando da Secretaria de Segurança. Assume o posto André Costa, jovem delegado da Polícia Federal.

O legado de Teixeira pode ser resumido na quebra da escalada dos homicídios no Estado, com dois anos consecutivos de uma gradual redução nesse tipo de crime, e no restabelecimento do diálogo com os policiais, patrocinado pelo governador Camilo Santana. Por outro lado, os assaltos continuam a crescer, assim como as mortes de policiais.

Além disso, o fortalecimento do crime organizado a partir do caos no sistema penitenciário, área da Secretaria da Justiça, é uma realidade que afeta a segurança pública como um todo. No ano passado, de dentro dos presídios, facções ordenaram ataques a ônibus, delegacias e prédios públicos. Colocaram um carro com dinamites ao lado da Assembleia Legislativa. Organizaram ainda na maior rebelião da História no Ceará, obrigando o governo estadual a pedir o socorro de tropas federais. É um problema nacional que, por sua vez, encontra solo fértil nos estados mais violentos.

Sobre isso, o governo federal lançou um programa para a modernização das penitenciárias estaduais, após a repercussão internacional do massacre de presos em Manaus, decorrente de uma guerra entre criminosos. Pode ser que algo melhore. Vamos aguardar.

De resto, a mudança na Secretaria de Segurança acontece menos de um mês após a saída de Andrade Júnior, também a pedido, do cargo de Delegado-Geral da Polícia Civil. Aparentemente, para quem acredita em coincidências, não há correlação entre essas baixas.

A novidade que chega e o ano que se inicia se deparam com alguns velhos problemas de anos que se prolongam. Por tudo isso, boa sorte ao novo secretário André Costa.

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A verdadeira causa da onda de policiais assassinados

Por Wanfil em Segurança

21 de novembro de 2016

O portal Tribuna do Ceará mostra que 27 policiais foram assassinados no Ceará em 2016, a maioria quando estava de folga, vítima de latrocínio.

Segundo o secretário de Segurança Delci Teixeira, esses mortes estão relacionadas a “fatores inesperados” que provocaram o “instinto policial” das vítimas. O problema é que se nos limitarmos a essa leitura, as vítimas acabam prioritariamente responsabilizadas pelas próprias mortes, tomadas então como meras fatalidades. E não é bem assim que a coisa acontece: esses assassinatos decorrem, antes, do intenso volume de assaltos no Ceará. Em outra palavras: a grande quantidade de mortes de policiais de folga é resultado direto e proporcional ao aumento geral de assaltos.

Segundo a SSPDS, de janeiro a outubro deste ano foram registrados 60.847 casos de “crimes violentos contra o patrimônio”, já próximo ao que foi contabilizado em 2015, com 60.964 registros. São números impressionantes e que muito provavelmente são subnotificado, uma vez que nem todos que são assaltados fazem Boletim de Ocorrência.

Se fosse o caso de hierarquizar causas, o “instinto policial” é acionado como ação de legítima defesa face ao “instinto violento” dos assaltantes. Se os assaltos estivessem diminuindo no estado, as reações causadas por esse tipo de crime – bem como as mortes – também diminuiriam. E o que temos é o contrário disso.

Nesse, digamos, ambiente degradado, o mais grave é perceber que o risco aumenta justamente quando o agente de segurança está de folga ou na reserva, não obstante o fato de que a exposição à violência é algo inerente à profissão. Chegamos ao ponto de ser mais seguro, para um policial, está de serviço.

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Crimes recuam, mas o medo não diminui: por isso segurança ainda é tema eleitoral relevante no Ceará

Por Wanfil em Segurança

13 de outubro de 2016

Passa eleição, volta eleição, o medo da violência é um estado permanente. Imagem: O Grito, de Edvar Munch

Passa eleição, volta eleição, o medo como um estado permanente. Imagem: O Grito, de Edvar Munch

O Governo do Ceará divulgou, na última terça-feira (11), redução de 33% de homicídios do mês de setembro no Estado, em comparação com o mesmo período de 2015. Em Fortaleza, o recuo de impressionantes 57%. Diante desses números, intriga como a segurança continua no centro do debate eleitoral na disputa pela prefeitura da Capital.

É que o tema já predomina desde as eleições para o governo estadual em 2006, quando Cid Gomes foi eleito. Em 2014, com Camilo Santana, não foi diferente. A grande novidade foi a inversão nas taxas de homicídios verificada na atual administração, após a explosão de violência registrada na gestão de Cid Gomes. Mesmo assim o medo persiste, como indicam pesquisas de opinião.

Se por um lado merece reconhecimento ações de Camilo na área, como a retomada do diálogo com os policiais , as promoções, os investimentos (apesar da crise) e a transparência na divulgação dos números,  por outro há algo nos dados oficiais que escapa ao sentimento das pessoas.

A resposta pode estar, talvez, nas ações midiáticas do chamado crime organizado. No mesmo dia em que a redução nos índices foram anunciados, homens armados invadiram uma delegacia em Fortaleza, resgataram sete presos, roubaram um policial e quatro pessoas que faziam boletins de ocorrência e ainda levaram uma viatura e armas. Dois dias antes, um grupo já havia resgatado sete presos da carceragem do prédio da Superintendência de Polícia. Da Superintendência!

São ações que pela ousadia e desrespeito ao poder constituído, geram medo e ofuscam os dados oficiais. Sem contar as rebeliões de março em penitenciárias que ensejaram a presença da Guarda Nacional no Ceará para controlar a situação. Hoje o governo comunicou que irá transferir presos das delegacias para esses presídios, para tentar conter as fugas.

Por fim, ainda existe a suspeita, muito comentada nas ruas, de que a redução nos homicídios é fruto, em parte, de acordos entre quadrilhas para organizar melhor o tráfico, negada com veemência pelas autoridades locais. O fato é que a insegurança, apesar dos números (e o próprio governo é o primeiro a reconhecer – isso também é novidade em relação à gestão anterior – que muito ainda precisa ser feito), continua a fazer do tema o grande vetor eleitoral no Ceará.

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Alô, é do presídio?

Por Wanfil em Segurança

04 de agosto de 2016

De nada adiantou a Assembleia Legislativa do Ceará ter aprovado, em março passado, uma lei obrigando operadoras de celular a instalar bloqueadores de celulares no presídios estaduais. É que ontem (3) o STF a considerou  inconstitucional, uma vez que somente a União pode regular matéria de telecomunicação.

Outros estados também tomaram medidas semelhantes. Por isso o Rio Grande do Norte, assim como aconteceu no Ceará, sofre uma onda de ataques a delegacias, prédios públicos e ônibus, comandados de dentro das cadeias por líderes de facções criminosas, em reação contra o uso desses bloqueadores.

Pressionados e sem conseguir impedir a entrada desses aparelhos nos presídios (a Tribuna Band News FM entrevistou detentos, com muita facilidade, durante a rebelião de maio), os governos estaduais tentaram transferir a responsabilidade do poder público para a iniciativa privada. Não deu. O problema é que agora será preciso esperar que a Secretaria de Justiça resolva a parada. Convenhamos, é tudo o que os presos queriam.

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Turismo em queda no Ceará

Por Wanfil em Segurança

04 de agosto de 2016

Matéria do jornal O Povo desta quinta-feira (4), sobre queda, no Ceará,  de 5,3% no fluxo de turistas nacionais e de 1,4% entre os internacionais entre no primeiro trimestre de 2016, segundo dados divulgados pela Fecomercio.

Arialdo Pinho, secretário do Turismo do Estado, acredita que a falta de divulgação e de mais voos internacionais são fatores que prejudicam a atratividade turística internacional.

O turismo nacional, claro, sofre com a crise econômica. Já o internacional, além das justificativas apontadas pelo secretário, é preciso lembrar outro fator bastante incômodo: Fortaleza está entre as capitais mais violentas do Brasil e do mundo.

O turista estrangeiro interessado em conhecer o Brasil nas Olimpíadas pode encontrar na Forbes, por exemplo, a informação de que Fortaleza lidera a taxa de homicídios no País: “Within the top 50, Brazil’s most violent cities are mainly in the north, far from the Olympic city of Rio de Janeiro“.

É bom não menosprezar o efeito causado pelo medo, na hora de pesar as razões dessa redução.

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Turismo em queda no Ceará

Por Wanfil em Segurança

04 de agosto de 2016

Matéria do jornal O Povo desta quinta-feira (4), sobre queda, no Ceará,  de 5,3% no fluxo de turistas nacionais e de 1,4% entre os internacionais entre no primeiro trimestre de 2016, segundo dados divulgados pela Fecomercio.

Arialdo Pinho, secretário do Turismo do Estado, acredita que a falta de divulgação e de mais voos internacionais são fatores que prejudicam a atratividade turística internacional.

O turismo nacional, claro, sofre com a crise econômica. Já o internacional, além das justificativas apontadas pelo secretário, é preciso lembrar outro fator bastante incômodo: Fortaleza está entre as capitais mais violentas do Brasil e do mundo.

O turista estrangeiro interessado em conhecer o Brasil nas Olimpíadas pode encontrar na Forbes, por exemplo, a informação de que Fortaleza lidera a taxa de homicídios no País: “Within the top 50, Brazil’s most violent cities are mainly in the north, far from the Olympic city of Rio de Janeiro“.

É bom não menosprezar o efeito causado pelo medo, na hora de pesar as razões dessa redução.