Era um policial muito engraçado, não tinha arma, não tinha bala... - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Era um policial muito engraçado, não tinha arma, não tinha bala…

Por Wanfil em Segurança

04 de novembro de 2013

PMs na Praça Portugal, em Fortaleza, de coldres vazios (no detalhe, em vermelho). Imagem: TV Jangadeiro

PMs na Praça Portugal, em Fortaleza, de coldres vazios (no detalhe vermelho). Imagem: TV Jangadeiro

Reportagem exclusiva da TV Jangadeiro mostra policiais militares patrulhando áreas de Fortaleza sem armas e coletes de proteção. Não é preciso ser especialista para saber que não é assim que se faz.

O flagra foi registrado no sábado, um dia após a formatura de 1057 novos policiais militares, em cerimônia que contou com a presença do governador Cid Gomes e bastante divulgada na imprensa. Os agentes que estavam sem equipamento fazem parte desse grupo.

O caso me fez lembrar de uma música de Vinicius de Moraes: “Era uma casa muito engraçada / não tinha teto, não tinha nada / ninguém podia entrar nela não / porque na casa não tinha chão / … / Mas era feita com muito esmero, na Rua dos bobos, número zero”.

Pois é… Quando o assunto é segurança, o esmero é inegável.

A bandidagem agradece

Oficialmente, por meio da assessoria de comunicação, a Polícia Militar do Ceará afirma desconhecer o problema, evidenciando que não existe nesse caso um eventual conceito diferenciado de patrulhamento ostensivo. Os bandidos, claro, agradecem. E os policiais, como resta evidente, além de prejudicados em seu ofício, ficam expostos ao perigo.

Como eu havia dito no post anterior, investimentos são bem-vindos, mas desde que apresentem resultados, caso contrário, temos apenas a celebração do desperdício. Como a violência só faz crescer no Ceará, é forçoso reconhecer que, independente da vontade e das boas intenções dos gestores públicos, esses recursos não foram bem aplicados.

Não por acaso citei como exemplos a compra das caríssimas Hilux e dos inúteis patinetes para o patrulhamento da Beira Mar (cada um ao custo de um carro popular), duas iniciativas de intensa divulgação midiática que não ajudaram a controlar os índices de criminalidade no Ceará.

Expectativa plantada, frustração colhida

Pressionado pela necessidade de mostrar algum serviço na área, o governo corre para anunciar a boa notícia antes mesmo de vê-la funcionando na prática, já com os devidos ajustes. Assim, planta expectativas e, sem o retorno prometido, colhe frustrações.

É verdade que os casos levantados pela reportagem não podem ser generalizados (embora tenham sido registrados em pelo menos três cruzamentos), mas a falta de uma explicação convincente deixa  a impressão de que falta controle, de que as coisas são feitas no improviso. A imagem dos coldres vazios desses policiais fala mais do que o mais belo discurso.

O esforço para apresentar serviço – ainda que seja pela repetição do surrado argumento de que “nunca se investiu tanto em segurança” –, revela uma preocupação urgente, ainda mais com a aproximação do ano eleitoral. O sentimento de prestação de contas, mesmo vago, é positivo, mas a verdadeira resposta que a sociedade demanda é por resultado efetivo, ou seja, redução da violência.

Diante de uma situação como a que vivemos, qualquer exagero retórico ou autopromocional do governo corre o risco de não resistir 24 horas para ser desmoralizado pelos fatos.

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Era um policial muito engraçado, não tinha arma, não tinha bala…

Por Wanfil em Segurança

04 de novembro de 2013

PMs na Praça Portugal, em Fortaleza, de coldres vazios (no detalhe, em vermelho). Imagem: TV Jangadeiro

PMs na Praça Portugal, em Fortaleza, de coldres vazios (no detalhe vermelho). Imagem: TV Jangadeiro

Reportagem exclusiva da TV Jangadeiro mostra policiais militares patrulhando áreas de Fortaleza sem armas e coletes de proteção. Não é preciso ser especialista para saber que não é assim que se faz.

O flagra foi registrado no sábado, um dia após a formatura de 1057 novos policiais militares, em cerimônia que contou com a presença do governador Cid Gomes e bastante divulgada na imprensa. Os agentes que estavam sem equipamento fazem parte desse grupo.

O caso me fez lembrar de uma música de Vinicius de Moraes: “Era uma casa muito engraçada / não tinha teto, não tinha nada / ninguém podia entrar nela não / porque na casa não tinha chão / … / Mas era feita com muito esmero, na Rua dos bobos, número zero”.

Pois é… Quando o assunto é segurança, o esmero é inegável.

A bandidagem agradece

Oficialmente, por meio da assessoria de comunicação, a Polícia Militar do Ceará afirma desconhecer o problema, evidenciando que não existe nesse caso um eventual conceito diferenciado de patrulhamento ostensivo. Os bandidos, claro, agradecem. E os policiais, como resta evidente, além de prejudicados em seu ofício, ficam expostos ao perigo.

Como eu havia dito no post anterior, investimentos são bem-vindos, mas desde que apresentem resultados, caso contrário, temos apenas a celebração do desperdício. Como a violência só faz crescer no Ceará, é forçoso reconhecer que, independente da vontade e das boas intenções dos gestores públicos, esses recursos não foram bem aplicados.

Não por acaso citei como exemplos a compra das caríssimas Hilux e dos inúteis patinetes para o patrulhamento da Beira Mar (cada um ao custo de um carro popular), duas iniciativas de intensa divulgação midiática que não ajudaram a controlar os índices de criminalidade no Ceará.

Expectativa plantada, frustração colhida

Pressionado pela necessidade de mostrar algum serviço na área, o governo corre para anunciar a boa notícia antes mesmo de vê-la funcionando na prática, já com os devidos ajustes. Assim, planta expectativas e, sem o retorno prometido, colhe frustrações.

É verdade que os casos levantados pela reportagem não podem ser generalizados (embora tenham sido registrados em pelo menos três cruzamentos), mas a falta de uma explicação convincente deixa  a impressão de que falta controle, de que as coisas são feitas no improviso. A imagem dos coldres vazios desses policiais fala mais do que o mais belo discurso.

O esforço para apresentar serviço – ainda que seja pela repetição do surrado argumento de que “nunca se investiu tanto em segurança” –, revela uma preocupação urgente, ainda mais com a aproximação do ano eleitoral. O sentimento de prestação de contas, mesmo vago, é positivo, mas a verdadeira resposta que a sociedade demanda é por resultado efetivo, ou seja, redução da violência.

Diante de uma situação como a que vivemos, qualquer exagero retórico ou autopromocional do governo corre o risco de não resistir 24 horas para ser desmoralizado pelos fatos.