Senadores do Ceará falam (ou calam) sobre viagem de Renan Calheiros - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Senadores do Ceará falam (ou calam) sobre viagem de Renan Calheiros

Por Wanfil em Política

09 de julho de 2013

Conforme registrado no post Perguntar não ofende, enviei aos três representantes do Ceará no Senado Federal as seguintes questões:

— Senador, o senhor concorda com o uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira para viagens particulares do presidente Senado, Renan Calheiros (PMDB)? Para o senhor, essa prática não está em dissonância com o clamor das ruas?

Questão de fundo

O Ceará no Senado: Renan e Eunício (Agência Brasil); Renan e Inácio (Agência Senado); Renan e Pimentel (Agência Brasil)

O Ceará no Senado: Renan e Eunício (Agência Brasil); Renan e Inácio (Agência Senado); Renan e Pimentel (Agência Brasil)

Antes de publicar as respostas, um breve esclarecimento. O caso em evidência chama a atenção, como convém aos escândalos, mas resulta, sobretudo, de uma cultura. No Brasil, cargo público pode servir para a obtenção de vantagens pessoais, para o enriquecimento ilícito e para o usufruto de mordomias.

No fundo, a questão em debate é a postura ética da classe política como um todo, o corporativismo dos seus membros e a eterna confusão entre o público e o privado.

A essa altura, a viagem de Renan Calheiros configura oportunidade preciosa para a manifestação daqueles que repudiam essas práticas. Mesmo os que não as repudiam de todo, poderiam acenar que entenderam o recado das ruas. Sendo assim, vamos ao que interessa.

As respostas

Senador Inácio Arruda (PC do B) — “Defendo que toda viagem de interesse particular deve ser feita em aviões comerciais. E essa regra serve para qualquer pessoa do Poder Executivo, do Poder Legislativo e do Poder Judiciário. Avião oficial só para as viagens oficiais.”

Senador Eunício Oliveira (PMDB) — Sem resposta.

Senador José Pimentel (PT) — Por meio da assessoria informou que “não se manifestará sobre esse assunto” e que “cabe aos órgãos de controle avaliar a questão”.

O silêncio e a cautela

Como vimos, o senador Inácio Arruda foi o único que se pronunciou sobre fato, de forma compreensivelmente cautelosa. Não fez juízo de valor, mas deixou clara uma posição. Acredito que o senador não tenha considerado a presidente Dilma na lista de autoridades que deveriam ser impedidas de usar transporte oficial para fins particulares. É que presidentes representam o próprio Estado e, nessa condição, não podem se separar as figuras públicas e pessoal.

Quanto aos demais, dizer o quê? Pimentel está empenhado demais em suas atividades para perder tempo com isso.

Eunício não fala, provavelmente por achar que este espaço não está a altura da sua importância, embora muitos de seus eleitores vez por outra apareçam por aqui. Nesse caso, eu até poderia recorrer ao famoso ditado “quem cala, consente”, mas deixo para o leitor a avaliação sobre o silêncio como resposta. Sabe como é, quando é tempo de eleição, alguns políticos são falantes e acessíveis que é uma beleza, mas em alguns momentos, por motivos inescrutáveis, parecem estar sempre muito ocupados para tratar de certos assuntos.

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Senadores do Ceará falam (ou calam) sobre viagem de Renan Calheiros

Por Wanfil em Política

09 de julho de 2013

Conforme registrado no post Perguntar não ofende, enviei aos três representantes do Ceará no Senado Federal as seguintes questões:

— Senador, o senhor concorda com o uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira para viagens particulares do presidente Senado, Renan Calheiros (PMDB)? Para o senhor, essa prática não está em dissonância com o clamor das ruas?

Questão de fundo

O Ceará no Senado: Renan e Eunício (Agência Brasil); Renan e Inácio (Agência Senado); Renan e Pimentel (Agência Brasil)

O Ceará no Senado: Renan e Eunício (Agência Brasil); Renan e Inácio (Agência Senado); Renan e Pimentel (Agência Brasil)

Antes de publicar as respostas, um breve esclarecimento. O caso em evidência chama a atenção, como convém aos escândalos, mas resulta, sobretudo, de uma cultura. No Brasil, cargo público pode servir para a obtenção de vantagens pessoais, para o enriquecimento ilícito e para o usufruto de mordomias.

No fundo, a questão em debate é a postura ética da classe política como um todo, o corporativismo dos seus membros e a eterna confusão entre o público e o privado.

A essa altura, a viagem de Renan Calheiros configura oportunidade preciosa para a manifestação daqueles que repudiam essas práticas. Mesmo os que não as repudiam de todo, poderiam acenar que entenderam o recado das ruas. Sendo assim, vamos ao que interessa.

As respostas

Senador Inácio Arruda (PC do B) — “Defendo que toda viagem de interesse particular deve ser feita em aviões comerciais. E essa regra serve para qualquer pessoa do Poder Executivo, do Poder Legislativo e do Poder Judiciário. Avião oficial só para as viagens oficiais.”

Senador Eunício Oliveira (PMDB) — Sem resposta.

Senador José Pimentel (PT) — Por meio da assessoria informou que “não se manifestará sobre esse assunto” e que “cabe aos órgãos de controle avaliar a questão”.

O silêncio e a cautela

Como vimos, o senador Inácio Arruda foi o único que se pronunciou sobre fato, de forma compreensivelmente cautelosa. Não fez juízo de valor, mas deixou clara uma posição. Acredito que o senador não tenha considerado a presidente Dilma na lista de autoridades que deveriam ser impedidas de usar transporte oficial para fins particulares. É que presidentes representam o próprio Estado e, nessa condição, não podem se separar as figuras públicas e pessoal.

Quanto aos demais, dizer o quê? Pimentel está empenhado demais em suas atividades para perder tempo com isso.

Eunício não fala, provavelmente por achar que este espaço não está a altura da sua importância, embora muitos de seus eleitores vez por outra apareçam por aqui. Nesse caso, eu até poderia recorrer ao famoso ditado “quem cala, consente”, mas deixo para o leitor a avaliação sobre o silêncio como resposta. Sabe como é, quando é tempo de eleição, alguns políticos são falantes e acessíveis que é uma beleza, mas em alguns momentos, por motivos inescrutáveis, parecem estar sempre muito ocupados para tratar de certos assuntos.