Refinaria no Ceará: novas formas para uma velha promessa - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Refinaria no Ceará: novas formas para uma velha promessa

Por Wanfil em Ceará, Política

13 de junho de 2013

O desejo de ver instalada uma refinaria no Ceará é uma aspiração legítima, oportuna e viável, todos sabem. Especialmente quando o Estado fez investimentos que o colocam em condições de recebê-la, como, por exemplo, na área portuária. E mais ainda quando essa aspiração se torna promessa de campanha dos vencedores da eleição presidencial, casos de Lula e Dilma. Nesse processo, a obra se torna uma dívida para o governo que assume, com o povo cearense no papel de credor.

Ocorre que essa promessa tem sido devidamente renovada eleição após eleição e nada de refinaria. A fiadora da obra é a Petrobras, empresa mista controlada pelo governo, e que endossou as promessas de Lula e Dilma. No entanto, o início da construção é permanentemente adiado, de forma que fica cada vez mais difícil convencer o mais ingênuo e crédulo eleitor de que ele não foi enganado e de que ainda deve acreditar em novas promessas feitas por quem não cumpriu a palavra.

Factóides

Assim, aos que se beneficiaram dessa promissão com votações recordes, e diante da constatação de que o empreendimento até agora não passa de conversa, resta o seguinte desfio: Como salvar as aparências e ainda renovar as esperanças no compromisso de construir a refinaria? A resposta é  simples: criando factóides que tenham um mínimo de verossimilhança com o que possa parecer uma solução, ainda que nada seja resolvido. No caso em questão, duas ações simultâneas cumprem essa tarefa.

Primeiro, aliados do governo federal no estado montam uma campanha devidamente custeada com dinheiro público para “pressionar” a presidente Dilma. Os sócios locais da promessa não cumprida então reaparecem como valentes defensores dos interesses do Estado.

Em seguida, a Petrobras anuncia a parceria com uma empresa sul-coreana para viabilizar a construção da refinaria. Na verdade, não é mais do que uma carta de intenções para a realização de estudos sobre uma possível parceria, com vistas a um empreendimento de menor capacidade produtiva ao que foi anunciado no passado.

Agora é aguardar as entrevistas em tom vitorioso, com números fabulosos a respeito de uma produção que simplesmente não existe, dos milhares de empregos criados só no papel, da pujança econômica que está bem ali quase ao alcance das mão, no porvir que, apesar de tanto anúncio, nunca chega.

Foi exatamente assim quando Lula veio no penúltimo dia de mandato lançar a pedra fundamental da refinaria. Aplausos não faltaram. E pedidos de mais votos, claro. Obra que é bom…

Malandragem

No final, isso tudo é mais ou menos como o devedor que garante a quitação da dívida ao credor, informando que  fará uma entrevista de emprego ou um concurso público. Tudo resolvido? Claro que não. Mas o malandro pode conseguir mais um tempo, desde que haja um otário para acreditar nele.

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Refinaria no Ceará: novas formas para uma velha promessa

Por Wanfil em Ceará, Política

13 de junho de 2013

O desejo de ver instalada uma refinaria no Ceará é uma aspiração legítima, oportuna e viável, todos sabem. Especialmente quando o Estado fez investimentos que o colocam em condições de recebê-la, como, por exemplo, na área portuária. E mais ainda quando essa aspiração se torna promessa de campanha dos vencedores da eleição presidencial, casos de Lula e Dilma. Nesse processo, a obra se torna uma dívida para o governo que assume, com o povo cearense no papel de credor.

Ocorre que essa promessa tem sido devidamente renovada eleição após eleição e nada de refinaria. A fiadora da obra é a Petrobras, empresa mista controlada pelo governo, e que endossou as promessas de Lula e Dilma. No entanto, o início da construção é permanentemente adiado, de forma que fica cada vez mais difícil convencer o mais ingênuo e crédulo eleitor de que ele não foi enganado e de que ainda deve acreditar em novas promessas feitas por quem não cumpriu a palavra.

Factóides

Assim, aos que se beneficiaram dessa promissão com votações recordes, e diante da constatação de que o empreendimento até agora não passa de conversa, resta o seguinte desfio: Como salvar as aparências e ainda renovar as esperanças no compromisso de construir a refinaria? A resposta é  simples: criando factóides que tenham um mínimo de verossimilhança com o que possa parecer uma solução, ainda que nada seja resolvido. No caso em questão, duas ações simultâneas cumprem essa tarefa.

Primeiro, aliados do governo federal no estado montam uma campanha devidamente custeada com dinheiro público para “pressionar” a presidente Dilma. Os sócios locais da promessa não cumprida então reaparecem como valentes defensores dos interesses do Estado.

Em seguida, a Petrobras anuncia a parceria com uma empresa sul-coreana para viabilizar a construção da refinaria. Na verdade, não é mais do que uma carta de intenções para a realização de estudos sobre uma possível parceria, com vistas a um empreendimento de menor capacidade produtiva ao que foi anunciado no passado.

Agora é aguardar as entrevistas em tom vitorioso, com números fabulosos a respeito de uma produção que simplesmente não existe, dos milhares de empregos criados só no papel, da pujança econômica que está bem ali quase ao alcance das mão, no porvir que, apesar de tanto anúncio, nunca chega.

Foi exatamente assim quando Lula veio no penúltimo dia de mandato lançar a pedra fundamental da refinaria. Aplausos não faltaram. E pedidos de mais votos, claro. Obra que é bom…

Malandragem

No final, isso tudo é mais ou menos como o devedor que garante a quitação da dívida ao credor, informando que  fará uma entrevista de emprego ou um concurso público. Tudo resolvido? Claro que não. Mas o malandro pode conseguir mais um tempo, desde que haja um otário para acreditar nele.