Quando a cobrança de atraso chega com atraso... - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Quando a cobrança de atraso chega com atraso…

Por Wanfil em Política

16 de Maio de 2017

Com atraso de uma década, obras federais inacabadas e promessas não cumpridas finalmente são cobradas no Ceará

A troca de comando no governo federal ensejou, naturalmente, mudanças nas atuações de algumas autoridades estaduais. Para além das diferenças partidárias, nota-se o esforço na construção de uma nova imagem para ex-aliados do Planalto. Vejamos demonstrações recentes:

1 – O presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT), mobiliza parlamentares para pressionar o governo federal na transposição do São Francisco, caso o impasse jurídico que hoje atrasa sua conclusão no Ceará não seja resolvido;

2 – O presidente da Câmara de vereadores de Fortaleza, Salmito Filho (PDT), cobra autorização federal para que a Prefeitura de Fortaleza possa contrair empréstimo internacional;

3 – Na mesma toada, o governador Camilo Santana (PT) tem apontado falhas do governo federal, como falta de ações de fronteiras, como causas de agravamento na segurança pública.

Nada contra as cobranças, muito pelo contrário. Aliás, uma das críticas que sempre fiz aqui foi a subserviência com que os então aliados tudo aceitavam nessa relação, até humilhações, em nome de uma unidade que pouco rendeu aos cearenses. Com o impeachment, isso parece ter mudado um pouco e, nesse sentido, fez bem aos nossos representantes.

Basta reparar que só agora na oposição Zezinho descobriu que a entrega da transposição, sistematicamente adiada desde a década passada, está atrasada. Salmito, que nunca cobrou os governos Lula e Dilma pelo golpe da refinaria, hoje se posiciona sem receios, embora esqueça que a autorização para empréstimos ficou mais difícil por causa do rombo deixado por essas gestões, que tinham seu apoio. O mesmo vale para o governo estadual: faz muito tempo que a segurança saiu de controle.

Como ninguém admite publicamente tal mudança, fica parecendo que todos sempre foram de oposição e que problemas como insegurança, falta de investimentos e atrasos começaram – ou agravaram-se – somente agora. Na verdade, se os seus grupos políticos tivessem colocado o Ceará acima das conveniências partidárias, sem o receio de incomodar aliados em Brasília, talvez ninguém estranhasse agora tamanha disposição.

Isso não invalida algumas dessas e outras cobranças, mas qualifica a atuação de quem as faz mais por conveniência do que por dever de representação.

 

*Texto baseado no comentário que fiz para a coluna Política, na Tribuna Band News, dia 18 passado, publicado a pedidos de ouvintes.

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Quando a cobrança de atraso chega com atraso…

Por Wanfil em Política

16 de Maio de 2017

Com atraso de uma década, obras federais inacabadas e promessas não cumpridas finalmente são cobradas no Ceará

A troca de comando no governo federal ensejou, naturalmente, mudanças nas atuações de algumas autoridades estaduais. Para além das diferenças partidárias, nota-se o esforço na construção de uma nova imagem para ex-aliados do Planalto. Vejamos demonstrações recentes:

1 – O presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT), mobiliza parlamentares para pressionar o governo federal na transposição do São Francisco, caso o impasse jurídico que hoje atrasa sua conclusão no Ceará não seja resolvido;

2 – O presidente da Câmara de vereadores de Fortaleza, Salmito Filho (PDT), cobra autorização federal para que a Prefeitura de Fortaleza possa contrair empréstimo internacional;

3 – Na mesma toada, o governador Camilo Santana (PT) tem apontado falhas do governo federal, como falta de ações de fronteiras, como causas de agravamento na segurança pública.

Nada contra as cobranças, muito pelo contrário. Aliás, uma das críticas que sempre fiz aqui foi a subserviência com que os então aliados tudo aceitavam nessa relação, até humilhações, em nome de uma unidade que pouco rendeu aos cearenses. Com o impeachment, isso parece ter mudado um pouco e, nesse sentido, fez bem aos nossos representantes.

Basta reparar que só agora na oposição Zezinho descobriu que a entrega da transposição, sistematicamente adiada desde a década passada, está atrasada. Salmito, que nunca cobrou os governos Lula e Dilma pelo golpe da refinaria, hoje se posiciona sem receios, embora esqueça que a autorização para empréstimos ficou mais difícil por causa do rombo deixado por essas gestões, que tinham seu apoio. O mesmo vale para o governo estadual: faz muito tempo que a segurança saiu de controle.

Como ninguém admite publicamente tal mudança, fica parecendo que todos sempre foram de oposição e que problemas como insegurança, falta de investimentos e atrasos começaram – ou agravaram-se – somente agora. Na verdade, se os seus grupos políticos tivessem colocado o Ceará acima das conveniências partidárias, sem o receio de incomodar aliados em Brasília, talvez ninguém estranhasse agora tamanha disposição.

Isso não invalida algumas dessas e outras cobranças, mas qualifica a atuação de quem as faz mais por conveniência do que por dever de representação.

 

*Texto baseado no comentário que fiz para a coluna Política, na Tribuna Band News, dia 18 passado, publicado a pedidos de ouvintes.