Por que tantos ainda aplaudem os criminosos do Mensalão? 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Por que tantos ainda aplaudem os criminosos do Mensalão?

Por Wanfil em Política

24 de outubro de 2012

Depois do Mensalão, o pior cego é aquele que não quer ver. Simples assim. Mas por que eles não querem ver?

O julgamento do Mensalão do Supremo Tribunal Federal resultou na condenação de José Dirceu e José Genoíno, líderes e símbolos do Partido dos Trabalhadores e no governo Lula da Silva, por crimes de corrupção e formação de quadrilha, entre outros.

Isso não significa que o PT seja todo composto de corruptos e nem que o governo Lula tenha sido integralmente operado por membros da quadrilha. Mas para que isso fique claro, é necessário que esses criminosos – e os que os defendem – sejam expulsos do PT e afastados do governo Dilma (Genoíno pediu para sair, não foi demitido). Sem isso, resta a conclusão incontornável de que nessas instâncias os que não são corruptos e quadrilheiros se deixam, por motivos diversos, liderar por eles.

Fragilidade emocional, instinto de sobrevivência e fé cega

Como isso acontece? Que forças impelem algumas pessoas a fecharem os olhos diante dos fatos mais cristalinos? Não falo das massas desprovidas de formação e informação, historicamente manipuladas pelo populismo, mas de setores com acesso ao noticiário e com capacidade analítica.

Existe, naturalmente, um componente psicológico nessa disposição à cegueira. O sujeito que empenhou sentimentos na crença de que estava no lado certo, que apostou em figuras que representariam valores elevadíssimos, agora resiste em aceitar que foi tapeado, que perdeu tempo e que tudo não passou de um embuste. Prefere viver no mundo que idealizou – e onde tudo fazia sentido – a encarar o mundo real.

Há também o instinto de sobrevivência. É quando a pessoa atrela suas opções ideológicas e partidárias ao seu trabalho e à sua própria subsistência, sendo-lhe temível o desmonte da estrutura sobre a qual ela se equilibra financeira e profisionalmente. Esse tipo geralmente é aguerrido, pois defende não apenas os chefes, mas sobretudo seus interesses pessoais mais imediatos.

Por último, tem a fé. Pode ser a crença no mito do salvador da pátria ou na ideologia socialista, tanto faz. A fé é auto confirmatória já dizia Émile Durkheim, ou seja, é uma adesão dispensa elementos comprobatórios. Assim, se para o militante fanático o Mensalão não existiu, não adianta discutir.

A comodidade de ser indiferente aos fatos

Isso tudo me lembra o filme A Queda – As Últimas Horas de Hitler, baseado no relato Traudl Junge, secretária de Adolf Hitler durante a 2ª Guerra Mundial. A figura do Füher fascinava a jovem inexperiente que o idolatrava. No entanto, na cena final, a própria secretária, já idosa, afirma não ter certeza se sua indiferença em relação ao crimes do governo era apenas ingenuidade, pois, no fundo, feito um autoexame mais distanciado, ela desconfia que deliberadamente optou por não ver o que estava à sua volta como forma de proteção e comodidade.

AVISO

Esse post não tem propósito eleitoral. As críticas aqui feitas ao PT ou aos seus líderes não significam concordância com candidaturas de outras siglas. Em Fortaleza, aliás, cumpre lembrar que Roberto Cláudio e Cid Gomes, do PSB, foram e são tão aliados de José Dirceu e Lula quanto os petistas Elmano de Freitas e Luizianne Lins. Nesse caso, qualquer alusão feita ao Mensalão com fins eleitoreiros não passa do sujo falando do mal lavado.

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Por que tantos ainda aplaudem os criminosos do Mensalão?

Por Wanfil em Política

24 de outubro de 2012

Depois do Mensalão, o pior cego é aquele que não quer ver. Simples assim. Mas por que eles não querem ver?

O julgamento do Mensalão do Supremo Tribunal Federal resultou na condenação de José Dirceu e José Genoíno, líderes e símbolos do Partido dos Trabalhadores e no governo Lula da Silva, por crimes de corrupção e formação de quadrilha, entre outros.

Isso não significa que o PT seja todo composto de corruptos e nem que o governo Lula tenha sido integralmente operado por membros da quadrilha. Mas para que isso fique claro, é necessário que esses criminosos – e os que os defendem – sejam expulsos do PT e afastados do governo Dilma (Genoíno pediu para sair, não foi demitido). Sem isso, resta a conclusão incontornável de que nessas instâncias os que não são corruptos e quadrilheiros se deixam, por motivos diversos, liderar por eles.

Fragilidade emocional, instinto de sobrevivência e fé cega

Como isso acontece? Que forças impelem algumas pessoas a fecharem os olhos diante dos fatos mais cristalinos? Não falo das massas desprovidas de formação e informação, historicamente manipuladas pelo populismo, mas de setores com acesso ao noticiário e com capacidade analítica.

Existe, naturalmente, um componente psicológico nessa disposição à cegueira. O sujeito que empenhou sentimentos na crença de que estava no lado certo, que apostou em figuras que representariam valores elevadíssimos, agora resiste em aceitar que foi tapeado, que perdeu tempo e que tudo não passou de um embuste. Prefere viver no mundo que idealizou – e onde tudo fazia sentido – a encarar o mundo real.

Há também o instinto de sobrevivência. É quando a pessoa atrela suas opções ideológicas e partidárias ao seu trabalho e à sua própria subsistência, sendo-lhe temível o desmonte da estrutura sobre a qual ela se equilibra financeira e profisionalmente. Esse tipo geralmente é aguerrido, pois defende não apenas os chefes, mas sobretudo seus interesses pessoais mais imediatos.

Por último, tem a fé. Pode ser a crença no mito do salvador da pátria ou na ideologia socialista, tanto faz. A fé é auto confirmatória já dizia Émile Durkheim, ou seja, é uma adesão dispensa elementos comprobatórios. Assim, se para o militante fanático o Mensalão não existiu, não adianta discutir.

A comodidade de ser indiferente aos fatos

Isso tudo me lembra o filme A Queda – As Últimas Horas de Hitler, baseado no relato Traudl Junge, secretária de Adolf Hitler durante a 2ª Guerra Mundial. A figura do Füher fascinava a jovem inexperiente que o idolatrava. No entanto, na cena final, a própria secretária, já idosa, afirma não ter certeza se sua indiferença em relação ao crimes do governo era apenas ingenuidade, pois, no fundo, feito um autoexame mais distanciado, ela desconfia que deliberadamente optou por não ver o que estava à sua volta como forma de proteção e comodidade.

AVISO

Esse post não tem propósito eleitoral. As críticas aqui feitas ao PT ou aos seus líderes não significam concordância com candidaturas de outras siglas. Em Fortaleza, aliás, cumpre lembrar que Roberto Cláudio e Cid Gomes, do PSB, foram e são tão aliados de José Dirceu e Lula quanto os petistas Elmano de Freitas e Luizianne Lins. Nesse caso, qualquer alusão feita ao Mensalão com fins eleitoreiros não passa do sujo falando do mal lavado.