O preço da governabilidade no Ceará é ter um Ferreira Gomes no secretariado - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O preço da governabilidade no Ceará é ter um Ferreira Gomes no secretariado

Por Wanfil em Política

28 de julho de 2015

O governador Camilo Santana nomeou Lúcio Ferreira Gomes para substituir Ivo Ferreira Gomes no comando da Secretaria das Cidades do Ceará. Ambos são irmãos dos ex-governadores Ciro Ferreira Gomes e Cid Ferreira Gomes, este último, padrinho político do governador Camilo Santana.

Reparação
A troca de um Ferreira Gomes por outro na secretaria se deu em circunstâncias que deixam no ar vestígios de imposição. Não que o governador tenha sido obrigado a nomear o parente do responsável por sua eleição, mas é inegável que diante da insatisfação de Ivo, que saiu criticando a falta de recursos em sua passagem pela secretaria, a escolha parece uma espécie de reparação.

Cota
Camilo tem buscado criar uma marca própria como gestor. Dialogou com policiais, dispensou a foto oficial e não quer as caríssimas Hilux como viaturas. O isolamento de Danilo Serpa, nome de confiança de Cid, na equipe de Camilo e a falta de condições para Ivo nas Cidades, deram a impressão de que o novo governador, como é comum acontecer, tem seu time de conselheiros. Rapidamente surgiram dúvidas sobre o relacionamento entre Cid e Camilo. Restava ver quem assumiria o posto de Ivo. E aí prevaleceu o sobrenome Ferreira Gomes.

Note-se: ainda que não seja assim ou que todos neguem, o entendimento preponderante no meio político é que a escolha foi um tributo, uma forma de reconhecer quem realmente lidera o processo político na atual configuração do poder no Ceará. É claro que Camilo não ganharia nada rompendo ou criando rusgas com seus parceiros da família Gomes, mas resta evidente que existe um simbolismo na nomeação de Lúcio Ferreira Gomes. Não se trata das famosas cotas partidárias, em que aliados indicam nomes para a administração. São cotas de parentesco.

Refém
Se por um lado essa ciranda apazigua qualquer ruído entre o grupo comandado por Cid e Ciro, por outro não pega bem para nenhum dos lados.

Para os Ferreira Gomes fica a imagem que tanto os incomoda, da oligarquia que não consegue largar o Estado. Para o governo Camilo, ficam arranhadas a autoridade e a liderança, como se estivesse refém de terceiros.

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O preço da governabilidade no Ceará é ter um Ferreira Gomes no secretariado

Por Wanfil em Política

28 de julho de 2015

O governador Camilo Santana nomeou Lúcio Ferreira Gomes para substituir Ivo Ferreira Gomes no comando da Secretaria das Cidades do Ceará. Ambos são irmãos dos ex-governadores Ciro Ferreira Gomes e Cid Ferreira Gomes, este último, padrinho político do governador Camilo Santana.

Reparação
A troca de um Ferreira Gomes por outro na secretaria se deu em circunstâncias que deixam no ar vestígios de imposição. Não que o governador tenha sido obrigado a nomear o parente do responsável por sua eleição, mas é inegável que diante da insatisfação de Ivo, que saiu criticando a falta de recursos em sua passagem pela secretaria, a escolha parece uma espécie de reparação.

Cota
Camilo tem buscado criar uma marca própria como gestor. Dialogou com policiais, dispensou a foto oficial e não quer as caríssimas Hilux como viaturas. O isolamento de Danilo Serpa, nome de confiança de Cid, na equipe de Camilo e a falta de condições para Ivo nas Cidades, deram a impressão de que o novo governador, como é comum acontecer, tem seu time de conselheiros. Rapidamente surgiram dúvidas sobre o relacionamento entre Cid e Camilo. Restava ver quem assumiria o posto de Ivo. E aí prevaleceu o sobrenome Ferreira Gomes.

Note-se: ainda que não seja assim ou que todos neguem, o entendimento preponderante no meio político é que a escolha foi um tributo, uma forma de reconhecer quem realmente lidera o processo político na atual configuração do poder no Ceará. É claro que Camilo não ganharia nada rompendo ou criando rusgas com seus parceiros da família Gomes, mas resta evidente que existe um simbolismo na nomeação de Lúcio Ferreira Gomes. Não se trata das famosas cotas partidárias, em que aliados indicam nomes para a administração. São cotas de parentesco.

Refém
Se por um lado essa ciranda apazigua qualquer ruído entre o grupo comandado por Cid e Ciro, por outro não pega bem para nenhum dos lados.

Para os Ferreira Gomes fica a imagem que tanto os incomoda, da oligarquia que não consegue largar o Estado. Para o governo Camilo, ficam arranhadas a autoridade e a liderança, como se estivesse refém de terceiros.