O impeachment de Camilo e a natureza das coisas - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O impeachment de Camilo e a natureza das coisas

Por Wanfil em Política

25 de Maio de 2017

A oposição pediu o impeachment do governador Camilo Santana (PT) com base nas revelações feitas pelo delator Wesley Batista, da JBS. Tecnicamente não faz muito sentido, pois os crimes supostamente cometidos, o pagamento de R$ 110 milhões em créditos de incentivo às vésperas da eleição para uma empresa que doou R$ 20 milhões logo em seguida, por mais suspeitos que sejam, teriam acontecido na gestão do ex-governador Cid Gomes.

Com efeito, esse não é o melhor instrumento para o episódio. Na verdade, até facilita a vida da base aliada. Seria melhor convidar ou convocar os secretários estaduais envolvidos nos episódios citados para que estes falem sobre o caso. Mas a natureza da oposição é focar na atual gestão.

Como era de se esperar, o presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque (PDT), aliado de Camilo e também beneficiário das doações da JBS, rejeitou o pedido de impeachment. Não houve nem sequer suspense. Independente de provas, é da natureza do legislativo estadual proteger, em vez de fiscalizar, qualquer governo (com as raras exceções que confirmam a regra), mesmo nos casos mais gritantes. Não haverá CPI para investigar incentivos fiscais concedidos a doadores de campanha ou coisa do gênero. Já faz uma semana que as delações chegaram ao Ceará e nada…

O sapo pula, o passarinho voa, a chuva cai, a gravidade puxa e o parlamento cearense obedece ao Executivo. É a natureza das coisas. Resta aos cearenses esperarem que investigadores de fora, de preferência de Curitiba, passem essa história a limpo.

Publicidade aqui

O impeachment de Camilo e a natureza das coisas

Por Wanfil em Política

25 de Maio de 2017

A oposição pediu o impeachment do governador Camilo Santana (PT) com base nas revelações feitas pelo delator Wesley Batista, da JBS. Tecnicamente não faz muito sentido, pois os crimes supostamente cometidos, o pagamento de R$ 110 milhões em créditos de incentivo às vésperas da eleição para uma empresa que doou R$ 20 milhões logo em seguida, por mais suspeitos que sejam, teriam acontecido na gestão do ex-governador Cid Gomes.

Com efeito, esse não é o melhor instrumento para o episódio. Na verdade, até facilita a vida da base aliada. Seria melhor convidar ou convocar os secretários estaduais envolvidos nos episódios citados para que estes falem sobre o caso. Mas a natureza da oposição é focar na atual gestão.

Como era de se esperar, o presidente da Assembleia, Zezinho Albuquerque (PDT), aliado de Camilo e também beneficiário das doações da JBS, rejeitou o pedido de impeachment. Não houve nem sequer suspense. Independente de provas, é da natureza do legislativo estadual proteger, em vez de fiscalizar, qualquer governo (com as raras exceções que confirmam a regra), mesmo nos casos mais gritantes. Não haverá CPI para investigar incentivos fiscais concedidos a doadores de campanha ou coisa do gênero. Já faz uma semana que as delações chegaram ao Ceará e nada…

O sapo pula, o passarinho voa, a chuva cai, a gravidade puxa e o parlamento cearense obedece ao Executivo. É a natureza das coisas. Resta aos cearenses esperarem que investigadores de fora, de preferência de Curitiba, passem essa história a limpo.