Muito além dos protestos - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Muito além dos protestos

Por Wanfil em Política

17 de agosto de 2015

Mais uma vez centenas de milhares de pessoas protestaram contra o governo Dilma em todo o país. Não obstante as polêmicas sobre o tamanho da mobilização – se maiores, iguais ou menores do que as anteriores –, o que importa para os agentes políticos no Brasil é o fato de que essas multidões que saíram às ruas são uma pequena amostra da insatisfação geral registrada por pesquisas de opinião, e que mostra que o problema, para o governo, vai muito além do tamanho ou das camadas sociais ali representadas, notadamente de classe média, chegando a dois pontos elementares: a quebra na relação de confiança entre sociedade e governo e a persistência com que os protestos se repetem, que indica um estado de ânimo disposto a se prolongar no tempo.

Processo
Como esta foi a terceira manifestação somente em 2015 – sempre com boa presença de público –, fica cada vez mais evidente que não se trata de um fenômeno pontual ou restrito, mas de um sentimento constante que se irradia por todo o país, um processo contínuo que se desenvolve sem contrapontos capazes de contê-lo.

O máximo que o governo conseguiu até aqui para mostrar alguma reação foi o apoio provisório do senador Renan Calheiros (PMDB), conchavo que fez do alagoano um dos alvos nos protestos de domingo. Quando o apoio a uma gestão é prejudicial à imagem de alguém como Renan, é sinal de que se chegou ao fundo do poço.

Instinto de sobrevivência
Em ambientes assim, com o governo desacreditado, o instinto de autopreservação de políticos em geral é buscar distância dele e evitar críticas aos movimentos de contestação, ou até mesmo apoiá-los. No que diz respeito a aliados, não se trata de um movimento brusco, feito às pressas, pois o governo ainda tem as suas armas, especialmente no que diz respeito a cargos e verbas.

Por isso, tudo é feito por etapas. As declarações de apoio começam a ficar mais raras, depois críticas começam a aparecer, entremeadas com sugestões ambíguas, e por fim o silêncio passa a predominar.

Em meados de julho passado, governadores do Nordeste em busca de verbas para amenizar os efeitos do ajuste fiscal, assinaram uma carta contra o impeachment de Dilma. O que dizem agora? O tema definitivamente se consolidou como pauta dos manifestantes. Até o momento, nenhum dos signatários veio a público repudiar os protestos. Inteligentes, não darão murro em ponta de faca. Pelo menos, não de graça.

Collor
As primeiras denúncias de corrupção contra o governo do ex-presidente Collor surgiram no início de seu mandato, em junho de 1990. O impeachment foi aprovado em setembro de 1992. Não quer dizer que a história irá se repetir (os protestos naquele período começaram mais tarde), mas é o parâmetro mais próximo que se tem a servir de referência para comprar com a situação política atual. E isso, por si só, diz muito.

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Muito além dos protestos

Por Wanfil em Política

17 de agosto de 2015

Mais uma vez centenas de milhares de pessoas protestaram contra o governo Dilma em todo o país. Não obstante as polêmicas sobre o tamanho da mobilização – se maiores, iguais ou menores do que as anteriores –, o que importa para os agentes políticos no Brasil é o fato de que essas multidões que saíram às ruas são uma pequena amostra da insatisfação geral registrada por pesquisas de opinião, e que mostra que o problema, para o governo, vai muito além do tamanho ou das camadas sociais ali representadas, notadamente de classe média, chegando a dois pontos elementares: a quebra na relação de confiança entre sociedade e governo e a persistência com que os protestos se repetem, que indica um estado de ânimo disposto a se prolongar no tempo.

Processo
Como esta foi a terceira manifestação somente em 2015 – sempre com boa presença de público –, fica cada vez mais evidente que não se trata de um fenômeno pontual ou restrito, mas de um sentimento constante que se irradia por todo o país, um processo contínuo que se desenvolve sem contrapontos capazes de contê-lo.

O máximo que o governo conseguiu até aqui para mostrar alguma reação foi o apoio provisório do senador Renan Calheiros (PMDB), conchavo que fez do alagoano um dos alvos nos protestos de domingo. Quando o apoio a uma gestão é prejudicial à imagem de alguém como Renan, é sinal de que se chegou ao fundo do poço.

Instinto de sobrevivência
Em ambientes assim, com o governo desacreditado, o instinto de autopreservação de políticos em geral é buscar distância dele e evitar críticas aos movimentos de contestação, ou até mesmo apoiá-los. No que diz respeito a aliados, não se trata de um movimento brusco, feito às pressas, pois o governo ainda tem as suas armas, especialmente no que diz respeito a cargos e verbas.

Por isso, tudo é feito por etapas. As declarações de apoio começam a ficar mais raras, depois críticas começam a aparecer, entremeadas com sugestões ambíguas, e por fim o silêncio passa a predominar.

Em meados de julho passado, governadores do Nordeste em busca de verbas para amenizar os efeitos do ajuste fiscal, assinaram uma carta contra o impeachment de Dilma. O que dizem agora? O tema definitivamente se consolidou como pauta dos manifestantes. Até o momento, nenhum dos signatários veio a público repudiar os protestos. Inteligentes, não darão murro em ponta de faca. Pelo menos, não de graça.

Collor
As primeiras denúncias de corrupção contra o governo do ex-presidente Collor surgiram no início de seu mandato, em junho de 1990. O impeachment foi aprovado em setembro de 1992. Não quer dizer que a história irá se repetir (os protestos naquele período começaram mais tarde), mas é o parâmetro mais próximo que se tem a servir de referência para comprar com a situação política atual. E isso, por si só, diz muito.