Ferreira Gomes: o fim de um ciclo? - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Ferreira Gomes: o fim de um ciclo?

Por Wanfil em Política

20 de Abril de 2016

A História mostra que ciclos de hegemonia política nascem, crescem e se desgastam para dar vez a outros ciclos. Também ensina que, para ter alguma longevidade, é comum que os protagonistas locais desses processos busquem associação com projetos nacionais. Assim, nos últimos 30 anos, o grupo liderado pelos irmãos Ciro e Cid Gomes atuou como parceiro de outras forças políticas no Ceará até tornar-se hegemônico em 2006, com a primeira eleição de Cid ao governo estadual, em aliança com Lula e Dilma, condição que preserva até os dias atuais.

Expectativa de poder
Entretanto, como o impeachment de Dilma deixa tudo demasiadamente incerto, a ansiedade dos atores políticos com o cenário de curto prazo aumenta. Para a maioria desses, digamos assim,  profissionais da política, buscar abrigo junto a quem oferece expectativa de poder não é questão de ideal, mas de sobrevivência. Do mesmo modo que aderiram aos governos do PT esperando em troca benesses, podem facilmente aderir a um governo do PMDB para manter suas posições. É repugnante, mas é assim que funciona. Nesse jogo, não há vítimas inocentes.

Cargos e verbas
Mudanças no cenário nacional costumam a induzir alterações nos estados. É real a preocupação de muitos com o fato de que a proximidade com Cid e Ciro Gomes poderá ser prejudicial na hora de pleitear cargos e verbas numa eventual gestão Michel Temer. Assim, partidos, prefeitos e deputados começam a construir pontes de interlocução com o PMDB estadual. O movimento é visível, basta um rápido passeio na Assembleia Legislativa para constatar.

O rio corre para o mar
Nada disso é novidade. Já foram hegemônicos no Ceará os coronéis do velho PDS, o próprio PMDB e depois o PDSB de Tasso. Em todos os casos, boa parte das bases de um grupo migrou para seus substitutos. O rio corre para o mar, diz o ditado. Com a chegada do PT ao governo federal, os Ferreira Gomes conquistaram o comando político no estado. Deram grandes votações a Lula e Dilma, fizeram um governador, prefeitos e bancadas majoritárias. Agora, novas mudanças podem acontecer.

Nova hegemonia
Será o fim da hegemonia liderada por Cid e Ciro? Difícil dizer. Sempre chega o momento em que, a liderança fadiga sob a pressão de descontentamentos internos, disputa por espaços e ressentimentos que desgastam o projeto. Tudo isso pode ser antecipado por fatores externos. O desafio é saber quando esse momento chega.

Ciro pode manter aliados com sua campanha presidencial pelo PDT, mas essa é uma aposta de médio prazo muito arriscada. Seriam dois anos longe dos favores federais. Temer aceitaria uma reconciliação em nome da reconstrução nacional? Difícil, mas ainda que fosse possível, o senador Eunício Oliveira, que almeja ser o protagonista de uma nova hegemonia, seria um entrave por motivos óbvios.

Pensando bem, a única novidade seria ver os Ferreira Gomes na oposição ao governo federal. Quem sabe? Para tudo, tem uma primeira vez.

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Ferreira Gomes: o fim de um ciclo?

Por Wanfil em Política

20 de Abril de 2016

A História mostra que ciclos de hegemonia política nascem, crescem e se desgastam para dar vez a outros ciclos. Também ensina que, para ter alguma longevidade, é comum que os protagonistas locais desses processos busquem associação com projetos nacionais. Assim, nos últimos 30 anos, o grupo liderado pelos irmãos Ciro e Cid Gomes atuou como parceiro de outras forças políticas no Ceará até tornar-se hegemônico em 2006, com a primeira eleição de Cid ao governo estadual, em aliança com Lula e Dilma, condição que preserva até os dias atuais.

Expectativa de poder
Entretanto, como o impeachment de Dilma deixa tudo demasiadamente incerto, a ansiedade dos atores políticos com o cenário de curto prazo aumenta. Para a maioria desses, digamos assim,  profissionais da política, buscar abrigo junto a quem oferece expectativa de poder não é questão de ideal, mas de sobrevivência. Do mesmo modo que aderiram aos governos do PT esperando em troca benesses, podem facilmente aderir a um governo do PMDB para manter suas posições. É repugnante, mas é assim que funciona. Nesse jogo, não há vítimas inocentes.

Cargos e verbas
Mudanças no cenário nacional costumam a induzir alterações nos estados. É real a preocupação de muitos com o fato de que a proximidade com Cid e Ciro Gomes poderá ser prejudicial na hora de pleitear cargos e verbas numa eventual gestão Michel Temer. Assim, partidos, prefeitos e deputados começam a construir pontes de interlocução com o PMDB estadual. O movimento é visível, basta um rápido passeio na Assembleia Legislativa para constatar.

O rio corre para o mar
Nada disso é novidade. Já foram hegemônicos no Ceará os coronéis do velho PDS, o próprio PMDB e depois o PDSB de Tasso. Em todos os casos, boa parte das bases de um grupo migrou para seus substitutos. O rio corre para o mar, diz o ditado. Com a chegada do PT ao governo federal, os Ferreira Gomes conquistaram o comando político no estado. Deram grandes votações a Lula e Dilma, fizeram um governador, prefeitos e bancadas majoritárias. Agora, novas mudanças podem acontecer.

Nova hegemonia
Será o fim da hegemonia liderada por Cid e Ciro? Difícil dizer. Sempre chega o momento em que, a liderança fadiga sob a pressão de descontentamentos internos, disputa por espaços e ressentimentos que desgastam o projeto. Tudo isso pode ser antecipado por fatores externos. O desafio é saber quando esse momento chega.

Ciro pode manter aliados com sua campanha presidencial pelo PDT, mas essa é uma aposta de médio prazo muito arriscada. Seriam dois anos longe dos favores federais. Temer aceitaria uma reconciliação em nome da reconstrução nacional? Difícil, mas ainda que fosse possível, o senador Eunício Oliveira, que almeja ser o protagonista de uma nova hegemonia, seria um entrave por motivos óbvios.

Pensando bem, a única novidade seria ver os Ferreira Gomes na oposição ao governo federal. Quem sabe? Para tudo, tem uma primeira vez.