Em defesa de Dilma: pacote de maldades mostra que presidenta é mais uma vítima da propaganda eleitoral - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Em defesa de Dilma: pacote de maldades mostra que presidenta é mais uma vítima da propaganda eleitoral

Por Wanfil em Política

20 de Janeiro de 2015

Com a economia no buraco, o governo Dilma tomou medidas para tentar salvar as contas públicas, severamente comprometidas nos últimos quatro anos. O IOF passou de 1,5% para 3%; as alíquotas sobre importados subiram de 9,25% para 11,75%; o reajuste de 6,5% na tabela do Imposto de Renda foi vetado (em breve quem ganha salário mínimo pagará IR no Brasil); o PIS/Cofins sobre gasolina e diesel aumentou; combustíveis terão mais um imposto com o ressurgimento da Cide. A esse conjunto podemos somar ações anunciadas recentemente, como cortes em benefícios previdenciários e trabalhistas; aumento na taxa Selic, na energia e nos juros para crédito imobiliário.

Como tudo isso vai na contramão do que foi prometido na campanha eleitoral, os defensores da presidente andam calados e seus críticos cobram a fatura da incoerência. Aliás, a própria Dilma ainda não falou sobre as medidas, tamanho o constrangimento. Cadê a líder segura e sem medos da campanha eleitoral? Pois é, essa é a chave para compreendermos como chegamos a esse ponto.

De que forma Dilma chegou ao poder? Neófita na política, sem formação adequada ou experiência relevante no setor privado, carente de liderança, ela acreditou na personagem criada por Lula e seus marqueteiros: a Dilma eficiente. Assim como milhões de brasileiros, a ex-guerrilheira acreditou ser mesmo uma grande gestora. Uma vez Collor de Mello acreditou ser realmente um “caçador de marajás” e deu no que deu. Não se trata de ingenuidade, mas de falta de senso crítico. Lula também não tinha preparo técnico, nem experiência administrativa. Tinha liderança política e sagacidade. Ciente disso, manteve a política econômica de FHC e deu carta branca para o então tucano Henrique Meireles no Banco Central. Também fez o contrário do que pregou a vida toda, mas nesse caso, preservou as conquistas do Plano Real e aumentou programas assistencialistas, seus maiores trunfos para eleger uma sucessora sem brilho próprio. Muita gente acha isso genial, eu acho picaretagem, mas essa é outra história.

Em defesa de Dilma é possível alegar que a fantasia da personagem autossuficiente e preparadíssima escolhida pelo ex-presidente visionário foi incorporada a ponto de se tornar em uma segunda natureza. Atores profissionais podem entrar em seus papéis, mas depois voltam a si. Com Dilma isso não aconteceu e sua persona fictícia assumiu o lugar da verdadeira: saiu a aspone que vivera de indicações políticas, entrou a executiva fantástica. Acontece que os fatos se impõem. O inepto, ainda que acredite ser apto, será desmentido por seus resultados.

É claro que quando falo em defesa, estou sendo irônico. Dilma acreditou nessa construção que fizeram porque isso a interessava. Sabia se tratar de uma criação, tinha conhecimento de que o Brasil supimpa cantado em verso e prosa por João Santana era falso como um balanço da Petrobras. Tanto que escondeu números durante a campanha. Na verdade, tinha total consciência de que as coisas eram muito piores do que os “pessimistas” imaginavam. Assim, ao contrário de parte de seus eleitores, ela não pode fugir da responsabilidade alegando mero engano.

Ao nomear Joaquim Levy para a Fazenda e consentir com o pacote ortodoxo agora anunciado para tirar a economia do caminho que ela mesma a conduziu, Dilma dá sinais de que talvez – talvez! – tenha começado a suspeitar que por debaixo daquele verniz de eficiência apresentado na propaganda eleitoral, exista mesmo uma gestora inepta ou – o que é mais provável -, pelo menos falível. O problema é que agora é tarde e a conta será paga pelos brasileiros. E olha que nem falamos de corrupção.

Publicidade aqui

Em defesa de Dilma: pacote de maldades mostra que presidenta é mais uma vítima da propaganda eleitoral

Por Wanfil em Política

20 de Janeiro de 2015

Com a economia no buraco, o governo Dilma tomou medidas para tentar salvar as contas públicas, severamente comprometidas nos últimos quatro anos. O IOF passou de 1,5% para 3%; as alíquotas sobre importados subiram de 9,25% para 11,75%; o reajuste de 6,5% na tabela do Imposto de Renda foi vetado (em breve quem ganha salário mínimo pagará IR no Brasil); o PIS/Cofins sobre gasolina e diesel aumentou; combustíveis terão mais um imposto com o ressurgimento da Cide. A esse conjunto podemos somar ações anunciadas recentemente, como cortes em benefícios previdenciários e trabalhistas; aumento na taxa Selic, na energia e nos juros para crédito imobiliário.

Como tudo isso vai na contramão do que foi prometido na campanha eleitoral, os defensores da presidente andam calados e seus críticos cobram a fatura da incoerência. Aliás, a própria Dilma ainda não falou sobre as medidas, tamanho o constrangimento. Cadê a líder segura e sem medos da campanha eleitoral? Pois é, essa é a chave para compreendermos como chegamos a esse ponto.

De que forma Dilma chegou ao poder? Neófita na política, sem formação adequada ou experiência relevante no setor privado, carente de liderança, ela acreditou na personagem criada por Lula e seus marqueteiros: a Dilma eficiente. Assim como milhões de brasileiros, a ex-guerrilheira acreditou ser mesmo uma grande gestora. Uma vez Collor de Mello acreditou ser realmente um “caçador de marajás” e deu no que deu. Não se trata de ingenuidade, mas de falta de senso crítico. Lula também não tinha preparo técnico, nem experiência administrativa. Tinha liderança política e sagacidade. Ciente disso, manteve a política econômica de FHC e deu carta branca para o então tucano Henrique Meireles no Banco Central. Também fez o contrário do que pregou a vida toda, mas nesse caso, preservou as conquistas do Plano Real e aumentou programas assistencialistas, seus maiores trunfos para eleger uma sucessora sem brilho próprio. Muita gente acha isso genial, eu acho picaretagem, mas essa é outra história.

Em defesa de Dilma é possível alegar que a fantasia da personagem autossuficiente e preparadíssima escolhida pelo ex-presidente visionário foi incorporada a ponto de se tornar em uma segunda natureza. Atores profissionais podem entrar em seus papéis, mas depois voltam a si. Com Dilma isso não aconteceu e sua persona fictícia assumiu o lugar da verdadeira: saiu a aspone que vivera de indicações políticas, entrou a executiva fantástica. Acontece que os fatos se impõem. O inepto, ainda que acredite ser apto, será desmentido por seus resultados.

É claro que quando falo em defesa, estou sendo irônico. Dilma acreditou nessa construção que fizeram porque isso a interessava. Sabia se tratar de uma criação, tinha conhecimento de que o Brasil supimpa cantado em verso e prosa por João Santana era falso como um balanço da Petrobras. Tanto que escondeu números durante a campanha. Na verdade, tinha total consciência de que as coisas eram muito piores do que os “pessimistas” imaginavam. Assim, ao contrário de parte de seus eleitores, ela não pode fugir da responsabilidade alegando mero engano.

Ao nomear Joaquim Levy para a Fazenda e consentir com o pacote ortodoxo agora anunciado para tirar a economia do caminho que ela mesma a conduziu, Dilma dá sinais de que talvez – talvez! – tenha começado a suspeitar que por debaixo daquele verniz de eficiência apresentado na propaganda eleitoral, exista mesmo uma gestora inepta ou – o que é mais provável -, pelo menos falível. O problema é que agora é tarde e a conta será paga pelos brasileiros. E olha que nem falamos de corrupção.