Domingos Filho sai do PMDB - Ou: Meu partido é um coração partido - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Domingos Filho sai do PMDB – Ou: Meu partido é um coração partido

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2013

Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver". A não ser que você seja uma liderança partidária...

Cazuza: “Ideologia, eu quero uma pra viver”. A não ser que você seja uma liderança partidária…

O vice-governador Domingos Filho decidiu sair do PMDB para buscar abrigo em um novo partido que, de acordo com o noticiário, será escolhido conforme a orientação do governador Cid Gomes. Nada a ver, portanto, com convicções ideológicas ou com lealdade a princípios, mas somente com as conveniências par a próxima eleição.

Nada disso representa constrangimento algum para a maioria dos políticos, pois eles sabem – e tiram proveito disso – que o brasileiro não vota em partido ou em programa partidário; sabem que o brasileiro vive da eterna busca por um salvador da pátria, pelo líder carismático, seduzido pela promessa redentora e a ilusões fáceis, sempre esperançosos da caridade governamental.

Domingos Filho saiu do PMDB porque seu projeto pessoal não converge com o projeto pessoal de Eunício Oliveira, candidato de si mesmo à governo do Ceará, contra quem quer que seja o escolhido de Cid (incluindo nessa lista de possíveis candidatos o próprio Domingos Filho).

Partido do coração

Uma pesquisa do Ibope divulgada no começo do ano mostrava que 56% dos brasileiros não têm preferência por partido algum (imagino que após os protestos de junho esse número tenha aumentado). Em 1988, esse índice  era de 38%. Foi nessa época, há 24 anos, que o cantor e compositor Cazuza gravou a música IdeologiaMeu partido / É um coração partido / E as ilusões / Estão todas perdidas / Os meus sonhos / Foram todos vendidos / Tão barato / Que eu nem acredito / Ah! eu nem acredito…

Nesse tempo, muitos intelectuais ainda acreditavam que existiam partidos que, por causa da ideologia professada, seriam puros por natureza. Hoje como sabemos, o ceticismo de Cazuza estava certo.

Decepção

O número de pessoas que não acreditam em partidos no Brasil cresceu e agora expressa a maioria porque aos otários do passado, somaram-se os cínicos (no sentido filosófico da expressão) e incrédulos em geral do presente. Nos dias que correm, o otimista político não passa de um militante a serviço de algum projeto eleitoral.

No Ceará, não é diferente. O PMDB é o que é no resto do, uma colcha de retalhos feita de interesses paroquiais; o PSDB cresceu e depois murchou na mesma ordem em que chegou e saiu do poder; o PSB trilha o mesmo caminho dos tucanos, subjugado por uma família de políticos; o PT desistiu de seu projeto para aderir ao coro dos contentes. Sem contar as siglas de aluguel.

Na mesma canção, Cazuza dizia: “Ideologia, eu quero uma pra viver!”. Era o apelo derradeiro à esperança. Se pudessem responder na mesma moeda, a maioria dos líderes partidários cantariam alegremente: “Ideologia, eu não preciso de uma para vencer”.

Publicidade aqui

Domingos Filho sai do PMDB – Ou: Meu partido é um coração partido

Por Wanfil em Política

17 de setembro de 2013

Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver". A não ser que você seja uma liderança partidária...

Cazuza: “Ideologia, eu quero uma pra viver”. A não ser que você seja uma liderança partidária…

O vice-governador Domingos Filho decidiu sair do PMDB para buscar abrigo em um novo partido que, de acordo com o noticiário, será escolhido conforme a orientação do governador Cid Gomes. Nada a ver, portanto, com convicções ideológicas ou com lealdade a princípios, mas somente com as conveniências par a próxima eleição.

Nada disso representa constrangimento algum para a maioria dos políticos, pois eles sabem – e tiram proveito disso – que o brasileiro não vota em partido ou em programa partidário; sabem que o brasileiro vive da eterna busca por um salvador da pátria, pelo líder carismático, seduzido pela promessa redentora e a ilusões fáceis, sempre esperançosos da caridade governamental.

Domingos Filho saiu do PMDB porque seu projeto pessoal não converge com o projeto pessoal de Eunício Oliveira, candidato de si mesmo à governo do Ceará, contra quem quer que seja o escolhido de Cid (incluindo nessa lista de possíveis candidatos o próprio Domingos Filho).

Partido do coração

Uma pesquisa do Ibope divulgada no começo do ano mostrava que 56% dos brasileiros não têm preferência por partido algum (imagino que após os protestos de junho esse número tenha aumentado). Em 1988, esse índice  era de 38%. Foi nessa época, há 24 anos, que o cantor e compositor Cazuza gravou a música IdeologiaMeu partido / É um coração partido / E as ilusões / Estão todas perdidas / Os meus sonhos / Foram todos vendidos / Tão barato / Que eu nem acredito / Ah! eu nem acredito…

Nesse tempo, muitos intelectuais ainda acreditavam que existiam partidos que, por causa da ideologia professada, seriam puros por natureza. Hoje como sabemos, o ceticismo de Cazuza estava certo.

Decepção

O número de pessoas que não acreditam em partidos no Brasil cresceu e agora expressa a maioria porque aos otários do passado, somaram-se os cínicos (no sentido filosófico da expressão) e incrédulos em geral do presente. Nos dias que correm, o otimista político não passa de um militante a serviço de algum projeto eleitoral.

No Ceará, não é diferente. O PMDB é o que é no resto do, uma colcha de retalhos feita de interesses paroquiais; o PSDB cresceu e depois murchou na mesma ordem em que chegou e saiu do poder; o PSB trilha o mesmo caminho dos tucanos, subjugado por uma família de políticos; o PT desistiu de seu projeto para aderir ao coro dos contentes. Sem contar as siglas de aluguel.

Na mesma canção, Cazuza dizia: “Ideologia, eu quero uma pra viver!”. Era o apelo derradeiro à esperança. Se pudessem responder na mesma moeda, a maioria dos líderes partidários cantariam alegremente: “Ideologia, eu não preciso de uma para vencer”.