De Ivo Gomes para o Governo do Ceará: "TEM QUE SE VIRAR! PORQUE TEM DINHEIRO SIM!" - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

De Ivo Gomes para o Governo do Ceará: “TEM QUE SE VIRAR! PORQUE TEM DINHEIRO SIM!”

Por Wanfil em Política

23 de outubro de 2015

Na sessão da Assembleia Legislativa que aprovou um empréstimo de US$ 123 milhões do BID para a construção de novos hospitais no Ceará, realizada ontem, quinta-feira, o deputado Ivo Gomes, do PROS, levantou o debate sobre o financiamento para a saúde no Estado (grifos meus):

Eu não engulo a desculpa de que o governo não tem dinheiro para o custeio. Tem que se virar! Porque tem dinheiro sim! Eu sei que tem, eu sei que tem. O Ceará sabe que tem. Todo mundo sabe que tem. Se não tem dinheiro pra tudo, que se hierarquize as prioridades e a prioridade hoje, no Ceará, é resolver o problema na saúde, especialmente na atenção secundária e terciária, de alta complexidade, que é o propósito desses hospitais, tanto o de Quixeramobim, que não tem justificativa, repito, pra ele tá fechado ainda. Não me venha nenhum líder do governo querer me explicar que não tem dinheiro, porque eu sei que tem! Tá indo pra superávit, não sei o quê, pá, pá, pá. Enquanto tá lá o hospital fechado, equipado e com gente selecionada. Só falta abrir, vontade de abrir”.

Conflito de versões
Ivo é da base aliada do governador Camilo Santana, foi secretário das Cidades na atual gestão e é irmão de Cid e Ciro Gomes. Se fosse um opositor qualquer, seria o caso de dar um desconto, afinal, adversários não ficam imediatamente a par de todas as informações sobre as finanças estaduais. Mas sendo Ivo quem é a questão muda de figura, pois o governo tem dito reiteradamente que o problema da saúde no Ceará é de falta de recursos, que Camilo chama de “subfinanciamento”, conforme podemos conferir nessa matéria da Agência Brasil: Subfinanciamento gera crise na saúde, afirma governador do Ceará.

Hospital da discórdia
O hospital citado por Ivo foi inaugurado no final da gestão Cid Gomes, em Quixeramobim, mas até hoje não funciona. Para a oposição é prova de que o Estado não suportaria novos hospitais, uma vez que não consegue nem sequer dar conta dos que já existem. Faz sentido, mas deixo isso para outro texto.

É preciso deixar claro que Camilo nunca responsabilizou a gestão Cid pelo problema, pelo contrário, sempre destacou que uma de suas causas é a redução dos repasses federais. De todo modo, a obra é estadual. Se funcionasse, seria alardeada como fruto da capacidade empreendedora do ex-governador. Como não opera, ficou como herança maldita para o governo seguinte. No mínimo, faltou o devido planejamento, afinal, o hospital foi inaugurado sem que estivessem plenamente garantidos os recursos para o seu funcionamento.

Tom de cobrança
Talvez por isso Ivo Gomes tenha usado o “tem que se virar!”, com a entonação de de um credor que cobra uma dívida. Pelo modo que que a situação foi abordada, fica a impressão de que, no entendimento do deputado, a obrigação de Camilo é resolver as pendências deixadas por Cid sem reclamar de ninguém. Pode não ter sido a intenção, mas não é comum ver um aliado no legislativo falando assim com o governo.

A oposição, claro, cravou: tem ou não tem dinheiro?

Dilma como exemplo
Por fim, um ponto merece ser destacado. Segundo Ivo Gomes, há dinheiro sim, mas este é usado para fazer superávit, a economia feita para pagar os juros da dívida.

Ora, sugerir o uso desse superávit para cobrir gastos de custeio não previstos no orçamento é aconselhar o governo estadual a repetir o que fez a presidente Dilma Rouseff (imaginando-se muito esperta e perspicaz), com o resultado que todos já conhecemos: rombo nas contas públicas e recessão.

Se essa é a saída para “se virar”, faz muito bem Camilo Santana em não ceder à tentação do populismo fiscal. Dinheiro não aguenta abuso. Principalmente dinheiro dos outros, ou seja, o nosso dinheiro gerido pelo governo.

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De Ivo Gomes para o Governo do Ceará: “TEM QUE SE VIRAR! PORQUE TEM DINHEIRO SIM!”

Por Wanfil em Política

23 de outubro de 2015

Na sessão da Assembleia Legislativa que aprovou um empréstimo de US$ 123 milhões do BID para a construção de novos hospitais no Ceará, realizada ontem, quinta-feira, o deputado Ivo Gomes, do PROS, levantou o debate sobre o financiamento para a saúde no Estado (grifos meus):

Eu não engulo a desculpa de que o governo não tem dinheiro para o custeio. Tem que se virar! Porque tem dinheiro sim! Eu sei que tem, eu sei que tem. O Ceará sabe que tem. Todo mundo sabe que tem. Se não tem dinheiro pra tudo, que se hierarquize as prioridades e a prioridade hoje, no Ceará, é resolver o problema na saúde, especialmente na atenção secundária e terciária, de alta complexidade, que é o propósito desses hospitais, tanto o de Quixeramobim, que não tem justificativa, repito, pra ele tá fechado ainda. Não me venha nenhum líder do governo querer me explicar que não tem dinheiro, porque eu sei que tem! Tá indo pra superávit, não sei o quê, pá, pá, pá. Enquanto tá lá o hospital fechado, equipado e com gente selecionada. Só falta abrir, vontade de abrir”.

Conflito de versões
Ivo é da base aliada do governador Camilo Santana, foi secretário das Cidades na atual gestão e é irmão de Cid e Ciro Gomes. Se fosse um opositor qualquer, seria o caso de dar um desconto, afinal, adversários não ficam imediatamente a par de todas as informações sobre as finanças estaduais. Mas sendo Ivo quem é a questão muda de figura, pois o governo tem dito reiteradamente que o problema da saúde no Ceará é de falta de recursos, que Camilo chama de “subfinanciamento”, conforme podemos conferir nessa matéria da Agência Brasil: Subfinanciamento gera crise na saúde, afirma governador do Ceará.

Hospital da discórdia
O hospital citado por Ivo foi inaugurado no final da gestão Cid Gomes, em Quixeramobim, mas até hoje não funciona. Para a oposição é prova de que o Estado não suportaria novos hospitais, uma vez que não consegue nem sequer dar conta dos que já existem. Faz sentido, mas deixo isso para outro texto.

É preciso deixar claro que Camilo nunca responsabilizou a gestão Cid pelo problema, pelo contrário, sempre destacou que uma de suas causas é a redução dos repasses federais. De todo modo, a obra é estadual. Se funcionasse, seria alardeada como fruto da capacidade empreendedora do ex-governador. Como não opera, ficou como herança maldita para o governo seguinte. No mínimo, faltou o devido planejamento, afinal, o hospital foi inaugurado sem que estivessem plenamente garantidos os recursos para o seu funcionamento.

Tom de cobrança
Talvez por isso Ivo Gomes tenha usado o “tem que se virar!”, com a entonação de de um credor que cobra uma dívida. Pelo modo que que a situação foi abordada, fica a impressão de que, no entendimento do deputado, a obrigação de Camilo é resolver as pendências deixadas por Cid sem reclamar de ninguém. Pode não ter sido a intenção, mas não é comum ver um aliado no legislativo falando assim com o governo.

A oposição, claro, cravou: tem ou não tem dinheiro?

Dilma como exemplo
Por fim, um ponto merece ser destacado. Segundo Ivo Gomes, há dinheiro sim, mas este é usado para fazer superávit, a economia feita para pagar os juros da dívida.

Ora, sugerir o uso desse superávit para cobrir gastos de custeio não previstos no orçamento é aconselhar o governo estadual a repetir o que fez a presidente Dilma Rouseff (imaginando-se muito esperta e perspicaz), com o resultado que todos já conhecemos: rombo nas contas públicas e recessão.

Se essa é a saída para “se virar”, faz muito bem Camilo Santana em não ceder à tentação do populismo fiscal. Dinheiro não aguenta abuso. Principalmente dinheiro dos outros, ou seja, o nosso dinheiro gerido pelo governo.