Como ficaria o Ceará num eventual governo Temer? - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Como ficaria o Ceará num eventual governo Temer?

Por Wanfil em Política

09 de dezembro de 2015

Michel Temer arte

Possível governo Temer já provoca debates. No Ceará, o eixo de poder mudaria radicalmente

Brasília, 2016. O governador Camilo Santana, do PT, vai a Brasília conversar com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Na pauta, ações contra a seca. Santana é informado que novas verbas já foram alocadas a pedido do senador Eunício Oliveira, que divulgará a notícia no mesmo dia aos cearenses, junto com o ministro da Integração, José Serra. Com as bênçãos do Planalto, Oliveira trabalha com o PSDB para confirmar o hub da TAM no Ceará. Agradecido, o governador elogia o espírito republicano do novo presidente. Roberto Cláudio não é recebido, por ter acusado o PMDB de ser chantagista. O governo federal prefere esperar pelo próximo prefeito de Fortaleza a ser eleito em breve, de preferência, alguém do próprio PMDB ou aliado. Enquanto isso, Ciro e Cid Gomes, sem mandatos, acusam Temer de ser chefe de quadrilha, o que isola ainda mais Camilo Santana e Roberto Cláudio.

Esse é o pior pesadelo do grupo liderado por Ciro no Ceará. E depois da sova que o governo tomou na Câmara, quando a oposição e dissidentes do PMDB, sob o comando de Temer, elegeram uma chapa pró-impeachment para a Comissão Especial que irá analisar o pedido de afastamento de Dilma, o pesadelo ganha contornos de realidade em formação. Pesadelo político. Administrativamente, o Ceará sempre foi desprezado pelas gestões petistas no Planalto, ao contrário de Pernambuco e Alagoas.

Na verdade, o Ceará foi humilhado no caso da refinaria e enormemente prejudicado com os atrasos na transposição do São Francisco. Portanto, as mudanças, a princípio, seriam mesmo de caráter estritamente político, com a transferência do eixo de poder para o PMDB estadual. O PT estaria na difícil situação de ser oposição nacionalmente e precisar conviver institucionalmente com os peemedebistas como situação local. Os Ferreira Gomes, inimigos de Temer e do PMDB, ficariam por conta própria, buscando defender seu feudo em Sobral, já que a base aliada de Dilma no estado mudaria rapidinho de lado, fazendo juras de amor ao governo de plantão.

O futuro é imprevisível e tudo ainda está no campo das hipóteses. Não é questão de torcer contra ou a favor, mas de fazer uma projeção pragmática, com base em premissas que estão sim na ordem do dia, independente das vontades. Se pode acontecer, então é preciso estar minimamente preparado. Até porque a derrota do governo, que está em indiscutível minoria na Câmara, reforça um pouco mais a expectativa – com o medo dos governistas e a ansiedade mal disfarçada dos oposicionistas – de que essas possibilidades possam a vir se tornar realidade. Na política, a perspectiva de poder é o centro gravitacional onde orbitam candidatos e partidos. E, no momento, esse centro de atração parece mais forte para os que estão a favor do impeachment.

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Como ficaria o Ceará num eventual governo Temer?

Por Wanfil em Política

09 de dezembro de 2015

Michel Temer arte

Possível governo Temer já provoca debates. No Ceará, o eixo de poder mudaria radicalmente

Brasília, 2016. O governador Camilo Santana, do PT, vai a Brasília conversar com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Na pauta, ações contra a seca. Santana é informado que novas verbas já foram alocadas a pedido do senador Eunício Oliveira, que divulgará a notícia no mesmo dia aos cearenses, junto com o ministro da Integração, José Serra. Com as bênçãos do Planalto, Oliveira trabalha com o PSDB para confirmar o hub da TAM no Ceará. Agradecido, o governador elogia o espírito republicano do novo presidente. Roberto Cláudio não é recebido, por ter acusado o PMDB de ser chantagista. O governo federal prefere esperar pelo próximo prefeito de Fortaleza a ser eleito em breve, de preferência, alguém do próprio PMDB ou aliado. Enquanto isso, Ciro e Cid Gomes, sem mandatos, acusam Temer de ser chefe de quadrilha, o que isola ainda mais Camilo Santana e Roberto Cláudio.

Esse é o pior pesadelo do grupo liderado por Ciro no Ceará. E depois da sova que o governo tomou na Câmara, quando a oposição e dissidentes do PMDB, sob o comando de Temer, elegeram uma chapa pró-impeachment para a Comissão Especial que irá analisar o pedido de afastamento de Dilma, o pesadelo ganha contornos de realidade em formação. Pesadelo político. Administrativamente, o Ceará sempre foi desprezado pelas gestões petistas no Planalto, ao contrário de Pernambuco e Alagoas.

Na verdade, o Ceará foi humilhado no caso da refinaria e enormemente prejudicado com os atrasos na transposição do São Francisco. Portanto, as mudanças, a princípio, seriam mesmo de caráter estritamente político, com a transferência do eixo de poder para o PMDB estadual. O PT estaria na difícil situação de ser oposição nacionalmente e precisar conviver institucionalmente com os peemedebistas como situação local. Os Ferreira Gomes, inimigos de Temer e do PMDB, ficariam por conta própria, buscando defender seu feudo em Sobral, já que a base aliada de Dilma no estado mudaria rapidinho de lado, fazendo juras de amor ao governo de plantão.

O futuro é imprevisível e tudo ainda está no campo das hipóteses. Não é questão de torcer contra ou a favor, mas de fazer uma projeção pragmática, com base em premissas que estão sim na ordem do dia, independente das vontades. Se pode acontecer, então é preciso estar minimamente preparado. Até porque a derrota do governo, que está em indiscutível minoria na Câmara, reforça um pouco mais a expectativa – com o medo dos governistas e a ansiedade mal disfarçada dos oposicionistas – de que essas possibilidades possam a vir se tornar realidade. Na política, a perspectiva de poder é o centro gravitacional onde orbitam candidatos e partidos. E, no momento, esse centro de atração parece mais forte para os que estão a favor do impeachment.