Camilo Santana e o retrato de uma assombração - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Camilo Santana e o retrato de uma assombração

Por Wanfil em Política

23 de julho de 2015

Lá vem ela descendo, descendo, descendo...

Retrato do momento: lá vem ela descendo, descendo, descendo…

Após cerimônia para a promoção de policiais militares realizada na quarta-feira (22), o governador Camilo Santana comentou com a imprensa sobre os baixos índices de popularidade do governo Dilma Rousseff. Segundo pesquisa CNT/MDA, de cada 100 brasileiros, apenas sete aprovam a gestão federal e 71% a reprovam.

Camilo foi cauteloso na resposta. Disse que esses números são um “retrato do momento” e que Dilma precisa dialogar mais com a sociedade. A comparação com fotografias é um clichê da política, mas não deixa de ser real. Significa dizer que as coisas podem mudar. O problema desse retrato que assombra os governistas é a tendência de queda que não estanca e a tentativa de reagir com uma agenda positiva ainda não funcionou.

Em que pese o estilo cordato do governador, é de se notar sua opção de não polemizar na defesa da presidente, sua aliada e correligionária (ambos são do PT). No lugar de declarações enfáticas, a preferência pela cautela. Há nessa postura uma lógica elementar, como é próprio dos profissionais da política. A impopularidade do governo e da própria presidente não é por acaso. Crise econômica, incompetência administrativa, estelionato eleitoral, promessas não cumpridas, compromissos quebrados, falta de articulação política e corrupção descontrolada, são alguns ingredientes que minaram a credibilidade do Palácio do Planalto em diversas frentes, conforme demonstram as pesquisas. Não adianta acusar conspirações.

Assim, defender a presidente agora é correr o risco de ser contaminado pelo sentimento de rejeição que predomina no panorama atual. Por outro lado, atacá-la é certeza de aplauso (nesse ponto, a oposição, inclusive, tem sido moderada, diga-se de passagem, sem juízo de valor). Parlamentares ainda podem nadar um pouco contra a maré, já que suas eleições são proporcionais, ou seja, não precisam de maiorias, mas apenas de determinado número de eleitores. Mesmo assim, a margem está de tal modo pequena que somente alguns líderes fazem isso, e por dever de ofício. Já para aliados eleitos pelo sistema majoritário, como governadores, que necessitam ainda de apoio da opinião pública para manterem a autoridade e liderança, o melhor é sair de perto da presidente e mudar de assunto.

No caso de Camilo, como para os demais governadores da base, criticar o governo federal pode custar verbas ao Estado; elogiá-lo pode custar votos aos governantes locais.

Em política, solidariedade não rima com impopularidade.

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Camilo Santana e o retrato de uma assombração

Por Wanfil em Política

23 de julho de 2015

Lá vem ela descendo, descendo, descendo...

Retrato do momento: lá vem ela descendo, descendo, descendo…

Após cerimônia para a promoção de policiais militares realizada na quarta-feira (22), o governador Camilo Santana comentou com a imprensa sobre os baixos índices de popularidade do governo Dilma Rousseff. Segundo pesquisa CNT/MDA, de cada 100 brasileiros, apenas sete aprovam a gestão federal e 71% a reprovam.

Camilo foi cauteloso na resposta. Disse que esses números são um “retrato do momento” e que Dilma precisa dialogar mais com a sociedade. A comparação com fotografias é um clichê da política, mas não deixa de ser real. Significa dizer que as coisas podem mudar. O problema desse retrato que assombra os governistas é a tendência de queda que não estanca e a tentativa de reagir com uma agenda positiva ainda não funcionou.

Em que pese o estilo cordato do governador, é de se notar sua opção de não polemizar na defesa da presidente, sua aliada e correligionária (ambos são do PT). No lugar de declarações enfáticas, a preferência pela cautela. Há nessa postura uma lógica elementar, como é próprio dos profissionais da política. A impopularidade do governo e da própria presidente não é por acaso. Crise econômica, incompetência administrativa, estelionato eleitoral, promessas não cumpridas, compromissos quebrados, falta de articulação política e corrupção descontrolada, são alguns ingredientes que minaram a credibilidade do Palácio do Planalto em diversas frentes, conforme demonstram as pesquisas. Não adianta acusar conspirações.

Assim, defender a presidente agora é correr o risco de ser contaminado pelo sentimento de rejeição que predomina no panorama atual. Por outro lado, atacá-la é certeza de aplauso (nesse ponto, a oposição, inclusive, tem sido moderada, diga-se de passagem, sem juízo de valor). Parlamentares ainda podem nadar um pouco contra a maré, já que suas eleições são proporcionais, ou seja, não precisam de maiorias, mas apenas de determinado número de eleitores. Mesmo assim, a margem está de tal modo pequena que somente alguns líderes fazem isso, e por dever de ofício. Já para aliados eleitos pelo sistema majoritário, como governadores, que necessitam ainda de apoio da opinião pública para manterem a autoridade e liderança, o melhor é sair de perto da presidente e mudar de assunto.

No caso de Camilo, como para os demais governadores da base, criticar o governo federal pode custar verbas ao Estado; elogiá-lo pode custar votos aos governantes locais.

Em política, solidariedade não rima com impopularidade.