Cadê a oposição? - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Cadê a oposição?

Por Wanfil em Política

07 de Fevereiro de 2017

O governo do Ceará, na gestão Camilo, assim como aconteceu com o ex-governador Lúcio Alcântara, e ao contrário do que foram as gestões de Cid Gomes, é oposição ao governo federal. Condição que, via de regra, dificulta politicamente a vida do governante. Porém, não é o que acontece agora por aqui, em razão de uma série de fatores.

Se por um lado o presidente Michel Temer vem consolidando o poder do PMDB em Brasília, por outro, carece de carisma e apoio da opinião pública. Tudo no Brasil hoje é desconfiança generalizada. E sendo assim, a eventual proximidade com o presidente não é exatamente um trunfo. De todo modo, a máquina federal tem imensa capacidade e meios de dar visibilidade aos seus parceiros nos estados.

Apesar disso, o apoio interno ao governo de Camilo Santana cresce. O DEM, mesmo acusado de golpista pelo PT, aderiu sem maiores constrangimentos a um governo do… PT! Talvez o fato de Camilo ser visto como um futuro ex-petista ajude, mas isso ainda não aconteceu, não é mesmo? Por que então a pressa?

No próprio PMDB a situação não é muito distante. Os deputados Agenor Neto e Audic Mota, eleitos como opositores, racharam e agora são da base de Camilo. O pedetista Sérgio Aguiar, que rompeu para disputar o comando da Assembleia Legislativa no ano passado, voltou ao seu normal e sinaliza que deve voltar a compor com o governo. Até o deputado Heitor Férrer, do PSB, deixou de lado as diferenças, unindo forças com os governistas (e os Ferreira Gomes) para aprovar seu projeto que pede a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios.

Some-se a essas considerações o fato de que a oposição no Ceará acomodou-se na esperança de que suas lideranças – ocupadas com questões nacionais – façam o trabalho local. Despreocupada, não atua em bloco, não articula estratégias, age isolada, pontualmente. Cada um por si. Parece não ter um discurso viável, seja de crítica, seja de proposição de rumos para o Estado.

O governo Camilo, por sua vez, não perde tempo e ocupa o vácuo. Nomeia um nome ligado a oposição para tocar medidas de austeridade e outro de perfil midiático para dividir as atenções com Capitão Wagner na Segurança. Prepara um plano de concessões (privatizações) para se livrar dos elefantes brancos deixados por seu antecessor e padrinho, sem ser minimamente incomodado por seus adversários.

Enquanto isso, a oposição no Ceará espera em berço esplêndido que as coisas (e os votos) lhes caiam do céu.

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Cadê a oposição?

Por Wanfil em Política

07 de Fevereiro de 2017

O governo do Ceará, na gestão Camilo, assim como aconteceu com o ex-governador Lúcio Alcântara, e ao contrário do que foram as gestões de Cid Gomes, é oposição ao governo federal. Condição que, via de regra, dificulta politicamente a vida do governante. Porém, não é o que acontece agora por aqui, em razão de uma série de fatores.

Se por um lado o presidente Michel Temer vem consolidando o poder do PMDB em Brasília, por outro, carece de carisma e apoio da opinião pública. Tudo no Brasil hoje é desconfiança generalizada. E sendo assim, a eventual proximidade com o presidente não é exatamente um trunfo. De todo modo, a máquina federal tem imensa capacidade e meios de dar visibilidade aos seus parceiros nos estados.

Apesar disso, o apoio interno ao governo de Camilo Santana cresce. O DEM, mesmo acusado de golpista pelo PT, aderiu sem maiores constrangimentos a um governo do… PT! Talvez o fato de Camilo ser visto como um futuro ex-petista ajude, mas isso ainda não aconteceu, não é mesmo? Por que então a pressa?

No próprio PMDB a situação não é muito distante. Os deputados Agenor Neto e Audic Mota, eleitos como opositores, racharam e agora são da base de Camilo. O pedetista Sérgio Aguiar, que rompeu para disputar o comando da Assembleia Legislativa no ano passado, voltou ao seu normal e sinaliza que deve voltar a compor com o governo. Até o deputado Heitor Férrer, do PSB, deixou de lado as diferenças, unindo forças com os governistas (e os Ferreira Gomes) para aprovar seu projeto que pede a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios.

Some-se a essas considerações o fato de que a oposição no Ceará acomodou-se na esperança de que suas lideranças – ocupadas com questões nacionais – façam o trabalho local. Despreocupada, não atua em bloco, não articula estratégias, age isolada, pontualmente. Cada um por si. Parece não ter um discurso viável, seja de crítica, seja de proposição de rumos para o Estado.

O governo Camilo, por sua vez, não perde tempo e ocupa o vácuo. Nomeia um nome ligado a oposição para tocar medidas de austeridade e outro de perfil midiático para dividir as atenções com Capitão Wagner na Segurança. Prepara um plano de concessões (privatizações) para se livrar dos elefantes brancos deixados por seu antecessor e padrinho, sem ser minimamente incomodado por seus adversários.

Enquanto isso, a oposição no Ceará espera em berço esplêndido que as coisas (e os votos) lhes caiam do céu.