Pesquisa mostra que pobres respeitam mais as leis e desmascara certa ideologia - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Pesquisa mostra que pobres respeitam mais as leis e desmascara certa ideologia

Por Wanfil em Ideologia, Pesquisa

24 de Abril de 2013

Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que pessoas com menor renda e escolaridade tendem a respeitar mais as leis. O estudo criou um índice de classificação para avaliar o comportamento de pessoas com renda de inferior a dois salário mínimos até pessoas com renda superior a 12 salários mínimos.

No geral, as variações não foram grandes, mas os entrevistados com menor renda apresentaram maior nível de cumprimento da lei, pelo menos mo que diz respeito a delitos de menor gravidade, como estacionar em local proibido, furto em lojas ou comprar produtos piratas. Os dados se mostraram semelhantes em todas as regiões do país.

Causa e efeito

A pesquisa não investiga possíveis causas para os comportamentos verificados, mas serve para demonstrar que a relação de causa e efeito entre pobreza e a propensão do indivíduo ao ilícito não é direta.

Esses resultados são incompatíveis com a teoria, muito popular e aceita no Brasil, de que a criminalidade resulta da exclusão social ou da ganância potencializadas pelo modelo capitalista de produção. A tese é de fácil assimilação, pois acaba por transferir as responsabilidades dos indivíduos para a entidade impessoal do sistema. Dessa forma, moralmente falando, todos são vítimas e ninguém é culpado.

É claro que a pesquisa da FGV não encerra o tema. Crimes de maior violência podem ter ligação com questões sociais? Podem, certamente cruzadas com uma série de outros fatores, como o psicológico, por exemplo. De todo modo, isso é diferente de garantir que questões sociais DETERMINAM comportamentos criminosos.

Prisão ideológica

O problema é que quase todas as questões importantes no Brasil esbarram, de uma forma ou de outra, na surrada tese da luta de classes. Até mesmo a redução da maioridade penal acaba refém da discussão sobre as origens sociais que levam sujeitos de 16 e 17 anos, perfeitamente saudáveis e lúcidos, a cometer toda sorte de crimes e perversidades.

Não é que as questões sociais devam ser desprezadas, mas é notório que o hábito de buscar sempre amoldar os fatos para enquadrá-los em esquemas pré-determinados, como é o caso da hegemonia do modelo analítico marxista no Brasil, acaba por limitar a percepção da realidade . Tudo acaba classificado como reacionário ou progressista, sem que nada mude.

É por causa dessas deturpações que prendem a lógica dentro de redomas ideológicas, que a maioria dos nossos intelectuais garante que repressão, leis mais duras e policiamento não inibem o crime, sem atinar que menos repressão, leis mais brandas e menos policiamento são tudo o que desejam os bandidos.

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Pesquisa mostra que pobres respeitam mais as leis e desmascara certa ideologia

Por Wanfil em Ideologia, Pesquisa

24 de Abril de 2013

Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela que pessoas com menor renda e escolaridade tendem a respeitar mais as leis. O estudo criou um índice de classificação para avaliar o comportamento de pessoas com renda de inferior a dois salário mínimos até pessoas com renda superior a 12 salários mínimos.

No geral, as variações não foram grandes, mas os entrevistados com menor renda apresentaram maior nível de cumprimento da lei, pelo menos mo que diz respeito a delitos de menor gravidade, como estacionar em local proibido, furto em lojas ou comprar produtos piratas. Os dados se mostraram semelhantes em todas as regiões do país.

Causa e efeito

A pesquisa não investiga possíveis causas para os comportamentos verificados, mas serve para demonstrar que a relação de causa e efeito entre pobreza e a propensão do indivíduo ao ilícito não é direta.

Esses resultados são incompatíveis com a teoria, muito popular e aceita no Brasil, de que a criminalidade resulta da exclusão social ou da ganância potencializadas pelo modelo capitalista de produção. A tese é de fácil assimilação, pois acaba por transferir as responsabilidades dos indivíduos para a entidade impessoal do sistema. Dessa forma, moralmente falando, todos são vítimas e ninguém é culpado.

É claro que a pesquisa da FGV não encerra o tema. Crimes de maior violência podem ter ligação com questões sociais? Podem, certamente cruzadas com uma série de outros fatores, como o psicológico, por exemplo. De todo modo, isso é diferente de garantir que questões sociais DETERMINAM comportamentos criminosos.

Prisão ideológica

O problema é que quase todas as questões importantes no Brasil esbarram, de uma forma ou de outra, na surrada tese da luta de classes. Até mesmo a redução da maioridade penal acaba refém da discussão sobre as origens sociais que levam sujeitos de 16 e 17 anos, perfeitamente saudáveis e lúcidos, a cometer toda sorte de crimes e perversidades.

Não é que as questões sociais devam ser desprezadas, mas é notório que o hábito de buscar sempre amoldar os fatos para enquadrá-los em esquemas pré-determinados, como é o caso da hegemonia do modelo analítico marxista no Brasil, acaba por limitar a percepção da realidade . Tudo acaba classificado como reacionário ou progressista, sem que nada mude.

É por causa dessas deturpações que prendem a lógica dentro de redomas ideológicas, que a maioria dos nossos intelectuais garante que repressão, leis mais duras e policiamento não inibem o crime, sem atinar que menos repressão, leis mais brandas e menos policiamento são tudo o que desejam os bandidos.