Fortaleza e a eleição dos padrinhos tímidos - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Fortaleza e a eleição dos padrinhos tímidos

Por Wanfil em Pesquisa

12 de setembro de 2016

Pesquisa Datafolha divulgada no final de semana pelo O Povo mostra que a campanha em Fortaleza tende a se polarizar entre Roberto Cláudio (PDT), que aparece com 32%, e Capitão Wagner (PR), com 24%. Em terceiro está Luizianne Lins (PT), que tem 16%.

Um dos fatos mais interessantes nestas eleições é a ausência de padrinhos políticos nas propagandas. Desde já faço aqui uma distinção: quando falo em padrinho (ou madrinha), não me refiro aos apoiadores que exercem ou já exerceram cargos importantes nos governos e partidos, mas àquela liderança que, segura de seu prestígio e posição, lança um “afilhado” sem sem força própria para a disputa. Via de regra, a presença dos padrinhos nas campanhas de seus escolhidos é intensa, pois o seu sucesso depende justamente na transferência de votos do criador para a criatura.

As eleições de 2012 foram a expressão perfeita dessa forma de controle. Luizianne Lins e Cid Gomes travaram uma batalha por meio da disputa entre seus protegidos, Elmano de Freitas e Roberto Cláudio, dois nomes de pouca densidade eleitoral na cidade. E todos suplicavam pelas bênçãos de Dilma e Lula.

Agora é diferente. O capital político dos principais padrinhos não é o mesmo. Lula e Dilma lutam para não serem presos. O presidente Temer é odiado pelos ex-aliados e não tem, obviamente, a simpatia de quem não votou na chapa Dilma/Temer. O governador Camilo Santana, do PT, apoia o candidato do PDT contra a candidata do PT, o que inviabiliza sua participação direta na propaganda. Curiosamente, Cid e Ciro também não deram notícias em Fortaleza.

A opção por, digamos assim, esconder os padrinhos certamente é baseada em pesquisas. Roberto Cláudio, que na sua primeira eleição precisou muito da chancela dos seus líderes, agora aparece sozinho, buscando, certamente, mostrar que tem liderança própria.

O Capitão Wagner conta com o apoio dos senadores Eunício Oliveira (PMDB) e Tasso Jereissati (PSDB), mas esses entram como apoiadores, pois o candidato surgiu por conta própria e não depende deles para continuar na política. Nesse caso, eleitores de Eunício e Tasso podem se juntar aos eleitores que já se identificam com o próprio candidato.

Luizianne tem liderança própria e eleitoralmente é o maior nome do PT no Ceará, mas sofre nitidamente com o peso do impeachment dos escândalos que abateram o partido. Aliás, candidatos petistas em outras capitais apresentam desempenho bem abaixo ao dela e Fortaleza.

É a eleição dos padrinhos sumidos.

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Fortaleza e a eleição dos padrinhos tímidos

Por Wanfil em Pesquisa

12 de setembro de 2016

Pesquisa Datafolha divulgada no final de semana pelo O Povo mostra que a campanha em Fortaleza tende a se polarizar entre Roberto Cláudio (PDT), que aparece com 32%, e Capitão Wagner (PR), com 24%. Em terceiro está Luizianne Lins (PT), que tem 16%.

Um dos fatos mais interessantes nestas eleições é a ausência de padrinhos políticos nas propagandas. Desde já faço aqui uma distinção: quando falo em padrinho (ou madrinha), não me refiro aos apoiadores que exercem ou já exerceram cargos importantes nos governos e partidos, mas àquela liderança que, segura de seu prestígio e posição, lança um “afilhado” sem sem força própria para a disputa. Via de regra, a presença dos padrinhos nas campanhas de seus escolhidos é intensa, pois o seu sucesso depende justamente na transferência de votos do criador para a criatura.

As eleições de 2012 foram a expressão perfeita dessa forma de controle. Luizianne Lins e Cid Gomes travaram uma batalha por meio da disputa entre seus protegidos, Elmano de Freitas e Roberto Cláudio, dois nomes de pouca densidade eleitoral na cidade. E todos suplicavam pelas bênçãos de Dilma e Lula.

Agora é diferente. O capital político dos principais padrinhos não é o mesmo. Lula e Dilma lutam para não serem presos. O presidente Temer é odiado pelos ex-aliados e não tem, obviamente, a simpatia de quem não votou na chapa Dilma/Temer. O governador Camilo Santana, do PT, apoia o candidato do PDT contra a candidata do PT, o que inviabiliza sua participação direta na propaganda. Curiosamente, Cid e Ciro também não deram notícias em Fortaleza.

A opção por, digamos assim, esconder os padrinhos certamente é baseada em pesquisas. Roberto Cláudio, que na sua primeira eleição precisou muito da chancela dos seus líderes, agora aparece sozinho, buscando, certamente, mostrar que tem liderança própria.

O Capitão Wagner conta com o apoio dos senadores Eunício Oliveira (PMDB) e Tasso Jereissati (PSDB), mas esses entram como apoiadores, pois o candidato surgiu por conta própria e não depende deles para continuar na política. Nesse caso, eleitores de Eunício e Tasso podem se juntar aos eleitores que já se identificam com o próprio candidato.

Luizianne tem liderança própria e eleitoralmente é o maior nome do PT no Ceará, mas sofre nitidamente com o peso do impeachment dos escândalos que abateram o partido. Aliás, candidatos petistas em outras capitais apresentam desempenho bem abaixo ao dela e Fortaleza.

É a eleição dos padrinhos sumidos.