Datafolha mostra cenário de incertezas e tentações - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Datafolha mostra cenário de incertezas e tentações

Por Wanfil em Pesquisa

14 de agosto de 2014

Os números do instituto Datafolha para a disputa pelo governo do Estado no Ceará, publicados pelo jornal O Povo nesta quinta-feira, mostram o seguinte quadro (pesquisa estimulada):

– Eunício Oliveira (PMDB) – 47%
– Camilo Santana (PT) – 19%
– Eliane Novais (PSB) – 7%
– Ailton Lopes (PSOL) – 4%
– Brancos/nulos – 10%
– Não sabe – 13%

Em relação à rejeição, esse são os índices:

– Camilo Santana (PT) – 30%
– Eliane Novais (PSB) – 28%
– Ailton Lopes (PSOL) – 26%
– Eunício Oliveira (PMDB) – 16%
– Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum – 16%
– Rejeita todos/não votaria em nenhum – 5%
– Não sabe – 16%

O cenário
Eleições são apostas feitas não apenas por candidatos, mas pelo conjunto de forças políticas que se movimentam à procura de espaços no próximo governo. Apostar é assumir riscos. E como ninguém quer perder, a repercussão das pesquisas funciona mais ou menos como termômetro para validar ou mudar essas apostas.

Hoje, o cenário é o seguinte: uma chapa de oposição lidera com folga, seguida do candidato escolhido por um governo com aprovação em queda (mas razoável) e que parte com menos da metade das intenções de voto registradas pelo primeiro colocado. Como tem a máquina, a expectativa é que essa vantagem recue com o início do horário eleitoral. A questão é saber se haverá tempo hábil para buscar uma melhor posição.

Ocorre que, sem nenhuma campanha negativa tenha sido feita pelos adversários, o candidato governista tem a maior rejeição, o que gera dúvidas sobre o alcance de sua capacidade de reação, ainda mais quando se sabe que a aprovação à gestão de Cid Gomes caiu de 65% no início do segundo mandato para 46% agora. Ou seja, o lastro do fiador encurtou.

Tentações
Diante disso a primeira tentação para os aliados do governo é a de construir pontes de diálogo com a oposição, pois existe uma chance real de que ela vença. Aí nasce um impasse: ficar ou mudar? Quem é governista hoje, na sua grande maioria, é por conveniência e não por idealismo. Por isso mesmo pretende continuar governo amanhã, não importa muito quem seja o governador. Foi assim em 2006, quando Cid venceu Lúcio Alcântara. Nesse ambiente de incertezas, aliados da base que estão inseguros viram alvos da abordagem oposicionista. Já o governo, se reagir com truculência, na base da ameaça, tende a criar uma antipatia. Todavia, se ficar parado pedindo mais um tempo, pode ser atropelado.

Duas coisas poderiam compensar essa situação para Camilo Santana: o engajamento pessoal e intenso da presidente Dilma (não que ela transfira votos assim, mas pela força política que o candidato demonstraria) e uma grande vantagem de tempo no horário eleitoral gratuito. Acontece que isso não aconteceu e Dilma espera o desenrolar da campanha para ver como agir, pois não quer se indispor com o PMDB de Eunício Oliveira.

Pressionado pelos números e pelas circunstâncias, a candidatura de situação fica exposta a uma segunda tentação: adotar um discurso agressivo. O fato é que mesmo se todos os 13% do eleitores em dúvida optassem por Camilo Santana (o que é impossível), ainda assim ele não passaria Eunício. É preciso, portanto, fazer o adversário perder votos. Talvez por isso Ciro Gomes tenha dito que essa será uma eleição de ódio. Embora cutucasse a oposição, no fundo parecia sentir essa possibilidade como necessidade estratégica para o seu próprio candidato. Não por outra foi ele o autor das primeiras agressões verbais da campanha. O perigo aí, todos sabem, é que o preço para desconstruir o adversário pelo ataque é perder a simpatia dos eleitores, que passariam a ver o outro como vítima.

Por fim, o Datafolha registra um cenário onde a coligação governista deverá concentrar esforços em fazer sua candidatura avançar com mais velocidade. O foco é fazer valer o cabeça de chapa e o resto vem depois. Para isso, tem que segurar o impasse de seus aliados de conveniência e saber como atacar, para não acabar dando um tiro no próprio pé. E ainda resta ver como os atacados irão reagir. A meu ver, aí está a chave dessas eleições.

É claro que nada está definido e tudo pode mudar. A leitura dessas primeiras pesquisas não indica quem vencerá, mas revela que o páreo será duro e mais equilibrado do que o governo imaginou. As apostas estão abertas.

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Datafolha mostra cenário de incertezas e tentações

Por Wanfil em Pesquisa

14 de agosto de 2014

Os números do instituto Datafolha para a disputa pelo governo do Estado no Ceará, publicados pelo jornal O Povo nesta quinta-feira, mostram o seguinte quadro (pesquisa estimulada):

– Eunício Oliveira (PMDB) – 47%
– Camilo Santana (PT) – 19%
– Eliane Novais (PSB) – 7%
– Ailton Lopes (PSOL) – 4%
– Brancos/nulos – 10%
– Não sabe – 13%

Em relação à rejeição, esse são os índices:

– Camilo Santana (PT) – 30%
– Eliane Novais (PSB) – 28%
– Ailton Lopes (PSOL) – 26%
– Eunício Oliveira (PMDB) – 16%
– Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum – 16%
– Rejeita todos/não votaria em nenhum – 5%
– Não sabe – 16%

O cenário
Eleições são apostas feitas não apenas por candidatos, mas pelo conjunto de forças políticas que se movimentam à procura de espaços no próximo governo. Apostar é assumir riscos. E como ninguém quer perder, a repercussão das pesquisas funciona mais ou menos como termômetro para validar ou mudar essas apostas.

Hoje, o cenário é o seguinte: uma chapa de oposição lidera com folga, seguida do candidato escolhido por um governo com aprovação em queda (mas razoável) e que parte com menos da metade das intenções de voto registradas pelo primeiro colocado. Como tem a máquina, a expectativa é que essa vantagem recue com o início do horário eleitoral. A questão é saber se haverá tempo hábil para buscar uma melhor posição.

Ocorre que, sem nenhuma campanha negativa tenha sido feita pelos adversários, o candidato governista tem a maior rejeição, o que gera dúvidas sobre o alcance de sua capacidade de reação, ainda mais quando se sabe que a aprovação à gestão de Cid Gomes caiu de 65% no início do segundo mandato para 46% agora. Ou seja, o lastro do fiador encurtou.

Tentações
Diante disso a primeira tentação para os aliados do governo é a de construir pontes de diálogo com a oposição, pois existe uma chance real de que ela vença. Aí nasce um impasse: ficar ou mudar? Quem é governista hoje, na sua grande maioria, é por conveniência e não por idealismo. Por isso mesmo pretende continuar governo amanhã, não importa muito quem seja o governador. Foi assim em 2006, quando Cid venceu Lúcio Alcântara. Nesse ambiente de incertezas, aliados da base que estão inseguros viram alvos da abordagem oposicionista. Já o governo, se reagir com truculência, na base da ameaça, tende a criar uma antipatia. Todavia, se ficar parado pedindo mais um tempo, pode ser atropelado.

Duas coisas poderiam compensar essa situação para Camilo Santana: o engajamento pessoal e intenso da presidente Dilma (não que ela transfira votos assim, mas pela força política que o candidato demonstraria) e uma grande vantagem de tempo no horário eleitoral gratuito. Acontece que isso não aconteceu e Dilma espera o desenrolar da campanha para ver como agir, pois não quer se indispor com o PMDB de Eunício Oliveira.

Pressionado pelos números e pelas circunstâncias, a candidatura de situação fica exposta a uma segunda tentação: adotar um discurso agressivo. O fato é que mesmo se todos os 13% do eleitores em dúvida optassem por Camilo Santana (o que é impossível), ainda assim ele não passaria Eunício. É preciso, portanto, fazer o adversário perder votos. Talvez por isso Ciro Gomes tenha dito que essa será uma eleição de ódio. Embora cutucasse a oposição, no fundo parecia sentir essa possibilidade como necessidade estratégica para o seu próprio candidato. Não por outra foi ele o autor das primeiras agressões verbais da campanha. O perigo aí, todos sabem, é que o preço para desconstruir o adversário pelo ataque é perder a simpatia dos eleitores, que passariam a ver o outro como vítima.

Por fim, o Datafolha registra um cenário onde a coligação governista deverá concentrar esforços em fazer sua candidatura avançar com mais velocidade. O foco é fazer valer o cabeça de chapa e o resto vem depois. Para isso, tem que segurar o impasse de seus aliados de conveniência e saber como atacar, para não acabar dando um tiro no próprio pé. E ainda resta ver como os atacados irão reagir. A meu ver, aí está a chave dessas eleições.

É claro que nada está definido e tudo pode mudar. A leitura dessas primeiras pesquisas não indica quem vencerá, mas revela que o páreo será duro e mais equilibrado do que o governo imaginou. As apostas estão abertas.