Blog do Wanfil - Sem meias palavras 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Escândalo dos Banheiros Fantasmas: mais perto dos verdadeiros responsáveis

Por Wanfil em Corrupção

20 de junho de 2012

Arquivo Jangadeiro

A TV Jangadeiro mostrou que o caso dos banheiros fantasmas não se restringia a região metropolitana de Fortaleza. Na foto, um dos poucos kits sanitários “feitos” em Ipu. O prefeito está foragido e o ex-secretário adjunto da Secretaria das Cidades, Jurandir Santiago, será investigado.

Imagine, caro leitor, a situação de um síndico de algum condomínio residencial que anunciasse a reforma da portaria e não a realizasse, embora o dinheiro dos condôminos tivesse sumido, supostamente utilizado para a aquisição do material de construção que nunca chegou. Imagine ainda que, uma vez cobrado a prestar contas, esse síndico se limitasse a responsabilizar terceiros e lavasse as mãos. O que aconteceria? A resposta é óbvia. O síndico seria, só pra começar, imediatamente destituído e processado.

A origem

Pois essa é a exata situação de Jurandir Santiago, o iminente mais novo ex-presidente do Banco do Nordeste, que entregou o cargo ao ministro da Fazenda Guido Mantega, depois que seu nome foi incluído no rol dos denunciados no processo do escândalo dos “Banheiros Fantasmas”, como informa o blog da jornalista Kézya Diniz.

Em 2009, Santiago era secretário adjunto na Secretaria das Cidades do Ceará, uma pasta que ninguém sabe explicar muito bem para o que serve, quando mais de 3 milhões de reais foram liberados para a construção de banheiros na área rural do município de Ipu. O dinheiro foi liberado sem a devida fiscalização e os banheiros não foram construídos. O contribuinte e a gente humilde do interior, que vive sem direito a um vaso sanitário sequer, acabaram prejudicados pela, digamos assim, displicência com o nosso dinheiro. Prefeito de Ipu, Sávio Pontes, contra quem há um mandado de prisão justamente por esse caso, está foragido.

A recompensa

Pelos serviços prestados no governo estadual, Jurandir Santiago chegou ao BNB como a única indicação importante do governador Cid Gomes no governo federal. Alguns governadores emplacam ministros, outros conseguem descolar cargos de segundo escalão. É a vida.

A denúncia

No entano, uma vez no BNB, Santiago voltou ao noticiário de escândalos em dois casos. No começo do mês, a revista Época publicou matéria sobre uma investigação da Polícia Federal na instituição que apura o suposto desvio de R$ 100 milhões na instituição. O principal suspeito é justamente o então chefe de gabinete de Jurandir, Robério Gress, indicação do deputado federal José Guimarães (cotado para ser o novo presidente estadual do PT). Após a denúncia Gress foi transferido de cargo.

E agora, o procurador Geral de Justiça, Ricardo Machado, volta com o caso do Ipu. A situação ficou insustentável. Evidentemente, Jurandir Santiago é inocente até que se prove o contrário. Suspeito mesmo que ele seja apenas um técnico que se deixou seduzir pelo canto da sereia dos políticos. Ocorre que, assim como a mulher de César, a um presidente de instituição financeira não pode recair dúvida sobre sua honestidade ou, no caso, competência técnica.

A responsabilidade

Até o momento, apenas os destinatários mais notórios dos recursos que sumiram  tinham sido alcançados pelas investigações. Teodorico Menezes, do Tribunal de Contas do Estado, acusado de operar entidades de fachada e o prefeito Sávio Pontes, do Ipu. Da parte que liberou indevidamente e não fiscalizou a aplicação desses recursos, apenas subalternos menores tinham sido afastados.

Portanto, para encerrar, vale lembrar que o destino dado aos recursos da Secretaria das Cidades não é (verbo conjugado no presente mesmo) responsabilidade apenas de Jurandir Santiago, seu ex-secretário adjunto. Embora fossem suas as assinaturas estampadas em diversos convênios investigados, seus superiores são corresponsáveis, se não administrativamente e judicialmente, pelo menos politicamente pelos atos do órgão. Seus nomes são Camilo Santana e Joaquim Cartaxo, ex-titulares da pasta. É o ônus da liderança. Ou não é?

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A criança e o abutre

Por Wanfil em Crônica

17 de junho de 2012

Pesquisando imagens para um trabalho acadêmico deparei-me com uma foto que me chamou a atenção. Uma criança negra no chão de terra batida, nua, esquálida, observada por um abutre sombrio. Morte e solidão rondam o ambiente. Procurei informações sobre a data e o autor do registro e descobri que essa imagem é a extremidade oposta de uma outra tragédia, que se abateu sobre o próprio fotógrafo que a capturou.

A impressionante imagem foi a glória e a desgraça do fotojornalista sul-africano Kevin Carter

A foto é de 1993 e a criança era uma menina – o rosto ninguém viu, o nome ninguém sabe – que buscava forças para rastejar,  sozinha, em direção a um campo de alimentação da ONU, distante cerca de 1 km. Feita no Sudão e publicada no The New York Times em 26 de março de 1993, rendeu ao fotógrafo sul-africano Kevin Carter, especialista em cobertura de guerras, o Prêmio Pulitzer por Fotografia, em 23 de maio de 1994. É o maior prêmio no mundo para quem trabalha com comunicação.

No entanto, dois meses depois do auge profissional, no dia 27 de julho, Carter se matou envenenado com monóxido de carbono em seu carro, às margens de um rio onde brincava na infância. Ema sua carta de despedida, obviamente perturbado, Kevin relata o seu tormento:

“Eu estou sendo perseguido pela viva memória de matanças, cadáveres, cólera e dor… Pelas crianças famintas ou feridas… Pelos homens loucos com o dedo no gatilho, mesmo policiais, executivos, assassinos…”.

Kevin Carter morreu atormentado pelas imagens que registrou.

E a criança?

Após a publicação da foto, o público passou a questionar o jornal sobre o destino da menina. Afinal, o que teria acontecido a ela? Sobrevivera? Estaria com os pais? A resposta foi que, obedecendo orientação da ONU, jornalistas e fotógrafos não deveriam entrar em contato com as pessoas na região, para evitar doenças contagiosas e mesmo riscos de guerra.

Carter contou que ouviu a criança choramingar e ao perceber a ave, esperou por cerca de vinte minutos, aguardando que o animal abrisse as asas, o que não aconteceu. Ele tirou a foto e correu para afastar o abutre, deixando a criança onde estava. A postura, elogiada por profissionais da fotografia (o fotógrafo não pode nunca interferir na realidade que registra, sob pena de transformar o trabalho em montagem), especialmente em regiões de conflito, foi duramente rejeitada pela opinião pública. O trabalho de maior sucesso de Carter tornou-se também alvo de críticas de cunho moral. Leia mais

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Dia dos Namorados, aliança desfeita

Por Wanfil em Política

12 de junho de 2012

Parecia uma parceria, mas não passou de arranjo eleitoreiro. Na imagem, Cid e Luizianne mantendo as aparências. Nesse caso, o único traído foi o povo.

Véspera do Dia dos Namorados. Em meio a uma crise no relacionamento, ele consulta os amigos. Dias antes, ela dera um ultimato. Cada um desejava conduzir o parceiro de outrora para caminhos diferentes. Ela queria a segurança da continuidade; ele queria vida nova. À noite, ela descobre, por meio de terceiros, que a partir do dia 12 de junho, cada um seguirá para o seu lado. A aliança se desfez, a união fatigou. O PSB decidiu, em anúncio feito por Cid Gomes, que não apoia o candidato escolhido pelo PT de Luizianne Lins. O mesmo Cid que pediu votos a Luizianne, a mesma Luizianne que pediu votos a Cid.

O relacionamento se desgastou, não resistiu ao peso das obrigações cotidianas. A paixão eleitoral deu lugar aos deveres administrativos e fez sucumbir a união. O que antes parecia cumplicidade, não passou – o teste do tempo é implacável – de interesse passageiro.No fundo, sempre desconfiaram um do outro. E os elogios gravados em propagandas eleitorais se transformam em críticas azedas, em negações, ambos os lados testemunhando decepções e lamentos, findando em acusações mútuas de intransigência.

Em jogo, agora, a disputa para saber quem fica com a guarda de Fortaleza. Que aguardem os cidadãos que apostaram (e os que dependem) da coligação celebrada na vitória da eleição passada, quando as juras de fidelidade davam a impressão de que era imortal o que não passava de chama.

Simbolismo perfeito

Nada poderia ser mais simbólico do que a constatação de uma separação – de fato, aguardando ser de direito – no dia em que as pessoas comuns celebram as uniões verdadeiras e livres. Como metáfora, é a demonstração perfeita da completa dissonância entre os nossos gestores e as esperanças da população, entre a política interesseira e o ideal de servir por vocação. Enquanto os poderosos mudam de aliados e de adversários ao sabor das conveniências eleitorais, o eleitor, coitado, busca alguém que tenha compromisso com a cidade e com a palavra empenhada.

A vida continua, todos sabem. No entanto, os momentos que se seguem a uma separação política são de exposição, nunca de reserva. Cada um tentará fazer prevalecer a sua versão e ninguém dirá que o verdadeiro traído nessa história foi o eleitor. Cada um garantirá que está aberto a dialogar com outros parceiros para assim compensar o rompimento do presente. E farão novas juras de amor e fidelidade, prometendo que agora sim Fortaleza será bem cuidada. Até o próximo dia dos namorados, ou melhor, até as próximas eleições.

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Dica de filme: Coriolanus – e um alerta de Shakespeare

Por Wanfil em Cinema

10 de junho de 2012

Coriolanus - As desventuras de um homem que não teme ser autêntico - com seus defeitos e qualidade - num mundo de aparências.

Coriolanus (Reino Unido – 2011), é uma adaptação cinematográfica da peça de William Shakespeare. Gravado na Sérvia, o filme mantém boa parte do texto original – do século XVI -, mas o figurino é contemporâneo, opção mostra que o dramaturgo inglês é atemporal e que suas peças servem a qualquer época.

Caio Márcio Coriolano (Ralph Fiennes) é um general romano, herói de guerra que salvou a cidade do ataque de Tullus Aufidius (Gerard Butler), líder dos volscos. Coriolano é honesto, temido e antissocial. Luta pela pátria, porém, despreza o povo. Aceita concorrer ao cargo de Cônsul para atender um pedido de Volúmnia, sua mãe. Durante a campanha, entretanto, seus adversários fazem o povo se voltar contra ele, que é forçado a se exilar.

Qualquer semelhança com eleições…

Reproduzo trechos da peça, notáveis pela pertinência com que revela a natureza das tramas políticas. Notem como os argumentos de Volúmnia se assemelham aos conselhos de marqueteiros. Vejam como Coriolano não consegue fingir só para parecer agradável aos eleitores (Dilma, por exemplo, chegou e negar que seja contra o aborto, conforme havia declarado meses antes). Destaco algumas passagens em azul.

CENA II

Volúmnia — Porque importa muito falardes hoje para o povo, não segundo a experiência vos ditar, nem como o coração vos aconselha, mas com palavras que só tenham curso superficial na língua, pensamentos bastardos e fraseado sem nenhuma relação com a lealdade do imo peito. (…) Sim, meu filho, dirige-te para eles com teu gorro na mão, assim, levando-o bem à frente, e deixa que teu joelho beije a terra, porque nesses assuntos a eloquência melhor é o gesto; muito mais instruído é o olho do ignorante do que o ouvido.

Palavras e atos

Coriolano esperava que seus atos de bravura falassem por si. No entanto, ao debater com adversários, ele se exalta e destrata o povo. Acaba, por isso, banido da cidade. Tomado de ira, ele desabafa na passagem a seguir.

CENA III

Coriolano – Vil matilha de cães, cujo mau hálito odeio como o pântano empestado, e cuja simpatia estimo tanto quanto o cadáver insepulto e podre que deixa o ar corrompido e irrespirável: sou eu que vos desterro, e aqui vos deixo com vossa inconsistência. Que o mais fraco rumor o coração vos deixe inquieto, e que só com moverem seus penachos vos insuflem terror os inimigos. Ficai com força para banir todos os vossos defensores, até o dia em que vossa ignorância, que só entende quanto venha a sentir, tiver limpado com todos, menos vós — os inimigos de vós mesmos — alfim vos entregando como fracos escravos a algum povo que vos conquiste sem fazer esforço. Por vossa causa desprezando Roma dou-lhe as costas. O mundo é muito grande.

Final

O resto da história fala sobre o desejo de vingança de Coriolano, que se une aos volscos para destruir a antiga pátria. Mas adianto – sem prejuízo para quem deseje assistir o filme – que o final de qualquer personagem que procure ser autêntico no universo da política não pode ser muito diferente ao de Coriolano.

Por último, nesse ano eleitoral, muitas serão as promessas feitas a partir de pesquisas qualitativas. Candidatos, em sua imensa maioria, não falam o que pensam, mas o que entende que seus eleitores querem ouvir. E geralmente o povo só percebe isso, como disse Coriolano, quando sente o peso de duas decisões.

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Ministério da Saúde estuda orientar mulheres que desejam abortar: além de absurdo, é crime!

Por Wanfil em Brasil

06 de junho de 2012

Os apologistas do aborto sempre procuram evitar a perspectiva de uma parte fundamental nesse debate: o abortado

É incrível como alguns setores organizados da sociedade brasileira insistem em promover ações que a favor do aborto e do livre consumo (portanto, também do livre comércio) de drogas, não obstante as leis que as proíbem.

Sem contar com o apoio da opinião pública, ativistas pró-aborto e pró-drogas procuram encaminhar seus sonhos homicidas e delirantes em ações silenciosas, inserindo dispositivos malandros em projetos governamentais. O segredo, claro, é nunca chamar as coisas pelos devidos nomes e apostar na dubiedade, invertendo a lógica dos enunciados de suas propostas para preservar-lhes a essência. Dessa forma, a apologia ao consumo de drogas vira “defesa da liberdade” e o incentivo ao aborto se transforma em ato de “proteção da vida”. Tudo para “combater a hipocrisia” de quem enxerga nas drogas uma prisão tormentosa e no aborto um assassinato abjeto – afinal, o abortado indefeso morre.

Pois bem, vejam a mais nova desses humanistas, em notícia publicada no jornal Folha de São Paulo desta quarta-feira (em azul):

O Ministério da Saúde estuda a adoção de uma política de redução de danos e riscos para o aborto ilegal. Trata-se de orientar o sistema de saúde a acolher a mulher decidida a fazer o aborto clandestino e dar a ela informação sobre riscos à saúde e métodos existentes.

A ideia ainda está em fase de discussão interna, dentro de uma política maior de planejamento reprodutivo e combate à mortalidade materna.

Vejam como palavras podem criar armadilhas. Os defensores do aborto procuram associá-lo a um sentimento positivo. Alguém por acaso é contra a redução de riscos e de danos para qualquer coisa? Claro que não. No entanto, o que dizer dos danos e dos riscos impostos ao abortado? Essa perspectiva, evidentemente, é encoberta pelo palavreado bacana dessa turma, para que ninguém perceba que a discussão, no fundo, é sobre a melhor forma de como violar uma vida. Mas como nada é perfeito, a verdadeira intenção dos ativistas do aborto é revelada quando somos informados que a medida faz parte de uma política maior de planejamento reprodutivo. Percebem? É o incentivo ao aborto como controle de natalidade. É repugnante.  Leia mais

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Depoimento gravado de Cid Gomes: “Luizianne tem o melhor projeto para Fortaleza”

Por Wanfil em Eleições 2012

03 de junho de 2012

O tempo passa, o tempo voa, o mundo gira, nada é para sempre e tudo muda de lugar. Quando o assunto é eleição, os lugares comuns da sabedoria popular ganham praticamente a força de leis da física. O ex-governador Gonzaga Mota sintetizou essa volatilidade com uma frase precisa: “A política é dinâmica”. Alguém discorda?

Cada eleição mostra que essa sentença permanece atual e inegável. Basta observar a parceria entre o governador do Ceará Cid Gomes e a prefeita de Fortaleza Luizianne Lins. Agora que nenhum dos dois pode concorrer à reeleição, a coligação entre seus respectivos partidos, PSB e PT, apresenta fissuras cada vez mais profundas e corre o risco de não se repetir.

Recordar é viver

Não era bem assim quatro anos atrás. Vejam no vídeo abaixo, depoimento do governador na propaganda eleitoral da prefeita endossando a gestão “Fortaleza Bela” e pedindo a recondução da aliada para continuar o que lhe parecia bom demais. A rigor, dizer que um projeto é bom não significa dizer que sua execução é boa. No entanto, o estilo administrativo de Luizianne, atualmente alvo de críticas de aliados próximos a Cid, é o mesmo desde o primeiro mandato. Esse modelo de gestão, segundo Cid Gomes, mereceria mais quatro anos, tal como aconteceu: Luizianne, que no início da campanha aparecia mal avaliada nas pesquisas, reagiu e foi reeleita em primeiro turno.

Confiram a fala de Cid sobre Luizianne na campanha de 2008:

“É muito bom para o governador contar com o apoio da prefeita; é muito bom para a prefeita contar com o apoio do governador. E é muito bom para a prefeita e o governador contarem com o apoio do presidente Lula. Sabem quem ganha com isso? O povo de Fortaleza: você! Luizianne conhece a cidade, está mais preparada e tem o melhor projeto para Fortaleza”.

Mea culpa?

Evidentemente, todos podem mudar de opinião. Leia mais

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Imprensa sob ataque no Ceará: “Joga pedra na Geni!”

Por Wanfil em Imprensa

30 de Maio de 2012

Um grupo de sindicalistas da construção civil patrocinou manifestação que resultou na destruição da portaria do jornal Diário do Nordeste, em Fortaleza, nesta terça-feira (29). Um carro da empresa foi apedrejado. A categoria está em greve há mais de vinte dias. Integrantes do sindicato da indústria gráfica também participaram do quebra-quebra. Na semana anterior, dois profissionais da imprensa já tinham sido agredidos pela malta comandada pelos sindicalistas. No início do mês, uma equipe da TV Cidade, que havia registrado o consumo de cachaça durante as passeatas, também foi alvo da ira dos baderneiros.

Definitivamente a imprensa virou a Geni de certos movimentos organizados no Brasil.  Geni, para quem não sabe, é personagem da música Geni e o Zepelim, composição de Chico Buarque de Holanda. Ao menor sinal de qualquer contrariedade, “Joga pedra da Geni, Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!”. Esses movimentos reivindicatórios fazem e acontecem, comentem crimes em nome de uma causa supostamente justa e não admitem nada menos do que o apoio incondicional aos seus métodos. Isso é autoritarismo!

Impunidade e omissão

Antes, faço uma pequena digressão. Esses arruaceiros agem assim porque confiam na impunidade, devidamente estimulados em duas frentes.  Primeiro, a mesma imprensa que agora é alvo de ataques, corrobora gentilmente com o discurso ressentido desses grupos. Por medo de parecer conservadora – palavra inclusa no índex expurgatório do politicamente correto -, opta por chamar de “manifestação” o que não passa de vandalismo e de “trabalhadores” sujeitos que agem como desordeiros. O jornalismo virou um subprotudo do marxismo. Em nome de furada tese da luta de classes, aceita tudo, até apanhar. O mérito de uma negociação salarial nunca é percebido como mediação normal entre profissionais e empreendedores. É sempre a “luta” dos explorados contra os exploradores. Taí o resultado: intolerância.

A outra frente é a omissão da polícia e das autoridades, que se furtam ao dever de proteger cidadãos (no ataque ao jornal, houve feridos), o patrimônio público e o privado, de manter a ordem, sempre receosos de serem apontados pela imprensa, vejam a ironia, de abuso de autoridade. Ninguém foi preso até o momento. Fosse uma torcida organizada, a discussão seria acalorada, mas como se trata de um sindicato, todo amansam.

Fechou rua para protestar impedindo as pessoas de ir e vir? Tropa de choque neles! Invadiram prédio público e causaram prejuízo ao bem comum? Cadeia! Experimente você contribuintes invadir o Incra ou a reitoria da UFC para ver o que acontece. Mas os movimentos ditos sociais têm passe livre para agir acima das leis. A greve é um direito e a liberdade para protestar idem. Desde que exercidos dentro da legalidade. Qual o problema de fazer passeata na calçada? Por que destruir um canteiro de obras?

A materialização de uma violência moral

Agora, voltando a essa moda de culpar a imprensa pelos males do mundo, muitos colegas jornalistas se mostraram surpresos com os recentes ataques, especialmente ao DN, sem perceber que a violência física que testemunhamos é a projeção natural de uma violência anterior, de caráter institucional, político, moral e ideológico. – Leia mais

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Cid, Luizianne e o darwinismo eleitoral

Por Wanfil em Partidos

28 de Maio de 2012

Darwinismo eleitoral: Não é o mais leal a uma ideologia ou o mais fiel a um aliado que sobrevive. É aquele que se adapta melhor as conveniências das pesquisas.

A semana que passou foi marcada pela troca de farpas, via imprensa, entre a prefeita Luizianne Lins (PT) e o governador Cid Gomes (PSB), sobre a manutenção ou não da aliança eleitoral entre seus partidos para as eleições de outubro em Fortaleza.

A prefeita reclamou da falta de diálogo entre os dois. Em seguida, Cid afirmou estar quites com a prefeita e completou afirmado estar livre doravante, embora reconheça e tenha gratidão pelo apoio vigente nos últimos oito anos.

As bases de uma aliança

Em nenhum momento questões como divergências ideológicas ou incompatibilidades programáticas foram colocadas como entraves para a continuação da parceria. Nada. Críticas veladas sobre incompetência e insinuações de desvios éticos trocadas por integrantes de ambas as gestões não causaram abalos maiores, antes disso, resultaram de um desacerto de natureza bem mais objetiva: a sobrevivência de seus respectivos projetos políticos.

A verdade é que a aliança entre PT e PSB em Fortaleza se desfaz em função de sua única e verdadeira razão de existir: as conveniências eleitorais. Não há prestação de contas, ações conjuntas ou realizações de relevância em debate. A aliança não funcionou do ponto de vista administrativo e isso é tomado como detalhe secundário. Isso não é exclusividade da união entre PT e PSB. É um mal do frágil partidarismo brasileiro, questão que pretendo abordar em outro texto.

Pragmatismo

Cada grupo – governo e município – tem suas pesquisas internas. O movimento de Cid é cristalino: descolamento progressivo da incômoda aliada, que tenta manter a estrutura de poder atual sob sua influência no município e dentro de seu próprio partido. O governo certamente avaliou o peso de entrar numa eleição como força auxiliar de um candidato escolhido por Luizianne. E optou por se afastar dessa possibilidade, com o devido cuidado de evitar transformar o antigo companheiro em vítima.

Fosse a gestão municipal bem avaliada pelo eleitorado, a história seria bem diferente. O próprio governo seria o primeiro a alardear que a parceria eleitoral se projetou em harmonia administrativa de sucesso. Entretanto, o que acontece é o oposto: a silenciosa tentativa de esconder essa parceria administrativa – vendida em eleições passadas como solução infalível.

Darwinismo

O naturalista britânico Charles Darwin consagrou a tese de que somente as espécies mais aptas conseguem sobreviver. Projetando essa característica no ambiente competitivo da política partidária nacional, é fácil observar por que os aliados de hoje podem ser os adversários de amanhã; ou como os inimigos de ontem viram os companheiros de hoje, dançando conforme a música tocada pelas pesquisas. O que interesse é a perspectiva de conquista ou de manutenção do poder. Quem não se adapta, fica para trás. Eis um modo de fazer política que tão cedo não corre o risco de extinção.

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As revelações da seca que castiga o Ceará. Ou: Sem água, não adianta ter aquário

Por Wanfil em Ceará

25 de Maio de 2012

Retirantes (1944), de Cândido Portinari. Sina nordestina?

O Nordeste sofre mais uma vez com a seca. Mais precisamente, a gente humilde do sertão sofre com a estiagem. Para socorrê-las, o governo do Ceará lançou uma campanha de arrecadação de água potável e de alimentos não perecíveis para distribuir entre as famílias atingidas, batizada de Força Solidária. Ninguém em sã consciência é contra uma iniciativa dessas. Nessa hora de necessidade, qualquer ajuda é preciosa. No entanto, é preciso estar atento para não se deixar enganar pelas aparências. O que parece agilidade governamental na verdade é disfarce para a própria imprevidência da gestão pública. Vejamos.

Fenômeno cíclico

Primeiro, não estamos diante de uma catástrofe inesperada. Secas são fenômenos perfeitamente esperados no semi-árido por uma série de razões, como pode atestar qualquer climatologista. Não constituem, portanto, nenhuma novidade ambiental resultante de eventuais desequilíbrios. Via de regra, é algo com que temos que conviver.

Segundo, quando governos lançam campanhas de solidariedade, é justamente a condição de emergência – o inesperado – que as justificam. Dificuldades de acesso ao locais a serem atendidos, destruição dos estoques ou grande número de desabrigados em função de alguma tragédia, demandam esforços adicionais que não estavam previstos. Agora, se o caso é crônico – “histórico”, como bem lembrou o secretário Nelson Martins, do Desenvolvimento Agrário – ou cíclico, políticas públicas de prevenção ou de convivência deveriam ter sido ser estipuladas pelo governo. Se ao longo dos anos as ações de vários governos contribuíram para reduzir os impactos de secas menores, fica claro que ainda não conseguimos conviver com uma seca maior. Leia mais

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Fortaleza no Spaece-Alfa: o bê a bá de um fracasso na educação

Por Wanfil em Fortaleza

22 de Maio de 2012

O resultado do exame Space-Alfa contrasta com a propaganda oficial da Prefeitura de Fortaleza: ilusão não gera resultado. Imagens: Youtube

Fortaleza ficou em penúltimo lugar no exame Spaece-Alfa, o ranking da educação no Ceará, elaborado pela secretaria estadual de Educação e divulgado na segunda-feira (21). Alunos da rede pública de 183 municípios conseguiram melhores resultados nas provas de proficiência que os alunos da capital.

Nos próximos dias, certamente, técnicos e especialistas em educação irão debater os números do levantamento. No campo político, a prefeita Luizianne Lins e o secretário de Educação, Elmano de Freitas, reagiram no mesmo dia da divulgação da pesquisa.

Justificativas

Luizianne sugeriu que a metodologia aplicada no exame seria inadequada para comparar redes de ensino grandes com outras pequenas. A queixa pode ter a sua razão de ser, mas é preciso que a prefeitura prove isso, que mostre em que ponto exato uma possível distorção poderia ter acontecido. Sem isso, o argumento vira bravata.

Já Elmano – pré-candidato do PT para as eleições de outubro em Fortaleza – afirmou que o Spaece, na verdade, comprova que as coisas estão melhorando “significativamente”. O secretário afirma que a capital saltou de 14 escolas com nível desejado em 2003 para 55 em 2011, perfazendo um ritmo nada impressionante de cinco escolas melhorando por ano.

Realidades comparadas

O mérito do Spaece está justamente na comparação entre municípios. O argumento da prefeita não leva em consideração que os recursos das grandes cidades são maiores e o de Elmano peca ao não reconhecer que o problema não está em 2003, mas no presente em que todas as demais cidades do Ceará conseguiram melhorar mais suas notas do que Fortaleza.

De pouco adianta comparar uma realidade somente com ela mesma. É preciso confrontá-la com outras realidades. Uma empresa pode até aumentar suas vendas em relação ao ano anterior, mas se as concorrentes principais tiverem crescido muito mais, avançando sobre o mercado, o sucesso desta empresa será ilusório. Se não quiser ver isso, ela fatalmente quebrará em pouco tempo.

Autismo

Esse autismo analítico é uma praga generalizada na administração pública nacional. No Ceará comemoramos crescimento atrás de crescimento, ignorando alegremente que, por algum motivo, o vizinho Pernambuco cresce muito mais. No Brasil é a mesma coisa. Temos a impressão de experimentar um salto na educação, mas ficamos no 57º lugar entre os 65 participantes do último PISA, o exame de qualidade educacional mais respeitado do mundo. Triste desempenho.

A educação é ponto fraco na atual gestão de Fortaleza, segundo indica o Spaece. E vem piorando. No último ano de mandado, quaisquer que sejam as causas do problema, não há mais tempo para saná-lo. A próxima gestão deverá avaliar criteriosamente essa realidade. Quais regionais têm pior desempenho? Caso existem, quais metas não foram batidas? Como replicar os casos de sucesso? Qual o impacto do crescimento populacional no repasse de recursos a longo prazo? Quem são os melhores gestores para liderar um processo de recuperação?

De tudo isso, fica uma lição: dar uniforme de graça pode até alegrar os pais eleitores, mas não ensina o bê a bá para as crianças. Um desastre que será sentido adiante, quando necessitarmos de mão de obra qualificada para atrair investimentos.

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Fortaleza no Spaece-Alfa: o bê a bá de um fracasso na educação

Por Wanfil em Fortaleza

22 de Maio de 2012

O resultado do exame Space-Alfa contrasta com a propaganda oficial da Prefeitura de Fortaleza: ilusão não gera resultado. Imagens: Youtube

Fortaleza ficou em penúltimo lugar no exame Spaece-Alfa, o ranking da educação no Ceará, elaborado pela secretaria estadual de Educação e divulgado na segunda-feira (21). Alunos da rede pública de 183 municípios conseguiram melhores resultados nas provas de proficiência que os alunos da capital.

Nos próximos dias, certamente, técnicos e especialistas em educação irão debater os números do levantamento. No campo político, a prefeita Luizianne Lins e o secretário de Educação, Elmano de Freitas, reagiram no mesmo dia da divulgação da pesquisa.

Justificativas

Luizianne sugeriu que a metodologia aplicada no exame seria inadequada para comparar redes de ensino grandes com outras pequenas. A queixa pode ter a sua razão de ser, mas é preciso que a prefeitura prove isso, que mostre em que ponto exato uma possível distorção poderia ter acontecido. Sem isso, o argumento vira bravata.

Já Elmano – pré-candidato do PT para as eleições de outubro em Fortaleza – afirmou que o Spaece, na verdade, comprova que as coisas estão melhorando “significativamente”. O secretário afirma que a capital saltou de 14 escolas com nível desejado em 2003 para 55 em 2011, perfazendo um ritmo nada impressionante de cinco escolas melhorando por ano.

Realidades comparadas

O mérito do Spaece está justamente na comparação entre municípios. O argumento da prefeita não leva em consideração que os recursos das grandes cidades são maiores e o de Elmano peca ao não reconhecer que o problema não está em 2003, mas no presente em que todas as demais cidades do Ceará conseguiram melhorar mais suas notas do que Fortaleza.

De pouco adianta comparar uma realidade somente com ela mesma. É preciso confrontá-la com outras realidades. Uma empresa pode até aumentar suas vendas em relação ao ano anterior, mas se as concorrentes principais tiverem crescido muito mais, avançando sobre o mercado, o sucesso desta empresa será ilusório. Se não quiser ver isso, ela fatalmente quebrará em pouco tempo.

Autismo

Esse autismo analítico é uma praga generalizada na administração pública nacional. No Ceará comemoramos crescimento atrás de crescimento, ignorando alegremente que, por algum motivo, o vizinho Pernambuco cresce muito mais. No Brasil é a mesma coisa. Temos a impressão de experimentar um salto na educação, mas ficamos no 57º lugar entre os 65 participantes do último PISA, o exame de qualidade educacional mais respeitado do mundo. Triste desempenho.

A educação é ponto fraco na atual gestão de Fortaleza, segundo indica o Spaece. E vem piorando. No último ano de mandado, quaisquer que sejam as causas do problema, não há mais tempo para saná-lo. A próxima gestão deverá avaliar criteriosamente essa realidade. Quais regionais têm pior desempenho? Caso existem, quais metas não foram batidas? Como replicar os casos de sucesso? Qual o impacto do crescimento populacional no repasse de recursos a longo prazo? Quem são os melhores gestores para liderar um processo de recuperação?

De tudo isso, fica uma lição: dar uniforme de graça pode até alegrar os pais eleitores, mas não ensina o bê a bá para as crianças. Um desastre que será sentido adiante, quando necessitarmos de mão de obra qualificada para atrair investimentos.