Blog do Wanfil - Sem meias palavras 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O mensalão com aspas de Leonardo Boff e um alerta

Por Wanfil em Brasil

20 de setembro de 2012

Leonardo Boff (à direita) com Lula e José Dirceu – O teólogo tergiversa e não vai ao ponto: Os mensaleiros usaram o PT ou se o PT usou os mensaleiros? Eis a questão. (Foto: Antonio Cruz – Agência Brasil)

O teólogo Leonardo Boff assina o artigo Manter viva a causa do PT: para além do “Mensalão” , publicado simultaneamente nos sites de José Dirceu (onde é colunista) e do grupo Democracia Socialista (uma das tendências internas do Partido dos Trabalhadores), afirmando que o julgamento do mensalão tem sido meticulosamente usado para atingir o partido como um todo, fato que ensejaria uma reação de filiados e simpatizantes.

Certo ou errado, esse é um raciocínio legítimo, reflexo do próprio instinto de sobrevivência. O problema é que na sequência dessa argumentação Boff insinua que o mensalão teria sido uma espécie de desvio acidental, impulso isolado cometido por indivíduos menores que se deixaram seduzir pelo poder, e que por isso traíram a essência ideológica e moral do partido. Daí as aspas do título no referido artigo.

A questão é que o mensalão não foi acidente casual, uma vez que o esquema foi comandado pelos líderes da sigla, alguns dos quais seus fundadores. Nesse caso, o mensalão está mais para método do que para tentação de ocasião. Se os mensaleiros usaram o PT ou se o PT usou os mensaleiros, isso acabe ao próprio petismo dizer.

E os outros partidos?

Leonardo Boff afirma que a associação automática e generalizada entre o mensalão e o PT é obra do conservadorismo e da luta de classes. Quais lideranças de classe e quais agentes conservadores seriam esses, Boff não diz. Talvez não possa fazê-lo sob pena de envolver algum financiador de campanha ou companheiro da base de apoio do governo. Mas é verdade que o PT responde sozinho, perante a opinião pública, por ilícitos cometidos em parcerias com outros partidos. Ninguém fala do PP, do PL (hoje PR) ou do PTB de Roberto Jefferson.

No entanto, isso não prova ressentimento de classe ou discriminação ideológica, apenas revela o contraste que entre siglas que nunca foram levadas a sério e uma que gozava de imenso prestígio e credibilidade. Quem se fez o mais poderoso e rico partido do país prometendo acabar com a corrupção foi o PT. De resto, o papel dos demais partidos nessa trama é o de cúmplice, não o de protagonista.

Decepção e fuga

Escrevo pensando em amigos que gostam do PT, gente boa que acredita nele. Compreendo a decepção que eles vivem, assim como outros tantos, muitos dos quais apostaram de boa fé no mito pueril do monopólio da ética exercido pela esquerda, mas querer negar a realidade dos fatos com subterfúgios teóricos é outra forma de corrupção, que dessas vez atenta contra a inteligência. Leia mais

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Que tipo de cidade está sendo debatida nestas eleições?

Por Wanfil em Eleições 2012, Política

18 de setembro de 2012

Sem olhar para os rostos, você sabe diferenciar as propostas dos candidatos à prefeitura da sua cidade? O que eles querem? O que nós queremos?

Um dos benefícios que as campanhas eleitorais pode oferecem nas democracias é a possibilidade de colocar na ordem do dia o confronto entre diferentes visões sobre o papel do poder público – e da sociedade – no encaminhamento de soluções para os problemas de uma cidade, estado ou país.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o embate entre democratas e republicanos reflete uma preocupação de ordem conceitual sobre a própria identidade americana: a economia precisa de mais gastos públicos ou de corte de impostos? Apresentadas as opções, os eleitores americanos escolherão que tipo de proposta lhes parece mais adequada para o momento.

Encenações vazias 

Descontadas as devidas diferenças e projetando a essência da questão para a nossa realidade, podemos nos perguntar: Que projetos estão em curso na atual campanha eleitoral? Que cidade está sendo debatida nessas eleições? Quais aspirações emanam desse debate? Qual a noção de espírito público que anima seus protagonistas (candidatos e eleitores)? A resposta é um enorme silêncio, um vácuo preenchido por fórmulas prontas e discursos decorados. Leia mais

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Afinal, qual o resultado prático das greves nas universidades federais? E quem paga a conta?

Por Wanfil em Brasil

14 de setembro de 2012

Quem paga a conta das greves do setor público que terminam sem nada resolvem? Resposta: o contribuinte! De maioria pobre e sem diploma universitário.

Foram meses de paralisação. Alunos sem aula, custos com a manutenção de prédios vazios, atraso na formação de mão de obra qualificada, semestre retomado às pressas para atender ao formalismo do calendário acadêmico, prejuízo para o contribuinte que sustenta o ensino superior nas universidades federais e para os alunos que estudam de verdade. Nesse caso, prejuízos financeiros e pedagógicos. “Não existe almoço grátis”, ensinava o saudoso Milton Friedman. Não existe ensino gratuito, muito menos greve gratuita. Alguém sempre paga a conta, meus caros.

A relação custo-benefício

A questão é saber se o resultado compensa, digamos, o investimento. Uma greve que repara injustiças, que valoriza a profissão e a instituição ou que proporciona correções de rumo preservando a natureza e a qualidade dos serviços prestados, pode-se dizer, se converte em ganho para a sociedade. Portanto, encerrado o movimento dos docentes dessas instituições, cabe perguntar aos seus líderes: Qual o resultado de tudo isso?

Certamente os professores recuaram para “salvar” o semestre letivo e não prejudicar ainda mais os alunos. Aliás, esse é um roteiro previsível. Grevistas nunca ultrapassam o prazo limite para o cancelamento do semestre (imaginem quantas ações judiciais não decorreriam dessa perda). E o governo sabe disso. E como greve em universidade pública não causa danos imediatos, o governante da hora nem mesmo é pressionado pela população. Dilma Rousseff não perdeu um minuto de sono por causa dessa paralisação.

Perguntas

Dessa forma, algumas questões podem e devem ser levantadas agora que o movimento acabou. Será que a greve é o melhor instrumento de pressão para reivindicar o que quer que seja nessas universidades? Pela frequência com que são feitas, as greves não acabaram banalizadas? Por que não há greve em universidades ou faculdades particulares? O movimento terminou e o que mudou em relação à política de expansão das universidades públicas ou à carreira docente? Qual o custo de um semestre perdido e reposto com aulas improvisadas? Como encarar os alunos? Leia mais

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Pesquisa Datafolha: Arrancada de Heitor? Piso de Moroni? Teto das máquinas?

Por Wanfil em Eleições 2012, Pesquisa

12 de setembro de 2012

Eleições em Fortaleza: O tempo corre e a disputa se afunila.

De acordo com a mais recente pesquisa do instituto Datafolha o próximo prefeito de Fortaleza tem tudo para ser um desses nomes: Moroni Torgan (DEM), com 22%; Roberto Cláudio (PSB), que aparece com 17%, Elmano de Freitas (PT), 16% e Heitor Ferrer (PDT), com 14%. O levantamento, encomendado pelo jornal O Povo e divulgado nesta quarta-feira, tem margem de erro de três pontos percentuais.

Mais distantes, os demais candidatos que pontuaram aparecem na seguinte sequência: Renato Roseno (PSOL) com 8%, Inácio Arruda (PC do B) com 6% e Marcos Cals (PSDB) com 3%.

É claro que nenhuma possibilidade deve ser descartada, pois as variáveis são muitas e movediças. No entanto, tendências se consolidam e, por sua vez, alimentam novos cenários e especulações. Nesse momento, faltando menos de um mês para o primeiro turno, tudo indica que os desempenhos de Moroni Torgan e de Heitor Férrer serão o fiel da balança. O democrata cairá o suficiente para não continuar na próxima fase? E o pedetista manterá o crescimento recente a ponto de ultrapassar os favoritos?

Na cadência de Moroni

Moroni continua liderando a disputa com folga superior à margem de erro. Apesar da trajetória de queda ter se confirmado – menos três pontos em relação a última pesquisa Datafolha –, o ritmo da descida foi menos intenso do que desejavam seus adversários, contrariando os que já apostavam num inevitável segundo turno entre Roberto Cláudio e Elmano de Freitas.

Como essa não é uma eleição polarizada entre dois nomes, a cadência da oscilação de Moroni na pesquisa pode vir a ser seu único trunfo. Seu desafio é buscar reduzir a perda nas intenções de votos, para se manter em condição de competitividade. Se o democrata estiver perto do próprio piso, a situação fica mais complicada para os demais, pois sua queda pode estancar. Não está garantido para o segundo turno, mas ainda briga com boas chances pela vaga.

Moroni pode virar alvo da artilharia pesada dos candidatos com maior poder de fogo e espaço na propaganda eleitoral, o que não aconteceu até agora. No entanto, não é certo para onde iriam os votos dele.

O enigma de Roberto Cláudio e Elmano de Freitas

Candidatos com as maiores estruturas de campanha, representantes das máquinas estadual e municipal, tudo indica que o forte crescimento que os dois experimentaram na largada agora se estabilizou. Ambos subiram apenas um ponto no Datafolha. Apesar de todo o apoio que possuem, continuam tecnicamente empatados na segunda colocação, agora estão ameaçados por Heitor.

Tanto Elmano como Roberto Cláudio estão no páreo, evidente. Todavia, a pesquisa sugere que a força das máquinas já fizeram por eles o que podiam. Escrevi no início da campanha que o desafio dos dois seria mostrar liderança própria, capaz de transcender a indicação de seus padrinhos políticos, a prefeita Luizianne e o governador Cid Gomes. Lançados de última hora na esteira de um rompimento políticos entre PT e PSB, novatos em disputas majoritárias e sem imagem trabalhada anteriormente perante a opinião pública, resta à dupla aguardar para ver o que farão os seus estrategistas e líderes. De qualquer forma, historicamente, convém não duvidar da força da máquinas em eleições.

Heitor Férrer

O eleitorado de Fortaleza costuma a surpreender políticos, analistas e estatísticos. A julgar pelos números do Datafolha, se alguma candidatura pode incorporar essa tradição de reviravoltas é a de Heitor Férrer, que subiu quatro pontos no levantamento.

A mensagem que prioriza a ideia de independência em relação aos comandos do governador e da prefeita, acenando como uma espécie de terceira via de poder no Ceará, associada à imagem de político sério construída por Heitor em seus mandatos como parlamentar, parecem ter surtido efeito. Como tem o menor índice de rejeição – apenas 10% dos entrevistados disseram que não votariam no pedetista –, Heitor é o candidato que conta hoje com o melhor cenário para crescer.

Cenários e especulações

Os candidatos que lideram a disputa vivem um duplo desafio. Por um lado, precisam garantir passagem para o segundo turno, ao mesmo tempo em que precisam preservar pontes de diálogo para angariar o apoio de quem ficar pelo caminho.

Como a briga entre PT e PSB poderá influenciar nessas composições? Em caso de ataques, quem escolher como alvo agora? A pressão criada pelo desempenho nas pesquisas pode reforçar o clima de beligerância os grupos envolvidos e contaminar programas de rádio e televisão. Quem jogará a primeira pedra? Como eu disse no início, novos cenários alimentam novas especulações.

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Movimento contra “a corrupção” faz corruptos tremerem na base?

Por Wanfil em convidado

12 de setembro de 2012

Caros,

Vez por outra o blog abre espaço para convidados. As condições são a parcialidade em relação a algum valor, o apartidarismo político e o não alinhamento com o politicamente correto (todo sujeito politicamente correto é um autoritário, como bem indica a palavra correto). Nada da falsa isenção que a tudo e a todos iguala. Segue abaixo.

Por Fabuloso Inocêncio *

Para completar o quebra-cabeça contra a corrupção é preciso dar nome aos bois. Não há crime sem criminoso. Foto: Corbis

Cearenses que integram o grupo “Unidos Contra a Corrupção”, estudantes a maioria, fincaram 190 cruzes no aterro da Praia de Iracema, por ocasião das comemorações do 7 de setembro. Uma das organizadoras do ato explicou: “A gente está completando 190 anos de independência e infelizmente todos esses anos marcados pela corrupção. A gente está colocando 190 cruzes em protesto, representando 190 anos de corrupção, com o objetivo de trazer reflexão para a sociedade”.

Outro dos organizadores do velório cívico disse a um jornal local: “O Instituto Transparência Brasil divulgou pesquisa que revela que, a cada ano, R$ 85 bilhões de reais vão para a corrupção, recursos que poderiam ir para a saúde, educação, saneamento, segurança e moradia. A independência que o brasileiro quer é o de ver essas necessidades mencionadas sendo resolvidas, e que aqueles que roubam o dinheiro do povo sejam exemplarmente punidos”.

É de se imaginar que essa frente de jovens imbuídos de espírito moralizante tentaria fazer alguma coisa contra as pessoas de carne e osso que efetivamente fraudam, desviam, roubam dinheiro público. Segundo o manual de lógica, seria bem estranho um movimento contra a corrupção que não fosse um movimento contra os corruptos. Mas esse grupo de protesto age de um modo peculiar. Avaliando pelas declarações de seus integrantes à imprensa e pelas fotografias dos atos que publicam na internet, parece que o interesse principal deles consiste em proferir palavras de ordem contra “a corrupção” como um mero conceito, ignorando os agentes que promovem o estado de coisas que o grupo afirma deplorar.

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O que não se vê nas pesquisas eleitorais

Por Wanfil em Pesquisa

10 de setembro de 2012

Aos olhos do público, pesquisa eleitoral parece simples estratificação estatística. No entanto, como sabem os políticos que pagam por elas, são informações complexas e valiosas, desde que bem lidas.

Em toda eleição realizada em ambiente de estabilidade democrática, o papel das pesquisas eleitorais é questionado. Afinal, até que ponto elas influenciam o eleitorado? Não há resposta pronta para essa indagação, pois não se trata de uma ciência exata, apesar de trabalhar com números e estatísticas. A dinâmica das pesquisas numa campanha eleitoral é bem mais complexa do que a maioria imagina.

A presença das pesquisas em nossas vidas

Assim como no futebol e na medicina, o campo das pesquisas eleitorais é objeto de farta apropriação pelo senso comum, constituindo ótima oportunidade para palpiteiros e falsos profetas. Não raro, os levantamentos feitos para os veículos de comunicação são tomados como os produtos de maior importância a nortear o processo eleitoral. Esse é um engano bem comum nas colunas políticas e nas rodas de conversas informais, onde todos parecem perceber supostos erros de comunicação dos candidatos com a facilidade de quem avalia uma receita de bolo.

Para início de conversa, quase tudo o que consumimos nos dias de hoje, de alimentos a livros, de automóveis a softwares, nasce ou se desenvolve com a realização de pesquisas. Um autor de novela pode rever a importância de um personagem a partir da receptividade do público. Embalagens e cores de cosméticos, a preponderância de sabores e odores em alimentos, tudo isso passa por sondagens que avaliam gostos e preferências de variados públicos. Na política contemporânea, não tem sido diferente. Candidatos são tratados como produtos e eleitores como consumidores. É fenômeno de massa. Portanto, não se trata de um improviso, mas de uma prática consolidada que dialoga com múltiplos fatores. Se isso é positivo ou negativo, eis uma boa discussão.

Tipos de pesquisa

De acordo com o sociólogo italiano Domenico  Fisichiela, da Universidade de Roma, “historicamente, o estudo do comportamento eleitoral se desenvolveu em duas direções principais, tendo uma como centro de análise o agregado (isto é, um certo conjunto de votos), a outra, o indivíduo”¹. Em outras palavras, existem as pesquisas quantitativas e as qualitativas. A segunda, de caráter subjetivo, busca entender as motivações que levam aos números da primeira, de natureza objetiva.

Dessa forma, muito antes da divulgação das pesquisas de opinião em veículos de comunicação, partidos e candidatos trabalham com  pesquisas qualitativas, procurando conhecer as expectativas dos eleitores, uma vez que, continua Fisichiela, “o comportamento político é, em grande parte, o resultado das respostas subjetivas à realidade externa, tal qual ela é percebida”².

Variáveis pré-eleitorais e o cross pressures

A cpacidade de ler essa realidade a partir das pesquisas é trabalho monumental e arriscado, pois inúmeras variáveis convergem para que se possa fazer uma leitura correta dos dados coletados, e mesmo esse fatores são motivos para debates entre profissionais da área. Em determinada sociedade, por exemplo, o peso do status socioeconômico pode ser menor do que o étnico ou o religioso. E vice-versa.

Cada uma dessas variáveis, por sua vez, é divisível. A questão econômica pode vir a ser discutida a partir da ótica da geração de emprego ou do valor dos salários. E ainda que um tema seja predominante numa campanha, o eleitor pode ficar exposto a uma situação de cross pressures (pressões cruzadas), formada, numa hipótese, pela soma de sua condição econômica com suas escolhas religiosas ou sua condição étnica.

Existem ainda discussões sobre o papel das ideologias e dos partidos nessa equação, a depender do percentual de eleitores identificados com essas questões (voto cristalizado) e do eleitorado “flutuante”, que amolda sua preferência de voto em consonância com os temas emergentes da campanha eleitoral.

Esses são exemplos de condições pré-eleitorais que atuam sobre a decisão do eleitor. Calibrar o peso disso para construir uma imagem e um discurso só é possível com uma pesquisa bem realizada e uma leitura acurada dessas informações.

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Economia brasileira tem o pior desempenho entre países do BRIC: Azar ou incompetência?

Por Wanfil em Economia

04 de setembro de 2012

Brasil, Rússia, Índia e China. Ficamos em 1º na ordem alfabética, mas comparados o crescimento do PIB,  ficamos em último. E bem atrás.

No discurso oficial a conversa é conhecida. Nunca o Brasil experimentou tamanha pujança econômica, os grandes que se cuidem, etc. e tal. No mundo real, estamos na última posição no BRIC – a celebrada sigla que se refere a Brasil, Rússia, Índia, China, economias que se destacam no cenário mundial como países emergentes, como demonstra quadro comparativo com dados referentes ao 2º trimestre de 2011, publicado pelo jornal Folha de São Paulo. A lista inclui ainda o México e o Chile.

China – 7,6%
Índia – 5,5%
Chile – 5,5%
México – 4,1%
Rússia – 4,0%
Brasil – 0,5%

Fonte: The Economist

Problema conjuntural ou estrutural?

Após a redemocratização, o Brasil conheceu a estabilidade com o Plano Real e subiu com a maré alta da economia mundial no início do século. É o efeito conjuntural que amenizava as deficiências estruturais de economia brasileira. Agora que a maré baixou, entraves antigos voltam a ter seus efeitos potencializados.

Alguns devem se perguntar, incrédulos e espantados, como é que o México e a Índia crescem mais do que o Brasil, se nenhum dos dois foi governado pela sapiência intuitiva de um Lula da Silva. E a resposta é simples: personalismo pode até ser é bom para a autoestima, mas o que gera crescimento sustentável são ações que visem a liberação das forças produtivas: redução da carga tributária, investimento maciço em educação (estamos entre os priores países do mundo nesse quesito), desentrave burocrático e diminuição da máquina pública.

Um dos truques que ajudaram a criar a miragem de uma supereconomia e um novo tempo foi justamente a fuga de comparações com outros países emergentes. Estivemos contentes em crescer, sem nos perguntar, entretanto, porque crescíamos menos que os demais. Não se trata de pessimismo. Mas de estar preocupado com uma avaliação correta para que se possa debater as melhores soluções. Já perceberam como os governos comemoram o aumento de pessoas recebendo bolsas? Esse deveria ser um sinal de alerta.

E a solução?

Esses problemas ficaram conhecidos como Custo Brasil. Daí os recentes pacotes e privatizações do governo Dilma Rousseff. Entre manter a “convicção” estatista – ficando na rabeira do crescimento entre os emergentes – e pedir socorro ao setor privado, a presidente não vacilou. Se isso será bem conduzido, essa é outra história.

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Uma zona de primeira

Por Wanfil em Crônica

02 de setembro de 2012

O Processo, de Franz Kafka. O indivíduo esmagado pela inoperância e falta de lógica das máquinas burocráticas.

Baseado em fatos reais ocorridos em zona nobre.

ATO I

Início de tarde nas instalações refrigeradas de um cartório de imóveis em Fortaleza, a Terra do Sol.

A RECEPÇÃO

  • Bom dia! Eu queria saber se…
  • O senhor pegou a senha?, indagou a atendente.
  • Não. Na verdade só queria uma informação para saber que tipo de senha devo pedir e…
  • [Interrompendo-me] O senhor precisa de uma senha de atendimento geral. Dependendo do caso, encaminhamos para o setor.(Pego a senha e aguardo alguns instantes).
  • Fiz uma solicitação de averbação e uma pendência foi identificada, mas sem especificação do que estaria faltando. Gostaria de saber do que se trata.
  • O senhor será informado no setor jurídico.
  • Posso ir lá?
  • Tem que ter uma senha.(Pego a senha e aguardo alguns instantes).

 ATO II

Na pequena sala com um balcão dividido em três partes, onde uma placa avisa: “Não é permitido o uso de telefones celulares durante o atendimento jurídico”. Um jovem, provavelmente estagiário de direito, me atende.

O JURÍDICO 

  • Bom dia. Em relação a este processo, gostaria de saber o que está pendente.
  • Certo. Vamos verificar. Hummm… Vejo que outras pendências já foram atendidas.
  • Sim. Da vez passada faltou uma certidão negativa comprovando que não respondo processo na Justiça Federal. Não pensei que teria outra pendência.
  • É que analisamos uma por vez.
  • Não seria mais fácil informar todas logo?
  • É assim que funciona senhor.
  • A taxa que paguei na vez passada serve para essa nova análise?
  • Não, senhor! Caso seja feita alguma reparação na documentação, será preciso pagar uma nova taxa para dar publicidade.
  • Isso é complicado. Além de atrasar o processo, ainda sai caro.
  • É assim que funciona senhor.
  • Bom, quero resolver o mais rápido possível. Tenho urgência. Do que se trata agora?
  • O senhor precisa apresentar essas notas promissórias citadas na escritura.
  • Sei. Na verdade, não são notas promissórias, mas recibos simples.
  • É o que consta na análise. Tem que apresentar as notas, com reconhecimento de firma do credor.
  • Não há credor. O Imóvel é meu! A escritura foi devidamente transferida.
  • Preciso ver com a responsável.
  • Posso falar com ela?
  • Não é possível. Mas eu levo o caso e explico.
  • Veja, o imóvel está no meu nome e apresentei todas as certidões negativas.
  • Um minuto que vou levar para a oficial substituta. O senhor pode esperar lá fora.(15 minutos depois)

 ATO III

De volta à sala de recepção, onde espero o retorno do estagiário.

SALA DE ESPERA 

Após meia hora de espera, o estagiário retorna.

  • Senhor, ela deu uma olhada e disse que o senhor terá que registrar firma no cartório de Itaiçaba [Município no interior do estado].
  • Onde? Por que? O imóvel está em Fortaleza!
  • Foi o que ela disse.
  • Isso não faz sentido, pois já se trata de uma outra pendência.
  • Não sei bem…
  • Posso falar com ela?
  • Pode. É só pegar uma senha e voltar aqui para falar com a atendente. (Pego a senha e aguardo alguns instantes).

ATO FINAL

A RECEPÇÃO 

  • Olá, sou eu de novo.
  • Pois não, senhor.
  • Gostaria de falar com a oficial substituta.
  • Sobre o quê?
  • Não estou entendendo mais o que este cartório quer de mim. O assistente do jurídico conversou com ela e me disse que preciso ir a outro município, mas isso não consta da via que recebi. Queria esclarecer o caso. Posso falar com ela?
  • Tem que marcar.
  • Ela não está?
  • Está, mas só atende com hora marcada.
  • Gostaria de marcar uma hora.
  • Número de telefone por favor (anota em um pedaço de papel o número).
  • Quando será?
  • Vou passar para a secretária dela, que irá ligar para o senhor marcando um dia e horário.
  • Isso demora?
  • Não sei. Acho que não.
  • Tem que pegar senha?
  • Não, pode confiar.
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Fortaleza aparece entre as capitais menos endividadas do país: rigor fiscal ou falta de projetos?

Por Wanfil em Fortaleza, Noticiário

01 de setembro de 2012

Quem me acompanha sabe que os meus artigos sempre estiveram entre os mais críticos em relação a gestão da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins. No entanto, quando alguma realização merece reconhecimento, anoto por questão de justiça, sem receio de patrulhamento contra ou a favor. Análises devem se abster das questões pessoais. A crítica não deve ser confundida com campanha sistática contra alguém, assim como o elogio eventual não significa adesão incondicional a algo. De toda ação entendida como positiva ou negativa, podemos fazer reflexões construtivas. Dito isso, vamos ao que interessa.

Matéria da Folha de São Paulo deste sábado sobre o endividamento da capitais brasileiras mostra que Fortaleza tem um dos melhores quadros nessa área. Enquanto São Paulo possui uma dívida que chega a 200% de sua receita anual, Fortaleza aparece com uma dívida que corresponde a apenas 0,5% do que sua prefeitura arrecada. Menos do que Salvador, com 51,2%; Belo Horizonte, que chega a 33%; e Curitiba, com 3,3%.

Antes de comemorar, porém, é preciso avaliar algumas considerações. Primeiro, do ponto de vista político na forma de montar a equipe de uma administração; segundo, das causas para esse baixo endividamento.

Indicações técnicas X indicações politiqueiras

A Secretaria das Finanças está sob o comando do economista Alexandre Cialdini, técnico com experiência em gestão pública e que não é candidato a nada, o que reduz as chances de uso político da máquina . Políticos de carreira, aspirantes ou técnicos indicados por políticos, costumam a trabalhar para seus padrinhos e seus partidos, cedendo a pressões indevidas, alimentando relações de apoio eleitoral e financeiro, e por fim deixando a população em segundo plano. Acabam transformando os órgãos onde atuam em meros trampolins para postulações de aspirantes a prefeito ou vereador.

Que fique a lição para o próximo prefeito. Entre perder um amigo ou um aliado circunstancial e fazer uma indicação correta, fique com a segunda opção, a única que gera resultados para a cidade.

Rigor fiscal ou falta de crédito?

Ao saber da notícia, um leitor amigo fez a indagação fundamental pelo Twitter: “Isso é bom ou ruim?” Para em seguida responder: “Nesse caso o baixo endividamento é ruim, mostra a inabilidade gerar projetos credíveis, no sentido político e financeiro.” O alerta é pertinente. Nem todo endividamento significa inadimplência ou crise, pelo contrário. Ter crédito e usá-lo de forma responsável é condição indispensável para realizar obras. Leia mais

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Pesquisa Vox Populi/Band/Jangadeiro: A força das máquinas começa a pesar na balança

Por Wanfil em Eleições 2012

30 de agosto de 2012

Pesquisa Vox Populi mostra quadro em Fortaleza após o início da propaganda eleitoral gratuita

A pesquisa Vox Populi Band / Jangadeiro para Fortaleza divulgada nesta quarta-feira (29), com margem de erro de 3 pontos  percentuais e realizada entre os dias 25 e 27 de agosto, mostra o seguinte quadro:

Moroni Torgan (DEM) – 26%
Elmano de Freitas (PT) – 13%
Roberto Cláudio (PSB) – 12%
Inácio Arruda (PC do B) – 9%
Heitor Ferrer (PDT) – 9%
Renato Roseno (PSOL) – 7%
Marcos Cals (PSDB) – 3%
André Ramos (PPL) – 1%
Francisco Gonzaga (PSTU) – 0%
Valdeci Cunha (PRTB) – 0%
Ninguém, Brancos e nulos – 5%
Não sabem ou não respondera – 15%

Efeito propaganda

É o primeiro levantamento do Vox Populi para as eleições deste ano em Fortaleza. Por ter sido feito após um razoável tempo de exposição dos candidatos na propaganda eleitoral gratuita, mostra um cenário que já sente o efeito dos programas de rádio e televisão.

Moroni

Moroni aparece na liderança com o dobro do segundo colocado, situação que naturalmente o transforma em alvo. Não por acaso o inserts do candidato democrata já assumem postura defensiva. Com pouco tempo de propaganda e sem aliados de peso, o desafio de Moroni consistirá, basicamente, na tentativa de administrar a vantagem que possui em relação aos demais, buscando retardar ao máximo qualquer redução nessa distância.

Se o recall foi importante para posicioná-lo na frente desde o início da disputa, assim como a imagem de oposicionista diante de uma gestão mal avaliada, isso agora não basta mais para manter a dianteira. O recall perde força à medida em que os outros candidatos se apresentam aos eleitores. A imagem de oposicionista ganha concorrentes dispostos a criticar o governo e passa a enfrentar o contra-discurso do candidato da situação. Hora de procurar outros diferenciais para conquistar eleitores.

Elmano e Roberto

Candidatos que surgiram sob o signo da ruptura entre Luizianne Lins e Cid Gomes, Elmano de Freitas e Roberto Cláudio vivem situação inversa ao líder da pesquisas: contam com grandes estruturas partidárias, farto aporte financeiro e gozam dos maiores tempos na propaganda. Não por acaso surgem tecnicamente empatados na disputa pela segunda colocação. É a força da máquina que se impõe gradualmente, ou seja, a famosa capacidade que os grupos instalados em governos têm de atrair apoios e recursos.

No entanto, se por um lado essa condição compensa a inexperiência dos dois candidatos, ambos novatos em disputas majoritárias e desconhecidos do público, por outro constitui enorme fator de risco, por herdar os ressentimentos do racha entre PT e PSB na capital. Em outras palavras, as circunstâncias podem levá-los a travar duro combate ainda no primeiro turno, que pode fustigar eleitores e dar a chance para que outros candidatos se apresentem como uma espécie terceira opção, de perfil moderado e propositivo. Não seria novidade. A própria Luizianne Lins foi eleita prefeita após se beneficiar estrategicamente do excesso de agressividade e de acusações trocadas entre os líderes daquela eleição.

 Inácio e Heitor

O comunista e o pedetista aparecem empatados com 9%. Mesmo com estruturas reduzidas, os dois estão dentro da margem de erro em comparação com os candidatos apoiados pelo governador e a prefeita. Como ainda há muito tempo até o dia da eleição, tudo pode acontecer e essas candidaturas também se mostram competitivas. São nomes que podem encarnar a imagem acima citada, de uma segunda opção de voto caso o eleitorado rejeite um eventual acirramento na campanha.

Renato Roseno e Marcos Cals

Tanto Roseno como Marcos Cals são políticos que já demonstraram ter fôlego nas retas finais. Ficam ali nas pesquisas sem chamar tanto a atenção, mas conseguem absorver boa parte dos indecisos no decorrer do processo eleitoral.  Isso, evidentemente, não serve de consolo para ninguém. Será preciso aguardar outras pesquisas para saber como essas campanhas se comportam e então saber se podem figurar com potencial de surpresa.

André Ramos, Francisco Gonzaga e Valdeci Cunha

Estão em situação complicada e não mostram expressão no levantamento.

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Pesquisa Vox Populi/Band/Jangadeiro: A força das máquinas começa a pesar na balança

Por Wanfil em Eleições 2012

30 de agosto de 2012

Pesquisa Vox Populi mostra quadro em Fortaleza após o início da propaganda eleitoral gratuita

A pesquisa Vox Populi Band / Jangadeiro para Fortaleza divulgada nesta quarta-feira (29), com margem de erro de 3 pontos  percentuais e realizada entre os dias 25 e 27 de agosto, mostra o seguinte quadro:

Moroni Torgan (DEM) – 26%
Elmano de Freitas (PT) – 13%
Roberto Cláudio (PSB) – 12%
Inácio Arruda (PC do B) – 9%
Heitor Ferrer (PDT) – 9%
Renato Roseno (PSOL) – 7%
Marcos Cals (PSDB) – 3%
André Ramos (PPL) – 1%
Francisco Gonzaga (PSTU) – 0%
Valdeci Cunha (PRTB) – 0%
Ninguém, Brancos e nulos – 5%
Não sabem ou não respondera – 15%

Efeito propaganda

É o primeiro levantamento do Vox Populi para as eleições deste ano em Fortaleza. Por ter sido feito após um razoável tempo de exposição dos candidatos na propaganda eleitoral gratuita, mostra um cenário que já sente o efeito dos programas de rádio e televisão.

Moroni

Moroni aparece na liderança com o dobro do segundo colocado, situação que naturalmente o transforma em alvo. Não por acaso o inserts do candidato democrata já assumem postura defensiva. Com pouco tempo de propaganda e sem aliados de peso, o desafio de Moroni consistirá, basicamente, na tentativa de administrar a vantagem que possui em relação aos demais, buscando retardar ao máximo qualquer redução nessa distância.

Se o recall foi importante para posicioná-lo na frente desde o início da disputa, assim como a imagem de oposicionista diante de uma gestão mal avaliada, isso agora não basta mais para manter a dianteira. O recall perde força à medida em que os outros candidatos se apresentam aos eleitores. A imagem de oposicionista ganha concorrentes dispostos a criticar o governo e passa a enfrentar o contra-discurso do candidato da situação. Hora de procurar outros diferenciais para conquistar eleitores.

Elmano e Roberto

Candidatos que surgiram sob o signo da ruptura entre Luizianne Lins e Cid Gomes, Elmano de Freitas e Roberto Cláudio vivem situação inversa ao líder da pesquisas: contam com grandes estruturas partidárias, farto aporte financeiro e gozam dos maiores tempos na propaganda. Não por acaso surgem tecnicamente empatados na disputa pela segunda colocação. É a força da máquina que se impõe gradualmente, ou seja, a famosa capacidade que os grupos instalados em governos têm de atrair apoios e recursos.

No entanto, se por um lado essa condição compensa a inexperiência dos dois candidatos, ambos novatos em disputas majoritárias e desconhecidos do público, por outro constitui enorme fator de risco, por herdar os ressentimentos do racha entre PT e PSB na capital. Em outras palavras, as circunstâncias podem levá-los a travar duro combate ainda no primeiro turno, que pode fustigar eleitores e dar a chance para que outros candidatos se apresentem como uma espécie terceira opção, de perfil moderado e propositivo. Não seria novidade. A própria Luizianne Lins foi eleita prefeita após se beneficiar estrategicamente do excesso de agressividade e de acusações trocadas entre os líderes daquela eleição.

 Inácio e Heitor

O comunista e o pedetista aparecem empatados com 9%. Mesmo com estruturas reduzidas, os dois estão dentro da margem de erro em comparação com os candidatos apoiados pelo governador e a prefeita. Como ainda há muito tempo até o dia da eleição, tudo pode acontecer e essas candidaturas também se mostram competitivas. São nomes que podem encarnar a imagem acima citada, de uma segunda opção de voto caso o eleitorado rejeite um eventual acirramento na campanha.

Renato Roseno e Marcos Cals

Tanto Roseno como Marcos Cals são políticos que já demonstraram ter fôlego nas retas finais. Ficam ali nas pesquisas sem chamar tanto a atenção, mas conseguem absorver boa parte dos indecisos no decorrer do processo eleitoral.  Isso, evidentemente, não serve de consolo para ninguém. Será preciso aguardar outras pesquisas para saber como essas campanhas se comportam e então saber se podem figurar com potencial de surpresa.

André Ramos, Francisco Gonzaga e Valdeci Cunha

Estão em situação complicada e não mostram expressão no levantamento.