Blog do Wanfil - Sem meias palavras 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Câmara continua sem esclarecer quanto (e como) gastou cada vereador de Fortaleza com verbas de gabinete. Cadê a transparência?

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

18 de dezembro de 2017

Lembram dela?

O presidente da Câmara dos Vereadores de Fortaleza Salmito Filho (PDT) não cansa de elogiar o compromisso da Casa com a transparência. Não duvido de sua sinceridade, mas acontece que por algum motivo desconhecido às vezes é muito difícil ter aceso a determinadas informações.

Para se ter uma ideia, o grupo Patrulha da Transparência, movimento criado na capital cearense, apresentou (dias 24 de agosto e 31 de outubro) dois pedidos de detalhamento sobre os gastos de cada parlamentar com a Verba de Desempenho Parlamentar (rebatizada de Serviços de Desempenho Parlamentar após escândalos de corrupção) e com o pagamento de assessores, todavia, sem sucesso.

Pois bem, no dia  29 de novembro o grupo ganhou o reforço do Partido Livres, representado por seu presidente estadual, o advogado Rodrigo Marinho, que protocolou nova solicitação de prestação de contas, direito garantido por lei. Na ocasião, o vereador chamou a iniciativa de O ano vai acabar e nada! Rodrigo Marinho me disse que o prazo para o atendimento do requerimento se encerra nesta terça (19). Vamos ver.

A situação é no mínimo constrangedora. Se os vereadores não conseguem explicar como gastam as verbas de seus gabinetes, que dizer da função fiscalizadora que deveriam exercer em relação aos gastos do Executivo? Na pior hipótese, lançam sobre a Câmara a sombra da suspeita em relação aos cuidados com a real destinação desses recursos.

Se algum vereador se dispusesse a divulgar os dados de seus gabinetes por iniciativa própria, seria muito bacana, pois estamos falando dinheiro público. Se o problema for, digamos, burocracia, melhor ainda se o presidente Salmito Filho recebesse e ajudasse aqueles que anseiam constatar, na prática, se a transparência anunciada com tanto entusiasmo é mesmo para valer.

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Lei estadual de segurança nos bancos impede uso de óculos escuros nas agências. Agora vai!

Por Wanfil em Segurança

15 de dezembro de 2017

Agência destruída por quadrilha em Baturité. Portas giratórias nada podem contra dinamites (Tribuna do Ceará)

Millôr Fernandes escreveu, em 1978, um texto sobre prevenção e segurança no Rio de Janeiro, em que dizia: “Como os assaltos crescem dia-a-dia, não podendo contê-los, a PM, sabiamente, dá conselhos aos cidadãos para serem menos assaltados”.

Em seguida listou as orientações repassadas ao público naquela ocasião. Destaco duas: “Não demonstre que carrega muito dinheiro”; “Evite aglomerações. Nos locais em que todos se acotovelam os punguistas agem”.

Por fim, sem duvidar das boas intenções das autoridades, mas com sua clássica ironia, concluiu: “Depois de ler com extrema atenção estas instruções oficiais, acrescento as minhas, ou melhor, resumo: 1) Não saia de casa. 2) Se possível, não saia do quarto. 3) De preferência, não saia do cofre“.

No Ceará, onde assaltos a bancos na capital e no interior acontecem semanalmente, geralmente de madrugada, fora do horário de expediente, com direito a explosões de dinamite e ataques a delegacias, não podendo contê-los, o Governo do Estado informa à população: “Camilo Santana sanciona lei inédita no Brasil para regulamentar segurança bancária“.

Li o projeto no site da Assembleia Legislativa. Entre as medidas, além da blindagem dos vidros das agências, a lei proíbe, no seu Artigo 4, inciso II, “o uso de óculos escuros ou espelhados com finalidade meramente estética” nos estabelecimentos financeiros. Agora vai!

Repetindo Millôr, acrescento sugestões para novas leis contra o crime: 1) É proibido ter dinheiro nos bancos; 2) É proibido ao cidadão o acesso a agências e caixas eletrônicos; 3) É proibido transportar dinheiro ou cartões, no máximo, será permitido portar vales-transporte.

Pronto. Problema resolvido.

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Pacientes morrem por falta de condições de trabalho nos hospitais do Ceará: tome uma atitude, governador!

Por Wanfil em Saúde

14 de dezembro de 2017

Candidatos à reeleição, Eunício e Camilo pedem dinheiro ao governo Temer para custeio de hospital inaugurado na gestão Cid, enquanto pacientes sofrem sem remédios e cirurgias nos outros hospitais (Foto: divulgação)

O paciente Valcides Pereira, de 58 anos, internado no Hospital de Messejana à espera de um transplante de coração, morreu no dia 7 de dezembro porque faltou material para a realização da cirurgia. O caso ganhou repercussão nacional no jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo.

Relatos de interrupção de tratamentos, de internações e de realização de cirurgias também foram registrados nos últimos meses em muitos outros hospitais públicos. Entidades como o Conselho de Medicina e o Sindicato dos Médicos já fizeram alertas públicos sobre riscos de morte em razão dessa precariedade crônica.

Recebi ontem pelo Whatsapp a seguinte mensagem um médico, que prefiro não identificar: “Enquanto o Camilo fica no Facebook, vejo pacientes morrendo por falta de tudo, insumos básicos, antibióticos. César Cals, HGF e Messejana nesse estado”.

No início do mês uma médica, que também não identifico para evitar retaliações (essa é uma preocupação constante entre os profissionais de saúde com que falo), me enviou esta outra mensagem: “Falta papel higiênico aqui no hospital. Vários anti-hipertensivos, morfina e Tramal, que são duas medicações importantes para dor forte, também estão faltando”.

Outro relato: “Dá vontade até de largar o trabalho! Mudamos antibióticos o tempo todo, conforme disponibilidade na farmácia. Exames então? Suspeita de infarto não tem dosagem de troponina, uma enzima cardíaca que altera na condição”.

A Secretaria da Saúde diz contra todas as evidências que são problemas pontuais e culpa fornecedores. É sempre a mesma conversa sem jamais reconhecer erros próprios. Ninguém é responsabilizado pelas licitações sem parâmetros de segurança para atrasos e desabastecimento (se fornecedores falham, pacientes estão condenados? Não existem alternativas para compras de emergência? O controle é feito apenas de um mês para o outro?); ninguém é cobrado pelo controle de estoque desse material. DE QUE SERVE O ISGH? Não seria a entidade, contratada a peso de ouro, responsável pela administração e distribuição dos insumos para os hospitais? Nada se faz.

Fica tudo por isso mesmo. Pior: pela ótica de nossos governantes está tudo muito bem, obrigado. Tanto que o secretário da Saúde, Henrique Javi (coincidentemente ex-presidente do ISGH), foi homenageado em novembro na Câmara Municipal de Fortaleza, pelos serviços realizados, apesar da profunda crise no setor. É inacreditável.

Ontem o governador Camilo e seu novo aliado Eunício Oliveira conseguiram a liberação de R$ 30 milhões para o custeio de atividades no Hospital de Quixeramobim, obra eleitoreira inaugurada em 2014 e que não funciona por falta de verbas. Notícia importante, sim, mas reveladora de uma situação constrangedora: autoridades concentram esforços para cobrir falhas de planejamento nas gestões de Cid e Dilma, enquanto pacientes morrem agora em hospitais de referência por falta de remédios e insumos. Médicos, enfermeiros e técnicos sofrem com o estresse no trabalho. Sem contar que colocar mais dinheiro nas mãos de quem não consegue suprir o básico, é temerário. Ia esquecendo: o governo estadual fez palanque festivo recentemente para anunciar a assinatura de autorização para a construção de um hospital regional em Limoeiro do Norte. A ideia de expandir uma rede com problemas de funcionamento não parece sensata.

A essa altura não adianta esperar mais do que desculpas esfarrapadas por parte da Secretaria ou do secretário. Cabe ao governador, candidato à reeleição, tomar uma providência.

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Sobre aliança com PMDB no Ceará Cid diz sim, Ivo diz não e Ciro talvez: parece divergência, mas é método

Por Wanfil em Política

05 de dezembro de 2017

A respeito da possibilidade de subir no mesmo palanque de Eunício Oliveira, do PMDB, a trindade política dos irmãos Cid, Ivo e Ciro Gomes, atualmente no PDT, consegue ao mesmo tempo ser a favor, contra e neutra: um admite, o outro critica e o terceiro lava as mãos. O que pode parecer divergência aos olhos do público é na verdade a velha e boa estratégia de ocupar todos os espaços possíveis para confundir adversários, ludibriar aliados incômodos e aumentar as possibilidades de escolha ao sabor das circunstâncias quando for a hora das convenções estaduais.

Foi assim com Tasso em 2010, Luizianne em 2012, e com o próprio Eunício em 2014: declarações dúbias ou divergentes, hesitações nos bastidores, gestos contraditórios, tudo meticulosamente trabalhado até o momento certo, às vésperas das eleições. É método.

Desse modo, se Ciro estiver bem nas pesquisas no próximo ano a presença de Eunício ao lado de seus aliados no Ceará será um constrangimento para quem se apresenta como o candidato mais crítico ao PMDB. Nesse caso, sem uma aliança formal, Camilo Santana poderá selar um pacto de não agressão com Eunício, porém, a experiência de disputas anteriores mostra que a garantia desses acordos não é lá essas coisas, especialmente se levarmos em conta que a chapa governista teria duas vagas para candidatos ao Senado.

Cid já deu a senha para eventuais mudanças de última hora, lembrando que alianças não podem ser impostas, que precisa ser construída com todos do grupo e por aí vai. Bem entendido o discurso, está dizendo que pode não entregar o que está na vitrine. Assim, quem sonha com ela assume o risco de ficar com as mãos abanando. Mas é claro que Eunício sabe disso. Se aceita participar da encenação, sujeitando-se a nova decepção (nas eleições passada deveria ter sido o candidato governista ao Palácio da Abolição, no que acabou preterido por Camilo, o escolhido do “grupo”) é porque precisa muito e não enxerga na oposição alternativa para suas necessidades. Não há outra explicação.

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Camilo e Eunício na foto que vale por mil palavras

Por Wanfil em Política

04 de dezembro de 2017

Dizem que uma imagem vale por mil palavras. De fato, o teatro político onde se encena o acordão entre PMDB, PT e PDT no Ceará foi resumido de forma contundente por uma foto publicada e divulgada no Facebook do governador Camilo, no último dia 2, durante entrega de casas no Crato, numa parceria com o Governo Federal, que reproduzo abaixo.

Eunício e Camilo entregam casa no Crato: sombra e luz (Foto: divulgação Facebook)

Sob a luz radiante do sol, Camilo Santana sorri. Do outro lado, atrás da janela fechada, no plano escurecido, como coadjuvante, acena Eunício Oliveira. É a imagem que ilustra à perfeição o discurso que busca explicar a presença incômoda do ex-adversário, do PMDB, aliado de Michel Temer, nas hostes governistas lideradas por aqueles que se dizem os maiores inimigos do PMDB e de Temer.

Segundo os Ferreira Gomes a aliança com Eunício é uma espécie mal necessário. Pelo menos foi o que Cid deu a entender em setembro, quando disse a correligionários que “o importante é que a gente não se misture: eu estou fazendo aqui uma aliança, não estou me misturando“.

A estratégia é óbvia. Facilitar a reeleição de Camilo, dividir a oposição e tirar proveito político da liberação de verbas federais (pelo menos até o período das convenções estaduais em 2018). Mais adiante, a depender do cenário nacional, aí as coisas serão realmente definidas. Por enquanto, apenas o governador se mistura.

PS. Uma conhecida figura que transita bem nos bastidores do Palácio da Abolição fez o seguinte comentário sobre a foto: “É o lado sombrio da força querendo se chegar ao lado luminoso”, numa alusão ao universo de Star Wars. Respondi, brincando, que respeitássemos George Lucas.

 

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O estranho sem nome

Por Wanfil em Cinema

30 de novembro de 2017

O povoado de Lago vive aflito à espera de um acontecimento: três criminosos presos próximo dali sairão em breve. O problema é que eles juraram incendiar a cidadezinha e matar seus poucos habitantes.

Certo dia um estranho aparece, mata os três pistoleiros contratados para proteger o lugarejo e ainda estupra uma mulher. Com medo da vingança dos bandidos, as principais lideranças do local dão ao xerife a missão de convencer o estranho a tomar o lugar dos pistoleiros como seu protetor. Ele não mostra interesse e logo todos o bajulam, oferecendo-lhe dinheiro e total controle sobre tudo e todos.

O estranho finalmente aceita e passa a ditar regras humilhantes para os moradores de Largo (chega a mudar o nome da cidade para Inferno, toma mulheres para o seu deleite e pinta a igreja de vermelho). E quando estes ousam reclamar, escutam como resposta: “Vocês escolheram viver assim, covardes”.

Esse é um breve resumo do filme “O estranho sem nome” (1973), primeiro longa dirigido e estrelado por Clint Eastwood. Pode ser conferido na Netflix. E o final – que não vou adiantar, claro – é o ponto alto da trama.

O desespero do povoado me fez lembrar do eleitorado brasileiro. Ou de boa parte dele, à espera de um “outsider” que enfrente os bandoleiros da política tradicional. A passividade dos moradores de Lago, dispostos a ceder qualquer vestígio de autonomia, também me sugere uma inevitável associação com autoridades, intelectuais, religiosos e empresários que temem o poder político no Ceará, como se fosse uma entidade acima de qualquer crítica, cobrança, fiscalização ou questionamento. Uns por medo, outros por falta de alternativa. Nos dois casos, o que mais impressiona – e o filme no fundo trata disso – é como pessoas ou grupos sociais evitam assumir a responsabilidade pelo próprio destino, dispostos a ceder o que for preciso para que alguém se encarregue por eles dessa possibilidade.

 

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Camilo, RC e Eunício confraternizam enquanto Estado vive crise na saúde

Por Wanfil em Sem categoria

17 de novembro de 2017

O governador Camilo Santana, o prefeito Roberto Cláudio e o senador Eunício Oliveira trocaram afagos durante solenidade de lançamento do programa “Juntos por Fortaleza”, nesta sexta-feira.

No mesmo horário, funcionários do Hospital do Coração, em Messejana, protestavam contra o atraso nos salários. Durante a semana, entidades como o Conselho Regional de Medicina e o Sindicato dos Médicos do Ceará denunciaram a falta de remédios e insumos cirúrgicos em diversos hospitais estaduais e da capital.

É claro que ninguém deve criticar quando autoridades deixam diferenças partidárias de lado para cumprir suas obrigações em benefício da população. É desejável a separação entre questões políticas e funções administrativas ou representativas. Agora, é diferente quando essas diferenças são ignoradas em razão de projetos particulares, de natureza eleitoral, deixando em segundo plano os problemas reais da população. Quando projetos que ainda estão no papel recebem mais atenção do que crises como a que temos nos hospitais, é sinal de que alguma coisa está fora da ordem, numa inversão de prioridades entre gestão e eleição.

Nesse exato instante, doentes correm o risco de morrer por falta de condições mínimas de atendimento. Se isso não for uma urgência, nada mais será. Em nota à imprensa, a Secretaria da Saúde justificou o caos jogando a culpa em fornecedores e na burocracia. Repete assim o padrão de desculpas já bem estabelecido na área da Segurança: nunca, jamais admitir erro algum; sempre sustentar que somente as melhores medidas são tomadas; jamais tentar explicas como é que apesar de tantos acertos, os resultados continuam desastrosos.

Sem solução para os problemas do presente, importantes autoridades se reúnem para celebrar novas promessas para o futuro. É o cartão de visitas do acordão entre PT, PMDB e PDT.

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Ciro Gomes critica aproximação entre PT e PMDB: abre o olho, Eunício

Por Wanfil em Política

10 de novembro de 2017

O acirramento de ânimos no PSDB nacional acabou reduzindo a repercussão, no Ceará, sobre um episódio importante para as articulações eleitorais por estes lados. Mais precisamente, uma fala de Ciro Gomes, pré-candidato à presidência da república pelo PDT, em Minas Gerais, na última quinta-feira. Reproduzo trecho, segundo relato do Estadão:

“O PT votou no Eunício para a presidência do Senado. Como é que a gente diz pro povo que houve ‘golpe’ e, ato contínuo, pratica a contradição de confraternizar com o chefe dos ‘golpistas’?”.

Opa! Como é que fica então o acordão entre o PT de Camilo e o PMDB de Eunício, costurado com consentimento do PDT de Cid Gomes? Se o PMDB não presta para a candidatura de Ciro, por que então seria aceitável no Ceará?

Imaginem o presidenciável sendo confrontado por adversários na campanha, que o acusariam de operar com dois pesos e duas medidas, de pregar rompimento em âmbito nacional e ao mesmo tempo se aliar em casa com aqueles aos quais critica.

Sem contar que Eunício já havia dito que seu candidato é Lula, evidenciando que não pretende pedir votos para Ciro, ou seja, que o limite para a composição é justamente a indisposição pessoal entre os dois.

Bem observadas as coisas, o possível acordão entre adversários das eleições passadas no Ceará tem um imenso empecilho: as eleições presidenciais. As conversas entre Camilo e Eunício, com Cid se limitando a dizer que não se nega apoio de ninguém, tiveram até agora dois efeitos práticos: dividir a oposição e deixar o governo estadual compartilhar o bônus político da liberação de verbas federais. Enquanto for útil para quem está tirando proveito da situação, isso será mantido. Porém, está muito claro que a presença de Eunício numa coligação com Camilo e de Cid seria uma contradição incontornável para o discurso de Ciro.

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Surrealismo político: por Michel Temer, Aécio manobra contra Tasso

Por Wanfil em Partidos

09 de novembro de 2017

O senador mineiro Aécio Neves afastou o senador cearense Tasso Jereissati da presidência interina do PSDB, em mais um capítulo da divisão interna que consome o partido.

Para resumir, desde a primeira denúncia contra Temer, Tasso defende que a sigla entregue os cargos no Governo Federal, mantendo o apoio às reformas e fazendo uma autocrítica, enquanto Aécio – presidente licenciado da sigla – quer permanecer na base.

Mesmo enfraquecido depois dos áudios em que pede R$ 2 milhões à JBS para supostamente custear sua defesa na Lava Jato, Aécio ainda controla parte do PSDB, notadamente aquela contemplada com ministérios e verbas federais.

Mas Wanfil, se o governo, recordista de impopularidade, é tão rejeitado por suas práticas fisiológicas, o melhor não seria realmente deixar os cargos? Seria, mas não é tão fácil assim para muitos que contam com a máquina federal para seus projetos eleitorais. Parece surreal. Basta ver como aqui no Ceará até mesmo o PT e o PDT, de oposição, estudam uma aliança com o PMDB, reaproximados pelos recentes aportes de verbas da União para projetos no Estado.

Para Aécio, preservar a aliança formal com Temer é manter a influência sobre os governistas do partido e ainda garantir apoio da base contra novos pedidos de investigação. Para Tasso, a independência é a senha para que o partido possa formatar um discurso de renovação em sintonia com a população.

Não há dúvida de que Tasso, nesse primeiro momento, sai com a imagem fortalecida contra Aécio. O mesmo não se pode dizer do PSDB, vai depender dos próximos capítulos dessa disputa.

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Aliança entre PT (PDT) e PMDB: tudo a ver

Por Wanfil em Política

04 de novembro de 2017

A reaproximação entre PT e PMDB no Ceará não constitui um ponto fora da curva, uma exceção a corromper uma suposta incompatibilidade de valores entre as siglas, demarcada sobretudo após o impeachment. Ao contrário, pelo que informa a imprensa do sul, é antes parte de um movimento bem mais amplo, mais evidente nas regiões Norte e Nordeste.

No Ceará, se algo dificulta essa reaproximação é a relação tumultuada entre Eunício Oliveira e os irmãos Cid e Ciro Gomes, pois o PT por aqui virou um puxadinho do PDT. Nada que a necessidade de garantir foro privilegiado com o menor risco possível não possa superar.

Bacanas mesmo são as declarações de parte a parte. PT e PDT dizendo que podem até aceitar compor com os “golpistas” em nome de uma incerta candidatura de Lula; o PMDB garantindo que prefere deixar ressentimentos de lado para trabalhar, de olhos fechados, para o bem do Ceará. Até parecem que fazem favor ao outro e não agem por interesse próprio.

Tanto sacrifício e amor pelo bem comum podem até comover os que anseiam uma sinecura estatal, mas não apaga a troca de acusações das eleições passadas, que subsistem agora como prova de que todos sempre se conheceram muito bem.

Nota – Quando partidos de oposição no Ceará, especialmente PSDB e PR, aceitam esperar o PMDB decidir de que lado está, aguardando autorização do PDT para fechar com o PT e voltar ao governismo, se igualam àqueles que criticam. 

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Aliança entre PT (PDT) e PMDB: tudo a ver

Por Wanfil em Política

04 de novembro de 2017

A reaproximação entre PT e PMDB no Ceará não constitui um ponto fora da curva, uma exceção a corromper uma suposta incompatibilidade de valores entre as siglas, demarcada sobretudo após o impeachment. Ao contrário, pelo que informa a imprensa do sul, é antes parte de um movimento bem mais amplo, mais evidente nas regiões Norte e Nordeste.

No Ceará, se algo dificulta essa reaproximação é a relação tumultuada entre Eunício Oliveira e os irmãos Cid e Ciro Gomes, pois o PT por aqui virou um puxadinho do PDT. Nada que a necessidade de garantir foro privilegiado com o menor risco possível não possa superar.

Bacanas mesmo são as declarações de parte a parte. PT e PDT dizendo que podem até aceitar compor com os “golpistas” em nome de uma incerta candidatura de Lula; o PMDB garantindo que prefere deixar ressentimentos de lado para trabalhar, de olhos fechados, para o bem do Ceará. Até parecem que fazem favor ao outro e não agem por interesse próprio.

Tanto sacrifício e amor pelo bem comum podem até comover os que anseiam uma sinecura estatal, mas não apaga a troca de acusações das eleições passadas, que subsistem agora como prova de que todos sempre se conheceram muito bem.

Nota – Quando partidos de oposição no Ceará, especialmente PSDB e PR, aceitam esperar o PMDB decidir de que lado está, aguardando autorização do PDT para fechar com o PT e voltar ao governismo, se igualam àqueles que criticam.