Blog do Wanfil - Sem meias palavras 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

A voz de Ciro no PT

Por Wanfil em Eleições 2018

17 de Maio de 2018

A velha lição de Júlio César: “Divide et impera”

Camilo Santana disse, em entrevista ao Estadão, que a insistência do PT na candidatura de Lula é suicida. Defendeu que a melhor opção é embarcar agora na campanha de Ciro Gomes, do PDT, à presidência.

Em sentido contrário, a presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann, declarou no início do mês que “Ciro não passa no PT nem com reza brava”. A senadora, que visita o ex-presidente regularmente na cadeia, hoje é a voz de Lula no PT.

Camilo nunca foi uma liderança proeminente dentro do petismo, mas a força do cargo empresta peso às suas palavras. Seu maior ativo eleitoral foi a legítima relação política com Cid e Ciro Gomes. Combinadas as circunstâncias, o governador cearense hoje é a voz de Ciro no PT.

Sem Lula para garantir a unidade do PT, as divisões internas tendem a se acirrar. É a oportunidade para os estrategistas de Ciro buscarem, quando menos, o apoio informal de lideranças regionais petistas já no primeiro turno, sobretudo no Nordeste, reeditando a histórica estratégia – pregada desde César até Maquiavel – de dividir para conquistar.

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O general tem chance?

Por Wanfil em Eleições 2018

14 de Maio de 2018

É a pergunta que mais tenho escuto há pelo menos duas semanas. Amigos, leitores, colegas jornalistas, ouvintes e até mesmo políticos querem saber um pouco mais sobre o general Guilherme Theophilo (PSDB), o pré-candidato surpresa da oposição para o Governo do Ceará.

É difícil, agora, nesse momento, oferecer ao interlocutor uma resposta que o satisfaça. O pesquisador americano Duncan Watts, no livro “Tudo é Óbvio”, explica que previsões exatas são possíveis dentro de sistemas razoavelmente simples. Prever com precisão a órbita de um satélite ou a velocidade para um avião decolar, embora sejam feitos espetaculares, é fácil: basta fazer os cálculos certos. O resto é física. Já adivinhar o valor do dólar no próximo mês ou qual série de televisão terá mais audiência é algo bem mais complexo, pois as variáveis econômicas, sociais e psicológicas envolvidas são muitas.

Só depois que o resultado aparece é que a maioria, olhando em perspectiva, considera-o óbvio. As explicações surgem aos montes, mas prever mesmo que é bom…

O mesmo vale para eleições. No máximo, é possível estabelecer probabilidades a partir de um conjunto de fatores, como base partidária, apoiadores, capacidade financeira, a conjuntura ou a eficácia da propaganda, podem influenciar. Nesse sentido, Camilo Santana (PT) é o favorito, isso ninguém discute. Até porque é mais conhecido e tem a máquina do estado. Em relação ao general Teophilo ainda existem muitas dúvidas, mas algumas condições pré-estabelecidas já podem ajudar na avaliação de perspectivas.

Seu perfil profissional combina com segurança pública e eficiência administrativa. Há uma parcela do eleitorado indisposta em relação a candidatos indicados pela família Ferreira Gomes, basta conferir os resultados das últimas eleições. Algo ali na casa dos 35%. É um outsider que conta com apoio de políticos experientes. É uma base que pode lhe dar alguma competitividade. As variáveis, repito, são muitas.

Por fim, a curiosidade dos que acompanham a política no dia a dia sobre é um indicativo interessante. Quando o candidato não tem potencial de crescimento, a regra é o desinteresse. O general tem chance? Eu diria que tem chance de conferir emoção a uma disputa que se anunciava sem graça. Já é mais do que esperavam, até uns dias atrás, o governo e a própria oposição.

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A cinco meses da eleição governo propõe Superintendência de Pesquisa para Segurança

Por Wanfil em Segurança

09 de Maio de 2018

Corrida contra o tempo: segurança e eleições terão novo encontro em outubro

A Assembleia Legislativa aprovou nesta quarta-feira o pedido de urgência para a tramitação de um projeto enviado pelo Governo do Estado, que cria a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública do Ceará (SUPESP).

O objetivo, de acordo com o texto enviado aos deputados, é “realizar pesquisas, estudos, projetos estratégicos e análise criminal para o fortalecimento da formulação da política de segurança pública“.

A urgência é compreensível. Faltam pouco menos de cinco meses para as eleições e de sete meses para o fim da atual gestão.

É bom saber que passados quase três anos e meio desde a eleição passada, quando a segurança pública foi o principal tema, e continuando a experiência dos oito anos do governo anterior, a formulação da política de segurança pública será finalmente fortalecida com pesquisas, estudos, projetos estratégicos e análise criminal.

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Ciro diz ter “desagrado profundo e definitivo” em caso de aliança com Eunício no Ceará

Por Wanfil em Política

08 de Maio de 2018

Em entrevista ao Band Eleições, na segunda-feira, Ciro Gomes foi questionado sobre a possibilidade de aliança do PDT com o MDB de Eunício Oliveira no Ceará.

Segue a resposta (grifos meus):

“Lá no Ceará eu estou resistindo muito bravamente. Lembre-se que quem está indo na sucessão lá é o governador Camilo Santana, do PT, que tem minha simpatia, e é a ele quem toca a última palavra da sua aliança. Porém eu tenho deixado com muita clareza a minha, digamos assim, insatisfação, o meu desagrado profundo e definitivo com isso que eu não considero razoável, menos por moralismo e mais porque nós acabamos de nos enfrentar. Acho que a gente tem que ter coerência.”

Reproduzo outro trecho:

“Com a quadrilha do MDB, vamos deixar claro, eu não quero negócio, porque isto aqui é um quadro simbólico.”

Mais um:

Essa quadrilha organizada em que se transformou o MDB tem que ser desmontada. Por quê? Porque eles hoje têm um poder imenso e não têm responsabilidade nenhuma com a sorte do povo, com a sorte da República. E vivendo de destruir governos.”

O recado é cristalino: é impossível dissociar as articulações nacionais das estaduais. E diante das colocações de Ciro, uma vez confirmada a coligação entre PT e MDB no Ceará, a única saída para o PDT manter a coerência seria o rompimento, menos por moralismo e mais por uma questão simbólica.

Confira a entrevista aqui:

 

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Incertezas que pairam sobre as eleições no Ceará: aliança PT-MDB, oposição indefinida, delação da JBS, crise na segurança

Por Wanfil em Eleições 2018

24 de Abril de 2018

As eleições no Ceará prometiam ser uma das mais insossas dos últimos tempos. O governo estadual aumentava sua base de apoio e a oposição permanecia desarticulada. Mas os dias que correm estão atribulados de um modo que fazem lembrar de Cícero nas Catilinárias: “oh tempos, oh costumes”. 

Assim, para além da aparência de marasmo, um conjunto de dúvidas ganhou força a ponto de fazer do atual período de pré-campanha um dos mais tensos que já se viu.

A indefinição sobre a candidatura de oposição é apenas um elemento a mais de ansiedade, diante de outras incertezas. O futuro da possível coligação entre o MDB de Eunício Oliveira e o PT de Camilo Santana é uma delas. Ciro Gomes, do PDT, tem feito críticas à presença do senador na chapa governista. Não é para menos, uma vez que essa aliança é uma contradição com o rompimento pregado por Ciro em relação ao MDB.

Por falar em corrupção, o jornal O Globo desta terça-feira informa que Joesley Batista, da JBS, anexou novos documentos para comprovar o suposto pagamento de propina ao ex-governador Cid Gomes para sua reeleição em 2010 e para a campanha de Camilo em 2014.

O caso, se não for apurado rapidamente, gera insegurança, afinal, nunca se sabe quando a Polícia Federal pode fazer uma operação com prisões. E para completar, até o foro privilegiado, tão sonhado por investigados, pode ser revisto pelo Supremo.

Por fim, tem ainda a crise na segurança pública, que gera inegável desgaste para a atual gestão. Nada que seja definitivo, pois as variáveis são muitas. Porém, quando é assim, sempre há o risco de uma tempestade perfeita, como dizem os meteorologistas.

No balanço entre certezas e incertezas para as eleições no Ceará, começa a ganhar peso, o suspense.

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O efeito Aécio

Por Wanfil em Política

18 de Abril de 2018

Nos anos 80 do Século 20 uma campanha publicitária da vodca Orloff fez muito sucesso no Brasil. Nas propagandas, um sujeito era abordado por uma versão de si mesmo vinda do futuro, que o aconselhava qual marca escolher para evitar ressaca. Surpreso, ele perguntava: “Quem é você?”. E a resposta, tornada bordão nacional, era clara e direta: “Eu sou você amanhã”. Fez tanto sucesso que a expressão “Efeito Orloff” passou a ser usada para as mais diversas situações, especialmente na política.

Aécio Neves, do PSDB, virou réu no STF acusado de corrupção passiva e obstrução da justiça. O senador alega inocência dizendo que recebeu R$ 2 milhões da JBS, em espécie, sem oferecer favores ou benefícios como contrapartida. Sem isso, não haveria corrupção.

Acontece o entendimento da justiça sobre o que venha a ser contrapartida tem sido diferente. Ninguém doa ou empresta milhões de reais a políticos somente por gentileza, altruísmo ou compaixão. Assim, receber fortunas em função do prestígio dos cargos que ocupam já configuraria vantagem indevida.

E o “efeito Orloff”? Calma, chego lá. Se a delação da JBS serviu para colocar Aécio no banco dos réus, é inevitável lembrar que a mesma empresa sustenta que doou, a pedido do ex-governador Cid Gomes (PDT), nada menos que R$ 20 milhões para a campanha de Camilo Santana (PT) em 2014, supostamente em troca de R$ 100 milhões em créditos fiscais do estado. Os acusados negam, claro. Nesse caso, teríamos que concluir então que a JBS doou esses R$ 20 milhões a fundo perdido.

De todo modo, fica evidente que, sem prejuízo à presunção de inocência, o caso de Aécio abre precedente para outros processos e julgamentos, que podem atingir muita gente ainda, e talvez, quem sabe, antes da eleição.

Preparando-se para a campanha, o político citado em delação encontraria Aécio Neves, surgido do nada, e surpreso indagaria: “Quem é você?”. E ele responderia: “Eu sou você, amanhã”. Se não tiver foro privilegiado, a coisa piora. Nessa condição, o “efeito Lula” pode ser o precedente.

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Datafolha: Joaquim Barbosa, mesmo sem fazer campanha, embola o jogo com Alckmin e Ciro

Por Wanfil em Pesquisa

16 de Abril de 2018

Joaquim Barbosa, sem viagens, palestras, vídeos ou redes, aparece empatado ou à frente de candidatos profissionais. Por quê?

O Instituto Datafolha divulgou nova pesquisa para a corrida presidencial, a primeira depois da prisão de Lula. Foram testados vários cenários.

Com Lula na disputa:

Lula (PT) – 31%
Bolsonaro (PSL) – 15%
Marina Silva (Rede) – 10%
Joaquim Barbosa (PSB) – 8%
Geraldo Alckmin (PSDB) – 6%
Ciro Gomes (PDT) – 5%

A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. De todo modo, não deixa de ser uma surpresa ver Joaquim Barbosa embolado com candidatos que estão em campanha há muito tempo. Seu nome já havia sido cogitado em levantamentos anteriores (tinha 5% em janeiro), mas sem muito destaque. Bastou o anúncio de sua filiação ao PSB, na semana passada, para que ele subisse na pesquisa.

No cenário sem Lula:

Bolsonaro (PSL) – 17%
Marina Silva (Rede) – 15%
Ciro Gomes (PDT) – 9%
Joaquim Barbosa (PSB) – 9%
Geraldo Alckmin (PSDB) – 7%
Álvaro Dias (Podemos) – 5%
Fernando Haddad – 2%

Mesmo com a ausência de Lula, Barbosa segue em terceiro, em empate numérico com Ciro e empate técnico com Alckmin. Ciro tem no Ceará sua base e o tucano em São Paulo. Possuem partidos com história e bancadas fortes no Congresso. Joaquim é silêncio, é memória da época em que atuou no julgamento do Mensalão.

É sinal de que a imagem de um candidato de fora do meio política – os outsiders como dizem os especialistas –, continua com considerável potencial. Especialmente se tiverem tempo de TV e acesso ao fundo eleitoral. Essa condição, por si, não garante que sejam bons candidatos ou bons gestores, ou que não venham a sê-los, isso é óbvio. Não é imperativo moral. Em certos casos, pode ser um tiro no escuro. Porém, se isso pode dar destaque a um determinado candidato, é porque reafirma a existência de uma demanda: a dos eleitores cansados, decepcionados, desconfiados e irritados com os mesmos candidatos de sempre.

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Parlamentar usar o nome de Lula ou de Moro é confundir (como sempre) o público com o privado

Por Wanfil em Política

12 de Abril de 2018

Um grupo de parlamentares no Congresso Nacional quer incluir o nome de Lula nos seus próprios nomes para exibi-los no painel de votação. Em resposta, outros ameaçam adotar o sobrenome do juiz Sérgio Moro. É uma reação errada à iniciativa dos apoiadores do ex-presidente preso por corrupção. Perdem a chance de se mostrarem diferentes. É que radicais, ainda que em extremos opostos, se assemelham na forma de agir.

Os dois casos expressam uma incapacidade de distinguir as esferas pública e privada, fenômeno também conhecido como patrimonialismo. Explico: a representação parlamentar não pertence aos seus ocupantes temporários, eleitos pelo povo, mas à República. A manifestação das divergências é garantida pela imunidade parlamentar. Cada um pode defender ou acusar quem bem entender. Agora, usar institucionalmente esses cargos para criar instrumentos de promoção dos seus ídolos ou partidos é confundir a função pública com o interesse particular.

Se a moda pega, nomes de times, artistas, criminosos e escritores, sei lá o que mais, poderão ser adicionados ou subtraídos a cada votação. É uma falta de respeito com a própria liturgia que deveriam preservar. O problema é mais grave do que parece.

Quando o PT chegou ao poder, a falecida ex-primeira dama Marisa Letícia mandou fazer nos jardins do Palácio do Planalto um canteiro de flores vermelhas, em formato de estrela, símbolo do partido, marcando com um símbolo privado a instituição Presidência. Estava ali a expressão de um entendimento sobre o Estado que mais a fundo se estende verbas, estatais, privilégios, cartões corporativos, viagens de jatinho, obras, empreiteiras, bancos, fundos de pensão e por aí vai.

Tudo acaba compreendido como patrimônio dos donos do poder, na clássica definição de Raymundo Faoro. Tudo pertence ao Estado e o Estado pertence ao partido. E quanto maior o Estado e sua burocracia, maior o poder de quem o controla.

Por isso, a polêmica sobre o uso de nomes para fazer dos painéis parlamentares meras placas luminosas de propaganda ideológica pode parecer algo tosco, menor, mas não se enganem: é a expressão da mesma ética e da mesma moral que possibilitaram o mensalão e o petrolão.

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Governadores não conseguem visitar Lula. Jogo de cena

Por Wanfil em Política

11 de Abril de 2018

Sete governadores do Nordeste, entre eles Camilo Santana, e dois da região Norte, além de três senadores e alguns políticos, se deslocaram ao Paraná ontem para tentar visitar Lula na cadeia. Não conseguiram. Segundo a juíza Carolina Lebbos, da 13ª Vara Federal de Curitiba não há fundamento para a flexibilização do regime geral de visitas próprio à carceragem da Polícia Federal“. Ou seja, Lula está submetido a regras que valem para os demais presos.

A improvisação de uma visita feita às cegas por gente tão importante e bem assessorada, sem a confirmação prévia de sua possibilidade junto à PF, é algo estranho. Quem acompanha a cobertura de políticos sabe que um governador não sai por aí sem que antes tudo tenha sido cuidadosamente planejado.

Pelo visto, a visita sem sucesso parece seguir o roteiro político que teve início desde a decretação da prisão de Lula pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na semana passada. Após a encenação de resistência, agora a romaria frustrada de aliados. Tudo para dar a impressão de que o ex-presidente é vítima de um regime de exceção e de quebra explorar a popularidade do ex-presidente no Norte e Nordeste. Foi pensando em dividendos eleitorais, por exemplo, que Renan Filho, de governador Alagoas, se juntou ao grupo. Sim, ele é filho do senador Renan Calheiros.

Nada os impede de tentar novamente, agora do jeito certo. Um de cada vez, quem sabe. Para expressar solidariedade não é necessário fazer ato político partidário em contra decisão judicial que obedeceu o devido rito.

Para encerrar, uma pergunta: quem custeou o descolamento desses governadores e parlamentares? Foi de avião de carreira ou de jatinho?

É só uma pergunta. E perguntar não ofende.

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Lula, o homem que virou “ismo”

Por Wanfil em Política

09 de Abril de 2018

O Lulismo em ação para tentar salvar Lula da prisão – Foto: Agência Brasil

No inusitado comício no dia de sua prisão, o ex-presidente Lula fez uma revelação: Não pararei porque não eu sou mais um ser humano. Eu sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês. A morte de um combatente não para a revolução.

Foi o anúncio da transmutação do indivíduo de carne e osso, por enquanto circunscrito aos limites do cárcere, em expressão metafísica de um ideal confuso, sem postulados claros, representado essencialmente pela imagem do seu próprio criador e, por extensão, pelo desejo de impunidade.

Lula desse modo assumiu de vez como persona o lulismo, expressão que antes identificava o mero culto personalista da esquerda ao chefe máximo. Personalismo que está na raiz de outros “ismos” presentes na cultura política brasileira, como caudilhismo, patrimonialismo, clientelismo, paternalismo, getulismo, sebastianismo (esse importado de Portugal) e populismo, entre outros. No fundo, mais do mesmo, a velha exaltação ao líder infalível, ao escolhido pela História, ao perseguido, ao redentor que se sacrifica em nome do povo, tão cara às ideologias revolucionárias. Como sempre, tudo farsa, manipulação.

Na verdade, o ex-presidente condenado por corrupção tenta mobilizar seguidores a partir de um discurso que se faz de desapego altruísta, mas que é feito primordialmente daquele sentimento bem egoísta de autopreservação a todo custo. Se isso significa expor a massa de manobra a um conflito com a polícia, pouco importa.

Ao proclamar que o pronome pessoal se transformou definitivamente em sufixo, em substantivo abstrato, que o sujeito renasceu como doutrina, ainda que vazia – Lula procura mobilizar apoiadores em atos de uma suposta resistência, para dar aos seus aliados no STF uma desculpa para retomar a discussão sobre a jurisprudência da prisão a partir de condenação em segunda instância e livrá-lo da cadeia.

Resumindo, citando outro “ismo” famoso, é puro casuísmo.

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Lula, o homem que virou “ismo”

Por Wanfil em Política

09 de Abril de 2018

O Lulismo em ação para tentar salvar Lula da prisão – Foto: Agência Brasil

No inusitado comício no dia de sua prisão, o ex-presidente Lula fez uma revelação: Não pararei porque não eu sou mais um ser humano. Eu sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês. A morte de um combatente não para a revolução.

Foi o anúncio da transmutação do indivíduo de carne e osso, por enquanto circunscrito aos limites do cárcere, em expressão metafísica de um ideal confuso, sem postulados claros, representado essencialmente pela imagem do seu próprio criador e, por extensão, pelo desejo de impunidade.

Lula desse modo assumiu de vez como persona o lulismo, expressão que antes identificava o mero culto personalista da esquerda ao chefe máximo. Personalismo que está na raiz de outros “ismos” presentes na cultura política brasileira, como caudilhismo, patrimonialismo, clientelismo, paternalismo, getulismo, sebastianismo (esse importado de Portugal) e populismo, entre outros. No fundo, mais do mesmo, a velha exaltação ao líder infalível, ao escolhido pela História, ao perseguido, ao redentor que se sacrifica em nome do povo, tão cara às ideologias revolucionárias. Como sempre, tudo farsa, manipulação.

Na verdade, o ex-presidente condenado por corrupção tenta mobilizar seguidores a partir de um discurso que se faz de desapego altruísta, mas que é feito primordialmente daquele sentimento bem egoísta de autopreservação a todo custo. Se isso significa expor a massa de manobra a um conflito com a polícia, pouco importa.

Ao proclamar que o pronome pessoal se transformou definitivamente em sufixo, em substantivo abstrato, que o sujeito renasceu como doutrina, ainda que vazia – Lula procura mobilizar apoiadores em atos de uma suposta resistência, para dar aos seus aliados no STF uma desculpa para retomar a discussão sobre a jurisprudência da prisão a partir de condenação em segunda instância e livrá-lo da cadeia.

Resumindo, citando outro “ismo” famoso, é puro casuísmo.