Blog do Wanfil - Sem meias palavras 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Como eu avisei, aliados no Ceará não botam a mão no fogo por Lula

Por Wanfil em Política

13 de julho de 2017

Quem brinca com fogo pode se queimar

Eu não disse? A repercussão no Ceará da condenação de Lula por corrupção mobilizou, no meio político, protestos somente de nomes do PT, que acusaram uma grande armação contra o inocente ex-presidente.

Os adversários optaram por não tripudiar da situação, para não soarem antipáticos.

Já os aliados, vejam que coisa, preferiram não colocar a mão no fogo pelo ex-presidente, tudo conforme o roteiro que antecipei no post anterior: Quem ganha e quem perde no Ceará com a condenação de Lula?

Importante também destacar a posição do governador Camilo Santana, que é do PT, mas que também é Ciro para 2018, elogiou Lula, mas não contestou a decisão de Moro. Disse, sobre o ex-presidente, que nada poderá tirar-lhe “o brilho de sua história”.

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), não tocou no assunto e cumpriu agenda em Brasília junto ao Ministério da Saúde. Foco na gestão. O resto é o resto. Ivo Gomes (PDT), prefeito de Sobral, foi mais além e afirmou que “tudo o que o Brasil não precisa” é a volta de Lula, que “prestigiou a alta bandidagem brasileira”. Cid não se pronunciou ainda.

Ciro Gomes (PDT), em nota, disse “torcer” para que Lula prove sua inocência. Torce porque não tem certeza, é o recado. Como escrevi antes, o PDT conta com a saída de Lula do páreo para fazer de Ciro o candidato das esquerdas, herdando de quebra parte de seus votos. Postura devidamente copiada pelos liderados do pedetista.

O problema para o PT, e em especial para o PT cearense, é que se o partido quiser usar os palanques estaduais para defender Lula é ficar atento para ver se conta com nomes realmente dispostos a queimar a mão no fogo.

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Quem ganha e quem perde no Ceará com a condenação de Lula?

Por Wanfil em Política

12 de julho de 2017

Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão pelo juiz Sérgio Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex. Cabe recurso. Se a decisão for confirmada em segunda instância, o ex-presidente fica inelegível.

De todo modo, existem implicações políticas que interferem desde logo no processo eleitoral. Especialmente para seus aliados. E por incrível que pareça, no Ceará, alguns desses são os que mais podem lucrar com a condenação de Lula.

O principal adversário de Lula no Estado sempre foi o senador Tasso Jereissati, que não concorre ano que vem. E mesmo assim, sua votação se deu mais em função de méritos próprios que por contraposição a outros nomes. Nesse caso, a condenação é eleitoralmente indiferente para o tucano.

Eunício Oliveira sempre foi próximo a Lula. Foi eleito, inclusive, com seu apoio. Mas após romper com o PT do Ceará e com o impeachment de Dilma, o senador naturalmente se afastou do petista. Não é aliado, mas também não é adversário.

Ciro Gomes, ex-ministro de Lula, é quem pode se beneficiar com a condenação de Lula. Mal nas pesquisas, o pedetista pode herdar parte dos votos do ex-presidente, se este sair do páreo. A ruína de um viabiliza a candidatura do outro à Presidência. Assim, o PDT defenderá Lula, mas sem exagero. Sem contar que um bom desempenho de Ciro ajuda a puxar votos para seu grupo no Estado.

Por falar nisso, o governador Camilo Santana, por sua vez, mesmo ainda estando no PT, não tem muito a perder, afinal, sua imagem é mais atrelada a Cid Gomes, de quem foi secretário, do que propriamente de Lula.

Assim, quem mais perde mesmo são as lideranças locais do PT. O partido foi rejeitado nas eleições municipais, quando perdeu metade das prefeituras que tinha. Resta-lhes a figura de Lula, que paira acima do próprio petismo. Por isso mesmo falam em complô. É questão de sobrevivência política.

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Autoridades em busca de explicações para a insegurança no Ceará

Por Wanfil em Segurança

11 de julho de 2017

O governador Camilo Santana defendeu a criação de uma lei que obrigue bancos gastem mais com segurança, de modo a inibir ataques a agências no interior do Ceará. Embora pareça uma solução, seria apenas um paliativo, já que as quadrilhas continuariam a cometer crimes, variando talvez de método e de alvos. A ideia foi anunciada em entrevista à rádio Tribuna Band News nesta terça-feira (11).

Na terça passada (4), o presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, afirmou que o secretário de Segurança, André Costa, “precisa da ajuda da população para que seu projeto tenha sucesso”. Bom, se dependesse da vontade consciente da população, a violência jamais teria chegado aos patamares atuais, não é mesmo?

Já o secretário Costa, comentando na última sexta (7) o aumento de 91% nos homicídios em junho deste ano, comparado com junho de 2016, criticou o judiciário e a superlotação carcerária. Em resposta, o presidente do Tribunal de Justiça, Gladyson Pontes, disse que falta de educação para os jovens.

Fica evidente que apesar das boas intenções, e delas o inferno está cheio, cada autoridade aponta para um lado. Não há um discurso coeso, uma avaliação compartilhada. Na mesma entrevista à Band News, Camilo avaliou que a insegurança é uma combinação de causas diversas, no que tem razão. O desafio, portanto, é unir ações a partir de valores e de políticas públicas consensuais entre os responsáveis por encaminhar saídas para o problema.

Não é o que parece acontecer. O programa Ceará Pacífico, inspirado na experiência de Pernambuco, ensaiou caminhar nesse sentido, mas os números e as falas mostram o contrário.

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A Espada de Dâmocles e a Operação Lava Jato

Por Wanfil em História

07 de julho de 2017

A Espada de Dâmocles, de Richard Westall. A cabeça por um fio

As incertezas quanto à permanência de Michel Temer na Presidência da República jogam sobre sobre Rodrigo Maia, presidente da Câmara, primeiro na linha sucessória na ausência de um vice-presidente, a famosa expectativa de poder.

Ocupando assim o centro das atenções, Maia (codinome Botafogo) passou a ilustrar reportagens que resgataram a citação de seu nome na delação da Odebrecht. Pois é. A condição para assumir o cargo é ter a atuação política submetida ao minucioso exame de investigadores e da imprensa. Aceita se quiser.

Esse concerto político me fez lembrar da Espada de Dêmocles, história da Grécia antiga. Resumindo, Dâmocles, conselheiro e bajulador de Dionísio, disse certa feita que o tirano de Siracusa, na Sicília, era afortunado pela glória e poder que desfrutava.

Em resposta, o rei propôs que trocassem de lugar por um dia, no que foi prontamente atendido. O cortesão foi então cercado de todo o luxo, ouro e belas companhias. Mas depois Dionísio mandou pendurar sobre a cabeça de seu substituto temporário uma espada presa apenas por um fio de rabo de cavalo. A tensão da ameaça constante fez com que Dâmocles perdesse o interesse pelos encantos do cargo e desistisse da troca.

Estar no poder, portanto, é conviver com perigos. No Brasil dos dias que correm, o risco eminente para candidatos a rei é bem específico: é a Operação Lava Jato pendendo como a Espada de Dâmocles sobre a cabeça de quem ocupe o Palácio do Planalto.

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Câmara de Fortaleza divulga prestação de contas… sem contas. E quem paga a conta, como é que fica?

Por Wanfil em Câmara dos Vereadores

05 de julho de 2017

Na página da Câmara Municipal de Fortaleza, estampado com destaque, o leitor fica sabendo:

 

 

 

Muito bacana, mas tem um problema. Se conferir o “Relatório de Atividades do 1º semestre legislativo” na íntegra, o mesmo leitor poderá perceber que, curiosamente, a prestação de contas não apresenta as contas do parlamento municipal nesse período.

O cidadão que paga a conta é informado, por exemplo, sobre a criação de uma comissão para discutir a Lei do Silêncio, a revisão da Lei Orgânica, o convênio com a Associação dos Profissionais Intérpretes e Tradutores de Libras, e que o presidente da Casa, Salmito Filho (PDT), compareceu a eventos públicos e visitou a AMC.

O contribuinte só não fica sabendo nessa “prestação de contas” quanto custaram essas atividades. Nem sobre nada a respeito de gastos. Despesas devidamente discriminadas com passagens, pessoal de gabinete, auxílio disso ou daquilo, ajudas de custo, verbas extras e outros salamaleques é que não aparecem mesmo.

Parece que os senhores e senhoras do parlamento – ou dos parlamentos cearenses – ainda não perceberam que nesse momento em que prefeituras cortam gastos e a população é chamada a fazer sacrifícios por causa da crise, o mais importante é mostrar compromisso com a austeridade com as contas públicas.

PS. Algum vereador mais preocupado poderia alegar: “Ah, Wanderley, quer saber sobre os gastos da Câmara? Basta ir ao portal da transparência”. Eu diria então que não é bem assim. O portal tem limites. Não discrimina gastos por parlamentar. E além do mais, sendo assim, o próprio relatório seria dispensável, afinal, tudo o que vai ali pode ser pesquisado no site da Câmara.

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Gastos públicos superam receitas no Ceará: assunto desgastante para candidatos, mas fundamental para eleitores

Por Wanfil em Política

03 de julho de 2017

A realidade do corte de gastos não combina com a ficção das promessas eleitorais

Fazer promessas e atiçar expectativas estimula a disposição de quem ouve o canto da sereia. Verificar se existem condições materiais para tantas aspirações costuma ser o inverso emocional dessa condição: desestimula o interlocutor. E se o assunto é eleição, dizer não pode ser fatal.

Pois bem. O Boletim de Conjuntura divulgado na semana passada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), mostra que as despesas do governo do Estado cresceram 1,3% no primeiro trimestre de 2017, enquanto as receitas caíram 4,2%. Ou seja, as contas públicas estaduais, em que pese a boa e justa reputação de equilíbrio, ensejam cuidados pois estão no limite nesse momento de crise.

Dificilmente a realidade fiscal é debatida por candidatos. O tema árido, chato e, na atual conjuntura, de natureza frustrante, já que a contenção de gastos se impõe como necessidade, contrastando com as demandas eleitorais de aliados e de grupos de interesse por ampliação de despesas. Além do mais, coloca em pauta assuntos potencialmente desgastantes, como déficit previdenciário e limite com pagamento de folha salarial para servidores.

É o tipo de situação que pode colocar décadas de esforço fiscal a perder, condenando o futuro do estado. É quando um governo mostra se o seu compromisso é com o desenvolvimento responsável ou com as conveniências do momento. O mesmo vale para a oposição. Por isso, quando qualquer um dos candidatos prometer isso ou aquilo para este ou aquele setor, este ou aquele grupo, lembre-se: tal investimento deverá corresponder, obrigatoriamente, a cortes em outras áreas. É matemática. O resto, é propaganda. E propaganda, já diz o ditado, é a alma do negócio.

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Nem impopularidade de Temer ajuda greve “geral” das centrais. Geral mesmo é o descrédito de ambos

Por Wanfil em Política

30 de junho de 2017

Greve “geral” em Fortaleza contra governo impopular . Mas onde estão os trabalhadores?

Centrais sindicais organizaram nesta sexta nova greve geral contra o governo federal e contra as reformas trabalhista e da Previdência. Como em dia útil e no horário de expediente a maioria dos trabalhadores está ocupada, novamente a greve geral não é geral, muito pelo contrário.

Já que Temer bate recorde de impopularidade, talvez se as manifestações fossem marcadas para o final de sema, tal como nos protestos contra Dilma, mais pessoas participassem. Mas nesse caso, para os organizadores, há um problema. É que as centrais sindicais não conseguem mobilizar grandes contingentes, a não ser pressionando empregados de algumas categorias nas portas das fábricas e lojas. No máximo, conseguem fazer barulho atrapalhando o trasporte público.

E por que essas centrais não conseguem atrair quem deveriam representar? Simples. Porque são imediatamente vinculadas pelo cidadão comum aos partidos políticos de oposição que as controlam, com suas bandeiras vermelhas, tão corruptos e desmoralizados quanto o atual governo. E assim, o sujeito até desaprova Temer e questiona pontos das reformas, mas não aceita por isso andar ao lado daqueles que quebraram o país e assaltaram os cofres públicos, não vai dar discurso a quem deveria estar calado.

Ao tentarem pegar carona na insatisfação geral usando seus ativistas no sindicalismo, esses partidos políticos acabam mesmo é constrangendo a participação espontânea de muitos que, sem confiar em mais ninguém, resolveram esperar para ver no que vai dar. Geral mesmo é a falta de representatividade de governantes, opositores e sindicatos.

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Governo e oposição disputam para ver quem tem menos credibilidade

Por Wanfil em Ideologia

29 de junho de 2017

O governo Temer conseguiu aprovar o relatório da reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Em breve deverá ser votada em plenário. A oposição cerrou fileiras contra o projeto.

O tema é de relevância indiscutível, mas acaba servindo, ao final, pelo menos para a maioria, de pretexto. Governistas buscando sobrevida com uma agenda que fuja dos escândalos, opositores de olho nas eleições do ano que vem. Um fala de futuro, mas vive assombrado pelo passado; o outro convoca greves que são solenemente ignoradas pelos trabalhadores de verdade. Sem poder confiar em ninguém, o cidadão espera para ver como é que fica.

Uma coisa é certa, a história recente mostra: caso a não seja aprovada agora, a reforma voltará como prioridade em breve, não importa quem estiver no poder, mesmo partidos de esquerda. Foi assim com a privatização. Basta ver a alegria com que essas forças comemoram no Ceará o fato de uma empresa privada europeia ter arrematado as operações no Aeroporto Pinto Martins, embora fizessem da pregação contra as privatizações um ato de fé e convicção inabaláveis.

O PMDB é de direita? Não. O PSDB é de direita? Claro que não. São de centro esquerda. E onde está a direita? Um pouco no mercado, um pouco nas tais equipes econômicas que rearrumam a casa de tempos em tempos. Mas só um pouco, que nossa direita adora juros subsidiados.

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Se a delação da JBS vale para denúncia contra Temer, então vale para os demais…

Por Wanfil em Ceará

27 de junho de 2017

Rodrigo Janot, da PGR, denunciou o presidente Michel Temer ao STF por corrupção passiva. O presidente fez pronunciamento rebatendo a acusação e, assim como Lula, alegou inocência, se disse perseguido e cobrou provas. O caminho para uma condenação formal é tortuoso e precisa passar pelo Congresso. Mas, politicamente, Temer está arruinado.

No Ceará, curiosamente, alguns dos maiores críticos do presidente não podem comemorar a decisão de Janot. Pelo menos, não como gostariam. É que a base da denúncia contra o presidente é a delação de Joesley Batista, dono do grupo JBS, a mesma empresa que acusa o ex-governador Cid Gomes de ter, supostamente, enviado emissários para cobrar propina em troca de créditos fiscais nas eleições de 2014. Cid, assim como Temer, nega e chama os delatores de bandidos.

Para ser justo, existem diferenças que merecem ser observadas. Contra o presidente, por exemplo, existe até gravação. O problema é que, pela lei, se algum ponto da delação for mentira, o acordo por inteiro pode ser desfeito. E como todos sabem, o acordo com os donos da JBS foi o melhor entre os delatores: liberdade total.

Se em Brasília a pressão contra Temer chega as raias do insuportável, por aqui na Terra do Sol, discretamente, quase todos fazem de conta que a delação da JBS vale para uns e não para outros. O silêncio dos implicados, porém, não deixa de ser sintomático.

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Pesquisa Datafolha: Lula na frente, Bolsonaro empatado com Marina e Ciro Gomes muito atrás

Por Wanfil em Pesquisa

26 de junho de 2017

Lula, Marina e Bolsonaro se distanciam de Ciro. Ainda falta muito, as imagens do futuro ainda estão sem foco, mas expectativas fazem parte do jogo

A pesquisa Datafolha publicada nesta segunda pelo jornal Folha de São Paulo mostra os seguintes números para o primeiro turno da disputa presidencial do próximo ano:

30% – Lula (PT) – (tinha 22% em dezembro/2016)
16% – Bolsonaro (PSC) – (tinha 5%, subiu 11 pontos)
15% – Marina (Rede) – (liderava com 24% no mesmo período)
8%  – Geraldo Alckmin (PSDB) – (tinha 14%)
5%  – Ciro Gomes (PDT) – (com 7%, estava à frente de Bolsonaro)
2%  – Luciana Genro (PSOL) – (manteve os 2%)

Com João Doria
Em outro cenário, com João Doria como candidato do PSDB, as coisas não mudam muito. O prefeito paulistano, menos conhecido e sem recall de outras eleições presidenciais, aparece com 10%.

Sem Lula
Se a disputa se der apenas entre nomes não citados na Lava Jato, Marina assume a dianteira com 27%, seguida por Bolsonaro (18%), Doria (14%) e Ciro (12%).

Observações
Pesquisas feitas a mais de um ano para as eleições falam mais do presente do que do futuro. Outros nomes e fatos poderão surgir e a dinâmica típica dos processos eleitorais ainda não interfere nas decisões. De todo modo, é possível perceber algumas tendências:

1 – O PT não tem nome alternativo a Lula. Outro problema para o ex-presidente – além da possibilidade de ser preso – é a alta rejeição de 46% dos eleitores;

2 – Sem Lula e o PT, Marina surge como opção de esquerda mais conhecida. Ciro cresce, mas ainda fica longe dela. No entanto, pelo menos entraria na briga;

3 – Doria mostra potencial de crescimento muito superior ao de Alckmin;

4 – Bolsonaro já se consolida como fenômeno pré-eleitoral. Ciro já disse que o deputado divide os votos anti-PT, o que seria bom para candidatos de esquerda. Faz sentido;

5 – a candidatura de Ciro ainda não decolou, apesar de seus esforços midiáticos, com declarações fortes e críticas direcionadas, por exemplo, a Doria. Não funcionou. Como já foi candidato outras vezes, é adversário de um governo impopular e tem recall, era de se esperar melhor desempenho do ex-governador;

6 – no que diz respeito ao Ceará, a candidatura de Ciro é fundamental para manter aliados locais em torno de um projeto de poder viável e com a possibilidade de transferência de votos. Mas, para isso acontecer, é preciso que sua candidatura tenha o mínimo de competitividade, pois a maioria dos eleitores, por pragmatismo, tende a restringir suas opções entre aqueles que têm reais chances de vitória.

No momento, as expectativas não parecem promissoras, mas, como diz o clichê, ainda é muito cedo e tudo pode acontecer.

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Pesquisa Datafolha: Lula na frente, Bolsonaro empatado com Marina e Ciro Gomes muito atrás

Por Wanfil em Pesquisa

26 de junho de 2017

Lula, Marina e Bolsonaro se distanciam de Ciro. Ainda falta muito, as imagens do futuro ainda estão sem foco, mas expectativas fazem parte do jogo

A pesquisa Datafolha publicada nesta segunda pelo jornal Folha de São Paulo mostra os seguintes números para o primeiro turno da disputa presidencial do próximo ano:

30% – Lula (PT) – (tinha 22% em dezembro/2016)
16% – Bolsonaro (PSC) – (tinha 5%, subiu 11 pontos)
15% – Marina (Rede) – (liderava com 24% no mesmo período)
8%  – Geraldo Alckmin (PSDB) – (tinha 14%)
5%  – Ciro Gomes (PDT) – (com 7%, estava à frente de Bolsonaro)
2%  – Luciana Genro (PSOL) – (manteve os 2%)

Com João Doria
Em outro cenário, com João Doria como candidato do PSDB, as coisas não mudam muito. O prefeito paulistano, menos conhecido e sem recall de outras eleições presidenciais, aparece com 10%.

Sem Lula
Se a disputa se der apenas entre nomes não citados na Lava Jato, Marina assume a dianteira com 27%, seguida por Bolsonaro (18%), Doria (14%) e Ciro (12%).

Observações
Pesquisas feitas a mais de um ano para as eleições falam mais do presente do que do futuro. Outros nomes e fatos poderão surgir e a dinâmica típica dos processos eleitorais ainda não interfere nas decisões. De todo modo, é possível perceber algumas tendências:

1 – O PT não tem nome alternativo a Lula. Outro problema para o ex-presidente – além da possibilidade de ser preso – é a alta rejeição de 46% dos eleitores;

2 – Sem Lula e o PT, Marina surge como opção de esquerda mais conhecida. Ciro cresce, mas ainda fica longe dela. No entanto, pelo menos entraria na briga;

3 – Doria mostra potencial de crescimento muito superior ao de Alckmin;

4 – Bolsonaro já se consolida como fenômeno pré-eleitoral. Ciro já disse que o deputado divide os votos anti-PT, o que seria bom para candidatos de esquerda. Faz sentido;

5 – a candidatura de Ciro ainda não decolou, apesar de seus esforços midiáticos, com declarações fortes e críticas direcionadas, por exemplo, a Doria. Não funcionou. Como já foi candidato outras vezes, é adversário de um governo impopular e tem recall, era de se esperar melhor desempenho do ex-governador;

6 – no que diz respeito ao Ceará, a candidatura de Ciro é fundamental para manter aliados locais em torno de um projeto de poder viável e com a possibilidade de transferência de votos. Mas, para isso acontecer, é preciso que sua candidatura tenha o mínimo de competitividade, pois a maioria dos eleitores, por pragmatismo, tende a restringir suas opções entre aqueles que têm reais chances de vitória.

No momento, as expectativas não parecem promissoras, mas, como diz o clichê, ainda é muito cedo e tudo pode acontecer.