Blog do Wanfil - Sem meias palavras 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Camilo reconhece que segurança pública será o grande tema das eleições no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2018

01 de agosto de 2018

Camilo Santana reconhece que segurança será tema central nas eleições 2018. (FOTO: Tribuna Band News)

Durante evento com aliados na última segunda-feira (30), quando os ataques promovidos por facções criminosas completavam o quarto dia seguido, o governador Camilo Santana (PT) causou suspense entre os presentes ao anunciar que falaria sobre segurança pública.

“Eu queria colocar aqui um tema, que pra mim é muito precioso, porque talvez seja o grande debate que ocorrerá esse ano, nessas eleições, que é o problema da segurança.”

Logo em seguida, a frustração. Candidato à reeleição, Camilo evitou falar dos acontecimentos que mobilizavam até a grande imprensa nacional. Disse que o problema é complexo e envolve os poderes Legislativo e Judiciário, e que o combate ao tráfico de drogas é constitucionalmente uma obrigação do Governo Federal. Entretanto, no que diz respeito ao Estado, o governador se mostrou otimista.

“Eu tenho dito pras pessoas, da mesma forma que o Ceará construiu uma política de sucesso na educação, eu não tenho dúvida que também nós estamos construindo uma política de segurança pública que a médio e longo prazo nós seremos uma referência para o País, eu não tenho dúvida disso”.

O lapso sobre os ataques não foi casual, é claro. O governador coloca a questão de modo mais abrangente para prevenir maiores desgastes de imagem. Até mesmo a oposição anda cautelosa, para não parecer que torce pelo pior. Aliás, ela sabe que a simples cobertura dos acontecimentos já gera um impacto considerável junto a opinião pública.

Apesar do silêncio sobre os ataques, o governador acertou em cheio quando disse que segurança será o tema central da campanha. Assim, para que o debate seja realmente frutífero, tão importante quanto compreender que o assunto é difícil, é saber que a prevalência do tema não se dá por indução ou manipulação política de adversários ou de “oportunistas”, mas pela imposição nua e crua dos fatos. E das facções.

(Texto originalmente publicado no portal Tribuna do Ceará).

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Brás Cubas explica silêncio de Eunício sobre críticas de “aliados”

Por Wanfil em Eleições 2018

30 de julho de 2018

(FOTO: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Fábio Campos destaca no site Focus o silêncio de Cid Gomes diante das críticas de seus irmãos Ciro e Lia Gomes (PDT) contra o senador Eunício Oliveira (MDB). Candidata a uma vaga na Assembléia Legislativa, Lia aconselha publicamente que ninguém vote em candidatos do MDB, nem mesmo para senador.

Vez por outra Cid procura contemporizar declarações dos irmãos, mas quando o assunto é a coligação com o MDB no Ceará, prefere tergiversar. A observação sobre esse silêncio me fez lembrar de outro, do próprio Eunício, ele mesmo alvo de constantes críticas feitas por nomes do PT e do PDT.

Certamente ele aposta na discrição para garantir o apoio do governador Camilo Santana. Ocorre que ao calar, o senador parece consentir com a ideia de que PT e PDT apenas o toleram como um parceiro útil administrativamente, mas inconveniente na perspectiva eleitoral, uma espécie de mal necessário. Por essa razão é que união entre MDB e os partidos que comandam a chapa governista tende a ser, pelo menos até o momento, informal. É o reconhecimento de que se trata de uma aliança envergonhada.

O artigo ainda me trouxe à memória uma fala de Brás Cubas, personagem de Machado de Assis, bastante útil para a compreensão de certas ausências no debate político: “Há coisas que melhor se dizem calando”.

(Texto originalmente publicado no portal Tribuna do Ceará)

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O fim de semana em que cearenses ficaram entre facções e convenções

Por Wanfil em Eleições 2018

29 de julho de 2018

Fortaleza foi palco de onda de ataques entre a noite de sexta e a madrugada de domingo (FOTO: Arquivo)

O final de semana no Ceará foi marcado pela realização de convenções e encontros partidários e pelos ataques a ônibus e a prédios públicos e privados, ao que tudo indica, por obra de facções criminosas.

Nada poderia ser mais representativo de uma realidade do que o encontro entre essas agendas. Eleições e segurança, protagonizam o noticiário político desde a disputa de 2006, quando Cid Gomes foi eleito com seu Ronda do Quarteirão.

Nem sempre os ataques ocorrem em sincronia com o calendário eleitoral. Todo ano é a mesma coisa. Mas agora, com a recente onda chamando a atenção do noticiário nacional desde a sexta-feira, o assunto se coloca como imposição dos fatos.

Nos encontros dos partidos de oposição, não faltaram críticas e cobranças. Mais do que normal, é necessário. Foi assim com o PSL e também na convenção do PSDB e Pros. Já na reunião do PT, no sábado, a principal pauta foi a acomodação de aliados na chapa governista.

Nada mais representativo de uma realidade.

(Texto publicado no portal Tribuna do Ceará)

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“Tenho sido alvo do PT”, diz Ciro na véspera de encontro petista no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2018

27 de julho de 2018

“Sou candidato contra o candidato do PT e tenho sido alvo do PT” palavras de Ciro Gomes a jornalistas em convenção do PDT de São Paulo, quinta-feira passada (26). Para contextualizar, a declaração busca rebater a repercussão negativa causada por uma fala anterior, quando o candidato havia dito que sua eleição seria a melhor chance de tirar Lula da cadeia.

Está certíssimo. Eu mesmo já escrevi que o maior inimigo de Ciro é o PT. Acontece que ressaltar esse antagonismo justamente na véspera do encontro em que o PT definirá se terá ou não candidatura própria ao Senado – tese que contraria o acordo com o PDT de Cid Gomes, dono de uma das vagas na chapa de Camilo Santana – é uma forma de alimentar divergências internas no partido do governador bem no início da campanha.

Tudo o que um governador não precisa, mesmo tendo uma coligação gigantesca, é de uma base dividida. Por enquanto, nada grave, desde que a disputa siga sem sobressaltos, com algum adversário crescendo nas pesquisas.

De toda forma, apesar das divisões no PT do Ceará, tudo continua sob o controle do PDT de Ciro e Cid. Por outro lado, talvez esse talvez seja o problema. O costume de controlar aliados subservientes em casa pode ter criado uma expectativa falsa em relação as lideranças de outros estados na hora de costurar apoios.

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Concurso público em Sobral com propaganda de político parece coisa de Sucupira

Por Wanfil em Política

26 de julho de 2018

A vida imita a arte: Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz) queria tanto agradar e idolatrar Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), que às vezes acabava expondo o chefe a vexames

A notícia sobre o concurso público de Sobral que testa conhecimentos do candidatos sobre a família Ferreira Gomes repercutiu nacionalmente e está entre as mais lidas do portal Tribuna do Ceará. Em duas questões a resposta certa sobre a autoria de obras públicas na cidade é o ex-governador do Ceará e ex-prefeito de Sobral, Cid Gomes.

É bem provável que Cid e seus familiares, incluindo o prefeito Ivo Gomes, nem sequer tenham tomado conhecimento do fato até que ele ganhasse dimensão nos jornais, mas seus nomes acabaram expostos, uma vez que o ocorrido parece com uma daquelas histórias de “O Bem Amado”, de Dias Gomes, com as confusões de Odorico Paraguaçu e aliados trapalhões na fictícia Sucupira.

A prova foi elaborada pela Fundação Universidade Estadual do Ceará, que prontamente negou qualquer interferência da Prefeitura de Sobral e afirmou, em nota, não ter visto nada demais no caso, pois as questões fazem referência a fatos históricos.

Curiosamente, na prova não consta episódios constrangedores para gestões do município. Já imaginou se perguntassem qual ex-prefeito é acusado, sei lá, de ter cometido crime ambiental na Serra da Meruoca? Claro que ninguém faria algo assim, primeiro por receio de perder o cargo; segundo, por ser deselegante; e terceiro por saber que a associação negativa teria efeito político óbvio, especialmente em ano eleitoral. Pois é, o inverso também vale. E Cid é pré-candidato ao Senado. Por isso nada mais natural do que ver conexões entre as perguntas que evidenciam obras de sua gestão e supostos interesses eleitorais. Não basta ser honesto, é preciso parecer honesta, ensinava César.

Quando vi essa notícia, confesso que minha primeira impressão foi tratar o caso como uma banalidade sem maiores consequências; mas depois, pensando bem, percebi que se trata de uma pequena amostra da enorme vitalidade que o personalismo e a típica confusão entre o interesse público e o privado têm no Brasil. São práticas profundamente enraizadas na cultura política nacional.

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O alerta de Tancredo que serve para Ciro

Por Wanfil em Política

26 de julho de 2018

O Estadão informa que o presidenciável Ciro Gomes (PDT) ameaçou largar a campanha após a repercussão da entrevista que o candidato concedeu no Maranhão, em que deixou a entender que poderia soltar Lula e que daria limites na atuação da Justiça. (Leia mais no Focus.Jor).

Em outra entrevista, ontem no Pará, Ciro disse que suas declarações foram mal interpretadas e tiradas de contexto. Não é de hoje que ele reclama de “distorções” sobre suas falas, mas o fato é que um candidato precisar medir bem as palavras.

Tudo isso me fez lembrar um caso, que cito de memória, creio que relatado pelo jornalista Sebastião Nery, sobre uma conversa entre José Maria Alkimin, deputado por Minas Gerais, e seu adversário Tancredo Neves. Lamentava ser alvo de denúncias que, assegurava, eram falsas.

– “Você sabe, não é Tancredo?”, perguntou.

– “Sei, mas o problema é saber se as pessoas acreditam que você seria capaz de fazer isso. Se acreditarem, pouco adiantará negar”, respondeu-lhe Tancredo.

Repito, faço o relato de memória, e pode até ser folclore político, mas a moral da história é o que interessa.

Quando um candidato precisa vir à público explicar o que quis dizer, e se isso acontece com frequência, há um problema evidente de comunicação e talvez de gestão de imagem. O que importa é como as pessoas assimilam suas falas.

No caso de Ciro, é preciso que ele, o PDT e seus assessores, se indaguem: por que as pessoas acreditam que ele poderia agir assim? Não raro suas declarações são vistas como autoritárias e intempestivas, ainda que intercaladas com análises bem estruturadas sobre o cenário político e econômico. Combinadas, projetam uma imagem de pessoa inteligente, mas instável.

Frases de efeito garantem manchetes, mas com o tempo, e a depender das circunstâncias, podem minar o próprio discurso do candidato.

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Luizianne pressiona Camilo a decidir entre Lula e Ciro

Por Wanfil em Eleições 2018

25 de julho de 2018

(FOTO: Iago Monteiro/Tribuna do Ceará)

No programa Focus Jangadeiro desta quarta-feira, um ouvinte perguntou para a deputada federal Luizianne Lins: “Você vota no governador Camilo Santana?”

Ela não pestanejou: “Se o Camilo se comprometer a apoiar o Lula ou o candidato do PT, eu votarei. Até porque, se não fizer isso, eu já coloquei que vou disputar essa posição [de candidato ao governo estadual], caso ele não saia do encontro [próximo sábado, dia 28] dizendo categoricamente – que até agora ele não disse – que vai apoiar o Lula ou o candidato do PT”.

Mais do que uma ameaça vazia, a fala de Luizianne, cirurgicamente dirigida à militância, é uma cobrança de engajamento partidário, de uma definição que deixe claro, de uma vez por todas, que entre Lula (ou um preposto) e Ciro Gomes, do PDT, Camilo escolhe o petista.

Não há sinais de que o movimento da deputada tenha apoio do comando estadual para impor um constrangimento desses a Camilo e dificilmente ela conseguiria uma indicação ao governo estadual. O objetivo, portanto, é mesmo pressionar Camilo em nome de uma estratégia nacional e conseguir, de quebra, aprovar uma candidatura petista ao Senado.

De todo modo, convém ao governador não subestimar a situação. O petismo é conhecido por suas disputas internas. Se evitar o problema, silenciando ou tergiversando, dando a entender que prefere Ciro, o governador perde algum prestígio dentro do próprio partido; se optar pelo petismo, pedindo votos para o candidato do partido, corre o risco de colidir com os Ferreira Gomes, que controlam o PDT.

Às vésperas da eleição, não é uma situação confortável.

E vocês, acham que Camilo prefere quem? Lula ou Ciro?

(Esse texto foi publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará).

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Atenção candidatos! FIEC realiza encontro sobre segurança pública no Ceará

Por Wanfil em Ceará

24 de julho de 2018

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) promove, nos dias 24 e 25 de julho, encontro com especialistas para discutir uma “Rota Estratégica da Segurança Pública”. A iniciativa faz parte do projeto Rotas Estratégicas Setoriais, que trata dos temas mais importantes para a indústria cearense, de olho no futuro, mais precisamente, no direcionamento de ações até 2025.

Com efeito, além dos riscos à vida de todos e das implicações psicológicas decorrentes do constante estado de alerta que vivemos, os altos níveis de insegurança têm impacto direto na economia e nos custos de produção. Segurança privada, monitoramento de cargas, limitação de investimentos em áreas perigosas, e por aí vai.

Idealizado pelo presidente da entidade, o empresário Beto Studart, o projeto já traçou cenários sobre questões como água, meio-ambiente e energia, entre outros. E o momento para falar de segurança não poderia ser mais apropriado, às vésperas do início da campanha eleitoral de 2018.

Desse modo, não apenas o governo, que vem amargando recordes negativos na área, mas também os candidatos para a disputa deste ano poderão ter em mãos uma valiosa contribuição apartidária. No encontro, especialistas debaterão “ações em diversos eixos, tais como prevenção à violência, sistema de segurança e defesa social, sistema prisional, sistema socioeducativo e governança”.

Somente a lembrança de discutir o sistema prisional, tema que sempre passa batido nas campanhas, mas que nesses tempos de facções é central na atual crise de segurança, já vale a iniciativa.

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O Centrão do Ceará

Por Wanfil em Eleições 2018

23 de julho de 2018

Segue abaixo trecho do meu artigo para a página Focus Jangadeiro Eleições 2018.

“O vai e vem do Centrão – o amontoado de partidos liderado por PR, PP, SD, PSD, PTB e PRB – em busca de um candidato à Presidência que possa garantir ao grupo as melhores vantagens em troca de apoio eleitoral mostrou ao País como a prática do fisiologismo resiste aos escândalos, prisões e, sobretudo, à rejeição da opinião pública.

Ensaiaram uma aliança com Bolsonaro, depois pareciam firmes com Ciro Gomes e agora, até o momento, indicam acordo com Geraldo Alckmin. A depender da oferta, podem mudar de novo.

A presença forte dessa prática no cenário nacional para as eleições de 2018 nos permite perguntar: E, no Ceará, quem faz o papel do Centrão?”

Leia mais aqui.

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O maior inimigo de Ciro é o PT

Por Wanfil em Eleições 2018

23 de julho de 2018

Quis o destino, essa entidade irônica quando o assunto é política, que o PT do Ceará chegasse ao poder no Ceará graças ao apoio do ex-governador Cid Gomes, hoje no PDT, que na véspera das convenções em 2014 escolheu Camilo Santana para concorrer à sucessão.

É que durante muitos anos o petismo cearense viu na figura de Ciro, o irmão mais velho dos Ferreira Gomes, o seu maior inimigo, especialmente quando este, ainda no PSDB de Tasso Jereissati, ocupou os cargos de prefeito, governador e ministro da Fazenda.

É bem verdade que em Sobral a parceria já rendia frutos, mas nada que indicasse uma afinidade ideológica, digamos assim, mais profunda. De todo modo, a condição de aliado dos governos de Lula possibilitou uma maior aproximação entre ciristas e petistas que, em contrapartida, aderiram ao governo Cid.

Tudo ia bem até que em 2009 Ciro – então no PSB – a pedido de Lula, mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo e acabou sem legenda para disputar a Presidência no ano seguinte, quando Dilma foi eleita.

Agora, pela primeira vez, Ciro é candidato sem que o PT tenha um nome viável. Preso e impedido de concorrer, Lula no máximo poderá indicar um substituto que, mesmo assim, terá dificuldades, como apontam as pesquisas. Pela lógica, se apoiasse Ciro, a esquerda teria maiores chances, dado o cenário fragmentado da disputa.

Assim, o PT mais uma vez se faz obstáculo para Ciro. Impediu que PSB e PCdoB o apoiassem. O maior inimigo hoje do projeto presidencial dos ciristas, por incrível que pareça, não é o PSDB ou Bolsonaro (adversários naturais, portanto, de onde se espera o combate), mas o PT.

Por isso, ironia do destino é que seja o PT, no Ceará, de longe o maior beneficiado na aliança com o PDT de Ciro e Cid Gomes. Tem o governo do Estado, ainda que seja como inquilino, e fecha as portas do Planalto para os parceiros.

(Esse texto foi publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará).

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O maior inimigo de Ciro é o PT

Por Wanfil em Eleições 2018

23 de julho de 2018

Quis o destino, essa entidade irônica quando o assunto é política, que o PT do Ceará chegasse ao poder no Ceará graças ao apoio do ex-governador Cid Gomes, hoje no PDT, que na véspera das convenções em 2014 escolheu Camilo Santana para concorrer à sucessão.

É que durante muitos anos o petismo cearense viu na figura de Ciro, o irmão mais velho dos Ferreira Gomes, o seu maior inimigo, especialmente quando este, ainda no PSDB de Tasso Jereissati, ocupou os cargos de prefeito, governador e ministro da Fazenda.

É bem verdade que em Sobral a parceria já rendia frutos, mas nada que indicasse uma afinidade ideológica, digamos assim, mais profunda. De todo modo, a condição de aliado dos governos de Lula possibilitou uma maior aproximação entre ciristas e petistas que, em contrapartida, aderiram ao governo Cid.

Tudo ia bem até que em 2009 Ciro – então no PSB – a pedido de Lula, mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo e acabou sem legenda para disputar a Presidência no ano seguinte, quando Dilma foi eleita.

Agora, pela primeira vez, Ciro é candidato sem que o PT tenha um nome viável. Preso e impedido de concorrer, Lula no máximo poderá indicar um substituto que, mesmo assim, terá dificuldades, como apontam as pesquisas. Pela lógica, se apoiasse Ciro, a esquerda teria maiores chances, dado o cenário fragmentado da disputa.

Assim, o PT mais uma vez se faz obstáculo para Ciro. Impediu que PSB e PCdoB o apoiassem. O maior inimigo hoje do projeto presidencial dos ciristas, por incrível que pareça, não é o PSDB ou Bolsonaro (adversários naturais, portanto, de onde se espera o combate), mas o PT.

Por isso, ironia do destino é que seja o PT, no Ceará, de longe o maior beneficiado na aliança com o PDT de Ciro e Cid Gomes. Tem o governo do Estado, ainda que seja como inquilino, e fecha as portas do Planalto para os parceiros.

(Esse texto foi publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará).