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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Nota do PT coloca governadores contra o Judiciário na confusão sobre prisão de Lula

Por Wanfil em Partidos

10 de julho de 2018

O Partido dos Trabalhadores divulgou que 11 governadores, incluindo o cearense Camilo Santana, assinaram nota criticando a Justiça e em particular o juiz Sérgio Moro, por causa da confusão armada após decisão de um desembargador aliado do Tribunal Federal da 4ª Região para soltar Lula, preso em Curitiba, no escurinho de um plantão judiciário, domingo passado. Decisão revertida no mesmo dia pelo próprio TRF-4.

A nota afirma que “a condenação do Presidente Lula se deu de forma contrária às leis brasileiras e à jurisprudência de nossas cortes superiores”.

Em bom português, o trecho considera ilegal a prisão do ex-presidente pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Quando menos, é o mesmo que acusar de fraude processual instituições como PF, MP, PGR, TRF-4, STJ e STF, que fizeram parte do trâmite das investigações, da condenação e dos pedidos de Habeas Corpus para Lula.

Nada impede que governadores tenham opinião pessoal sobre o caso, porém, produzir notas públicas questionando a lisura do Judiciário certamente não é de interesse dos seus estados e cidadãos, muitos dos quais concordam com a manutenção da prisão de Lula. Confundir o cargo impessoal que ocupam com a militância que deles se espera, ou se cobra, é confundir o público com o privado.

Por isso, para quem acompanha a política no Ceará, fica evidente que a nota nem sequer combina com o estilo apaziguador e respeitoso de Camilo Santana, tanto que nada foi divulgado em suas redes sociais. Por outro lado, é perfeitamente compreensível que ele a tenha subscrito. Se não o fizesse, imagine a reação dos petistas que o acusam de ser menos leal a Lula do que a Ciro Gomes, do PDT.

Pelo constrangimento causado em relação a um dos poderes da República, o PT mesmo deveria poupar seus governadores e governadores aliados de uma exposição tão desnecessária, que não muda em nada a decisão dos tribunais. Ademais, o cargo de governador não pertence às instâncias partidárias.

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É simples: quem defende mais Estado, defende aumento de impostos

Por Wanfil em Ideologia

05 de julho de 2018

O novo Código Tributário de Fortaleza, aprovado em tempo recorde no final do ano passado e previsto para entrar em vigor no próximo mês, com aumentos expressivos na cobrança de taxas para alvará de funcionamento e registro sanitário, tem gerado muita polêmica, sobretudo junto ao setor produtivo, mas não deveria surpreender ninguém.

A iniciativa está em sintonia com a pregação de partidos de esquerda. No Ceará, onde o ICMS sobre a gasolina chega a 29%, o PT tem o governo estadual; e o PDT controla a capital.

Ao contrário dos liberais, que pregam a redução de impostos e a diminuição do Estado, nossos ditos progressistas defendem a ampliação da máquina pública, com suas estatais “estratégicas” e órgãos aboletados de companheiros, subsídios de ocasião, direitos para grupos alinhados, controle burocrático sobre empresas e sobre a vida privada dos cidadãos, etc. Tudo isso, é claro, demanda mais e mais dinheiro. E todo direito ofertado pelo estado corresponde a uma obrigação que recai sobre os pagadores de impostos. Encontrar o equilíbrio ideal nessa relação é o desafio.

Governos de direita também podem aumentar impostos e o ente estado além da conta, mas quando fazem isso, se realmente possuem um DNA ideológico, agem em traição aos postulados das doutrinas que dizem defender. Nesse caso, aí sim, há uma contradição.

De todo modo, a culpa não só de governantes esquerdistas. Embora jamais digam nas campanhas eleitorais que pretendem bancar suas promessas com mais impostos, os brasileiros em geral, incluindo empresários, têm concordado com a ideia de estado grande, paternalista e interventor.

Talvez muitos imaginem que o dinheiro para tudo isso caísse do céu. Não cai. Ele provém  justamente dos impostos que pagamos. Quer menos impostos? Cuidado com quem promete mais estado.

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Ibope: Marina lidera no Nordeste, seguida de perto por Ciro e Bolsonaro

Por Wanfil em Pesquisa

28 de junho de 2018

Ibope: Marina Silva surpreende no NE (Foto: José Cruz/ Agência Brasil)

Na pesquisa Ibope/CNI para a eleição presidencial, divulgada nesta quinta-feira, os cinco candidatos melhor colocados no cenário sem Lula, o mais provável pois o ex-presidente é ficha-suja, são estes:

Jair Bolsonaro (PSL): 17%
Marina Silva (Rede): 13%
Ciro Gomes (PDT): 8%
Geraldo Alckmin (PSDB): 6%
Álvaro Dias (Podemos): 3%

No cenário com Lula, que registrou 33% das intenções, Ciro sobe de 4% para 8% e Marina de 7% para 13%. A candidata, portanto, é que mais cresce com a ausência do petista, apesar de Ciro ser o pré-candidato que mais tem se esforçado para ocupar espaços na mídia.

Voltando ao cenário sem Lula, e considerando que a margem de erro é de 2%, podemos dizer que no limite Bolsonaro e Marina empatam tecnicamente na ponta, seguidos por Ciro e Alckmin, também empatados, num segundo bloco.

Quando a pesquisa é segmentada por região, o Nordeste tem os seguintes números:

Marina Silva (Rede): 16%
Ciro Gomes (PDT): 14%
Jair Bolsonaro (PSL): 10%
Geraldo Alckmin (PSDB): 4%
Álvaro Dias (Podemos): 1%

Ciro consegue se afastar de Alckmin na região de seu domicílio eleitoral, mas não lidera. O Nordeste é também a única região em que Marina, que é do Norte (que na pesquisa se junta ao Centro-Oeste), fica à frente. No Sudeste, Bolsonaro, deputado pelo Rio de Janeiro, lidera com 19%. Por lá Marina tem 11%, Alckmin aparece com 8% e Ciro com 5%.

Confira o desempenho dos cinco primeiros colocados por região:

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Futebol e política: Eunício e Camilo inauguram campinho no mesmo time

Por Wanfil em Eleições 2018

25 de junho de 2018

Foto: divulgação/Instragam/Eunício Oliveira

O site Focus.Jor noticiou a divulgação, nas redes do senador Eunício Oliveira, de uma partida de inauguração na entrega da Areninha de Limoeiro do Norte, com destaque para a participação do governador Camilo Santana.

Para quem não sabe, no Ceará Areninha é o nome gourmet para campinho de futebol, e PT e MDB jogam juntos no mesmo time.

É verdade que parece campanha eleitoral, com direito a equipes de filmagem, uso de equipamento público, gol de pré-candidato e ao tradicionais beijos em criancinhas; mas como dizem todos os jogadores nas entrevistas, ninguém nem sequer pensa em eleição, somente em trabalhar pela população.

No futebol, assim como na política, o adversário de ontem pode ser o parceiro de hoje. Assim, Eunício e Camilo, que no campeonato passado enfrentaram-se em final acirrada, com acusações recíprocas de supostas tentativas de comprar o juiz, agora, na Copa do Acordão, trocam passes com desenvoltura, apesar das críticas constantes de Ciro Gomes, que disputa outra competição pelo PDT.

Na política, assim como no futebol, escândalos, denúncias e investigações comprometem a credibilidade de cada atividade. Desse modo, a metáfora é mesmo bem apropriada.

Ainda é cedo para dizer se o time para as eleições será mesmo esse que jogou em Limoeiro. Como diz Lula, comentando da cadeia os jogos da Seleção para José Trajano, “treino é treino, jogo é jogo”.

Confira o vídeo promocional da partida:

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Queremos ser maus, mas não queremos ser ridículos

Por Wanfil em Cultura

21 de junho de 2018

O STF invalidou nesta quinta-feira o trecho da Lei Eleitoral que visava impedir veículos de comunicação de utilizarem sátiras e montagens com candidatos. Opiniões também estariam proibidas.

A regra contra o humor foi aprovada em 2009 e suspensa pelo próprio STF em 2010, até o presente julgamento da ação presentada pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).

Ao ler essa notícia pitoresca, me lembrei de uma carta escrita por ninguém menos que Molière, no Século 17, para defender a encenação da comédia teatral O Tartufo, que havia sido proibida a pedido da Igreja Católica, e de alguns nobres e burgueses que se sentiram ofendidos com seus personagens.

A peça, que leio agora, faz uma crítica à hipocrisia que se vale da religião para alimentar vaidades. Na carta, Moliére denuncia a motivação daqueles que o censuram:
“É atingir o vício em cheio o expô-lo à zombaria de todos. Não nos causa abalo o sermos criticados; mas não se tolera o escárnio. Queremos ser maus, mas não queremos ser ridículos”.

A comédia, como gênero, foi julgada na França em 1667; no Brasil, em 2018.

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Deputados cearenses estão entre os autores do requerimento para a CPI da Lava Jato

Por Wanfil em Política

19 de junho de 2018

O pedido para a instalação de uma CPI na Câmara Federal para investigar suposta manipulação de delações premiadas por um escritório de advocacia, gerou uma grande confusão no meio político.

Para ser aprovado, o requerimento 43/2018 precisava de 171 assinaturas. Ao todo, 190 foram colhidas, mas quando a notícia de que o alvo da CPI são juízes e procuradores da Operação Lava Jato se espalhou, pelo menos 35 deputados pediram para retirar seus nomes da lista, alegando que terem sido enganados.

Diante da repercussão, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que já trabalhava para indicar o presidente e o relator da comissão, deverá indeferir o pedido.

No requerimento original, 16 deputados aparecem como autores; destes, três são do Ceará: Domingos Neto, líder do PSD na Câmara – o mesmo que pretende mudar o nome oficial do açude Castanhão de Padre Cícero para Paes de Andrade; André Figueiredo, líder do PDT – aliado de Cid Gomes e Antonio Balhmann, dois citados na delação da JBS; e José Guimarães, do PT, líder da Oposição, que dispensa apresentações.

Juízes e procuradores devem ser fiscalizados, eventuais abusos precisam ser corrigidos. Isso ninguém discute. A questão é que essa CPI da Lava Jato, em ano eleitoral, proposta por partidos investigados pela Lava Jato – MDB, PT, PP; apoiados por PSOL, PCdoB, PDT e PSB – levanta dúvidas sobre o uso de um dos poderes da República para retaliar e intimidar seus investigadores. Todos negam, mas que parece, parece.

Ainda que as razões tenham sido as mais sublimes e desinteressadas possíveis, a imagem do corporativismo que visa a impunidade é tudo que o eleitor cansado de corrupção mais condena.

Confira aqui a íntegra do requerimento.

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Hegemonia moral do PDT é verniz ideológico para acordos eleitoreiros. Só isso!

Por Wanfil em Ideologia

13 de junho de 2018

Ciro Gomes disse na semana passada, em Buenos Aires, que a prioridade de sua pré-campanha à Presidência da República é coligar com PSB e PCdoB. Só depois pensaria sobre uma eventual aliança com DEM e PP, quando “a hegemonia moral e intelectual do rumo estaria afirmada”.

Não é a primeira vez que Ciro cita o conceito de hegemonia moral para justificar coligações inusitadas. Em 2013, se não me falha a memória, entrevistei-o na Tribuna Band News. Quis saber como o ex-governador, já então crítico do PMDB, via a aliança de Cid Gomes com Eunício Oliveira, que ainda não tinham rompido. Ciro explicou que seu irmão tinha a hegemonia moral desse processo, contendo assim a natureza política dos parceiros, se é que vocês me entendem.

Embora Ciro não cite a fonte, a ideia tem semelhança com o pensamento do filósofo marxista italiano Antonio Gramsci. Percebendo que o estabelecimento de ditaduras por meio da revolução armada causava ressentimento na população por causa da violência, Gramsci pregava outro tipo de estratégia, a partir do controle da produção do conhecimento, ocupando espaços em jornais, escolas e universidades, entre outros, de modo a firmar a hegemonia moral e intelectual do partido comunista.

Adaptado aos costumes políticos brasileiros, o conceito passou a dar um verniz ideológico ao clientelismo velho de guerra. O partido de esquerda pode até tapar o nariz e andar com aqueles de quem não gostam, desde que seja para usá-lo como instrumento a serviço de um projeto “moralmente” superior. Por moral, em Gramsci, entenda-se os interesses do partido (seu “imperativo categórico”) na luta pelo poder, e não os preceito judaico-cristãos, tipo não roubar, classificados pejorativamente de moralismo. Coisa que o PT já fez ao unir-se em passado recente, por exemplo, ao mesmo PP do Petrolão.

A ideia de subordinar outras forças políticas acenando com cargos de menor importância na máquina pública tem dado certo no Ceará, onde a maioria dos partidos já se acostumou mesmo ao papel de serviçais, como podemos perceber com o acordão deste ano. No Congresso, porém, o jogo é outro. PP e DEM se afastaram após a declaração de Ciro, que agora corre o risco de perder um precioso tempo de propagada eleitoral.

Por isso agora o PDT corre para dizer que não o que foi dito não foi o que se quis dizer.

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A aliança envergonhada de Eunício e Cid

Por Wanfil em Eleições 2018

05 de junho de 2018

O acordo eleitoral entre PDT, PT e MDB no Ceará segue em busca de uma forma ideal para acomodar os interesses de cada partido. É que a união sofre a interferência das eleições nacionais.

Cid Gomes defendeu publicamente no último domingo que a parceria com o MDB seja clandestina: “Eu defendo aqui que a gente lance só um candidato ao Senado e não faça coligação com o MDB”. E qual a razão? Segundo o ex-governador, isso poderia prejudicar o discurso de Ciro Gomes, crítico do MDB, à Presidência da República.

Ciro e o PDT afirmam que parte do MDB é uma quadrilha, incluindo o nome do senador cearense na lista. Eunício já chamou Ciro de batedor de carteira e de desocupado. Pela lógica do respeito próprio, o natural seria que ambos rejeitassem qualquer aproximação, mas a lógica eleitoral é diferente. Camilo Santana, do PT, partido que acusa o MDB de golpista, defende a aliança por razões óbvias: o senador, em busca de um lugar na chapa oficial, tem ajudado o governo a conseguir recursos nos ministérios.

Sendo assim, pela sugestão de Cid, a aliança não se formalizaria no papel, porém, seria mantida por fora. Com apenas um candidato, o governismo abriria caminho para Eunício se reeleger. Seria uma espécie de aliança envergonhada (ou desavergonhada, se é que me entendem).

A ideia tem dois problemas. Primeiro, se Eunício for confirmado como aliado em convenção do PT, Cid sairá como derrotado. Se for barrado, Camilo será visto como perdedor. Segundo, é inconveniente do ponto de vista ético, para dizer o mínimo. No fundo, propõe iludir eleitores, fingindo incompatibilidade moral com o MDB, mas informalmente conciliando projetos com o mesmo MDB no Ceará.

Se vai dar certo, ninguém sabe. O fato é que as acusações mútuas de corrupção, de incompetência, as críticas e ataques pessoais, as objeções supostamente incontornáveis de um passado recente, tudo isso já foi superado em nome de um pragmatismo segundo o qual feio mesmo é perder eleição. O resto vale.

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Eleitores, façam como os caminhoneiros!

Por Wanfil em Política

01 de junho de 2018

A velha política só teme o desabastecimento de votos. Hora de o eleitor dar o seu recado

A greve dos caminhoneiros parou o País, gerou prejuízos, teve apoio popular, dobrou o governo federal, obrigou os governadores a falarem de ICMS e no fim, conseguiu a redução de impostos sobre o diesel.

O combustível será subsidiado, financiado com verbas públicas remanejadas de outras áreas de interesse público, porque a maioria governos brasileiros, da menor prefeitura ao Palácio do Planalto, não corta gastos com propina, obras superfaturadas, órgãos inúteis, viagens de jatinho, carros blindados, segurança privada, plano de saúde sem limites, e por aí vai.

Políticos não temem desabastecimento de batatas, de gasolina ou de carne. Eles temem mesmo é o desabastecimento de votos. Essa é a maior lição da paralisação dos caminhoneiros. Só privados de votos eles entenderão que devem mudar. Corte o voto para os picaretas. Como saber quem é picareta? É fácil, basta consultar o Google e verificar quem está envolvido em escândalos, citado na Lava Jato, quem teve as propinas de campanha reveladas por delatores, que obras estão sob suspeitas de roubalheira. Está tudo ao seu alcance.

Como sabem dessa possibilidade, eles, os políticos, falam com muita preocupação sobre fake news. Promovem até seminários sobre o tema, para plantar a semente da dúvida no eleitor. Sim, as notícias falsas existem, mas não é complicado escapar delas. É só observar se os nomes que aparecem nessa pesquisa são mencionados por diferentes veículos de imprensa (de preferência os mais conhecidos), sobre os mesmos escândalos, com os mesmos personagens. Não tem erro.

A desconfiança é o que basta. Assim como a mulher de César, candidatos precisam pelo menos parecer honestos. Se você tem alguma suspeita, fuja deles. Não vote neles, por mais que lhes pareçam simpáticos. Se os caminhões de votos não abastecerem mais os esquemas que acabam com o Brasil, os representantes que sobrarem (eles existem), junto com os novos que chegarem, terão que reduzir, digamos assim, o imposto que cobrado sobre esses votos.

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Por que (quase) todos querem subir no palanque de Camilo?

Por Wanfil em Eleições 2018

23 de Maio de 2018

Palanque recorde no Ceará? Nelson Rodrigues explica: “As unanimidades decidem por nós”

Com a volta de Domingos Filho (PSD) para a base aliada de Camilo Santana (PT), já são 24 partidos no palanque governista.

Alianças eleitorais num sistema pluripartidário são normais, especialmente se resultam de afinidades programáticas e ideológicas. Eventualmente, partidos com orientações diferentes podem encontrar pontos em comum para firmar parcerias estratégicas. Raramente, partidos com mais diferenças que semelhanças se juntam por força das circunstâncias, como a necessidade de reformas diante de uma crise econômica, uma ameaça externa ou mesmo um adversário político comum.

Agora, quando partidos teoricamente incompatíveis celebram alianças, é sinal de que valores, ideias e programas foram subjugados por outros interesses. Quando esse tipo de anomalia contamina praticamente todo o sistema de representação, como ocorre no Ceará, quando a hegemonia governista é quase absoluta, é sinal de que além de interesses fisiológicos, outras questões se impuseram a esse cenário.

As perguntas que se impõem são óbvias e naturais: Como é que  o governo consegue seduzir tantos partidos? O que explica tamanha força de atração? A distribuição de cargos explica apenas parte das adesões. Ter cargos e verbas não basta para comprar apoio incondicional, como bem sabem Dilma e Temer. E se pensarmos bem, o inchaço governista no Ceará chegou a um estágio em que fica evidente que temos pouco Estado para tantos clientes (sim, de clientelismo).

E o qual seria então o amálgama capaz de reunir um grupo tão diverso de demandas e interesses? Talvez a melhor explicação esteja no mais básico instinto de autopreservação política.

Em um cenário de rejeição generalizada aos políticos tradicionais, a melhor forma de reduzir o perigo de não ser eleito é juntar forças e deixar o eleitor com menos opções para dar vazão a um possível desejo de mudança. O empenho em busca da quase unanimidade partidária é tão grande que, do alto do seu favoritismo eleitoral, deixa escapar uma pontinha de insegurança.

Por falar nisso, Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra, mas nesse caso, ela tenta ser mesmo é ser esperta. Esquerda, direita e centro misturados. Diferenças ideológicas e programáticas, traições, ofensas e humilhações são esquecidas em nome do maior acordão da história cearense em busca de um lugar no palanque governista.

Citando novamente Nelson, “as unanimidades decidem por nós”.  É isso. Querem decidir no lugar do eleitor.

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Por que (quase) todos querem subir no palanque de Camilo?

Por Wanfil em Eleições 2018

23 de Maio de 2018

Palanque recorde no Ceará? Nelson Rodrigues explica: “As unanimidades decidem por nós”

Com a volta de Domingos Filho (PSD) para a base aliada de Camilo Santana (PT), já são 24 partidos no palanque governista.

Alianças eleitorais num sistema pluripartidário são normais, especialmente se resultam de afinidades programáticas e ideológicas. Eventualmente, partidos com orientações diferentes podem encontrar pontos em comum para firmar parcerias estratégicas. Raramente, partidos com mais diferenças que semelhanças se juntam por força das circunstâncias, como a necessidade de reformas diante de uma crise econômica, uma ameaça externa ou mesmo um adversário político comum.

Agora, quando partidos teoricamente incompatíveis celebram alianças, é sinal de que valores, ideias e programas foram subjugados por outros interesses. Quando esse tipo de anomalia contamina praticamente todo o sistema de representação, como ocorre no Ceará, quando a hegemonia governista é quase absoluta, é sinal de que além de interesses fisiológicos, outras questões se impuseram a esse cenário.

As perguntas que se impõem são óbvias e naturais: Como é que  o governo consegue seduzir tantos partidos? O que explica tamanha força de atração? A distribuição de cargos explica apenas parte das adesões. Ter cargos e verbas não basta para comprar apoio incondicional, como bem sabem Dilma e Temer. E se pensarmos bem, o inchaço governista no Ceará chegou a um estágio em que fica evidente que temos pouco Estado para tantos clientes (sim, de clientelismo).

E o qual seria então o amálgama capaz de reunir um grupo tão diverso de demandas e interesses? Talvez a melhor explicação esteja no mais básico instinto de autopreservação política.

Em um cenário de rejeição generalizada aos políticos tradicionais, a melhor forma de reduzir o perigo de não ser eleito é juntar forças e deixar o eleitor com menos opções para dar vazão a um possível desejo de mudança. O empenho em busca da quase unanimidade partidária é tão grande que, do alto do seu favoritismo eleitoral, deixa escapar uma pontinha de insegurança.

Por falar nisso, Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra, mas nesse caso, ela tenta ser mesmo é ser esperta. Esquerda, direita e centro misturados. Diferenças ideológicas e programáticas, traições, ofensas e humilhações são esquecidas em nome do maior acordão da história cearense em busca de um lugar no palanque governista.

Citando novamente Nelson, “as unanimidades decidem por nós”.  É isso. Querem decidir no lugar do eleitor.