Blog do Wanfil - Sem meias palavras 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Eleições Ceará: vitória do acordão e nova chance para a oposição

Por Wanfil em Eleições 2018

08 de outubro de 2018

Divulgação/Facebook

Reeleito com o recorde de 79% dos votos válidos, o governador  Camilo Santana (PT) superou até mesmo a votação dos seus seus padrinhos políticos Cid e Ciro Gomes. Apesar disso, a oposição também conseguiu alguns êxitos que ajudam a compor – lá vem o clichê! – o recado das urnas.

Eduardo Girão, do Pros, surpreendeu ao derrotar Eunício Oliveira (MDB), preside08nte do Senado que contava com o apoio pessoal do governador com a maior votação proporcional do País. Tem mais. Capitão Wagner (Pros) e André Fernandes (PSL) foram respectivamente os deputados federal e estadual mais votados no Ceará.

Como avaliar o bom desempenho de candidatos contrários a um governo com ampla aprovação? “O homem é o homem e suas circunstâncias” disse Ortega Y Gasset. Pois é, o estilo cordato de Camilo se casou perfeitamente com algumas das fragilidades e contradições da nossa cultura política. O pendor para a conciliação encontrou terreno fértil na tradição adesista da política cearense. O avanço sobre grupos regionais sem identidade ideológica clara foi tranquilo. Até lideranças e partidos de oposição mudaram de lado e para aderir em troca de apoio eleitoral, cargos e verbas.

Na verdade, essa disposição para a superação de divergências que noutros países parecem insuperáveis, é uma espécie de tradição brasileira, muito bem demonstrada na obra do historiador Paulo Mercadante, especialmente em “A consciência conservadora no Brasil”. Por um lado, evita conflitos diretos como guerras civis (Mercadante cita como exemplo a Guerra de Secessão americana, no Séc. 19); por outro, enfraquece valores, sempre acabam relativizados em nome do pragmatismo. No fim, as negociatas prevalecem sobre os princípios, que com o tempo, perdem o sentido e viram apenas pretextos para justificar as idas e vindas de grupos políticos para permanecer próximo ao poder. Mercadante viu tudo isso nas articulações de grupos conservadores na início da República no Brasil. Hoje, isso é notório, a esquerda assimilou a prática.

No Ceará, as virtudes da gestão Camilo conseguiram conter e reduzir desgastes causados por seus erros. Isso não é pouco. Mas o acordão que reuniu 24 partidos na sua base eleitoral, reunindo até desafetos recentes, e a cooptação de parte da oposição foram fundamentais para evitar percalços no caminho da reeleição. A oposição, por sua vez, ganhou de eleitores a chance de se reorganizar

Por fim, resta ver para onde soprarão os ventos da eleição presidencial. Isso pode mudar a relação de forças no estado, mas isso fica para outro texto.

(Texto publicado originalmente no Portal Tribuna do Ceará)

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Boatos, antipetismo e esperança cirista na véspera da eleição

Por Wanfil em Eleições 2018

06 de outubro de 2018

Véspera de eleição. Atenções voltadas para disputa presidencial. Ânimos exaltados entre eleitores, apoiadores, simpatizantes e pragmáticos das candidaturas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

Liberalismo contra estatismo, petismo contra antipetismo, apoio à Lava Jato contra freio às investigações, corte de gastos contra ampliação de despesas. Notícias falsas de todos os lados, reducionismos, distorções sobre falas e intenções do adversários, boatos e mentiras transitando intensamente nas redes sociais.

O clima não é bom. Os candidatos não ajudam a amenizar seus grupos. Os discursos são de intolerância diante da divergência.

Por fora, correndo contra o tempo, Ciro Gomes (PDT), que apesar de falar em pacificação e união, também busca no alarmismo e no medo o impulso para uma arrancada de última hora.

A palavra da vez é “antipetismo”. Os partidos, é claro, recalibram suas estratégias na esperança de explorar o termo. Bolsonaristas a usam para pregar o voto útil. Petistas falam em manipulação eleitoreira, posando de vítimas. Ciristas garantem que seu candidato estaria imune ao antipetismo, ainda que venha a ser apoiado pelo petismo.

É preciso ter cuidado para não confundir o repúdio de grande parcela da população contra a corrupção e a violência, com uma mera antipatia partidária gratuita. É bom lembrar também que há uma rejeição contra os partidos em geral. Outras siglas, e talvez sejam todas, também sofrem com a perda da credibilidade.

O que pode haver de específico no antipetismo é o contraste entre o discurso messiânico de salvação da política e as práticas reveladas pela Lava Jato e outras investigações. Não só isso. A defesa dos preceitos politicamente corretos priorizou e atendeu a militância de grupos influentes e de minorias organizadas, mas deixou órfã a maioria silenciosa que paga a conta e que não possui canais de mobilização política.

O próprio Ciro avisou que essa polarização estava em curso e que poderia inviabilizar uma candidatura petista. Acabou isolado. O antipetismo cresce mais como reação ao que o petismo fez no poder do que pela ação planejada de adversários.

(Texto publicado originalmente para o Portal Tribuna do Ceará)

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O contraste entre a emoção das eleições nacionais e a apatia no Ceará

Por Wanfil em Eleições 2018

03 de outubro de 2018

A dinâmica das campanhas e os processos de consolidação de voto nessas eleições refletem a confusão política no Brasil e no Ceará em particular.

A antecipação do chamado voto útil dá o tom na reta final das eleições presidenciais. De um lado o repúdio à corrupção, do outro a possibilidade de colocar pautas laterais no centro do debate, sem precisar atinar para temas como corrupção e recessão.

No meio do caminho ficaram Alckmin (o PSDB não foi mais assimilado pelo eleitor mais à direita), Marina Silva e Ciro Gomes, que por mais que se esforcem, são associados aos governos do PT, quando foram ministros.

No Ceará, curiosamente, o candidato a reeleição Camilo Santana não virou alvo dos eleitores que repudiam o petismo, muito provavelmente por ser mais associado ao grupo liderado por Ciro e Cid Gomes, do que ao próprio partido. De todo modo, o governador sempre foi petista e isso não foi explorado por seus adversários.

Ironicamente, o PT que boicotou a candidatura de Ciro (Lula impediu que partidos de esquerda se coligassem com o PDT) tem tudo para continuar nominalmente no comando do governo estadual, graças ao apoio do grupo de Ciro. Assim, Camilo consegue o voto de eleitores do PDT, mas os petistas priorizam a campanha de Haddad, em detrimento de Ciro. No meio de campo ainda tem o MDB de Eunício Oliveira, publicamente rejeitado por Ciro e pelo PT, mas que concorre com o apoio informal do PDT e do PT. É confuso? Sim. E muito.

Tanta confusão fez a lógica da negação, do voto contra, o combustível das eleições nacionais, e da apatia desolada, sem personalidade, a marca da eleição estadual.

(Texto publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará)

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O Brasil dividido entre o medo e a raiva. O que fazer?

Por Wanfil em Eleições 2018

24 de setembro de 2018

A questão é estar atento para perceber quais emoções prevalecem a cada eleição (FOTO: Lyvia Silva/Tribuna do Ceará)

Não se iluda. Eleições são mais influenciadas pelas emoções do que pela razão, por mais racional que se imagine o eleitor.

É que mesmos os mais escolarizados não conseguem abarcar a complexidade administrativa e multidisciplinar do Estado, sem contar as divergências de interpretação sobre causas e soluções para os problemas. Em algum momento seu voto também será uma aposta.

Por isso é que existem formas de condensar essas discussões sobre política e gestão pública. Uma delas é a ideologia, que se vale de preceitos gerais de avaliação.

Mesmo assim, se debatidas a fundo, as ideologias também são complexas. Aí entra o marketing político e eleitoral para estabelecer novos denominadores comuns a partir de um elemento de compreensão universal: a emoção. Pode ser útil ou perigoso, a depender do uso. Geralmente, o abuso das emoções processa debates complicados como se fossem salsichas, até que se transformarem em senso comum. E o senso comum, por mais ingênuo que pareça, sempre guarda preconceitos.

Otto Von Bismarck já dizia na Alemanha que era melhor as pessoas jamais saberem como são feitas as leis e as salsichas. Isso foi bem antes das eleições modernas, que certamente entrariam nesse grupo. Reduzido a chavões e clichês, a política se esvazia de conteúdo e transborda de emoções.

A questão, portanto, é estar atento para perceber quais emoções prevalecem a cada eleição. Neste ano, duas canalizam as atenções do eleitor: a raiva e o medo. Medo e raiva são importantes vetores de mobilização contra o que é ruim, mas sozinhos são péssimos conselheiros. Basta ver as redes sociais, onde quase todos enxergam más intenções ou ignorância nos que votam em candidatos que não sejam os seus. É que sem respeito pela divergência, sem propósitos claros, as emoções negativas avançam na ausência de delimitações para os seus campos de ação.

O risco disso, no final, é a criação uma espiral destrutiva, com um futuro governo, seja de esquerda ou de direita, utilizando o medo e a raiva como bases para legitimar seu discurso e instrumentalizar a propaganda governamental. Nos últimos anos, o ressentimento de classes (nós contra eles) e o ufanismo sem lastro no mundo real (o nunca antes nesse país) foram largamente manipulados, cultivando as emoções que hoje embalam as eleições, com direito a atentado, prisão como comitê, manifestações preconceituosas e palavrões disparados por candidatos.

Para encerrar, e em defesa do marketing e da propaganda como importantes e indispensáveis atividades nas sociedades de massas, vale lembrar que a política é que determina os fins da comunicação e não o contrário. Se chegamos até esse ponto, é porque a esperança degenerou em corrupção e a confiança em decepção. Recuperá-las será o nosso grande desafio para o futuro.

Pensar um pouco em como equilibrar as emoções que sentimos, parece ser o mais racional a se fazer agora.

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Esquerda e direita nas eleições do Ceará

Por Wanfil em Eleições 2018

17 de setembro de 2018

Nestas eleições o Brasil se divide em dois grandes grupos que ainda podem ser mais ou menos identificados a partir dos conceitos clássicos de esquerda e direita. O fenômeno parece um tanto mais restrito aos centros urbanos, mas seu impacto é inegável.

É verdade que as coisas são um pouco mais complexas, afinal, existem nestes trópicos conservadores liberais e progressistas (liberais nos costumes) que são estatistas na economia. É que por aqui a dualidade antagônica que distingue direita e esquerda guarda importantes diferenças (e distorções) com outros países, sobretudo com os EUA e nações europeias. De todo modo, mesmo simplificadas, essas noções servem para qualificar (ou desqualificar) alguns grupos políticos, além de servir de bússola (com ou sem Norte) para parte do eleitorado.

Entre os candidatos que se destacam nas pesquisas, representam o eleitorado de direita e de centro-direita, os candidatos Bolsonaro, Alckmin, Amoedo, Álvaro Dias e Henrique Meireles; e mais à esquerda, do extremo ao centro, estariam Ciro Gomes, Fernando Haddad e Marina Silva. Sempre há quem conteste essas, digamos assim, rotulações, até mesmo os candidatos, porém, grosso modo, certo ou errado, é assim que são vistos.

No Ceará essas clivagens são diferentes. Os grupos se dividem entre apoiadores ou opositores do governo. E só. A perspectiva de orientação ideológica praticamente desapareceu. É que a liderança apartidária e ideologicamente flutuante dos Ferreira Gomes ao longo dos anos, a omissão dos partidos na construção de identidades e o recente acordão fisiologista que reúne na coligação governistas partidos como o DEM, PT, PR e PCdoB, tornaram essas marcações mais fluidas e imprecisas.

E aí temos candidatos a deputado estadual que estava na oposição mas que agora é da base levantando a bandeira do conservadorismo, afirmando que é contra o aborto, mas apoiando candidato ao governo de partido que não é contra o aborto. Temos entidades empresariais que anunciam apoio a partidos que pregam aumento de impostos. Tem eleitor que vota no Cid, mas não vota no Eunício, porque não aceita a parceria entre PDT e MDB, mas escolhe candidato da oposição ao Camilo, que é alinhado com Cid. Já conversei com eleitor anti-Lula e anti-PT que vota em Camilo, alegando que o governador não é petista de coração.

A confusão é grande, porém, não é acidental. Esquerda e direita ainda existem no Ceará, é claro, mas estas estão ocupadas nas trincheiras das eleições presidenciais. Nas estaduais, quase não aparecem. A lógica do poder pelo poder, o excesso de pragmatismo eleitoreiro, o oportunismo descarado, tudo isso vai apagando as mais básicas linhas divisórias do pensamento político, que poderiam ajudar o eleitor a situar suas escolhas em parâmetros conhecidos. Sem debate de ideias, não há política.

(Texto publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará)

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Eleições de rejeitados

Por Wanfil em Eleições 2018

11 de setembro de 2018

O dado mais interessante levantado pelas pesquisas para as eleições presidenciais é a rejeição. Todos os candidatos com alguma chance de ir ao segundo turno registram, nesses levantamentos, muito mais eleitores que não votariam neles de jeito nenhum do que gente disposta a elegê-los.

Nem Lula, quando figurava como candidato, nem Bolsonaro pós-atentado, escapam a regra. Marina Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad (o substituto petista) não são exceções.

Quando muito, um candidato pode comemorar ser menos rejeitado que o adversário, pouco para quem deseja (e precisa) inspirar liderança.  “Pode ser a diferença entre a vitória e a derrota no segundo turno”, argumentam por aí. Pode sim, claro, mas isso não altera o fato de que os candidatos, por enquanto, geram mais aversão que adesão.

Isso explica porque os presidenciáveis não assumem o papel de puxadores de votos, como em campanhas do passado. Aliás, é o contrário. Os apoios locais é que podem garantir aquele pontinho a mais que poderá fazer toda a diferença.

Se a campanha de Fernando Haddad atacar Ciro Gomes como fez com Marina em 2014, o constrangimento na base aliada estadual será imenso, especialmente para Camilo Santana, que apesar de ser petista, é ligado e foi escolhido como candidato nas eleições passadas pelos Ferreira Gomes, atualmente alojados no PDT.

Apesar das costura bem feita no Ceará é uma aliança tensa por causa das variáveis nacionais. De certo modo, a mesma coisa acontece com os demais candidatos. Os arranjos estaduais contradizem as coligações nacionais, gerando desgastes pra acomodar interesses. Por essas e outras, a desconfiança do eleitor segue maior do que a esperança.

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Pesquisa mostra Ciro Gomes como alvo de concorrentes na disputa por vaga no 2º turno

Por Wanfil em Pesquisa

10 de setembro de 2018

O levantamento FSB/BTG Pactual mostra Jair Bolsonaro (PSL) com 30% (tinha 26% antes do atentado) e Ciro Gomes (PDT)  isolado na segunda posição com 12% (mesmo percentual da pesquisa divulgada semana passada). Na disputa pelo terceiro lugar estão Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT), empatados com 8%.

Os números mostram que a briga nesse momento é por uma vaga no segundo turno contra Bolsonaro. Com a saída de Lula do páreo, Ciro subiu. Em situações assim, com muitos candidatos dividindo o eleitorado, a tendência é que as atenções dos que estão em terceiro se voltem contra Ciro para impedir que ele cresça mais e, se possível, reduzir seu índice. É o que chamam de desconstrução.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com Antônio Cambraia, então no PSDB, e Inácio Arruda (PCdoB) nas eleições para a prefeitura de Fortaleza em 2004, que acabaram atropelado por Luizianne Lins (PT), que não estava entre os favoritos.

As circunstâncias e as dimensões são bem diferentes, é claro, mas conversando com estrategistas à época, todos foram unanimes em avaliar que Cambraia subiu cedo demais nas pesquisas, virando alvo dos concorrentes. Foi também o que aconteceu com Marina, em 2014, duramente atacada pelo PT após subir nas pesquisas.

Agora, no domingo (9), durante o primeiro debate depois do atentado contra Bolsonaro, realizado pela TV Gazeta, Jovem Pan e pelo Jornal o Estado de São Paulo, Ciro foi indagado pela mesma Marina sobre os péssimos índices de segurança no Ceará. Não foi por acaso. Os adversários sabem que esse é um ponto fraco a ser explorado. Ciro foi consultor informal na secretaria de Segurança na gestão de Cid.

É só o começo.

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Ibope mostra Ciro no jogo contra Marina e o PT

Por Wanfil em Eleições 2018

06 de setembro de 2018

Ciro e Haddad disputam o espólio eleitoral de Lula

A pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (5) mostra que Ciro Gomes está no jogo pela Presidência da República. Sempre esteve, pode argumentar o eleitor que acompanha o noticiário político. Sim, é verdade, mas na montanha russa eleitoral em 2018, Ciro agora está num viés de alta, após ter levado algumas rasteiras de Lula e do PT, que atuaram para impedir que partidos de esquerda compusessem aliança com o PDT, desidratando seu tempo de propaganda.

Após crescer três pontos em relação à pesquisa Ibope do dia 20 de agosto, Ciro agora aparece empatado com Marina Silva (Rede) na segunda posição, com 12% da preferência. Bolsonaro (PSL) subiu dois pontos e lidera com 22%.

Geraldo Alckmin (PSDB), com 9%; Fernando Haddad (PT), com 6%; e João Amoedo (Novo), com 3%, também subiram dois pontos.

No campo da esquerda, no final de julho Ciro parecia liquidado mais uma vez pelo ex-presidente Lula. Por ironia – a política é terreno fértil para ironias do destino – tudo indica que o presidenciável do PDT acabou, por enquanto, herdando  parte dos votos do ex-presidente, inelegível, e que estão se dispersando.

Não há números para medir a influência da proposta de “limpar o nome” dos eleitores que estão no SPC, mas no Brasil, o peso do populismo fiscal nunca pode ser desconsiderado. E o fato é que até o momento essa foi a proposta que pegou na campanha.

Os riscos

Novamente o maior risco para a candidatura de Ciro está na estratégia eleitoral do PT. Se Lula conseguir transferir parte considerável dos seus votos para Fernando Haddad (o vice dos sonhos de Ciro, lembram?), especialmente no Nordeste, a briga por uma vaga no segundo turno será direta entre os dois.

Há também a possibilidade de Alckmin, que tem o maior tempo de propaganda eleitoral, crescer no Sudeste, atraindo eleitores de centro que poderiam optar por Ciro. Marina, como mostram os números, é adversária direta do PDT.

A disputa está embolada e Ciro, definitivamente, está no jogo. Com tantos candidatos e variáveis atuando, a diferença entre os candidatos que podem avançar na eleição deverá ser apertada. Qualquer erro, poderá ser fatal.

(Texto publicado originalmente no portal Tribuna do Ceará).

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Propaganda eleitoral: Camilo fala em “coragem” e General Theophilo em “autoridade”

Por Wanfil em Eleições 2018

03 de setembro de 2018

(FOTO: Reprodução)

Os primeiros programas eleitorais e inserções de rádio e televisão na campanha para o Governo do Ceará mostraram as linhas de comunicação preparadas por cada equipe.

Camilo Santana

Com mais tempo de propaganda (seis minutos), o programa de Camilo Santana (PT) conseguiu abordar um conjunt0 maior de mensagens. A estética é a mesma de outras campanhas, com grande (e cara) qualidade técnica.

Em relação ao texto, é possível destacar três pontos. Primeiro, a preocupação com o novo. Nesse ponto, uma afirmação é ressaltada: “Um novo Ceará está surgindo e talvez você não saiba”. Clara tentativa de anular o apelo por novidade, que poderia beneficiar a oposição, sobretudo nesse momento de desconfiança em relação aos políticos.

Segundo, o destaque conferido para a expressão “de mãos dadas” e para a palavra “união”, ressaltando o perfil conciliador do candidato e justificando, por tabela, o acordo que reúne ex-adversários e até partidos criticados pelo PT.

Terceiro, a ênfase no substantivo “coragem”, grifado diversas vezes no programa e nas inserções. Parece uma vacina para rebater as acusações de que faltaria coragem ao governo para combater as facções, em referência ao tema segurança pública. Essas não foram citadas no programa.

General Theophilo

Pela oposição, o General Theophilo (PSDB), com dois minutos de programa, optou por um misto entre a apresentação de sua história de vida (foco principal do material) e preocupação com saúde e segurança.

Sem ataques mais contundentes (para não antipatizar), o discurso procurou enfatizar a necessidade de um novo perfil de gestor, com mais “autoridade” e capacidade de “botar a casa em ordem”. As facções foram citadas como principal  problema a ser enfrentado na área de segurança.

Um segundo plano de mensagens foi trabalhado, sem menções diretas, buscando o eleitor que rejeita a hegemonia política dos Ferreira Gomes, que pode ser resumido no próprio nome da coligação da oposição: “Tá na hora de mudar”.

Ailton Lopes

O candidato Ailton Lopes, do PSOL, preferiu falar, nos seus 17 segundos, sobre temas como o uso de“agrotóxicos” ou “falso moralismo”, sem poder, pela limitação de tempo, aprofundar os temas.

Próximos capítulos

Os demais candidatos ainda esperam juntar tempo suficiente para tentar passar suas mensagens. A disputa agora consistirá em tentar pautar os principais temas e os tons do debate eleitoral. A ver.

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Diferenças e semelhanças (sim, elas existem) entre petistas e bolsonaristas

Por Wanfil em Eleições 2018

01 de setembro de 2018

Movimento apartidário e descentralizado que nasceu da insatisfação contra o politicamente correto e a corrupção, o bolsonarismo ganhou ares de causa ao incorporar o antipetismo. Velho ator político na cena brasileira, o petismo, combalido por escândalos e pela recessão, viu nas diatribes de um deputado do baixo clero a oportunidade de resgatar a mística da luta do bem contra o mal.

Assim, o bolsonarismo depende do antipetismo para ir além da imagem de Jair Bolsonaro e o petismo precisa do antibolsonarismo para superar a prisão de Lula por crime de corrupção. São forças que se retroalimentam e que se fortalecem mutuamente.

A crença no voluntarismo, no personalismo e no populismo, a dificuldade em reconhecer a legitimidade do adversário e a retórica agressiva dos seus adeptos são outras características em comum.

Existem, claro, diferenças marcantes. A primeira e mais óbvia é que o antibolsonarismo conta com o apoio de partidos políticos de esquerda, com longa tradição no aparelhamento do funcionalismo público, dos movimentos sociais, artes, redações, sindicatos e universidades.

Já o antipetismo é difuso, fruto das redes sociais. Não conta com estruturas tradicionais da política, resistindo e avançando sem partidos, recursos e estratégias bem articuladas, quase que no improviso, encontrando em Bolsonaro uma válvula de escape. É fenômeno novo e inusitado à espera de interpretação mais acurada.

São diferenças importantes e que produziram uma profunda divisão política no Brasil. Dificilmente o resultado das eleições conseguirá apaziguar o cenário. Uma vez no poder, é impossível antever as ações práticas inspiradas pelo antipetismo ou pelo antibolsonarismo. É que o petismo agora já não é o petismo “Lulinha paz e amor” do passado, mas um novo, ressentido com a perda da hegemonia moral do debate político e com a Lava Jato. Do outro lado, o bolsonarismo é uma incógnita que acena, sem maiores detalhes, com intenções liberais na economia e conservadoras no campo moral.

Caso o vencedor não consiga efetivar as reformas necessárias, é bem provável que um ou outro venha a repetir, no exercício do poder, a mesma lógica que os motiva hoje na campanha, fazendo dos seus adversários, reais ou imaginários, a razão maior e prioritária para a sua própria existência. O resto é o resto.

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Diferenças e semelhanças (sim, elas existem) entre petistas e bolsonaristas

Por Wanfil em Eleições 2018

01 de setembro de 2018

Movimento apartidário e descentralizado que nasceu da insatisfação contra o politicamente correto e a corrupção, o bolsonarismo ganhou ares de causa ao incorporar o antipetismo. Velho ator político na cena brasileira, o petismo, combalido por escândalos e pela recessão, viu nas diatribes de um deputado do baixo clero a oportunidade de resgatar a mística da luta do bem contra o mal.

Assim, o bolsonarismo depende do antipetismo para ir além da imagem de Jair Bolsonaro e o petismo precisa do antibolsonarismo para superar a prisão de Lula por crime de corrupção. São forças que se retroalimentam e que se fortalecem mutuamente.

A crença no voluntarismo, no personalismo e no populismo, a dificuldade em reconhecer a legitimidade do adversário e a retórica agressiva dos seus adeptos são outras características em comum.

Existem, claro, diferenças marcantes. A primeira e mais óbvia é que o antibolsonarismo conta com o apoio de partidos políticos de esquerda, com longa tradição no aparelhamento do funcionalismo público, dos movimentos sociais, artes, redações, sindicatos e universidades.

Já o antipetismo é difuso, fruto das redes sociais. Não conta com estruturas tradicionais da política, resistindo e avançando sem partidos, recursos e estratégias bem articuladas, quase que no improviso, encontrando em Bolsonaro uma válvula de escape. É fenômeno novo e inusitado à espera de interpretação mais acurada.

São diferenças importantes e que produziram uma profunda divisão política no Brasil. Dificilmente o resultado das eleições conseguirá apaziguar o cenário. Uma vez no poder, é impossível antever as ações práticas inspiradas pelo antipetismo ou pelo antibolsonarismo. É que o petismo agora já não é o petismo “Lulinha paz e amor” do passado, mas um novo, ressentido com a perda da hegemonia moral do debate político e com a Lava Jato. Do outro lado, o bolsonarismo é uma incógnita que acena, sem maiores detalhes, com intenções liberais na economia e conservadoras no campo moral.

Caso o vencedor não consiga efetivar as reformas necessárias, é bem provável que um ou outro venha a repetir, no exercício do poder, a mesma lógica que os motiva hoje na campanha, fazendo dos seus adversários, reais ou imaginários, a razão maior e prioritária para a sua própria existência. O resto é o resto.