Blog do Wanfil - Sem meias palavras 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Carnes e políticos, instituições e indivíduos: vivemos uma crise de desconfiança sem igual

Por Wanfil em Crônica

23 de Março de 2017

Dá pra confiar?

Em palestra proferida ano passado na Fiec, o professor Clóvis de Barros Filho apresentou de modo muito espirituoso a evolução histórica e filosófica dos conceitos de ética e moral, para incensar logo em seguida uma palavra-chave: confiança. Para Barros, o Brasil vive na atual conjuntura – e não sem motivos – um momento de desconfiança generalizada.

Não que todos devam sair por aí confiando em tudo e todos, mas é que uma sociedade que tem a desconfiança como princípio universal e regra primeira de convivência não consegue construir nada de positivo.

Pois é. De certo modo, a Operação Carne Fraca toca nesse ponto. Grandes empresas do setor de alimentação, que gastam fortunas com propagandas e marketing para convencer o público de que são confiáveis, estão envolvidas, no mínimo, com suspeitas de suborno a fiscais. Ora, quem evita fiscalização, por óbvio, tem o que esconder. A quebra de confiança levará tempo para ser superada. 

Na Lava-Jato, a dimensão do maior esquema de corrupção já descoberto acabou por sepultar de vez a pouca credibilidade de partidos, políticos, legisladores e governantes. Com o Judiciário não é muito diferente. A venda de decisões favoráveis a traficantes descoberta no Tribunal de Justiça do Ceará, por exemplo, é mancha difícil de apagar. Quem pode realmente garantir a lisura de outras decisões? Generalizações são injustas com os honestos, é verdade, mas já ensina o ditado popular que o justo paga pelo pecador.

É claro que a descoberta de tantos problemas significa que existem canais de fiscalização. Entretanto, até esses são acusados de agirem direcionados por interesses diversos. Fica a dúvida, sempre. Não confiamos em quase ninguém. Desconfiamos até mesmo de quem apenas pensa diferente de nós. E a desconfiança impera como uma segunda identidade justamente onde falham a ética e a moral de modo retumbante.

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Reajuste de 2% não mobiliza sindicatos de servidores no Ceará. Por que será?

Por Wanfil em Política

17 de Março de 2017

Reajuste criticado, mas sem protestos constrangedores para o governo estadual

Foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Ceará a proposta do Governo do Estado que concede aumento de 6,29% para servidores que recebem salário mínimo e de 2% para os demais. É pouco, mas ninguém ignora a crise econômica.

No Ceará, muitos servidores já dão de bom tamanho receber em dia, obrigação que, de fato, virou um feito no atual contexto nacional. Talvez por isso os sindicatos ligados ao funcionalismo não tenham conseguido fazer grande pressão sobre o governo.

Também concorre para amenizar o espírito contestador dessas entidades uma predisposição política, uma vez que o governador Camilo Santana é do Partido dos Trabalhadores, que tem inegável e notória ascendência sobre o movimento sindical.

Se fosse em outros tempos, ameças de greve geral, paralisações de setores fundamentais e até manifestações em frente a sede do governo seriam algumas das ações contra uma proposta de reajuste menor que a inflação. Agora, não.

É diferente ainda, por exemplo, dos protestos contra a reforma da previdência. Nesses os sindicatos mergulharam de cabeça com a esperança de iniciar um movimento que ultrapasse os limites da militância partidária e chegue ao cidadão comum, tudo para atingir o governo federal, que agora é do PMDB. É legítimo, claro, mas não deixa de ser revelador, se lembrarmos que na época em que Dilma propôs reformas nesse sentido, nada disso não aconteceu. A diferença de postura mostra que, no fundo, é o tipo de convicção que atende antes as demandas da disciplina política.

Desse modo, a reação contrária ou favorável não depende tanto do mérito do debate, mas de quem propõe reformas ou reajustes. No final, tudo se resume mesmo a uma questão de conveniência.

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A privatização – ops, concessão! – do aeroporto de Fortaleza

Por Wanfil em Ideologia

16 de Março de 2017

A empresa alemã Fraport venceu, nesta quinta-feira (16), o leilão para a concessão do Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, pelos próximos 30 anos. Também foram leiloados os aeroportos de Salvador, Porto Alegre e Florianópolis.

Somente assim os investimentos necessários poderão ser realizados, uma vez que a Infraero não consegue dar conta do recado. Quem em Fortaleza não se lembra da reforma que acabou no puxadinho de lona em improvisado para a Copa do Mundo?

As concessões de aeroportos tiveram início ainda no governo Dilma e seguem agora com Michel Temer. Concessão é uma forma disfarçada de privatização, pois apesar de no papel ainda pertencerem ao governo federal, na prática acabam sendo o reconhecimento de que o Estado não pode tudo, que dinheiro público tem fim e a gestão privada tem melhores condições de cuidar de muito serviços públicos. O resto é empulhação ideológica.

Por isso os governadores foram os primeiros a defender que os aeroportos passam para as mãos de empresários, pois necessitam como nunca de investimentos nos seus estados. Inclusive aqueles eleitos por partidos de esquerda.

Seguindo a mesma lógica, o governador Camilo Santana, do PT, reafirmou nesta semana, em entrevista no Sistema Jangadeiro, o desejo de passar para a iniciativa privada o Acquario Ceará e o Centro de Eventos, de modo que o Estado priorize ações de saúde, educação e segurança. É um avanço e tanto na compressão do papel dos governos.

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Lula convida Ciro a visitar transposição para impedir que Temer se aproprie da obra

Por Wanfil em Política

16 de Março de 2017

Temer que aparecer – sozinho! – na foto da transposição – (Beto Barata/Presidência da República)

Lula convidou Dilma Rousseff e Ciro Gomes, que foi ministro da Integração nacional na gestão do petista, para visitar a transposição do Rio São Francisco no próximo domingo, na Paraíba. Pelo menos é o que dizem os principais jornais do país. Seria uma resposta ao presidente Michel Temer, que recentemente foi inspecionar a obra, com direito a discursos na expectativa de mostrar serviço aos nordestinos. Na prática, os ex-aliados disputam sua paternidade.

Aos fatos: o empreendimento saiu do papel na gestão de Lula em 2007, com previsão de ser concluída em 2010, mas atrasou. Dilma o sucedeu, mas não conseguiu terminar a transposição. Aliás, a obra chegou a parar na sua administração. Michel Temer agora corre para destravar entraves burocráticos e problemas financeiros para concluí-la e faturar politicamente com sua inauguração.

Disputas à parte, é evidente que se existe um “pai” para a transposição, esse é Lula. Não há o que discutir. Tudo o que diz respeito a sua execução deve ser atribuído ao petismo, por uma questão de justiça. Tudo! A obra, os custos estratosféricos, as licitações complicadas, as relações com empreiteiras enroladas na Lava-Jato e os atrasos injustificáveis. Temer, na condição de aliado importante, com boa vontade pode figurar como padrinho, para bem ou para o mal.

Não sei o porquê de tanta discussão. Resta saber se Ciro topa ir fazer palanque para o réu Lula, já que os dois são pré-candidatos à Presidência da República.

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Assembleia tenta enquadrar TCM e acaba enquadrada pelo STF e o Senado

Por Wanfil em Política

10 de Março de 2017

Sede da Assembleia Legislativa do Ceará, devidamente enquadrada

Segue tramitando na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, a PEC que proíbe a extinção de tribunais de contas por iniciativa dos legislativos estaduais. A informação foi confirmada pelo presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB), após encontro com Domingos Filho, do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará.

Como todos sabem, no final do ano passado a maioria governista na Assembleia Legislativa aprovou um projeto do deputado de oposição Heitor Férrer (PSB), acabando com o TCM, alegando corte de gastos. Foi uma retaliação contra Domingos, por causa de um racha na base aliada.

O caso foi parar no STF, que suspendeu a decisão por causa de problemas na tramitação do projeto, tocado às pressas no apagar das luzes de 2016. Governistas chegaram a ameaçar entrar com outro projeto, mas nesse meio tempo Eunício Oliveira assumiu o comando do Senado e acabou com a brincadeira.

A humilhação é o preço que os aliados de Cid e Ciro Gomes e o próprio Heitor pagam por deixarem o parlamento ser rebaixado a instrumento de vingança do governo estadual. Pior ainda que mesmo com o apoio do governador Camilo Santana e do presidente da AL, Zezinho Albuquerque, a base fracassou, dando tempo a uma reação.

O Senado também aceitou entrar nesse jogo de intriga, é verdade, mas não foi, como aqui, por subserviência. Ninguém realmente está muito preocupado em melhorar o controle de contas públicas, mas que a base aliada na Assembleia não precisava de mais esse vexame, não precisava.

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FHC lembra que caixa 2 e corrupção são crimes diferentes, mas o problema é outro: ambos são trapaças

Por Wanfil em Corrupção

08 de Março de 2017

Delatores da Lava-Jato afirmam que praticamente todos os partidos receberam doações de empreiteiras pelo caixa 2. Não é, convenhamos, novidade. O que pode complicar a situação de um ou de outro é a origem do dinheiro: se for de corrupção, com desvio de verbas públicas, as penas endurecem bastante.

Como no escuro da noite todos os gatos são pardos, acusados sem saída optam pelo mal menor, confessando o caixa 2, mas negando envolvimento com propinas. A grande dúvida agora é saber quem montou seu caixa 2 prometendo influência aos doadores (uma espécie de preliminar para futuras negociatas) e quem o fez com dinheiro roubado da Petrobras e de contratos fraudulentos com governos. Todos já temos uma ideia a respeito, mas é preciso esperar as provas.

Sobre essa dificuldade de separar o crime menor do crime maior após um delator citar um pedido de dinheiro supostamente feito por Aécio Neves, o ex-presidente FHC divulgou nota. Reproduzo aqui um trecho:

“Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção. Divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais” .

Do ponto de vista jurídico, está certíssimo. Que cada um pague conforme seus atos, ora bolas. Mas existe algo que FHC parece não querer entender. É que do ponto de vista moral e político, caixa 2 e propina não se diferenciam tanto, pois além de crimes, são essencialmente trapaças. E ninguém aguenta mais trapaceiros. A desconfiança generalizada não é criação da imprensa, mas resultado de imposturas protagonizadas há décadas por partidos e políticos de todas as ideologias, com exceções que apenas confirmam a regra.

Se as delações não forem passadas a limpo antes das eleições – e tudo indica que não serão -, candidatos mencionados, se insistirem em disputar, terão que arcar com o peso delas.

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Dandara e a intolerância que há em nós

Por Wanfil em Crônica

07 de Março de 2017

O brutal assassinato da travesti Dandara, em Fortaleza, chocou pela violência gratuita e covarde expressa em imagens compartilhadas nas redes sociais: um grupo de cinco homens atacando uma pessoa indefesa. O motivo foi ódio à condição homossexual da vítima; a oportunidade se deu com a circunstancial diferença numérica entre agressores e agredido: eram muitos contra um.

A reação de autoridades e entidades civis, bem como a repercussão na imprensa e a rápida resposta com a prisão de suspeitos condiz com a gravidade dos fatos. Que sejam todos devidamente punidos como exemplo pedagógico de que a dignidade humana não tem sexo.

Embora a questão de gênero seja naturalmente colocada no caso em questão, existe outro aspecto, um pouco mais de fundo, a ser observado nesse caso: a cultura de exaltação à intolerância, que tem nas redes sociais seus veículos mais eficientes, e que pode atingir os mais diversos grupos e indivíduos. Negros, mulheres e nordestinos, por exemplo, costumam ser alvos de manifestações racistas, misóginas e xenofóbicas nesses ambientes. Isso é fato. Mas não para por aí. Esportes, política, religião e ideologia, tudo pode ser motivos para a intolerância, para o desprezo à pluralidade, à diferença.

Especialistas dizem que as sensações de anonimato, de distância e de grupo estimulam a agressividade em certas pessoas. Há nisso ressentimentos, frustrações, covardia e medo. Parece algo distante, exclusivamente virtual, até que uma pessoa como Dandara ou algum torcedor de time de futebol acabem assassinados por nada.

Qual a solução para a cultura da intolerância? É fácil ver o mal nos outros, em nós mesmos é que é difícil. Uma cultura, porém, é algo que se enraíza por todo o corpo social, por mais que lavemos as mãos. Correntes de difamações, compartilhamento de informações falsas, disseminação de rótulos degradantes e apelidos pueris fazem parte das nossas timelines, como se diz na internet.

Até que ponto consentimos com isso? Até que ponto somos veículos, voluntários ou involuntários, desses conteúdos carregados de desprezo pelo que nos é diferente? Isso vale especialmente para nós, formadores de opinião. Não significa deixar de discordar com sobriedade, de abdicar da divergência de ideias ou de aceitar tudo, mas de compreender que até entre as pessoas que gostamos, amigos e parentes, existem opiniões diferentes e que isso nãos as torna inimigas nossas. Quanto mais, quem não conhecemos.

É claro que a culpa e a responsabilidade pela morte de Dandara recai sobre os seus assassinos, indivíduos que decidiram agir, em última instância, de acordo com o livre arbítrio que todos possuímos. Que sejam, repito, punidos. No entanto, o homem é produto do seu tempo. E como mostrou Hannah Arendt, sem um exame de consciência de cada um sobre seus atos, indivíduos podem, ainda que por omissão, ajudar a construir uma sociedade em que o mal passa a ser uma banalidade. Que sejamos vigilantes com o que fazemos em relação à tolerância e o respeitos aos outros.

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Odebrecht usou cervejaria com amigos no Ceará para disfarçar propina

Por Wanfil em Corrupção

03 de Março de 2017

A imprensa nacional repercute o depoimento de Marcelo Odebrecht à Justiça Eleitoral, que confessou, entre outros crimes, ter usado a Cervejaria Petrópolis para terceirizar doações para o caixa dois para a campanha de Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014. A empresa, que pertence ao enrolado empresário Walter Farias, é dona da marca Itaipava, “a cerveja 100%”.

Não há notícias de doações da cervejaria para candidatos no Ceará. Não significa dizer que a empresa não tenha relações influentes no Estado. Veja um resumo do que o blog já publicou a respeito nos posts A cerveja 100% e Justiça põe água no chope de Cid Gomes:

Segundo reportagem da revista Época, em 2014 a Petrópolis renegociou um empréstimo de R$ 830 milhões com o BNB, que liberou a empresa de oferecer garantias para sua quitação, manobra de interesse político que gerou insatisfação interna junto aos técnicos do banco. Logo em seguida, a cervejaria doou R$ 17,5 milhões para a candidata Dilma Rousseff.

Também em 2014, a Petrópolis fechou acordo para alugar um galpão em Sobral, que ainda seria construído pelo então governador Cid Gomes e um sócio. Valor do aluguel: R$ 36 mil mensais, de acordo com outra matéria da Época. No mesmo ano, o BNB emprestou em condições especiais R$ 1,3 milhão de reais para uma empresa de Cid construir o tal galpão. O financiamento foi questionado pelo Ministério Público e Cid agora é réu em processo que corre na Justiça Federal sobre o caso.

E o que tem a ver o caso da propina com tudo isso? Além da cervejaria de Walter Farias, das datas, da relação com a campanha de Dilma e da proximidade de todos com o BNB na gestão petista, nada. Nadinha. São casos distintos que apenas mostram como o mundo é pequeno. É 100% coincidência.

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Corriola petista na rede me acusa de defender Temer porque não defendo Lula. Não adianta: são farinha do mesmo saco!

Por Wanfil em Ideologia

02 de Março de 2017

Pois é… Foto original: R.Stucker/Instituto Lula

O post anterior, em que fiz uma crítica sobre a cobertura que, a meu ver, exageraram os protestos contra o presidente Michel Temer no Carnaval, atiçou militantes e simpatizantes petistas que agora voltam a ficar assanhados na expectativa de uma possível candidatura de Lula em 2018.

Não por acaso, a maioria dos comentários foi de estudantes e professores da UFC, a mais tradicional escolinha de doutrinação do Ceará. O português é sofrível e a argumentação tosca, com xingamentos. Só não me chamaram de ladrão porque essa palavra foi riscada da lista de ofensas usada pela militância, em razão do telhado de vidro.

Estão atiçados por ordem de partidos de esquerda. Grupos de universitários (professores e alunos) formam a massa de manobra especializada que atuam como “agentes de influência”. As redações, também repletas de agentes de influência, captam o movimento e tocam o tambor.

Foi o que apontei. Não se trata de defender Temer, que isso é perda de tempo. O PMDB é o que sempre foi e faz o que sempre fez, todos sabem. Ocorre que, apesar disso, simplesmente não houve um tsunami de revoltas no Carnaval contra Temer. Não significa dizer que ele não mereça ou que tenha apoio da população, nada disso. Sua impopularidade é imensa, mas não existe ainda uma movimentação de rua ou coisa que o valha que corresponda aos índices apontados pelas pesquisas, por razões que não foram objeto do texto anterior, nem desse.

Mas o que interessa ao militante petista – e seu comendo, claro – é apontar para os que não repetirem suas palavras de ordem, gritando que estes atuam a serviço do “governo golpista”. Preparam assim terreno para a próxima palavra de ordem, que é claro, será o “volta Lula”, como se o “companheiro” nunca tivesse tirado proveito dos vícios dos peemedebistas, sendo ele mesmo, e não eu, sócio deles nas falcatruas reveladas pela Lava-Jato.

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“Fora Temer” foi o hit do Carnaval? Menos, gente…

Por Wanfil em Política

01 de Março de 2017

Foto utilizada pelo PT para ilustrar o “Fora Temer” de Carnaval. Sem bandeiras vermelhas ou cartazes. É a tentativa de construir um “enredo” para a imprensa (Fernando Maia/Riotur)

O site do PT publicou texto afirmando que “Fora Temer” foi o hit do Carnaval 2017, “mais do que qualquer outra música do verão”. Antes de embarcar em releases partidários é preciso rigor redobrado na avaliação dos fatos.

Sim, a expressão “Fora Temer” foi entoada como palavra de ordem aqui e ali. No entanto, não há nada que endosse o tom apoteótico e ensurdecedor sugerido pela agência petista. Além do mais, a irreverência crítica contra políticos é comum nos carnavais.

Temer consegue ser tão impopular quanto Dilma, conforme atestam as pesquisas. Além das manobras contra a Lava-Jato, pesa contra ele uma rejeição de base, que reúne eleitores do PT que o consideram traidor, com aqueles que não votaram em Dilma (e em Temer), indignados desde antes das eleições com a situação do País.

Simpatizantes e militantes do PT se misturaram a foliões de todos os credos para protestar contra a política, elegendo Temer como alvo. Foi isso. Não existe aí um “volta Lula”, que é o que se tenta construir agora. Cuidado, pessoal. Eles são bons em fabricar “narrativas”. Nesse caso, ainda em clima de Carnaval, são bons em criar enredos para a imprensa cantar.

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“Fora Temer” foi o hit do Carnaval? Menos, gente…

Por Wanfil em Política

01 de Março de 2017

Foto utilizada pelo PT para ilustrar o “Fora Temer” de Carnaval. Sem bandeiras vermelhas ou cartazes. É a tentativa de construir um “enredo” para a imprensa (Fernando Maia/Riotur)

O site do PT publicou texto afirmando que “Fora Temer” foi o hit do Carnaval 2017, “mais do que qualquer outra música do verão”. Antes de embarcar em releases partidários é preciso rigor redobrado na avaliação dos fatos.

Sim, a expressão “Fora Temer” foi entoada como palavra de ordem aqui e ali. No entanto, não há nada que endosse o tom apoteótico e ensurdecedor sugerido pela agência petista. Além do mais, a irreverência crítica contra políticos é comum nos carnavais.

Temer consegue ser tão impopular quanto Dilma, conforme atestam as pesquisas. Além das manobras contra a Lava-Jato, pesa contra ele uma rejeição de base, que reúne eleitores do PT que o consideram traidor, com aqueles que não votaram em Dilma (e em Temer), indignados desde antes das eleições com a situação do País.

Simpatizantes e militantes do PT se misturaram a foliões de todos os credos para protestar contra a política, elegendo Temer como alvo. Foi isso. Não existe aí um “volta Lula”, que é o que se tenta construir agora. Cuidado, pessoal. Eles são bons em fabricar “narrativas”. Nesse caso, ainda em clima de Carnaval, são bons em criar enredos para a imprensa cantar.