O estilo Cid Gomes e o incidente da BR-116 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O estilo Cid Gomes e o incidente da BR-116

Por Wanfil em Noticiário

18 de outubro de 2014

Cid Gomes protagoniza mais uma vez um episódio inusitado nos noticiários locais e nacionais. É que por causa de um incidente de trânsito sem gravidade envolvendo um carro de dois ônibus na BR-116, em Fortaleza, o governador do Ceará tentou, sem sucesso e de modo intempestivo, desobstruir a parte da via interditada pelo pequeno acidente.

Filmado por populares, Cid se ofereceu, com impaciência, para pagar o prejuízo, desde que os carros saíssem do local; ameaçou retirar os veículos sem a autorização dos proprietários (“vou tirar agora”); usou o cargo como argumento: “eu sou o governador”; discutiu com anônimos e com militantes do PMDB. Com a chegada da imprensa, o governador ficou mais comedido e passou a orientar, no meio da rua e sem necessidade alguma, os carros que passavam ao lado. Jornais e sites de todo o país destacaram a atuação de Cid Gomes como “agente de trânsito” ou “dono da rua”, a maioria em tom de deboche.

O caso não tem relevância política ou administrativa imediata, pois em nada contribui para a solução, por exemplo, de problemas de mobilidade urbana em estradas federais nos perímetros urbanos. E, convenhamos, todos estamos sujeitos ao estresse, a uma discussão de trânsito ou a um desatino momentâneo. No entanto, por se tratar de autoridade constituída e pessoa pública, situações assim acabam atingindo a imagem do gestor e da própria gestão. Ainda mais quando o incomum passa a ser algo recorrente. O governador cearense já mergulhou em tanque de adutora, caiu ao andar de skate, andou de moto sem capacete, atravessou correndo pista de aeroporto e foi a uma delegacia em Sobral defender aliado preso por crime eleitoral. São atos que, não raro, chegam a ofuscar ações da administração.

Com efeito, todo político tem um estilo. Cid Gomes é discreto nas articulações de bastidores e espalhafatoso em suas aparições públicas. Para alguns, esse modo de agir reflete uma personalidade simples e autêntica, para outros denota deslumbramento e arrogância. Aí é da interpretação de cada um.

O certo é que, em período eleitoral, bater boca no meio da rua não é o tipo de iniciativa que ajuda seu candidato à sucessão estadual. Nesse caso em particular, pode até ter efeito contrário, pois a forma de interpelar as pessoas foi deselegante e inadequada, quase autoritária, postura que deixa dúvidas sobre o nível de autonomia que seu indicado terá, caso seja eleito. Mas, fazer o quê? Como me disse um assessor dele, comentando sobre as declarações intempestivas do governador no Facebook, “Cid é assim, é o jeito dele mesmo”.

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O estilo Cid Gomes e o incidente da BR-116

Por Wanfil em Noticiário

18 de outubro de 2014

Cid Gomes protagoniza mais uma vez um episódio inusitado nos noticiários locais e nacionais. É que por causa de um incidente de trânsito sem gravidade envolvendo um carro de dois ônibus na BR-116, em Fortaleza, o governador do Ceará tentou, sem sucesso e de modo intempestivo, desobstruir a parte da via interditada pelo pequeno acidente.

Filmado por populares, Cid se ofereceu, com impaciência, para pagar o prejuízo, desde que os carros saíssem do local; ameaçou retirar os veículos sem a autorização dos proprietários (“vou tirar agora”); usou o cargo como argumento: “eu sou o governador”; discutiu com anônimos e com militantes do PMDB. Com a chegada da imprensa, o governador ficou mais comedido e passou a orientar, no meio da rua e sem necessidade alguma, os carros que passavam ao lado. Jornais e sites de todo o país destacaram a atuação de Cid Gomes como “agente de trânsito” ou “dono da rua”, a maioria em tom de deboche.

O caso não tem relevância política ou administrativa imediata, pois em nada contribui para a solução, por exemplo, de problemas de mobilidade urbana em estradas federais nos perímetros urbanos. E, convenhamos, todos estamos sujeitos ao estresse, a uma discussão de trânsito ou a um desatino momentâneo. No entanto, por se tratar de autoridade constituída e pessoa pública, situações assim acabam atingindo a imagem do gestor e da própria gestão. Ainda mais quando o incomum passa a ser algo recorrente. O governador cearense já mergulhou em tanque de adutora, caiu ao andar de skate, andou de moto sem capacete, atravessou correndo pista de aeroporto e foi a uma delegacia em Sobral defender aliado preso por crime eleitoral. São atos que, não raro, chegam a ofuscar ações da administração.

Com efeito, todo político tem um estilo. Cid Gomes é discreto nas articulações de bastidores e espalhafatoso em suas aparições públicas. Para alguns, esse modo de agir reflete uma personalidade simples e autêntica, para outros denota deslumbramento e arrogância. Aí é da interpretação de cada um.

O certo é que, em período eleitoral, bater boca no meio da rua não é o tipo de iniciativa que ajuda seu candidato à sucessão estadual. Nesse caso em particular, pode até ter efeito contrário, pois a forma de interpelar as pessoas foi deselegante e inadequada, quase autoritária, postura que deixa dúvidas sobre o nível de autonomia que seu indicado terá, caso seja eleito. Mas, fazer o quê? Como me disse um assessor dele, comentando sobre as declarações intempestivas do governador no Facebook, “Cid é assim, é o jeito dele mesmo”.