O ecologista universitário - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O ecologista universitário

Por Wanfil em Artigo, Movimentos Sociais

14 de agosto de 2013

Descobri recentemente que assim como há o “forró universitário” e o “sertanejo universitário”, existe o “ecologismo universitário”. A classificação é informal, mas compreende grupos de indivíduos, jovens na maioria, alunos de cursos superiores. Em comum, a capacidade de transformar a fonte original de suas inspirações em produtos medíocres, para consumo fácil.

Entrei em contato com os ecologistas universitários em razão do post Qual a diferença entre a polêmica do Parque do Cocó e uma novela?, pelo qual recebi diversas críticas na fanpage do Tribuna do Ceará no Facebook, feitas por universitários indignados com o que entendem ser, digamos, falta de alinhamento com a causa que simpatizam, no caso, o impedimento da construção de dois viadutos nas imediações do local.

Pelas observações lá anotadas, é lícito supor que a maioria se deixou levar por impressões nascidas da mera leitura do título, sem atinar para o teor do artigo, em que sequer entro no mérito de quem tem ou não razão na polêmica, atendo-me somente a uma análise do comportamento das partes em litígio: defensores versus críticos da obra. Alguns que o leram, na ânsia de aderir ao coro das críticas, e em obediência ao espírito de corpo, endossaram os chavões típicos dos grupos doutrinados.

Não vou discutir questões de estilo (“o estilo é o homem”, dizia o Conde de Buffon): frases truncadas, ofensas, erros gramaticais grosseiros. Segundo me disseram, na Internet o erro é a norma. Escrever corretamente, pois, é puro capricho elitista e esnobe. E eu que imaginava que a norma culta ajudava na organização e transmissão do pensamento.

O que me impressionou nos ecologistas universitários, além do fato de muitos não saberem distinguir artigo de reportagem, é a disposição de atacar quem não reze pela cartilha dos preceitos politicamente corretos que, em suas cabecinhas, se passam por pensamento crítico de muita profundidade. A mera desconfiança de que o sujeito não concorde incondicionalmente com a pauta que julgam ser a correta, já lhes basta para que busquem desqualificá-lo pessoalmente. Não há argumentos em suas críticas, mas impropérios vazios e vulgares.

Não percebem que a beleza e a pujança da democracia residem justamente na contraposição de ideias, no debate honesto que não se deixa ofuscar por rótulos preconceituosos, na capacidade de convencer pela razão. Imaginam que ecologia é bandeira anticapitalista e não de aprimoramento no modo de produção.

A diferença entre os sertanejos, forrozeiros e ecologistas universitários é que os dois primeiros não aspiram representar um tipo de arte superior, enquanto os últimos acreditam ser o suprassumo da consciência humana. A indignação que demonstram não é ânsia de justiça, é afetação contra qualquer possibilidade de dissenso.

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O ecologista universitário

Por Wanfil em Artigo, Movimentos Sociais

14 de agosto de 2013

Descobri recentemente que assim como há o “forró universitário” e o “sertanejo universitário”, existe o “ecologismo universitário”. A classificação é informal, mas compreende grupos de indivíduos, jovens na maioria, alunos de cursos superiores. Em comum, a capacidade de transformar a fonte original de suas inspirações em produtos medíocres, para consumo fácil.

Entrei em contato com os ecologistas universitários em razão do post Qual a diferença entre a polêmica do Parque do Cocó e uma novela?, pelo qual recebi diversas críticas na fanpage do Tribuna do Ceará no Facebook, feitas por universitários indignados com o que entendem ser, digamos, falta de alinhamento com a causa que simpatizam, no caso, o impedimento da construção de dois viadutos nas imediações do local.

Pelas observações lá anotadas, é lícito supor que a maioria se deixou levar por impressões nascidas da mera leitura do título, sem atinar para o teor do artigo, em que sequer entro no mérito de quem tem ou não razão na polêmica, atendo-me somente a uma análise do comportamento das partes em litígio: defensores versus críticos da obra. Alguns que o leram, na ânsia de aderir ao coro das críticas, e em obediência ao espírito de corpo, endossaram os chavões típicos dos grupos doutrinados.

Não vou discutir questões de estilo (“o estilo é o homem”, dizia o Conde de Buffon): frases truncadas, ofensas, erros gramaticais grosseiros. Segundo me disseram, na Internet o erro é a norma. Escrever corretamente, pois, é puro capricho elitista e esnobe. E eu que imaginava que a norma culta ajudava na organização e transmissão do pensamento.

O que me impressionou nos ecologistas universitários, além do fato de muitos não saberem distinguir artigo de reportagem, é a disposição de atacar quem não reze pela cartilha dos preceitos politicamente corretos que, em suas cabecinhas, se passam por pensamento crítico de muita profundidade. A mera desconfiança de que o sujeito não concorde incondicionalmente com a pauta que julgam ser a correta, já lhes basta para que busquem desqualificá-lo pessoalmente. Não há argumentos em suas críticas, mas impropérios vazios e vulgares.

Não percebem que a beleza e a pujança da democracia residem justamente na contraposição de ideias, no debate honesto que não se deixa ofuscar por rótulos preconceituosos, na capacidade de convencer pela razão. Imaginam que ecologia é bandeira anticapitalista e não de aprimoramento no modo de produção.

A diferença entre os sertanejos, forrozeiros e ecologistas universitários é que os dois primeiros não aspiram representar um tipo de arte superior, enquanto os últimos acreditam ser o suprassumo da consciência humana. A indignação que demonstram não é ânsia de justiça, é afetação contra qualquer possibilidade de dissenso.