Caso Corinthians: Bolívia mostra ao Brasil como tratar marginais das torcidas de futebol 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Caso Corinthians: Bolívia mostra ao Brasil como tratar marginais das torcidas de futebol

Por Wanfil em Internacional

23 de Fevereiro de 2013

A Justiça boliviana decretou a prisão de 12 torcedores do Corinthians, acusados pela morte de um jovem de 14 anos durante uma partida de futebol na última quarta-feira (20), atingido por um sinalizador. Dois torcedores brasileiros são suspeitos de ter disparado contra o rapaz e os outros dez estão presos como cúmplices do assassinato.

A que ponto chegamos. Nossas instituições andam de tal forma degradadas que até a Bolívia nos dá aula. Por que até a Bolívia? Ora, é um país de baixa escolaridade, bem mais pobre do que o Brasil e politicamente instável, especialmente após a eleição do cocaleiro Evo Morales. Diferenças econômicas e políticas à parte, o fato é que os bolivianos não titubearam. Identificaram de onde saiu o disparo, prenderam os suspeitos no ato, e após um pedido do Ministério Público, decretaram a prisão preventiva dos acusados. O recado é claro: uma morte não pode ficar impune.

Claro que os brasileiros alegam inocência. As notícias dão conta de que primeiro eles afirmam não saber quem havia atirado com o sinalizador. Depois que um vídeo mostrando os prováveis responsáveis apareceu, eles dizem que foi um acidente. Nesses casos, todo o rigor não pode ser confundido como excesso arbitrário, afinal, uma vida foi ceifada estupidamente.

No Brasil há uma cultura de afago com o criminoso. Quantos torcedores já não morreram nos nossos estádios sem que medidas enérgicas tenham sido tomadas. Torcidas organizadas marcam brigas pela Internet. Não sei se na Bolívia é sempre assim, mas nesse caso, o comportamento é exemplar.

Agora vai uma opinião bem particular. Sujeitos que viajam para outro país, num dia de semana, para assistir uma partida de futebol, imbuídos de um sentimento histérico sem maiores propósitos, são vagabundos. Se usam os times e o esporte como pretexto para dar vazão a frustrações e à sua má índole atacando adversários, são bandidos. Se matam torcedores rivais, são criminosos que merecem cadeia. O problema é que a fronteira entre a paixão tola que o esporte excita e a falta de limites para o comportamento individual fica difusa em ambientes onde o que prevalece é a irracionalidade dos espíritos de grupo.

PS. Se os brasileiros estivessem presos na Colômbia, com certeza o Itamaraty já teria se manifestado contra o que consideraria um abuso típico de governos reacionários.

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Caso Corinthians: Bolívia mostra ao Brasil como tratar marginais das torcidas de futebol

Por Wanfil em Internacional

23 de Fevereiro de 2013

A Justiça boliviana decretou a prisão de 12 torcedores do Corinthians, acusados pela morte de um jovem de 14 anos durante uma partida de futebol na última quarta-feira (20), atingido por um sinalizador. Dois torcedores brasileiros são suspeitos de ter disparado contra o rapaz e os outros dez estão presos como cúmplices do assassinato.

A que ponto chegamos. Nossas instituições andam de tal forma degradadas que até a Bolívia nos dá aula. Por que até a Bolívia? Ora, é um país de baixa escolaridade, bem mais pobre do que o Brasil e politicamente instável, especialmente após a eleição do cocaleiro Evo Morales. Diferenças econômicas e políticas à parte, o fato é que os bolivianos não titubearam. Identificaram de onde saiu o disparo, prenderam os suspeitos no ato, e após um pedido do Ministério Público, decretaram a prisão preventiva dos acusados. O recado é claro: uma morte não pode ficar impune.

Claro que os brasileiros alegam inocência. As notícias dão conta de que primeiro eles afirmam não saber quem havia atirado com o sinalizador. Depois que um vídeo mostrando os prováveis responsáveis apareceu, eles dizem que foi um acidente. Nesses casos, todo o rigor não pode ser confundido como excesso arbitrário, afinal, uma vida foi ceifada estupidamente.

No Brasil há uma cultura de afago com o criminoso. Quantos torcedores já não morreram nos nossos estádios sem que medidas enérgicas tenham sido tomadas. Torcidas organizadas marcam brigas pela Internet. Não sei se na Bolívia é sempre assim, mas nesse caso, o comportamento é exemplar.

Agora vai uma opinião bem particular. Sujeitos que viajam para outro país, num dia de semana, para assistir uma partida de futebol, imbuídos de um sentimento histérico sem maiores propósitos, são vagabundos. Se usam os times e o esporte como pretexto para dar vazão a frustrações e à sua má índole atacando adversários, são bandidos. Se matam torcedores rivais, são criminosos que merecem cadeia. O problema é que a fronteira entre a paixão tola que o esporte excita e a falta de limites para o comportamento individual fica difusa em ambientes onde o que prevalece é a irracionalidade dos espíritos de grupo.

PS. Se os brasileiros estivessem presos na Colômbia, com certeza o Itamaraty já teria se manifestado contra o que consideraria um abuso típico de governos reacionários.