Xico Graziano lembra que PSDB é de esquerda e que a direita é órfã no Brasil. Mas só falou após a eleição... - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Xico Graziano lembra que PSDB é de esquerda e que a direita é órfã no Brasil. Mas só falou após a eleição…

Por Wanfil em Ideologia

05 de novembro de 2014

Xico Graziano foi um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves à Presidência da República. Ao comentar sobre o protesto em São Paulo no qual 2.500 pessoas pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff – e onde alguns poucos pediam intervenção militar -, Xico disse que não concordava com essas teses. Foi por isso criticado por radicais que existem às pencas nas redes sociais. O tucano então resolveu deixar as coisas claras:

Existe no Brasil uma ideologia própria da direita que se encontra desamparada do sistema representativo, quer dizer, sem partido político. Sua força se mostra na rede da internet. Essa corrente luta para destruir o PT, acusando-o de querer implantar o comunismo por aqui. Defendem as liberdades individuais, combatem tenazmente a corrupção organizada no poder, desprezam totalmente as lutas sociais, mostrando-se intolerante com o direito das minorias.”

É verdade que existe uma direita sem representação. Inclusive, boa parte dessa direita órfã votou em Aécio não por acreditar nele, mas por ser contra o PT. Mas é falso que exista um movimento intolerante que despreze as minorias. Existem divergências de ordem conceitual, o que é bem diferente. Também é falso que exista ação organizada para destruir o PT. Graziano falou de gente intolerante, eu sei, mas tomou a parte pelo todo. É como se eu dissesse que todo esquerdista é defensor da corrupção, uma vez que dirigentes do PT foram presos por esse tipo de crime. Ou que todos os que protestaram em junho de 2013 fossem partidários dos black blocs. Ou que todo torcedor é violento como facções de torcidas organizadas.

Há no texto de Graziano uma mistura entre fatos concretos e interpretações equivocadas, pois colocam o governo contra qual ele mesmo se opõe no papel de vítima de uma truculência que, na prática, não existe. A gestão Dilma não corre o risco de instabilidade política por causa desses gatos pingados que pedem a ditadura, mas por suas próprias ações, a começar pelo estelionato eleitoral relacionado à política fiscal. Vale lembrar: a presidente acusou adversários de planejarem aumento de juros e uma vez eleita, três dias depois, liberou o Banco Central (que não é independente) para anunciar o quê? Aumento de juros! Agora se as pessoas protestam, uns de forma correta, outros apelando a histrionismos, a responsabilidade é somente da Sra. Rouseff. Misturar alhos com bugalhos só beneficia o governo federal nesse momento de descrédito.

Dito isso, é correto afirmar que o PSDB é de esquerda. Quem duvida, basta ler Hélio Jaguaribe. Eu li. A social democracia, a meu ver, é uma esquerda ciente de que o marxismo é uma furada e que reconhece aspectos positivos no liberalismo, mas, ainda assim, uma esquerda genuína. Não é mais aquela social democracia de meados do século passado, mas uma versão, digamos assim, modernizada pelos tons rosas da “Terceira Via” de Anthony Giddens, Tony Blair, Bill Clinton e FHC. Não estou dizendo que PSDB e PT são iguais, nada disso. Existem matizes na esquerda e na direita. Há no PT um visível ranço autoritário típico de quem se considera o imperativo categórico da história, enquanto os tucanos ficam mais ao centro e, portanto, mais palatável ao direitista sem representação. De todo modo, quem diz que o PSDB é de direita é analfabeto político ou deturpa conceitos deliberadamente. E antes que me crucifixem no altar das heresias esquerdistas, cito aqui o maior santo dessa seita no Brasil, Lula da Silva:

“Pela primeira vez não vamos ter um candidato de direita na campanha. Não é fantástico isso? Vocês querem conquista melhor do que numa campanha neste país a gente não ter nenhum candidato de direita?” 

A frase foi dita em 15 de setembro de 2009, durante solenidade no IPEA (confira o vídeo aqui). Lula comentava sobre a eleição do ano seguinte, na qual sua escolhida, Dilma Rousseff, iria enfrentar Serra ou Aécio, pelo PSDB, além de Marina Silva pelo PV. Ciro Gomes corria por fora para tentar ser candidato pelo PSB, mas foi barrado pelo próprio partido.

Xico Graziano e Lula têm razão. A direita não tem partido formalizado. A direita no Brasil não tem candidato. Existem apenas indivíduos de direita. Graziano, como eu disse, toma delírios de radicais como se fossem expressão de um pensamento partidarizado. Lula ressuscita o fantasma dos “trogloditas da direita” quando lhe convém, mas sua opinião mesmo, da qual se orgulha e como vimos acima, é outra.

Por fim, Xico Graziano diz que é normal existirem as alianças eleitorais, e para tal existe o segundo turno. O problema surge quando os militantes da direita exigem que nós, os sociais democratas, encampemos sua ideologia, o que seria um absurdoNada contra. Mas o correto seria dizer isso antes das eleições. Aí, sim, seria bonito. Algo como: “Ei você que é anti-PT e de direita, não vote na gente pois também somos de esquerda. Vote nulo, pois ninguém aqui o representa”.

PS – 1. Sobre intervenção militar, sou absolutamente contra, por convicção. Não apenas aqui no Brasil, mas também em qualquer outro país, como em Cuba, por exemplo, ditadura militar financiada com ajuda do atual governo brasileiro e que é fetiche do esquerdismo nacional;
PS – 2. Pedir impeachment nas ruas não é crime, nem sinal de intolerância. Pelo menos, não era na época do ex-presidente Collor de Mello.

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Xico Graziano lembra que PSDB é de esquerda e que a direita é órfã no Brasil. Mas só falou após a eleição…

Por Wanfil em Ideologia

05 de novembro de 2014

Xico Graziano foi um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves à Presidência da República. Ao comentar sobre o protesto em São Paulo no qual 2.500 pessoas pediam o impeachment da presidente Dilma Rousseff – e onde alguns poucos pediam intervenção militar -, Xico disse que não concordava com essas teses. Foi por isso criticado por radicais que existem às pencas nas redes sociais. O tucano então resolveu deixar as coisas claras:

Existe no Brasil uma ideologia própria da direita que se encontra desamparada do sistema representativo, quer dizer, sem partido político. Sua força se mostra na rede da internet. Essa corrente luta para destruir o PT, acusando-o de querer implantar o comunismo por aqui. Defendem as liberdades individuais, combatem tenazmente a corrupção organizada no poder, desprezam totalmente as lutas sociais, mostrando-se intolerante com o direito das minorias.”

É verdade que existe uma direita sem representação. Inclusive, boa parte dessa direita órfã votou em Aécio não por acreditar nele, mas por ser contra o PT. Mas é falso que exista um movimento intolerante que despreze as minorias. Existem divergências de ordem conceitual, o que é bem diferente. Também é falso que exista ação organizada para destruir o PT. Graziano falou de gente intolerante, eu sei, mas tomou a parte pelo todo. É como se eu dissesse que todo esquerdista é defensor da corrupção, uma vez que dirigentes do PT foram presos por esse tipo de crime. Ou que todos os que protestaram em junho de 2013 fossem partidários dos black blocs. Ou que todo torcedor é violento como facções de torcidas organizadas.

Há no texto de Graziano uma mistura entre fatos concretos e interpretações equivocadas, pois colocam o governo contra qual ele mesmo se opõe no papel de vítima de uma truculência que, na prática, não existe. A gestão Dilma não corre o risco de instabilidade política por causa desses gatos pingados que pedem a ditadura, mas por suas próprias ações, a começar pelo estelionato eleitoral relacionado à política fiscal. Vale lembrar: a presidente acusou adversários de planejarem aumento de juros e uma vez eleita, três dias depois, liberou o Banco Central (que não é independente) para anunciar o quê? Aumento de juros! Agora se as pessoas protestam, uns de forma correta, outros apelando a histrionismos, a responsabilidade é somente da Sra. Rouseff. Misturar alhos com bugalhos só beneficia o governo federal nesse momento de descrédito.

Dito isso, é correto afirmar que o PSDB é de esquerda. Quem duvida, basta ler Hélio Jaguaribe. Eu li. A social democracia, a meu ver, é uma esquerda ciente de que o marxismo é uma furada e que reconhece aspectos positivos no liberalismo, mas, ainda assim, uma esquerda genuína. Não é mais aquela social democracia de meados do século passado, mas uma versão, digamos assim, modernizada pelos tons rosas da “Terceira Via” de Anthony Giddens, Tony Blair, Bill Clinton e FHC. Não estou dizendo que PSDB e PT são iguais, nada disso. Existem matizes na esquerda e na direita. Há no PT um visível ranço autoritário típico de quem se considera o imperativo categórico da história, enquanto os tucanos ficam mais ao centro e, portanto, mais palatável ao direitista sem representação. De todo modo, quem diz que o PSDB é de direita é analfabeto político ou deturpa conceitos deliberadamente. E antes que me crucifixem no altar das heresias esquerdistas, cito aqui o maior santo dessa seita no Brasil, Lula da Silva:

“Pela primeira vez não vamos ter um candidato de direita na campanha. Não é fantástico isso? Vocês querem conquista melhor do que numa campanha neste país a gente não ter nenhum candidato de direita?” 

A frase foi dita em 15 de setembro de 2009, durante solenidade no IPEA (confira o vídeo aqui). Lula comentava sobre a eleição do ano seguinte, na qual sua escolhida, Dilma Rousseff, iria enfrentar Serra ou Aécio, pelo PSDB, além de Marina Silva pelo PV. Ciro Gomes corria por fora para tentar ser candidato pelo PSB, mas foi barrado pelo próprio partido.

Xico Graziano e Lula têm razão. A direita não tem partido formalizado. A direita no Brasil não tem candidato. Existem apenas indivíduos de direita. Graziano, como eu disse, toma delírios de radicais como se fossem expressão de um pensamento partidarizado. Lula ressuscita o fantasma dos “trogloditas da direita” quando lhe convém, mas sua opinião mesmo, da qual se orgulha e como vimos acima, é outra.

Por fim, Xico Graziano diz que é normal existirem as alianças eleitorais, e para tal existe o segundo turno. O problema surge quando os militantes da direita exigem que nós, os sociais democratas, encampemos sua ideologia, o que seria um absurdoNada contra. Mas o correto seria dizer isso antes das eleições. Aí, sim, seria bonito. Algo como: “Ei você que é anti-PT e de direita, não vote na gente pois também somos de esquerda. Vote nulo, pois ninguém aqui o representa”.

PS – 1. Sobre intervenção militar, sou absolutamente contra, por convicção. Não apenas aqui no Brasil, mas também em qualquer outro país, como em Cuba, por exemplo, ditadura militar financiada com ajuda do atual governo brasileiro e que é fetiche do esquerdismo nacional;
PS – 2. Pedir impeachment nas ruas não é crime, nem sinal de intolerância. Pelo menos, não era na época do ex-presidente Collor de Mello.