História Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

História

100 anos da Revolução Russa: conheça sua origem e legado no documentário A História Soviética

Por Wanfil em História

25 de outubro de 2017

Em outubro de 1917 a Revolução Russa consagrou o socialismo como experiência real. Cem anos depois, vale a pena conferir o documentário The Soviet History, produzido pelo Parlamento Europeu em 2008. Um aviso: é difícil de assistir, pois o legado dessa história é puro terror e maldade. Imagens e depoimentos duros, mas fundamentais para ver um lado que na escola com partido em que estudamos, não pudemos conhecer.

Publicidade

A Espada de Dâmocles e a Operação Lava Jato

Por Wanfil em História

07 de julho de 2017

A Espada de Dâmocles, de Richard Westall. A cabeça por um fio

As incertezas quanto à permanência de Michel Temer na Presidência da República jogam sobre sobre Rodrigo Maia, presidente da Câmara, primeiro na linha sucessória na ausência de um vice-presidente, a famosa expectativa de poder.

Ocupando assim o centro das atenções, Maia (codinome Botafogo) passou a ilustrar reportagens que resgataram a citação de seu nome na delação da Odebrecht. Pois é. A condição para assumir o cargo é ter a atuação política submetida ao minucioso exame de investigadores e da imprensa. Aceita se quiser.

Esse concerto político me fez lembrar da Espada de Dêmocles, história da Grécia antiga. Resumindo, Dâmocles, conselheiro e bajulador de Dionísio, disse certa feita que o tirano de Siracusa, na Sicília, era afortunado pela glória e poder que desfrutava.

Em resposta, o rei propôs que trocassem de lugar por um dia, no que foi prontamente atendido. O cortesão foi então cercado de todo o luxo, ouro e belas companhias. Mas depois Dionísio mandou pendurar sobre a cabeça de seu substituto temporário uma espada presa apenas por um fio de rabo de cavalo. A tensão da ameaça constante fez com que Dâmocles perdesse o interesse pelos encantos do cargo e desistisse da troca.

Estar no poder, portanto, é conviver com perigos. No Brasil dos dias que correm, o risco eminente para candidatos a rei é bem específico: é a Operação Lava Jato pendendo como a Espada de Dâmocles sobre a cabeça de quem ocupe o Palácio do Planalto.

Publicidade

O significado da morte de Fidel Castro

Por Wanfil em História

26 de novembro de 2016

Morreu Fidel Castro, aos 90 anos. Em 1957, pouco antes de assumir o poder com a revolução em Cuba, Fidel declarou, em entrevista ao jornalista Herbert Matthews, do New York Times: “O poder não me interessa. Depois da vitória, quero regressar à minha cidade e retomar minha profissão de advogado”. Acabou desmentido pelo apego ao poder, do qual só abriu mão quando a idade o impediu de governar.

A morte de Fidel significa um ditador a menos no mundo. A utopia sangrenta do Século 20, que incensou Lênin, Stálin e Mao, morre com seu último garoto propaganda. Há quem considere haver ditadores do bem e ditadores do mal. Há quem defenda a ideia de que as ditaduras podem ser divididas entre as bem intencionadas e as pervertidas por interesses econômicos. E ainda existem os que consentem com ditaduras por simpatizarem com o sinal ideológico que estas representam (quando à esquerda) e por seus supostos bons frutos.

A História mostra que não existem ditaduras do bem. Fidel morreu e temos um ditador a menos no mundo, porém, Cuba permanece uma ditadura, governada por Raul Castro. Não por acaso, irmão daquele abnegado comunista que dizia não ter interesse pelo poder.

Publicidade

O 15 de novembro e a República dos erros repetidos

Por Wanfil em História

15 de novembro de 2016

Campos Sales, presidente de 1898 a 1902, saneou as contas públicas com medidas impopulares. Uma lição que não aprendemos ainda.

Campos Sales, presidente de 1898 a 1902, saneou as contas públicas com medidas impopulares. Lição que ainda não aprendemos.

Proclamamos a República em 15 de novembro de 1889. A monarquia estava definitivamente no passado. Deodoro da Fonseca assume a Presidência. Dois anos depois, assume Floriano Peixoto, seguido por Prudente de Morais.

Em 1898, apenas nove anos depois da proclamada a República, Campos Sales é eleito. Acontece que sua chegada à Presidência já não tem o frescor da novidade e da esperança, pelo contrário. Nessa essa época, o Brasil estava em crise, preso a uma monstruosa dívida externa e com profundo déficit nas contas públicas.

Para sanear o caixa, foram adotadas medidas de ajuste, com renegociação da dívida, restrição da política monetária para derrubar a inflação alta, acentuado corte de despesas e aumento de impostos. Desagradou a todos, mas corrigiu, ou pelo menos encaminhou soluções para os erros cometidos por seus antecessores e pelo Império.

O preço político por essas ações foi a impopularidade: Campos Sales deixou o cargo, em 1902, sob vaias.

O 15 de novembro não poderia ser mais atual. A História do Brasil tem sido a alternância de poder entre estatistas perdulários e liberais defensores do rigor fiscal. Os primeiros expandem gastos financiando políticas públicas que muitas vezes representam avanços, mas que degeneram rapidamente em populismo e quebram o País. Os segundos o consertam, caminhando sobre um círculo vicioso que nem a Lei de Responsabilidade Fiscal conseguiu impedir, como vimos nas gestões de Lula e, principalmente, Dilma.

Nessa ciranda do atraso, o gastador irresponsável cai nas graças da população e das corporações, que passam a acreditar que dinheiro público não tem fim, enquanto o gestor responsável é visto como insensível. Daí que a proposta de fixar um teto para os gastos do governo federal é mais criticada em setores politicamente mobilizados do que os anos de déficits que levaram o País à recessão.

Se errando é que se aprende, já está na hora de aprender a lição.

Publicidade

‘Ceará de Atitude’ resgata histórias de torturados na ditadura, mas alguns continuam esquecidos

Por Wanfil em História

26 de agosto de 2016

O Governo do Ceará lançou neste mês de agosto a série de documentários Ceará de Atitude, que relembra “a história de quatro cearenses que sobreviveram à prisão e à tortura durante a ditadura militar”.  A Lei da Anistia foi promulgada em 28 de agosto de 1979.

Foram exibidas as histórias de Valter Pinheiro e Beliza Guedes. Valter participou da luta armada junto ao Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que combatia a ditadura militar para instaurar a “ditadura do proletariado”. Foi brutalmente torturado na “Casa dos Horrores”, em Maranguape. Beliza também militou no PCBR. Foi sequestrada por militares para ser interrogada em sessões de tortura psicológica.

Vítimas de arbitrariedades covardes e desumanas, suas histórias merecem ser contadas como exemplos contra os regimes de exceção. Por isso, aproveitando a oportunidade, deixo aqui sugestões de outras vítimas de violência nesse período aqui no Ceará, para outros documentários que eventualmente venham a ser produzidos:

Waldemar Carneiro de Brito – PM de apenas 19 anos assassinado com três tiros no dia 4 de janeiro de 1969, na Avenida Bezerra de Menezes, por integrantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização revolucionária de esquerda, durante assalto em busca de armas.

José Armando Rodrigues – Comerciante assaltado, sequestrado, torturado e morto a tiros na serra de Ibiapaba, em São Benedito, por José Sales de Oliveira, Antônio Espiridião Neto, Carlos de Montenegro Medeiros, Gilberto Telmo Sidney Marques, Timochenko Soares de Sales, Francisco William e Waldemar Rodrigues Menezes (autor dos disparos), membros da Ação Libertadora Nacional.

Esses casos mostram que também existem vítimas de ações perpetradas por organizações revolucionárias. Fato que não justifica a ditadura, muito menos os seus crimes, mas que são importantes para, como dizem os idealizadores do Ceará de Atitude, “resgatar a memória política brasileira, preservando conhecimento para as futuras gerações”.

Publicidade

Tiradentes foi um coxinha golpista

Por Wanfil em História

21 de Abril de 2016

A tradição marxista da historiografia brasileira aponta Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, homenageado nesta data com um feriado nacional, filho de produtor rural, parceiro de empresários e ativista liberal, como um revolucionário que ousou enfrentar a opressão das elites e tal.

Já para os portugueses, Tiradentes, que pregava emancipação nacional, menos interferência do estado na atividade econômica, menos impostos e o fim de privilégios para os protegidos da Coroa, era visto como um detestável conspirador que tramava contra as leis e contra o legítimo poder do rei, garantindo, ora bolas, por ninguém menos que o próprio Deus, segundo as normas do regime absolutista.

Dadas essas condições, se fosse transportado para os dias atuais, Tiradentes seria um sujeito de classe média ligado a setores políticos e econômicos mais abastados e contrários ao governo, protestando contra a interferência do estado na atividade econômica (ou seja, contra a crise), contra os altos impostos e pelo fim dos privilégios concedidos aos amigos do poder. Suponho, portanto, que o “conspirador” da Inconfidência diria sim ao impeachment, posição que faria dele, segundo a retórica governista dos dias que correm, um coxinha golpista.

Publicidade

Feriado de Tiradentes e as semelhanças entre os inconfidentes de 1789 e os protestos de 2015

Por Wanfil em História

21 de Abril de 2015

Hoje é feriado de Tiradentes, morto no dia 21 de abril de 1792 e mártir da Inconfidência Mineira, iniciada em 1789. A conspiração dos mineiros contra a coroa portuguesa é alvo de revisões e polêmicas entre historiadores, mas é possível dizer com razoável concordância que os inconfidentes se insurgiram contra um conjunto de práticas adotadas pelo império absolutista lusitano. Não foi, com efeito, uma revolta popular, mas suas bases prenunciavam que o desgaste entre matriz e colônia caminhava para uma situação insustentável.

Os revoltosos de Minas queriam a emancipação do Brasil por causa de um conjunto de motivos que podem ser mais ou menos assim resumidos: os abusos autoritários do império português; o excesso de regulamentação para as atividades econômicas; os monopólios e privilégios concedidos aos amigos do rei, em prejuízo dos produtores locais; os altos impostos cobrados para a mineração de ouro, que equivalia a 20% de tudo o que era encontrado. Esse imposto era chamado de Quinto (a quinta parte do total). A gota d’água foi a “derrama”, que determinava o confisco indiscriminado de pertences de quem não pagasse os impostos em dia.

Agora vejam que curioso: parece ou não parece com o Brasil dos dias atuais? O governo brasileiro sangra a renda das famílias com uma carga tributária que beira os 40% do PIB, ou seja, o dobro do que cobravam os portugueses. As empresas sofrem com o excesso de burocracia e com regulamentação antiquada, feita para sustentar os pesados gastos da ineficiência estatal, punindo quem empreende. A população, mais esclarecida hoje do que no século 18, rejeita o governo em pesquisas por não aceitar mais os arranjos, as licitações viciadas, os privilégios concedidos aos amigos dos governantes.

Para os portugueses do Brasil colônia, os inconfidentes eram golpistas que atentavam contra a ordem legal e a estrutura política vigentes. No Brasil independente do século 21, protestos e rejeição popular são vistos pelo governo como sintomas de um movimento golpista. Quanta coincidência.

Publicidade

Comissão da Verdade “esquece” episódio no Ceará

Por Wanfil em História

15 de dezembro de 2014

O relatório final da Comissão da Verdade apresentado na semana passada listou os cearenses Bérgson Gurjão e Custódio Saraiva Neto, executados na Guerrilha do Araguaia, como vítimas do regime militar. De memória, lembro ter lido que Gurjão foi capturado em combate; depois, já sob tutela das Forças Armadas, foi torturado e assassinado a golpes de baioneta. Portanto, registro corretíssimo. Sobre Custódio nada sei, a não ser que foi considerado como desaparecido e posteriormente declarado morto, sem maiores detalhes. Se morreu em combate ou se foi eliminado após ser preso, não posso dizer.

De todo modo, como oficialmente o objetivo declarado da Comissão é o resgate da verdade dos fatos, é preciso registrar que nomes de outros cearenses ficaram de fora do relatório, um como vítima e outros como responsáveis por um episódio ocorrido aqui no Ceará.

Em 29 de agosto de 1970, o empresário José Armando Rodrigues foi sequestrado, torturado e morto a tiros por membros da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização comunista ligada à ditadura cubana e fundada pelo notório Carlos Marighela, dissidente do PCB. O corpo de Rodrigues foi jogado do alto da Serra da Ibiapaba, no município de São Benedito. Parte do grupo foi preso no dia seguinte ao assassinato e o restante foi identificado no decorrer das investigações.

Foram indiciados pelo caso Francisco William Montenegro, Carlos Thimonshenko, Valdemar Rodrigues Meneses (acusado de ser o autor dos disparados contra o empresário), José Sales de Oliveira, GilbertoTelmo Sidnei Marques, Antônio Experidião Neto, João Xavier de Lacerda e José Bento da Silva. Todos foram, assim como os militares, anistiados.

Nesta segunda, José Miguel Vivanco , diretor da ONG Human Rights Watch, disse que o documento erra por não listar crimes cometidos por organizações de esquerda que atuavam contra o regime. “Se houve abusos de grupos armados irregulares, isso deve constar de um informe dessa natureza“, afirmou.

Ao que tudo indica, parece ser esse o caso em relação aos crimes ocorridos no Ceará. Por José Armando Rodrigues ninguém chorou na solenidade de entrega do relatório para a presidente Dilma.

 

Publicidade

O golpe de 31 de março de 64: para fugir da guerra de versões

Por Wanfil em História

31 de Março de 2014

Um breve comentário sobre os 50 anos do Golpe de 64, completados neste 31 de março de 2014.

Boa parte das reportagens que vi nos grandes veículos limitaram-se a reproduzir lugares comuns e mistificações. Na disputa pelo espólio da História, militares e simpatizantes alegam que salvaram o país de uma possível ditadura comunista. Por outro lado, revolucionários de esquerda, uma vez impedidos de instalar no Brasil um regime comunista, afirmam que lutavam pela democracia. Em comum, ambos se valem da mesma contradição: em nome da liberdade, defendiam regimes de força que eram, em si mesmos, a negação da liberdade. Leia mais

Publicidade

Os Gatos-Pingados

Por Wanfil em Fortaleza, História

02 de agosto de 2013

São várias as explicações para a expressão gatos-pingados, especialmente nesses tempos de Internet e Wikipédia. Eu fico com a do poeta e memorialista cearense Otacílio de Azevedo, nascido em Redenção em 1892 e autor de Fortaleza Descalça, livro de crônicas sobre a capital cearense no início do Século 20.

A propósito, lembrei-me da expressão ao ver a atuação dos manifestantes (palavra vazia, a meu ver) que tentam impedir o corte de árvores no Parque do Cocó, no trecho de sete metros onde parte de um viaduto será construído (porque o projeto não evitou isso, eu não sei). Volto ao tema mais adiante.

Otacílio conta que “um dos aspectos mais curiosos da Fortaleza antiga era, sem dúvida, aquele apresentado pelos chamados Gatos-Pingados. Eram contratados para levar o defunto ao cemitério. Trajavam longas casacas pretas espartilhadas, calças com listras vermelhas, cartolas altas, de abas enroladas” (pág. 149).

De acordo com o historiador Sebastião Rogério, meu professor na Universidade Federal do Ceará, a expressão era associada aos detalhes nas roupas desses carregadores, com faixas amarelas nos braços, além das listras vermelhas já mencionadas, que originaram, com o humor típico do cearense, o adjetivo pingado.

E foi desses cortejos fúnebres surgiu ainda a derivação depreciativa “quatro gatos-pingados” (ou a variante numérica “meia-dúzia de gatos pingados”). Para o público que morava nas proximidades do cemitério São João Batista e que gostava de assistir aos enterros, um sinal de que o defunto não gozava de prestígio ou era pessoa detestada era justamente a quantidade de acompanhantes junto ao caixão. Quanto pior, menos gente, até o limite dos “quatro gatos-pingados”.

Crítica radical? Não, prefiro a crítica sarcástica…

E dessa forma, poética e mordaz, a expressão passou a definir causas ou grupos que não conseguem contagiar, que carecem de adesão. O cartunista Henfil criou o personagem Gato Pingado para representar a torcida do América do Rio, mas essa é outra história. Ao ver os tais manifestantes no Cocó, lembrei-me de Otacílio de Azevedo. Em seguida, por uma sequência de associações, pensei nas companheiras Rosa da Fonseca e Maria Luiza Fontenele, neoecologistas que comandam o cortejo fúnebre do anticapitalismo anarquista com os quatro gatos-pingados do movimento Critica Radical.

Depois, ainda no embalo dessas associações livres, passei a imaginar quem (oh, santo Marx!) financia o grupo, cujos integrantes, vez por outra, participam de eventos no exterior e que consegue sustentar seus abnegados militantes que, sem trabalhar, não arredam o pé do acampamento no Parque do Cocó. Mas, no fundo, quem se importa?

Publicidade

Os Gatos-Pingados

Por Wanfil em Fortaleza, História

02 de agosto de 2013

São várias as explicações para a expressão gatos-pingados, especialmente nesses tempos de Internet e Wikipédia. Eu fico com a do poeta e memorialista cearense Otacílio de Azevedo, nascido em Redenção em 1892 e autor de Fortaleza Descalça, livro de crônicas sobre a capital cearense no início do Século 20.

A propósito, lembrei-me da expressão ao ver a atuação dos manifestantes (palavra vazia, a meu ver) que tentam impedir o corte de árvores no Parque do Cocó, no trecho de sete metros onde parte de um viaduto será construído (porque o projeto não evitou isso, eu não sei). Volto ao tema mais adiante.

Otacílio conta que “um dos aspectos mais curiosos da Fortaleza antiga era, sem dúvida, aquele apresentado pelos chamados Gatos-Pingados. Eram contratados para levar o defunto ao cemitério. Trajavam longas casacas pretas espartilhadas, calças com listras vermelhas, cartolas altas, de abas enroladas” (pág. 149).

De acordo com o historiador Sebastião Rogério, meu professor na Universidade Federal do Ceará, a expressão era associada aos detalhes nas roupas desses carregadores, com faixas amarelas nos braços, além das listras vermelhas já mencionadas, que originaram, com o humor típico do cearense, o adjetivo pingado.

E foi desses cortejos fúnebres surgiu ainda a derivação depreciativa “quatro gatos-pingados” (ou a variante numérica “meia-dúzia de gatos pingados”). Para o público que morava nas proximidades do cemitério São João Batista e que gostava de assistir aos enterros, um sinal de que o defunto não gozava de prestígio ou era pessoa detestada era justamente a quantidade de acompanhantes junto ao caixão. Quanto pior, menos gente, até o limite dos “quatro gatos-pingados”.

Crítica radical? Não, prefiro a crítica sarcástica…

E dessa forma, poética e mordaz, a expressão passou a definir causas ou grupos que não conseguem contagiar, que carecem de adesão. O cartunista Henfil criou o personagem Gato Pingado para representar a torcida do América do Rio, mas essa é outra história. Ao ver os tais manifestantes no Cocó, lembrei-me de Otacílio de Azevedo. Em seguida, por uma sequência de associações, pensei nas companheiras Rosa da Fonseca e Maria Luiza Fontenele, neoecologistas que comandam o cortejo fúnebre do anticapitalismo anarquista com os quatro gatos-pingados do movimento Critica Radical.

Depois, ainda no embalo dessas associações livres, passei a imaginar quem (oh, santo Marx!) financia o grupo, cujos integrantes, vez por outra, participam de eventos no exterior e que consegue sustentar seus abnegados militantes que, sem trabalhar, não arredam o pé do acampamento no Parque do Cocó. Mas, no fundo, quem se importa?