A segurança pública e o perigo nos ônibus e bancos de Fortaleza 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O perigo de andar de ônibus ou ir ao banco em Fortaleza: muito mais que uma sensação de insegurança

Por Wanfil em Fortaleza, Segurança

19 de Abril de 2012

Apesar dos investimentos crescentes em segurança, os números da violência aumentam ano após ano. É hora do governo debater com a sociedade.

As notícias que sobre nove saidinhas bancárias em dois dias e mais de 100 assaltos a ônibus nos primeiros 3 meses do ano em Fortaleza, publicadas pelo Jangadeiro Online, mostram que a realidade já ultrapassou muito aquilo o que alguns especialistas chamam de “sensação de insegurança”. Vivemos na pele mesmo é uma onda crescente de insegurança real. Atividades comuns como pegar um coletivo ou ir a uma agência bancária, agora causam justificado medo nas pessoas. Medo que se transforma em paranoia, na medida em que nos obriga a manter um estado de alerta constante, tal como nas cidades que correm risco de atentados terroristas.

Violência crescente
Os números, sempre os números, mostram que essa percepção tem razão de ser. De acordo com o mais recente Mapa da Violência, divulgado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, mostra que em 2010 a taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no Ceará 2010, ultrapassou, pela primeira vez, a média nacional, que foi de 26,2. Em 1994, a taxa estadual era de 9,5. Uma alta de 16,7 no índice. Uma calamidade.

Desculpas sobram aos montes, mas resultados impactantes no combate à criminalidade simplesmente inexistem. E como se o problema não fosse grave o bastante, o mais urgente e angustiante que vivemos, a maior preocupação do governo e de seus opositores é a construção de um aquário. Parecem não saber que para se ter aquário, emprego, turismo, educação e saúde, a premissa básica é no mínimo estar vivo. 

Sem debate, sem solução
Empurradas para debaixo do tapete, as informações que poderiam dar pistas para um debate saudável, acabam perdidas. Pior.  O sociólogo Leonardo Sá, coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará, afirma que as autoridades evitam compartilhar dados com a sociedade, divulgam índices parciais e misturam números para amenizar o quadro real, dificultando uma análise mais profunda sobre a violência e, consequentemente, o surgimento de mais propostas de soluções.

Marketing
Certa vez aprendi com o publicitário Lucas Pacheco que o marketing político tem que pensar no marketing governamental, de forma que uma promessa de campanha não se transforme numa dívida impagável. Prometer e não entregar é ruim para a imagem do gestor e político. Parece lógico, mas acontece muito no Brasil. E assim, para evitar desgastes, as propagandas oficiais tentam fazer passar por obra feita, o que ainda não existe. E tome anúncios de ações midiáticas para compensar a realidade. São alarmes sonoros em postes, policiais com patinetes caríssimos na Beira-Mar e viaturas policiais de luxo, tudo com efeito publicitário garantido.

É o que acontece com o Hospital da Mulher na gestão municipal, e é o que acontece com o programa Ronda do Quarteirão, da gestão estadual. As duas peças, alardeadas nas primeiras campanhas de cada um, exemplificam perfeitamente essa falta de sintonia entre marketing eleitoral e governamental.

Promessas
Como estamos falando de segurança, lembro que o Ronda foi uma promessa que passou por vários formatos até se transformar em projeto viável, porém, sem resultados na diminuição da violência, que é o que importa. A equipe de campanha do atual governador soube já naquele momento que a maior  preocupação do cearense era a insegurança.

Na campanha para a reeleição do governador, o programa eleitoral que fala sobre segurança não mostra um número, um índice, um percentual sequer sobre qualquer tipo de crime que tenha recuado. Tudo é promessa. Passados seis anos, o fato é que as coisas pioraram. Sorte do governo não ter uma oposição capaz de desconstruir o discurso oficial.

O fato é que, sem planejamento e discussão transparente, cidadãos e policiais continuam a correr risco de morrer vítimas do crime, sem que nada mude. Não adianta negar.

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O perigo de andar de ônibus ou ir ao banco em Fortaleza: muito mais que uma sensação de insegurança

Por Wanfil em Fortaleza, Segurança

19 de Abril de 2012

Apesar dos investimentos crescentes em segurança, os números da violência aumentam ano após ano. É hora do governo debater com a sociedade.

As notícias que sobre nove saidinhas bancárias em dois dias e mais de 100 assaltos a ônibus nos primeiros 3 meses do ano em Fortaleza, publicadas pelo Jangadeiro Online, mostram que a realidade já ultrapassou muito aquilo o que alguns especialistas chamam de “sensação de insegurança”. Vivemos na pele mesmo é uma onda crescente de insegurança real. Atividades comuns como pegar um coletivo ou ir a uma agência bancária, agora causam justificado medo nas pessoas. Medo que se transforma em paranoia, na medida em que nos obriga a manter um estado de alerta constante, tal como nas cidades que correm risco de atentados terroristas.

Violência crescente
Os números, sempre os números, mostram que essa percepção tem razão de ser. De acordo com o mais recente Mapa da Violência, divulgado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, mostra que em 2010 a taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no Ceará 2010, ultrapassou, pela primeira vez, a média nacional, que foi de 26,2. Em 1994, a taxa estadual era de 9,5. Uma alta de 16,7 no índice. Uma calamidade.

Desculpas sobram aos montes, mas resultados impactantes no combate à criminalidade simplesmente inexistem. E como se o problema não fosse grave o bastante, o mais urgente e angustiante que vivemos, a maior preocupação do governo e de seus opositores é a construção de um aquário. Parecem não saber que para se ter aquário, emprego, turismo, educação e saúde, a premissa básica é no mínimo estar vivo. 

Sem debate, sem solução
Empurradas para debaixo do tapete, as informações que poderiam dar pistas para um debate saudável, acabam perdidas. Pior.  O sociólogo Leonardo Sá, coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará, afirma que as autoridades evitam compartilhar dados com a sociedade, divulgam índices parciais e misturam números para amenizar o quadro real, dificultando uma análise mais profunda sobre a violência e, consequentemente, o surgimento de mais propostas de soluções.

Marketing
Certa vez aprendi com o publicitário Lucas Pacheco que o marketing político tem que pensar no marketing governamental, de forma que uma promessa de campanha não se transforme numa dívida impagável. Prometer e não entregar é ruim para a imagem do gestor e político. Parece lógico, mas acontece muito no Brasil. E assim, para evitar desgastes, as propagandas oficiais tentam fazer passar por obra feita, o que ainda não existe. E tome anúncios de ações midiáticas para compensar a realidade. São alarmes sonoros em postes, policiais com patinetes caríssimos na Beira-Mar e viaturas policiais de luxo, tudo com efeito publicitário garantido.

É o que acontece com o Hospital da Mulher na gestão municipal, e é o que acontece com o programa Ronda do Quarteirão, da gestão estadual. As duas peças, alardeadas nas primeiras campanhas de cada um, exemplificam perfeitamente essa falta de sintonia entre marketing eleitoral e governamental.

Promessas
Como estamos falando de segurança, lembro que o Ronda foi uma promessa que passou por vários formatos até se transformar em projeto viável, porém, sem resultados na diminuição da violência, que é o que importa. A equipe de campanha do atual governador soube já naquele momento que a maior  preocupação do cearense era a insegurança.

Na campanha para a reeleição do governador, o programa eleitoral que fala sobre segurança não mostra um número, um índice, um percentual sequer sobre qualquer tipo de crime que tenha recuado. Tudo é promessa. Passados seis anos, o fato é que as coisas pioraram. Sorte do governo não ter uma oposição capaz de desconstruir o discurso oficial.

O fato é que, sem planejamento e discussão transparente, cidadãos e policiais continuam a correr risco de morrer vítimas do crime, sem que nada mude. Não adianta negar.