Gestão Roberto Cláudio em Fortaleza: governar é diferente de fazer campanha - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Gestão Roberto Cláudio em Fortaleza: governar é diferente de fazer campanha

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Março de 2013

Hora de guardar o megafone - O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra

Hora de guardar o megafone – O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra.

Faltando praticamente uma semana para o prefeito Roberto Cláudio (PSB) completar três meses de governo em Fortaleza, já possível dizer que o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu.

Contraste de estilos

Ao ser empossad0, o novo prefeito fez uma série de visitas a postos de saúde, com ampla cobertura da imprensa, para ver a situação dos pacientes que buscam atendimento no serviço municipal.

A postura contrastava com o estilo da ex-prefeita Luizianne Lins, que nos últimos anos se caracterizou pelo isolamento dos gabinetes, talvez por causa da baixa popularidade. Enfim, a construção da imagem de gestor ativo que vai ao encontro das pessoas e não tem medo de encarar problemas parecia a todo vapor.

Ainda na área da saúde, o começo da gestão deu sinais de caminhar para um corajoso acerto de contas: a secretária Socorro martins acusou o desvio de aproximadamente 30 milhões de reais no repasse de recursos do Ministério da Saúde na gestão anterior. Esse seria outro ponto da imagem a ser destacado: a honestidade do líder refletida numa gestão transparente e sem rabo preso.

No entanto, passados mais alguns dias, esse furor midiático e voluntarista do início foi cedendo espaço para a cautela. O prefeito não visita mais postos com seu séquito de vereadores ávidos por fotografias. A secretária não tocou mais no assunto do suposto desvio, como se nada houvesse acontecido.

Nem tudo é imagem

Gestores públicos de primeira viagem, via de regra, assumem mandatos no Poder Executivo preocupados em criar uma marca administrativa que os singularize, especialmente nos casos em que paira no ar a sombra de um padrinho político. MAis do que uma marca, é preciso provar que o gestor tem uma identidade própria.

O perigo é deixar o clima do marketing eleitoral, onde a regra é prometer fervorosamente novos amanhãs, contaminar a rotina administrativa. Se a disputa nas urnas tiver sido dura, como foi em Fortaleza, há o risco de incorrer em contradição na mensagem que se quer passar ao público, como a manutenção de um discurso de ruptura facilmente desmentido pela cooptação da base parlamentar que serviu a gestão anterior.

O risco de cair nessas armadilhas é justamente o de gerar mais expectativas, quando o momento é o de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas. Estrategicamente, eventuais dados podem ser divulgados, sem alarde justiceiro, como prova de que o desafio exigirá grandes sacrifícios e tal, mas nada que comprometa alianças ou que exija ações imediatas de reparação.

Choque de realidade

Tudo ainda é muito novo em relação ao governo Roberto Cláudio. A mudança de postura verificada não significa necessariamente um recuo, mas pode ser um ajuste. O choque de realidade, onde as contas não fecham, o caixa é insuficiente, os custos são elevados e os problemas se multiplicam em velocidade alucinante, parece ter sido o suficiente para conter qualquer propensão ao discurso fácil.

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Gestão Roberto Cláudio em Fortaleza: governar é diferente de fazer campanha

Por Wanfil em Fortaleza

23 de Março de 2013

Hora de guardar o megafone - O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra

Hora de guardar o megafone – O marketing eleitoral não deve contaminar a comunicação governamental: a realidade agora é outra.

Faltando praticamente uma semana para o prefeito Roberto Cláudio (PSB) completar três meses de governo em Fortaleza, já possível dizer que o ímpeto midiático dos primeiros dias da nova gestão arrefeceu.

Contraste de estilos

Ao ser empossad0, o novo prefeito fez uma série de visitas a postos de saúde, com ampla cobertura da imprensa, para ver a situação dos pacientes que buscam atendimento no serviço municipal.

A postura contrastava com o estilo da ex-prefeita Luizianne Lins, que nos últimos anos se caracterizou pelo isolamento dos gabinetes, talvez por causa da baixa popularidade. Enfim, a construção da imagem de gestor ativo que vai ao encontro das pessoas e não tem medo de encarar problemas parecia a todo vapor.

Ainda na área da saúde, o começo da gestão deu sinais de caminhar para um corajoso acerto de contas: a secretária Socorro martins acusou o desvio de aproximadamente 30 milhões de reais no repasse de recursos do Ministério da Saúde na gestão anterior. Esse seria outro ponto da imagem a ser destacado: a honestidade do líder refletida numa gestão transparente e sem rabo preso.

No entanto, passados mais alguns dias, esse furor midiático e voluntarista do início foi cedendo espaço para a cautela. O prefeito não visita mais postos com seu séquito de vereadores ávidos por fotografias. A secretária não tocou mais no assunto do suposto desvio, como se nada houvesse acontecido.

Nem tudo é imagem

Gestores públicos de primeira viagem, via de regra, assumem mandatos no Poder Executivo preocupados em criar uma marca administrativa que os singularize, especialmente nos casos em que paira no ar a sombra de um padrinho político. MAis do que uma marca, é preciso provar que o gestor tem uma identidade própria.

O perigo é deixar o clima do marketing eleitoral, onde a regra é prometer fervorosamente novos amanhãs, contaminar a rotina administrativa. Se a disputa nas urnas tiver sido dura, como foi em Fortaleza, há o risco de incorrer em contradição na mensagem que se quer passar ao público, como a manutenção de um discurso de ruptura facilmente desmentido pela cooptação da base parlamentar que serviu a gestão anterior.

O risco de cair nessas armadilhas é justamente o de gerar mais expectativas, quando o momento é o de baixá-las, mostrando que as promessas demandam tempo para serem cumpridas. Estrategicamente, eventuais dados podem ser divulgados, sem alarde justiceiro, como prova de que o desafio exigirá grandes sacrifícios e tal, mas nada que comprometa alianças ou que exija ações imediatas de reparação.

Choque de realidade

Tudo ainda é muito novo em relação ao governo Roberto Cláudio. A mudança de postura verificada não significa necessariamente um recuo, mas pode ser um ajuste. O choque de realidade, onde as contas não fecham, o caixa é insuficiente, os custos são elevados e os problemas se multiplicam em velocidade alucinante, parece ter sido o suficiente para conter qualquer propensão ao discurso fácil.